Cearense deficiente visual ganha a vida como massoterapeuta no Lago Jacarey
SUPERAÇÃO

Cearense deficiente visual ganha a vida como massoterapeuta no Lago Jacarey

Carlos Guerreiro sofreu acidente de trabalho, há 10 anos. Curso de massoterapia foi a forma de reinserir-se no mercado

Por Matheus Ribeiro em Perfil

3 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 3 meses
Carlos ficou cego após um acidente de trabalho (FOTO: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará)

Carlos ficou cego após um acidente de trabalho (FOTO: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará)

Deficientes visuais normalmente possuem uma dificuldade maior em se inserir no mercado profissional. Para o cearense Carlos Guerreiro, de 47 anos, a situação não foi diferente. Após sofrer um acidente de trabalho e ficar cego, ele encontrou na massoterapia uma atividade para ganhar estímulo e vencer o desemprego.

Há 10 anos, Carlos trabalhava como eletricista da antiga Companhia Energética do Ceará (Coelce). Num dia de trabalho comum, ele foi vítima de uma explosão enquanto dinamitava o solo para instalar um rede de alta tensão, na região do Vale do Jaguaribe.

Segundo Carlos, o impacto fez com que ele fosse arremessado quase oito metros de altura. “No momento da explosão eu fui arremessado como um boneco. Passei pela UTI, fiquei muito mal. Mas consegui sobreviver”, conta.

Segundo o massoterapeuta, quando ele acordou pensou que estava apenas com curativos nos olhos e que logo voltaria a enxergar. “Quando eu acordei na UTI, vi que tinha curativo nos meus olhos. Aí pensei, melhor não tirar. Mas não sabia que, na verdade, eu já estava cego”, disse. 

Depois do coma e de passar por várias cirurgias plásticas, Carlos precisou se realocar no mercado de trabalho. Cerca de três anos após o acidente, ele tentou fazer corrida e natação para deficientes, mas a oportunidade realmente surgiu quando decidiu participar de um curso de massoterapia, oferecido pela Sociedade de Assistência aos Cegos. Lá, Carlos se especializou em massagem desportiva e começou uma nova carreira profissional.

Modalidades

Após a especialização no ramo, o profissional começou a trabalhar em corridas de rua e em eventos. Hoje, Carlos atende atende seus clientes na praça do Lago Jacarey, no Bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza.

Segundo ele, três modalidades de massagem são oferecidas. “A completa é uma massagem de 45 a 60 minutos no corpo todo. Essa custa em torno de R$ 40. Também tenho a massagem quique, que é feita na cadeira e trabalhamos a lombar e o alongamos da coluna. Essa custa R$ 25 para 30 minutos. Por fim, tenho também a reflexologia. Essa última faço massagem só na região dos pés e na panturrilha. A terceira também sai por R$ 25 em 30 minutos“.

Uma das grandes dificuldades para qualquer deficiente visual é em relação ao dinheiro. Sem conseguir ver qual o valor na cédula recebida, muitos precisam se revirar para conseguir descobrir. O massoterapeuta tem o seu jeito especial.

“Eu dobro as cédulas de acordo com o valor. Por exemplo, na de R$ 20, eu dobro pela metade. Se for outro valor eu já dobro diferente e aí eu consigo diferenciar. Mas, na verdade, seria um sonho se elas tivessem o valor escrito em braile”, concluiu.

Carlos virou referência de massoterapia no local
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(FOTO: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará)

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Cearense deficiente visual ganha a vida como massoterapeuta no Lago Jacarey

Carlos Guerreiro sofreu acidente de trabalho, há 10 anos. Curso de massoterapia foi a forma de reinserir-se no mercado

Por Matheus Ribeiro em Perfil

3 de janeiro de 2017 às 07:00

Há 3 meses
Carlos ficou cego após um acidente de trabalho (FOTO: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará)

Carlos ficou cego após um acidente de trabalho (FOTO: Lyvia Rocha / Tribuna do Ceará)

Deficientes visuais normalmente possuem uma dificuldade maior em se inserir no mercado profissional. Para o cearense Carlos Guerreiro, de 47 anos, a situação não foi diferente. Após sofrer um acidente de trabalho e ficar cego, ele encontrou na massoterapia uma atividade para ganhar estímulo e vencer o desemprego.

Há 10 anos, Carlos trabalhava como eletricista da antiga Companhia Energética do Ceará (Coelce). Num dia de trabalho comum, ele foi vítima de uma explosão enquanto dinamitava o solo para instalar um rede de alta tensão, na região do Vale do Jaguaribe.

Segundo Carlos, o impacto fez com que ele fosse arremessado quase oito metros de altura. “No momento da explosão eu fui arremessado como um boneco. Passei pela UTI, fiquei muito mal. Mas consegui sobreviver”, conta.

Segundo o massoterapeuta, quando ele acordou pensou que estava apenas com curativos nos olhos e que logo voltaria a enxergar. “Quando eu acordei na UTI, vi que tinha curativo nos meus olhos. Aí pensei, melhor não tirar. Mas não sabia que, na verdade, eu já estava cego”, disse. 

Depois do coma e de passar por várias cirurgias plásticas, Carlos precisou se realocar no mercado de trabalho. Cerca de três anos após o acidente, ele tentou fazer corrida e natação para deficientes, mas a oportunidade realmente surgiu quando decidiu participar de um curso de massoterapia, oferecido pela Sociedade de Assistência aos Cegos. Lá, Carlos se especializou em massagem desportiva e começou uma nova carreira profissional.

Modalidades

Após a especialização no ramo, o profissional começou a trabalhar em corridas de rua e em eventos. Hoje, Carlos atende atende seus clientes na praça do Lago Jacarey, no Bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza.

Segundo ele, três modalidades de massagem são oferecidas. “A completa é uma massagem de 45 a 60 minutos no corpo todo. Essa custa em torno de R$ 40. Também tenho a massagem quique, que é feita na cadeira e trabalhamos a lombar e o alongamos da coluna. Essa custa R$ 25 para 30 minutos. Por fim, tenho também a reflexologia. Essa última faço massagem só na região dos pés e na panturrilha. A terceira também sai por R$ 25 em 30 minutos“.

Uma das grandes dificuldades para qualquer deficiente visual é em relação ao dinheiro. Sem conseguir ver qual o valor na cédula recebida, muitos precisam se revirar para conseguir descobrir. O massoterapeuta tem o seu jeito especial.

“Eu dobro as cédulas de acordo com o valor. Por exemplo, na de R$ 20, eu dobro pela metade. Se for outro valor eu já dobro diferente e aí eu consigo diferenciar. Mas, na verdade, seria um sonho se elas tivessem o valor escrito em braile”, concluiu.

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