Morador cria a Jangurussu TV para combater preconceito no bairro

SOLIDARIEDADE

Morador cria a Jangurussu TV para combater preconceito no bairro

Evenilson Pinto tem 30 anos e faz todo o trabalho sozinho: desde a reportagem à edição do material

Por Rosana Romão em Perfil

22 de agosto de 2016 às 07:00

Há 1 ano
Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora. (FOTO: Wilton Bandeira)

Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora (FOTO: Wilton Bandeira)

O Bairro Jangurussu já foi apontado como um dos mais violentos de Fortaleza. O antigo lixão, com área de 24 mil m², também contribuiu para que as pessoas tivessem preconceito com a região. Evenilson Pinto é uma das vítimas desse preconceito. “Sempre que saía com meus amigos, eles tentavam disfarçar o nome do nosso bairro, diziam que eram da Messejana. E isso me incomodava. Hoje eu tento mostrar o outro lado do bairro para acabar com esse estigma”, revela.

Apaixonado por comunicação desde criança, sempre gostou de assistir a noticiários na televisão, mas não tinha coragem de levar o sonho adiante. Mas, há dois anos, ele decidiu desmistificar a imagem de violência e pobreza do bairro, para mostrar o lado positivo do Jangurussu.

Para isso, criou a fanpage Jangurussu TV, onde publica reportagens sobre esportes, empreendedorismo e personagens da região.

Ele toma a frente de todo o trabalho, desde a apuração da pauta, até a captação e edição de imagens. Mesmo tendo começado sozinho, ao longo desses dois anos conseguiu firmar algumas parcerias. “São pequenos empreendedores do bairro que acreditam no projeto e apoiam a iniciativa. Dou um retorno com a inserção da marca deles nos vídeos”, explica sobre o seu atual trabalho, onde tem dedicação total, incluindo madrugadas.

Como o bairro é extenso, o cearense explora as possibilidades e mostra tudo o que há na região. Pautas que, muitas vezes, nem os próprios moradores conhecem. Uma característica do programa é a colaboração dos moradores, que ligam, sugerem pautas e acompanham as reportagens. “No início, me chamaram de doido, mas agora já estão curtindo, compartilhando e dando sugestões”, comemora Evenilson.

O alcance da página chega até 10 mil pessoas, já os vídeos alcançam cerca de 4 mil visualizações. Apesar do Jangurussu TV possuir alguns patrocínios, programa está em buscas de novas parcerias, pois necessita investir em figurino e aumentar a produtividade. Desde que passou a fazer matérias denunciativas, como o abandono das praças, Evenilson relata sofrer retaliações e teme pela segurança da família. 

Sua dedicação para melhorar a qualidade dos vídeos inclui estudo, pesquisa, tutoriais e dicas de pessoas que atuam na comunicação. “Procurei dicas de como se comportar como um repórter, como construir uma pauta, e também assisto muito a noticiários”. Quando descobre uma história interessante, ele pesquisa e se envolve ao máximo, ao ponto de passar o dia inteiro trabalhando.

Uma delas é sobre Henrique Capoeira, um morador do bairro que foi abandonado pela mãe e tinha um pai alcoólatra. Mesmo tendo crescido próximo a uma boca de fumo, ele começou a trabalhar aos 7 anos de idade e conseguiu mudar a sua vida graças ao esporte. Além de histórias como esta, iniciativas de projetos sociais recheiam o programa Jangurussu TV.

Ex-vendedor ambulante e músico, Evenilson enxerga o futuro com o seu trabalho. “Tenho uma paixão enorme pelo bairro. Tenho uma ligação direta e tento mudar um pouco o histórico daqui. Hoje sou bastante conhecido e sinto orgulho quando vejo as pessoas comentando. É uma sensação de dever cumprido. Todo o esforço é recompensando quando vejo as pessoas ajudando os outros”, finaliza.

Morador do Jangurussu cria programa para combater preconceito com o bairro
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Morador do Jangurussu cria programa para combater preconceito com o bairro

Evenilson entrevistando o músico Tico Santa Cruz. (FOTO: arquivo pessoal)

Morador do Jangurussu cria programa para combater preconceito com o bairro
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Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora. (FOTO: arquivo pessoal)

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Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora. (FOTO: arquivo pessoal)

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Morador cria a Jangurussu TV para combater preconceito no bairro

Evenilson Pinto tem 30 anos e faz todo o trabalho sozinho: desde a reportagem à edição do material

Por Rosana Romão em Perfil

22 de agosto de 2016 às 07:00

Há 1 ano
Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora. (FOTO: Wilton Bandeira)

Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora (FOTO: Wilton Bandeira)

O Bairro Jangurussu já foi apontado como um dos mais violentos de Fortaleza. O antigo lixão, com área de 24 mil m², também contribuiu para que as pessoas tivessem preconceito com a região. Evenilson Pinto é uma das vítimas desse preconceito. “Sempre que saía com meus amigos, eles tentavam disfarçar o nome do nosso bairro, diziam que eram da Messejana. E isso me incomodava. Hoje eu tento mostrar o outro lado do bairro para acabar com esse estigma”, revela.

Apaixonado por comunicação desde criança, sempre gostou de assistir a noticiários na televisão, mas não tinha coragem de levar o sonho adiante. Mas, há dois anos, ele decidiu desmistificar a imagem de violência e pobreza do bairro, para mostrar o lado positivo do Jangurussu.

Para isso, criou a fanpage Jangurussu TV, onde publica reportagens sobre esportes, empreendedorismo e personagens da região.

Ele toma a frente de todo o trabalho, desde a apuração da pauta, até a captação e edição de imagens. Mesmo tendo começado sozinho, ao longo desses dois anos conseguiu firmar algumas parcerias. “São pequenos empreendedores do bairro que acreditam no projeto e apoiam a iniciativa. Dou um retorno com a inserção da marca deles nos vídeos”, explica sobre o seu atual trabalho, onde tem dedicação total, incluindo madrugadas.

Como o bairro é extenso, o cearense explora as possibilidades e mostra tudo o que há na região. Pautas que, muitas vezes, nem os próprios moradores conhecem. Uma característica do programa é a colaboração dos moradores, que ligam, sugerem pautas e acompanham as reportagens. “No início, me chamaram de doido, mas agora já estão curtindo, compartilhando e dando sugestões”, comemora Evenilson.

O alcance da página chega até 10 mil pessoas, já os vídeos alcançam cerca de 4 mil visualizações. Apesar do Jangurussu TV possuir alguns patrocínios, programa está em buscas de novas parcerias, pois necessita investir em figurino e aumentar a produtividade. Desde que passou a fazer matérias denunciativas, como o abandono das praças, Evenilson relata sofrer retaliações e teme pela segurança da família. 

Sua dedicação para melhorar a qualidade dos vídeos inclui estudo, pesquisa, tutoriais e dicas de pessoas que atuam na comunicação. “Procurei dicas de como se comportar como um repórter, como construir uma pauta, e também assisto muito a noticiários”. Quando descobre uma história interessante, ele pesquisa e se envolve ao máximo, ao ponto de passar o dia inteiro trabalhando.

Uma delas é sobre Henrique Capoeira, um morador do bairro que foi abandonado pela mãe e tinha um pai alcoólatra. Mesmo tendo crescido próximo a uma boca de fumo, ele começou a trabalhar aos 7 anos de idade e conseguiu mudar a sua vida graças ao esporte. Além de histórias como esta, iniciativas de projetos sociais recheiam o programa Jangurussu TV.

Ex-vendedor ambulante e músico, Evenilson enxerga o futuro com o seu trabalho. “Tenho uma paixão enorme pelo bairro. Tenho uma ligação direta e tento mudar um pouco o histórico daqui. Hoje sou bastante conhecido e sinto orgulho quando vejo as pessoas comentando. É uma sensação de dever cumprido. Todo o esforço é recompensando quando vejo as pessoas ajudando os outros”, finaliza.

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Evenilson entrevistando o músico Tico Santa Cruz. (FOTO: arquivo pessoal)

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Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora. (FOTO: arquivo pessoal)

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Evenilson tem apenas 30 anos e é apaixonado pelo bairro onde mora. (FOTO: arquivo pessoal)