Fotógrafa cearense se especializa em mostrar a sensualidade feminina de mulheres comuns

FOTOS SENSUAIS

Fotógrafa cearense se especializa em mostrar a sensualidade de mulheres comuns

“Sensualidade não ter um corpo escultural”, defende Ethi Arcanjo, que comemora o reconhecimento de seu trabalho

Por Daniel Rocha em Perfil

1 de agosto de 2017 às 07:00

Há 5 meses

Ethi Arcanjo trabalha há três anos com Ensaios Sensuais para ajudar na autoestima das mulheres (FOTO: Ethi Arcanjo)

Ao contrário dos ensaios tradicionais, o trabalho de Ethi Arcanjo ultrapassa a lógica do mercado. A proposta é mostrar às mulheres o seu melhor por meio de suas lentes a partir de particularidades. O ensaio sensual, realizado pela fotógrafa, não objetiva apenas explorar a sexualidade feminina, mas explorar a personalidade de cada modelo.

“A fotografia que escolhi não é voltada para o público masculino. Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado”, enfatiza.

A artista trabalha nessa vertente da fotografia há três anos. Antes, fazia trabalhos convencionais. Fotografava modelos para revistas de moda por 10 anos. Aí, descobriu um ponto de virada que se tornou celebrado entre mulheres de Fortaleza.

Apesar de gostar do mundo fashion e compreender a importância desse mercado, o padrão de beleza vendido pelas revistas de moda a incomodava. Ethi acredita que o seu trabalho contribuía para uma “violência estética”, como define. A partir dessa ideia é que surge o “ensaio sensual”.

Agora, Arcanjo se dedica a fotografar mulheres de todas as idades e estilos. Os cenários escolhidos são comuns. As fotos acontecem na sala, no quarto. Em ambientes do dia a dia. A proposta é fazer da rotina “um editorial de moda”.

Tribuna do Ceará – Antes dos ensaios, você trabalhava para revistas de moda. Por que saiu do mundo fashion?

Ethi Arcanjo – Fazia muitos editoriais de moda. Eu amava trabalhar com moda. Sempre gostei de fotografar beleza, pensar em ensaios, figurinos, maquiagens. Sei a importância que esse mercado tem, mas tenho sentimentos conflitantes com o mundo fashion. Por ser mulher e ser feminista antes de me descobrir fotógrafa de fato, sei o quanto é complexo o universo feminino.

Me incomodava muito fazer parte de um bombardeio de publicidade que só vende sonhos. Na minha cabeça padronizar a beleza é uma forma de agressão também. É uma violência estética. Fotografava um “ideal” de beleza, que ainda assim tinha que passar por retoques. Ou seja, fotografava uma mulher que não existia. Se foi loucura minha ou não, respirei fundo e pedi minhas contas.

 

Tribuna – Qual é o objetivo do ensaio sensual?

Ethi – Por mais que tenha a palavra “sensual”, a fotografia que escolhi não é voltada para o público masculino. Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado. Quero contribuir na vida de cada uma de forma realmente significativa. Acredito que esse tipo de fotografia possui um grande poder de descoberta, de fazer florescer a autoestima.

Não é simplesmente uma pele exposta com um salto alto em lençóis de cetim. É sobre feridas profundas, sobre superação, sobre resgate e recomeço. Reflete em todo os campos da vida, seja pessoal ou profissional. Uma mulher que se sente poderosa é capaz de enfrentar qualquer coisa! Posso falar isso com propriedade.

“Quero mostrar que existe beleza nas situações mais comuns. Fazer da rotina dela um editorial de moda”, conta Arcanjo (FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – Muitas mulheres têm buscado a fazer o ensaio sensual?

Ethi – A demanda, aos poucos, tem crescido. Acho que rola uma identificação delas comigo, com minhas postagens. Simplesmente escrevo sobre coisas das quais senti falta de ouvir durante meu processo de amadurecimento. Tento fazer com que elas se enxerguem por um outro ângulo.

A maioria delas entra em contato dizendo que quer fazer um ensaio pra dar de presente de aniversário de casamento, Dia dos Namorados, sempre voltado pro outro. E eu toda vez corrijo: “Não, esse ensaio é pra você. O outro é só alguém que vai se beneficiar”.

“Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado”, pontua (FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – Como funciona a produção do ensaio fotográfico? As modelos ficam tímidas?

Ethi – É uma construção de confiança. Todas, a primeiro momento, dizem que são tímidas. Por isso, não chego nas suas casas e já vou clicando, pedindo pra ela fazer isso ou aquilo. Não trabalho dessa forma, acho assustador. Por isso acho interessante oferecer pacotes com maquiagem e cabelo com profissional. É um momento que podemos falar sobre qualquer coisa. Elas vão se acostumando com a minha presença. Tento com jeitinho saber quem é aquela mulher. Sentir a atmosfera do local. Saber sua história. Os seus pontos fortes, para poder explorar. É mais um clima de descontração do que de sensualidade.

Tribuna – Qual é o resultado desse primeiro momento?

Ethi – É incrível, com o passar do ensaio elas vão se soltando. Vou mostrando as fotos. Elas vão se gostando. Faço questão que, durante o ensaio, fiquem só nós duas. Tenho preparado um setlist que faz toda a diferença também. Quando menos espera, já querem ser fotografadas sem nada.

“Foi criada uma cultura do ‘você nunca estará boa o suficiente’. É uma paranoia sem fim”, enfatiza (FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – Há uma resistência por parte das mulheres a fazer o ensaio?

Ethi – Sim. Infelizmente o machismo está enraizado na nossa cultura. A mulher “direita”, de “família”, não é encorajada a se expor, de nenhuma forma. Existe uma forte tentativa de silenciamento. “Mulher minha não faz isso”, “Vai sair com essa roupa?”, “O que os outros vão falar de mim?”, “Senta direito”, “Você é médica, não pode aparecer assim”.

E por mais que a nossa sociedade tenha avançado em um monte de coisas, ainda somos posse. A mulher ainda tá presa. Em algum nível nós estamos presas a aprovação masculina. Vivemos na função de agradar. Ser a filha comportada, crescer, ser a esposa dedicada, dócil, dona de casa, compreensiva e submissa.

“Não há nada que deixe uma mulher mais sensual do que a segurança”, ressalta FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – No seu portfólio, é possível ver modelos de diversos padrões de beleza. É um forma de quebrar o estereótipo de que mulher, para ser bonita, tem que ser magra?

Ethi – Sensualidade pra mim não é um corpo escultural. Não é um bumbum lisinho. Quando você tira o filtro machista, você aprende a enxergar, aprende a ser mulher, a admirar a beleza de outra mulher. Percebe que cada pedacinho dela fala sobre a sua trajetória. Não é só a que está acima do peso, que é negra ou a mulher de mais idade que sofre pressão. Até a menina que tá dentro do padrão sofre também. Foi criada uma cultura do “você nunca estará boa o suficiente”. É uma paranoia sem fim.

Confira a galeria de imagens abaixo

Ensaio Sensual
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(FOTO: Ethi Arcanjo)

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“Sensualidade não ter um corpo escultural”, defende Ethi Arcanjo, que comemora o reconhecimento de seu trabalho

Por Daniel Rocha em Perfil

1 de agosto de 2017 às 07:00

Há 5 meses

Ethi Arcanjo trabalha há três anos com Ensaios Sensuais para ajudar na autoestima das mulheres (FOTO: Ethi Arcanjo)

Ao contrário dos ensaios tradicionais, o trabalho de Ethi Arcanjo ultrapassa a lógica do mercado. A proposta é mostrar às mulheres o seu melhor por meio de suas lentes a partir de particularidades. O ensaio sensual, realizado pela fotógrafa, não objetiva apenas explorar a sexualidade feminina, mas explorar a personalidade de cada modelo.

“A fotografia que escolhi não é voltada para o público masculino. Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado”, enfatiza.

A artista trabalha nessa vertente da fotografia há três anos. Antes, fazia trabalhos convencionais. Fotografava modelos para revistas de moda por 10 anos. Aí, descobriu um ponto de virada que se tornou celebrado entre mulheres de Fortaleza.

Apesar de gostar do mundo fashion e compreender a importância desse mercado, o padrão de beleza vendido pelas revistas de moda a incomodava. Ethi acredita que o seu trabalho contribuía para uma “violência estética”, como define. A partir dessa ideia é que surge o “ensaio sensual”.

Agora, Arcanjo se dedica a fotografar mulheres de todas as idades e estilos. Os cenários escolhidos são comuns. As fotos acontecem na sala, no quarto. Em ambientes do dia a dia. A proposta é fazer da rotina “um editorial de moda”.

Tribuna do Ceará – Antes dos ensaios, você trabalhava para revistas de moda. Por que saiu do mundo fashion?

Ethi Arcanjo – Fazia muitos editoriais de moda. Eu amava trabalhar com moda. Sempre gostei de fotografar beleza, pensar em ensaios, figurinos, maquiagens. Sei a importância que esse mercado tem, mas tenho sentimentos conflitantes com o mundo fashion. Por ser mulher e ser feminista antes de me descobrir fotógrafa de fato, sei o quanto é complexo o universo feminino.

Me incomodava muito fazer parte de um bombardeio de publicidade que só vende sonhos. Na minha cabeça padronizar a beleza é uma forma de agressão também. É uma violência estética. Fotografava um “ideal” de beleza, que ainda assim tinha que passar por retoques. Ou seja, fotografava uma mulher que não existia. Se foi loucura minha ou não, respirei fundo e pedi minhas contas.

 

Tribuna – Qual é o objetivo do ensaio sensual?

Ethi – Por mais que tenha a palavra “sensual”, a fotografia que escolhi não é voltada para o público masculino. Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado. Quero contribuir na vida de cada uma de forma realmente significativa. Acredito que esse tipo de fotografia possui um grande poder de descoberta, de fazer florescer a autoestima.

Não é simplesmente uma pele exposta com um salto alto em lençóis de cetim. É sobre feridas profundas, sobre superação, sobre resgate e recomeço. Reflete em todo os campos da vida, seja pessoal ou profissional. Uma mulher que se sente poderosa é capaz de enfrentar qualquer coisa! Posso falar isso com propriedade.

“Quero mostrar que existe beleza nas situações mais comuns. Fazer da rotina dela um editorial de moda”, conta Arcanjo (FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – Muitas mulheres têm buscado a fazer o ensaio sensual?

Ethi – A demanda, aos poucos, tem crescido. Acho que rola uma identificação delas comigo, com minhas postagens. Simplesmente escrevo sobre coisas das quais senti falta de ouvir durante meu processo de amadurecimento. Tento fazer com que elas se enxerguem por um outro ângulo.

A maioria delas entra em contato dizendo que quer fazer um ensaio pra dar de presente de aniversário de casamento, Dia dos Namorados, sempre voltado pro outro. E eu toda vez corrijo: “Não, esse ensaio é pra você. O outro é só alguém que vai se beneficiar”.

“Não existe o apelo sexual. É leve, delicado, feminino e sofisticado”, pontua (FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – Como funciona a produção do ensaio fotográfico? As modelos ficam tímidas?

Ethi – É uma construção de confiança. Todas, a primeiro momento, dizem que são tímidas. Por isso, não chego nas suas casas e já vou clicando, pedindo pra ela fazer isso ou aquilo. Não trabalho dessa forma, acho assustador. Por isso acho interessante oferecer pacotes com maquiagem e cabelo com profissional. É um momento que podemos falar sobre qualquer coisa. Elas vão se acostumando com a minha presença. Tento com jeitinho saber quem é aquela mulher. Sentir a atmosfera do local. Saber sua história. Os seus pontos fortes, para poder explorar. É mais um clima de descontração do que de sensualidade.

Tribuna – Qual é o resultado desse primeiro momento?

Ethi – É incrível, com o passar do ensaio elas vão se soltando. Vou mostrando as fotos. Elas vão se gostando. Faço questão que, durante o ensaio, fiquem só nós duas. Tenho preparado um setlist que faz toda a diferença também. Quando menos espera, já querem ser fotografadas sem nada.

“Foi criada uma cultura do ‘você nunca estará boa o suficiente’. É uma paranoia sem fim”, enfatiza (FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – Há uma resistência por parte das mulheres a fazer o ensaio?

Ethi – Sim. Infelizmente o machismo está enraizado na nossa cultura. A mulher “direita”, de “família”, não é encorajada a se expor, de nenhuma forma. Existe uma forte tentativa de silenciamento. “Mulher minha não faz isso”, “Vai sair com essa roupa?”, “O que os outros vão falar de mim?”, “Senta direito”, “Você é médica, não pode aparecer assim”.

E por mais que a nossa sociedade tenha avançado em um monte de coisas, ainda somos posse. A mulher ainda tá presa. Em algum nível nós estamos presas a aprovação masculina. Vivemos na função de agradar. Ser a filha comportada, crescer, ser a esposa dedicada, dócil, dona de casa, compreensiva e submissa.

“Não há nada que deixe uma mulher mais sensual do que a segurança”, ressalta FOTO: Ethi Arcanjo)

Tribuna – No seu portfólio, é possível ver modelos de diversos padrões de beleza. É um forma de quebrar o estereótipo de que mulher, para ser bonita, tem que ser magra?

Ethi – Sensualidade pra mim não é um corpo escultural. Não é um bumbum lisinho. Quando você tira o filtro machista, você aprende a enxergar, aprende a ser mulher, a admirar a beleza de outra mulher. Percebe que cada pedacinho dela fala sobre a sua trajetória. Não é só a que está acima do peso, que é negra ou a mulher de mais idade que sofre pressão. Até a menina que tá dentro do padrão sofre também. Foi criada uma cultura do “você nunca estará boa o suficiente”. É uma paranoia sem fim.

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