Fotojornalista cearense vai morar em Paris, aprende a cozinhar e se torna chef de restaurante

ALTA GASTRONOMIA

Fotojornalista cearense vai morar em Paris, aprende a cozinhar e se torna chef de restaurante

Georgia Santiago saiu do Brasil em 2013 para realizar o sonho de morar na Europa. De lá pra cá, descobriu uma nova paixão: a arte de cozinhar

Por Daniel Rocha em Perfil

16 de Abril de 2018 às 07:15

Há 5 meses
Cearense deixou de fotógrafa para ser cozinheira

A cearense saiu do Brasil em 2014 (Foto: Montagem/Igor de Melo/Georgia Santiago)

“Ralei muito para estar aqui”, diz Georgia Santiago, que há 5 anos saiu do Brasil para morar na Europa. Durante esse tempo, sua vida mudou radicalmente. Desde a cidade onde passou a ser a sua moradia até a profissão que exerce.

Antes de atravessar o Atlântico, a cearense trabalhava como fotojornalista, tinha a sua própria empresa de fotografia e morava com a mãe. Hoje, reside em Paris e trabalha como cozinheira em um dos restaurantes mais famosos da capital francesa.

A mudança radical aconteceu com um desejo de Santiago de morar na Europa. A vontade se tornou meta. Juntou dinheiro para poder se manter por um período no país e em 2013 embarcou para esta nova fase da vida.

Georgia foi morar em uma cidade localizada no leste da França, Estrasburgo, junto com sua ex-mulher. Por não dominar o idioma, passou oito meses estudando francês para depois ir atrás de um emprego. “Eu queria trabalhar. Ia tentar emprego como fotojornalista, mas estava aberta. Foi quando decidi ir para a cozinha”, explica.

O seu conhecimento na cozinha era quase zero, restringia-se apenas ao que sua mãe havia ensinado ao ir morar na Europa. A oportunidade de conhecer o mundo da gastronomia surgiu após se oferecer a trabalhar de graça em um restaurante brasileiro em Estrasburgo, chamado Acerola. Ela não sabia de nenhuma técnica na cozinha, mas conhecia a culinária brasileira.

Georgia Santigoa com os colegas da cozinha

Antes de ingressar no segmento, Georgia não sabia cozinhar (Foto: Georgia Santiago)

“Só cheguei onde cheguei porque lavei pratos”

Foi neste restaurante que outras oportunidades surgiram. Após ter se familiarizado com o ambiente e com o novo ofício, Georgia foi convidada pelo seu chefe e amigo a participar de jantar. Ele ia receber um grande amigo que também era chef de cozinha de um restaurante famoso da cidade, o Au Petit Tonnelier.

“O amigo dele (chamado de Romaric) precisava de alguém para lavar a louça. E eu fui”, relembra. Graças a essa oportunidade, Santigo conseguiu dar outro passo importante na sua trajetória. Começou lavando prato e tornou-se cozinheira no restaurante.

“A disposição foi o ponto de partida para a iniciar carreira de gastronomia. Passei oito meses trabalhando lá. O dono se dispôs a ensinar sobre tudo na cozinha ao ver a minha vontade de aprender. Foi um desafio para quem não conhecia. Tive um mês para conhecer todas as entradas, sobremesas e pratos da casa”, relembra.  De acordo com ela, em algumas noites, voltava para casa chorando diante do desafio.

“Eu não sabia como cortar. Não sabia os nomes dos alimentos nem em português quanto mais em francês. Não sabia nem o que era cheiro-verde, por exemplo”, recorda. Para ela,  foi um mês difícil, mas o suficiente para aprender e ocupar o cargo. Ao pensar na sua trajetória, Georgia ressalta que há uma resistência de alguns brasileiros de realizar determinados trabalhos quando tentam construir uma vida no continente europeu. Segundo ela, na França, lavar pratos, por exemplo,  é um trabalho respeitado. É necessário ter formação para desempenhar a função.

“Acho que muitos brasileiros não se submetem a isso. Eu tenho muito orgulho de ter lavado prato. Eu só cheguei onde cheguei porque fiz isso”, ressalta. Entretanto, a ascensão profissional de Santigo sofreu algumas pausas. A cearense precisou largar o emprego por algumas vezes para rever e cuidar da sua mãe, que estava sofrendo de câncer. “O mais importante para mim era estar com ela e cuidar de sua saúde”, afirma.

Apesar das dificuldades, a mãe de Georgia era a primeira a torcer pelo sucesso na Europa. “Foi um momento muito difícil. Ela era a pessoa que mais me encorajava. Ela vibrava com o meu trabalho. Minha mãe não queria que eu parasse de viver para acompanhá-la”, relembra.

Experiências únicas

Georgia Santigo no restaurante japonês

No Japão, Georgia teve a oportunidade de trabalhar em um restaurante francês (Foto: Georgia Santiago)

As vibrações positivas da mãe lhe deram alicerce para continuar no segmento. Nestas idas e vindas, a cearense conseguiu trabalhar em restaurantes de alta gastronomia com estrelas Michelin, guia gastronômico que aponta os melhores restaurantes do mundo.

Uma das experiências mais marcantes foi o seu o momento de trainee no restaurante Maaeon, na Noruega. “Eu resolvi ir para o Oslo porque eu sabia que Maeeon tinha três estrelas Michelin. O local tem todo um ‘teatro’. É lindo. E eles trabalham com fermentação, porque lá é muito frio”, descreve o lugar.

Passou três meses no restaurante. Não bastasse a experiência, Georgia aceitou outra aventura. Recebeu um convite para trabalhar um mês no Japão como cozinheira em um restaurante francês. “Super mudou a minha experiência”, pontua.

Apesar de ter agregado no seu conhecimento na cozinha, passou por alguns perrengues. O chef de cozinha e dono do restaurante era japonês e não falava nenhuma palavra em francês. Na primeira semana, estava praticamente sozinha na megalópole. “Passei uma semana muda. Sem falar nada. Eu fiquei perdida em Tóquio. Foi horrível”, comenta. A situação mudou com a chegada de seu melhor amigo (Romaric) e de sua esposa no País, que lhe deram todo o auxílio.

2018, um ano de estabilidade

A situação atual de Geórgia é mais estável. As dificuldades foram o suficiente para lhe garantir o status que desfruta. Hoje, mora em Paris em um bairro tradicional da capital francesa e trabalha no restaurante Septime, do chef Bertrand Grébaut. Acorda todos os dias às 8h e volta para casa às 2h. Rotina puxada. São mais de 16 horas de trabalho. Apesar de ser exaustivo, confessa que a cozinha tornou-se a sua paixão. “Aconteceu tudo naturalmente. É um ofício árduo, mas eu amo. Eu sou cozinheira com muito orgulho”, frisa.

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Georgia trabalhou como cozinheira em restaurantes de estrelas Michelin (Foto: Georgia Santiago)

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A cearense trabalhava como fotojornalista (Foto: Georgia Santiago)

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Além do emprego, possuía uma empresa de fotografia (Foto: Georgia Santiago)

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Georgia passou um mês em Tóquio (Foto: Georgia Santiago)

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Hoje, trabalha em um restaurante de alta gastronomia em Paris (Foto: Georgia Santiago)

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A cozinha virou a sua paixão (Foto: Georgia Santiago)

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Trabalhou por três meses como trainee no restaurante Maeemon (Foto: Georgia Santiago)

 

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ALTA GASTRONOMIA

Fotojornalista cearense vai morar em Paris, aprende a cozinhar e se torna chef de restaurante

Georgia Santiago saiu do Brasil em 2013 para realizar o sonho de morar na Europa. De lá pra cá, descobriu uma nova paixão: a arte de cozinhar

Por Daniel Rocha em Perfil

16 de Abril de 2018 às 07:15

Há 5 meses
Cearense deixou de fotógrafa para ser cozinheira

A cearense saiu do Brasil em 2014 (Foto: Montagem/Igor de Melo/Georgia Santiago)

“Ralei muito para estar aqui”, diz Georgia Santiago, que há 5 anos saiu do Brasil para morar na Europa. Durante esse tempo, sua vida mudou radicalmente. Desde a cidade onde passou a ser a sua moradia até a profissão que exerce.

Antes de atravessar o Atlântico, a cearense trabalhava como fotojornalista, tinha a sua própria empresa de fotografia e morava com a mãe. Hoje, reside em Paris e trabalha como cozinheira em um dos restaurantes mais famosos da capital francesa.

A mudança radical aconteceu com um desejo de Santiago de morar na Europa. A vontade se tornou meta. Juntou dinheiro para poder se manter por um período no país e em 2013 embarcou para esta nova fase da vida.

Georgia foi morar em uma cidade localizada no leste da França, Estrasburgo, junto com sua ex-mulher. Por não dominar o idioma, passou oito meses estudando francês para depois ir atrás de um emprego. “Eu queria trabalhar. Ia tentar emprego como fotojornalista, mas estava aberta. Foi quando decidi ir para a cozinha”, explica.

O seu conhecimento na cozinha era quase zero, restringia-se apenas ao que sua mãe havia ensinado ao ir morar na Europa. A oportunidade de conhecer o mundo da gastronomia surgiu após se oferecer a trabalhar de graça em um restaurante brasileiro em Estrasburgo, chamado Acerola. Ela não sabia de nenhuma técnica na cozinha, mas conhecia a culinária brasileira.

Georgia Santigoa com os colegas da cozinha

Antes de ingressar no segmento, Georgia não sabia cozinhar (Foto: Georgia Santiago)

“Só cheguei onde cheguei porque lavei pratos”

Foi neste restaurante que outras oportunidades surgiram. Após ter se familiarizado com o ambiente e com o novo ofício, Georgia foi convidada pelo seu chefe e amigo a participar de jantar. Ele ia receber um grande amigo que também era chef de cozinha de um restaurante famoso da cidade, o Au Petit Tonnelier.

“O amigo dele (chamado de Romaric) precisava de alguém para lavar a louça. E eu fui”, relembra. Graças a essa oportunidade, Santigo conseguiu dar outro passo importante na sua trajetória. Começou lavando prato e tornou-se cozinheira no restaurante.

“A disposição foi o ponto de partida para a iniciar carreira de gastronomia. Passei oito meses trabalhando lá. O dono se dispôs a ensinar sobre tudo na cozinha ao ver a minha vontade de aprender. Foi um desafio para quem não conhecia. Tive um mês para conhecer todas as entradas, sobremesas e pratos da casa”, relembra.  De acordo com ela, em algumas noites, voltava para casa chorando diante do desafio.

“Eu não sabia como cortar. Não sabia os nomes dos alimentos nem em português quanto mais em francês. Não sabia nem o que era cheiro-verde, por exemplo”, recorda. Para ela,  foi um mês difícil, mas o suficiente para aprender e ocupar o cargo. Ao pensar na sua trajetória, Georgia ressalta que há uma resistência de alguns brasileiros de realizar determinados trabalhos quando tentam construir uma vida no continente europeu. Segundo ela, na França, lavar pratos, por exemplo,  é um trabalho respeitado. É necessário ter formação para desempenhar a função.

“Acho que muitos brasileiros não se submetem a isso. Eu tenho muito orgulho de ter lavado prato. Eu só cheguei onde cheguei porque fiz isso”, ressalta. Entretanto, a ascensão profissional de Santigo sofreu algumas pausas. A cearense precisou largar o emprego por algumas vezes para rever e cuidar da sua mãe, que estava sofrendo de câncer. “O mais importante para mim era estar com ela e cuidar de sua saúde”, afirma.

Apesar das dificuldades, a mãe de Georgia era a primeira a torcer pelo sucesso na Europa. “Foi um momento muito difícil. Ela era a pessoa que mais me encorajava. Ela vibrava com o meu trabalho. Minha mãe não queria que eu parasse de viver para acompanhá-la”, relembra.

Experiências únicas

Georgia Santigo no restaurante japonês

No Japão, Georgia teve a oportunidade de trabalhar em um restaurante francês (Foto: Georgia Santiago)

As vibrações positivas da mãe lhe deram alicerce para continuar no segmento. Nestas idas e vindas, a cearense conseguiu trabalhar em restaurantes de alta gastronomia com estrelas Michelin, guia gastronômico que aponta os melhores restaurantes do mundo.

Uma das experiências mais marcantes foi o seu o momento de trainee no restaurante Maaeon, na Noruega. “Eu resolvi ir para o Oslo porque eu sabia que Maeeon tinha três estrelas Michelin. O local tem todo um ‘teatro’. É lindo. E eles trabalham com fermentação, porque lá é muito frio”, descreve o lugar.

Passou três meses no restaurante. Não bastasse a experiência, Georgia aceitou outra aventura. Recebeu um convite para trabalhar um mês no Japão como cozinheira em um restaurante francês. “Super mudou a minha experiência”, pontua.

Apesar de ter agregado no seu conhecimento na cozinha, passou por alguns perrengues. O chef de cozinha e dono do restaurante era japonês e não falava nenhuma palavra em francês. Na primeira semana, estava praticamente sozinha na megalópole. “Passei uma semana muda. Sem falar nada. Eu fiquei perdida em Tóquio. Foi horrível”, comenta. A situação mudou com a chegada de seu melhor amigo (Romaric) e de sua esposa no País, que lhe deram todo o auxílio.

2018, um ano de estabilidade

A situação atual de Geórgia é mais estável. As dificuldades foram o suficiente para lhe garantir o status que desfruta. Hoje, mora em Paris em um bairro tradicional da capital francesa e trabalha no restaurante Septime, do chef Bertrand Grébaut. Acorda todos os dias às 8h e volta para casa às 2h. Rotina puxada. São mais de 16 horas de trabalho. Apesar de ser exaustivo, confessa que a cozinha tornou-se a sua paixão. “Aconteceu tudo naturalmente. É um ofício árduo, mas eu amo. Eu sou cozinheira com muito orgulho”, frisa.

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Georgia trabalhou como cozinheira em restaurantes de estrelas Michelin (Foto: Georgia Santiago)

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A cearense trabalhava como fotojornalista (Foto: Georgia Santiago)

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Além do emprego, possuía uma empresa de fotografia (Foto: Georgia Santiago)

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Georgia passou um mês em Tóquio (Foto: Georgia Santiago)

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Hoje, trabalha em um restaurante de alta gastronomia em Paris (Foto: Georgia Santiago)

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A cozinha virou a sua paixão (Foto: Georgia Santiago)

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Trabalhou por três meses como trainee no restaurante Maeemon (Foto: Georgia Santiago)