Mesmo sem ter celular, lavador de empresa de ônibus já devolveu 5 aparelhos perdidos

FAZER O BEM

Mesmo sem ter celular, lavador de empresa de ônibus já devolveu 5 aparelhos perdidos

O último celular encontrado por José Maria, dentro de ônibus, custa R$ 1.500, mais do que sua remuneração mensal

Por Gabriel Borges em Perfil

10 de Abril de 2018 às 07:15

Há 6 meses
lavador ônibus celular

José Maria já devolveu cinco celulares (FOTO: Gabriel Lobo)

Em um país tomado pela corrupção, atitudes honestas surpreendem. Se administradores públicos e empresários não dão exemplo, José Maria, limpador de ônibus, prova que bom caráter não se vende.

Aos 48 anos, nascido em Limoeiro do Norte, José veio tentar a vida em Fortaleza por falta de oportunidades em sua cidade natal. Com o pouco que ganha, o trabalhador sequer possui um telefone celular.

“Eu sou do interior, aqui eu moro só com minha esposa. Tá com um ano e seis meses que chegamos em Fortaleza, lá tava meio ruim de emprego e um amigo me chamou para trabalhar aqui”, relata. Em Limoeiro, José Maria trabalhava dirigindo trator e operando máquinas.

O último celular que achou e devolveu foi notícia no Tribuna do Ceará em março. Mas não foi o primeiro.

Esse foi o quinto celular que achei, os outros eu encontrei pela minha cidade mesmo. Já aconteceu de passar de moto e achar celular perdido pela rua”. O último aparelho encontrado custa mais de R$ 1.500, superando o valor da remuneração mensal que o funcionário recebe.

Todos os dias, ele trabalha na limpeza dos ônibus da Capital até 3h da manhã. Após ganhar repercussão nas redes sociais, muitos vizinhos e colegas de trabalho reconheceram o valor da sua atitude.

“No dia seguinte eu ainda achei uma bolsa e fiz a mesma coisa, levei para o setor encarregado. Quando achei o celular, vi que alguém estava ligando, mas eu não sabia atender”, revela.

O trabalhador conta que é comum as pessoas esquecerem coisas nos ônibus, geralmente, itens de pouco valor como um guarda-chuva. Todos os objetos encontrados por José Maria são levados para o setor de achados e perdidos.

Quando perguntado se sua atitude poderia ser vista como um exemplo, José Maria é enfático. “Eu me sinto feliz, porque você tá devolvendo algo que é da pessoa. Imagina perder tudo que tem ali? Então, eu vejo como exemplo sim, fica o exemplo pros meus colegas de trabalho”, finaliza.

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Mesmo sem ter celular, lavador de empresa de ônibus já devolveu 5 aparelhos perdidos

O último celular encontrado por José Maria, dentro de ônibus, custa R$ 1.500, mais do que sua remuneração mensal

Por Gabriel Borges em Perfil

10 de Abril de 2018 às 07:15

Há 6 meses
lavador ônibus celular

José Maria já devolveu cinco celulares (FOTO: Gabriel Lobo)

Em um país tomado pela corrupção, atitudes honestas surpreendem. Se administradores públicos e empresários não dão exemplo, José Maria, limpador de ônibus, prova que bom caráter não se vende.

Aos 48 anos, nascido em Limoeiro do Norte, José veio tentar a vida em Fortaleza por falta de oportunidades em sua cidade natal. Com o pouco que ganha, o trabalhador sequer possui um telefone celular.

“Eu sou do interior, aqui eu moro só com minha esposa. Tá com um ano e seis meses que chegamos em Fortaleza, lá tava meio ruim de emprego e um amigo me chamou para trabalhar aqui”, relata. Em Limoeiro, José Maria trabalhava dirigindo trator e operando máquinas.

O último celular que achou e devolveu foi notícia no Tribuna do Ceará em março. Mas não foi o primeiro.

Esse foi o quinto celular que achei, os outros eu encontrei pela minha cidade mesmo. Já aconteceu de passar de moto e achar celular perdido pela rua”. O último aparelho encontrado custa mais de R$ 1.500, superando o valor da remuneração mensal que o funcionário recebe.

Todos os dias, ele trabalha na limpeza dos ônibus da Capital até 3h da manhã. Após ganhar repercussão nas redes sociais, muitos vizinhos e colegas de trabalho reconheceram o valor da sua atitude.

“No dia seguinte eu ainda achei uma bolsa e fiz a mesma coisa, levei para o setor encarregado. Quando achei o celular, vi que alguém estava ligando, mas eu não sabia atender”, revela.

O trabalhador conta que é comum as pessoas esquecerem coisas nos ônibus, geralmente, itens de pouco valor como um guarda-chuva. Todos os objetos encontrados por José Maria são levados para o setor de achados e perdidos.

Quando perguntado se sua atitude poderia ser vista como um exemplo, José Maria é enfático. “Eu me sinto feliz, porque você tá devolvendo algo que é da pessoa. Imagina perder tudo que tem ali? Então, eu vejo como exemplo sim, fica o exemplo pros meus colegas de trabalho”, finaliza.