Senhora de 93 anos dá exemplo de vida ao chefiar a costura de uniformes dos médicos de hospitais da família
DISPOSIÇÃO DE SOBRA

Senhora de 93 anos dá exemplo de vida ao chefiar a costura de uniformes dos médicos de hospitais da família

Eugênia Pinheiro, de 93 anos, chefia a costura de roupas dos hospitais do filho Cândido Pinheiro desde 1979, antes mesmo da fundação do sistema Hapvida. Seus quatro filhos viraram médicos, seu sonho de adolescência

Por Daniel Rocha em Perfil

29 de setembro de 2017 às 07:15

Há 3 semanas

Eugênia Pinheiro tem 93 anos e, até hoje, trabalha na confecção das roupas (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

Quando era adolescente, Eugênia Pinheiro, de 93 anos, tinha o desejo de ser médica, mas, no fim da década de 1930 e no fim da de 1940, não era comum as mulheres seguirem uma profissão. Ou se casavam ou se tornavam professora. Como não tinha aptidão para ensinar, escolheu construir uma família. Mas o que a cearense de município de Quixadá, a 160 km de Fortaleza, não esperava era que os seus quatro filhos optassem pela Medicina e que viesse a ter um hospital em seu nome.

“Eu me casei em 1943, quando tinha 22 anos. O meu pai era muito apegado a mim e ele achava que ia sair de casa e não fosse mais voltar. Aí eu disse: ‘Você não vai deixar eu fazer Medicina, então vou me casar’”, disse Eugênia Pinheiro ao Tribuna do Ceará.

A senhora de 93 anos é mãe dos donos do sistema Hapvida e, e no último mês de agosto, foi homenageada com a inauguração de um hospital para mulheres da rede que leva o seu nome. Ela conta que os seus quatro filhos, Cândido Pinheiro, Alfredo Lima, Eugênia Pinheiro e Eveline Pinheiro, decidiram ser médicos e garante que nunca os influenciou na escolha: “Foi uma decisão deles”, ressalta.

O filho mais velho, Cândido Pinheiro, construiu uma das maiores redes de atendimento de saúde do País e, apesar da idade, ela ainda trabalha no hospital dele. Desde a função da primeira clínica que deu origem ao Hapvida, Dona Eugênia é a responsável pelas confecções das roupas dos pacientes e funcionários. No início, a demanda era pouca. Conseguia dar conta. Hoje, a realidade é diferente.

“Ele (Cândido Pinheiro, filho mais velho de Eugênia) montou uma clínica com 12 leitos. Ele me pediu para fazer o enxoval e, desde então, comecei a trabalhar na confecção das roupas”, conta Eugênia.

As primeiras confecções aconteceram em 1979, quando a clínica de Pinheiro começou a funcionar. 38 anos depois, ela gerencia um setor com mais de 15 funcionários para confeccionar os uniformes e roupas para mais de 16 mil profissionais que trabalham no Hospital Antônio Prudente, fundado em 1986, e, posteriormente, na operadora Hapvida, em 1993.

Eugênia Pinheiro é responsável por coordenar uma equipe de 15 funcionários (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

“No começo, fazia em casa. Depois, ele criou o Hospital Antônio Prudente em 1986, e aí tinha que fazer as roupas do hospital. Foi aí que chamei uma costureira para me ajudar. Eu cortava e ela costurava. E aí foi crescendo”, relembra.

Eugênia Pinheiro impressiona com a sua disposição no trabalho. Ela ainda frequenta três vezes por semana o setor de confecção para coordenar a demanda das roupas. Sem contar dos pilates que frequenta religiosamente. “Se não fosse a sinusite, estava boazinha”, brinca.

“Exigia muito dos meus filhos”

Apesar de não ter incentivado a fazer Medicina e não ter optado ser professora, Eugênia Pinheiro sempre ensinava aos filhos a fazer as tarefas da escola e era exigente com os filhos para que cumprissem com suas responsabilidade. Sentava na mesa com eles, e só saíam quando todos estivessem terminado o dever de casa.

“Pinheiro (o filho mais velho) sempre tirava primeiro lugar em tudo. Exigia muito deles. A gente ia para a praia e ele  (Pinheiro) nem queria saber. Ficava para estudar. Passou em 1º ou em 2º lugar no vestibular para Medicina, se não me engano”, relata.

Com a aprovação do filho mais velho no curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), a dificuldade foi conseguir recursos para custear os livros. Eugênia decidiu vender bolo para poder arrecadar dinheiro para comprar os livros que Pinheiro precisava.

Como os outros três também optaram a profissão do mais velho, a matriarca não precisou se preocupar com os exemplares. Foi repassado de irmão para irmão.

Mas, para ela, a educação de seus filhos teve o discernimento de um poder divino. Devota de Maria, Eugênia acredita que a mãe de Jesus Cristo a ajudou ao criar os seus quatro filhos e em outros momentos de sua vida. Essa ligação vem desde nova quando estudava em um colégio de freiras. “Eu não falto nenhuma missa. E acredito que Maria me ajudou muito, inclusive na educação dos meus filhos”, frisa.

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Senhora de 93 anos dá exemplo de vida ao chefiar a costura de uniformes dos médicos de hospitais da família

Eugênia Pinheiro, de 93 anos, chefia a costura de roupas dos hospitais do filho Cândido Pinheiro desde 1979, antes mesmo da fundação do sistema Hapvida. Seus quatro filhos viraram médicos, seu sonho de adolescência

Por Daniel Rocha em Perfil

29 de setembro de 2017 às 07:15

Há 3 semanas

Eugênia Pinheiro tem 93 anos e, até hoje, trabalha na confecção das roupas (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

Quando era adolescente, Eugênia Pinheiro, de 93 anos, tinha o desejo de ser médica, mas, no fim da década de 1930 e no fim da de 1940, não era comum as mulheres seguirem uma profissão. Ou se casavam ou se tornavam professora. Como não tinha aptidão para ensinar, escolheu construir uma família. Mas o que a cearense de município de Quixadá, a 160 km de Fortaleza, não esperava era que os seus quatro filhos optassem pela Medicina e que viesse a ter um hospital em seu nome.

“Eu me casei em 1943, quando tinha 22 anos. O meu pai era muito apegado a mim e ele achava que ia sair de casa e não fosse mais voltar. Aí eu disse: ‘Você não vai deixar eu fazer Medicina, então vou me casar’”, disse Eugênia Pinheiro ao Tribuna do Ceará.

A senhora de 93 anos é mãe dos donos do sistema Hapvida e, e no último mês de agosto, foi homenageada com a inauguração de um hospital para mulheres da rede que leva o seu nome. Ela conta que os seus quatro filhos, Cândido Pinheiro, Alfredo Lima, Eugênia Pinheiro e Eveline Pinheiro, decidiram ser médicos e garante que nunca os influenciou na escolha: “Foi uma decisão deles”, ressalta.

O filho mais velho, Cândido Pinheiro, construiu uma das maiores redes de atendimento de saúde do País e, apesar da idade, ela ainda trabalha no hospital dele. Desde a função da primeira clínica que deu origem ao Hapvida, Dona Eugênia é a responsável pelas confecções das roupas dos pacientes e funcionários. No início, a demanda era pouca. Conseguia dar conta. Hoje, a realidade é diferente.

“Ele (Cândido Pinheiro, filho mais velho de Eugênia) montou uma clínica com 12 leitos. Ele me pediu para fazer o enxoval e, desde então, comecei a trabalhar na confecção das roupas”, conta Eugênia.

As primeiras confecções aconteceram em 1979, quando a clínica de Pinheiro começou a funcionar. 38 anos depois, ela gerencia um setor com mais de 15 funcionários para confeccionar os uniformes e roupas para mais de 16 mil profissionais que trabalham no Hospital Antônio Prudente, fundado em 1986, e, posteriormente, na operadora Hapvida, em 1993.

Eugênia Pinheiro é responsável por coordenar uma equipe de 15 funcionários (FOTO: Adriano Paiva/Tribuna do Ceará)

“No começo, fazia em casa. Depois, ele criou o Hospital Antônio Prudente em 1986, e aí tinha que fazer as roupas do hospital. Foi aí que chamei uma costureira para me ajudar. Eu cortava e ela costurava. E aí foi crescendo”, relembra.

Eugênia Pinheiro impressiona com a sua disposição no trabalho. Ela ainda frequenta três vezes por semana o setor de confecção para coordenar a demanda das roupas. Sem contar dos pilates que frequenta religiosamente. “Se não fosse a sinusite, estava boazinha”, brinca.

“Exigia muito dos meus filhos”

Apesar de não ter incentivado a fazer Medicina e não ter optado ser professora, Eugênia Pinheiro sempre ensinava aos filhos a fazer as tarefas da escola e era exigente com os filhos para que cumprissem com suas responsabilidade. Sentava na mesa com eles, e só saíam quando todos estivessem terminado o dever de casa.

“Pinheiro (o filho mais velho) sempre tirava primeiro lugar em tudo. Exigia muito deles. A gente ia para a praia e ele  (Pinheiro) nem queria saber. Ficava para estudar. Passou em 1º ou em 2º lugar no vestibular para Medicina, se não me engano”, relata.

Com a aprovação do filho mais velho no curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), a dificuldade foi conseguir recursos para custear os livros. Eugênia decidiu vender bolo para poder arrecadar dinheiro para comprar os livros que Pinheiro precisava.

Como os outros três também optaram a profissão do mais velho, a matriarca não precisou se preocupar com os exemplares. Foi repassado de irmão para irmão.

Mas, para ela, a educação de seus filhos teve o discernimento de um poder divino. Devota de Maria, Eugênia acredita que a mãe de Jesus Cristo a ajudou ao criar os seus quatro filhos e em outros momentos de sua vida. Essa ligação vem desde nova quando estudava em um colégio de freiras. “Eu não falto nenhuma missa. E acredito que Maria me ajudou muito, inclusive na educação dos meus filhos”, frisa.