Emanuel Gurgel, o inventor do 'forró eletrônico'


Emanuel Gurgel, o inventor do ‘forró eletrônico’

O perfil de hoje é de Emanoel Gurgel, o homem por trás do Forró Mastruz com Leite e que revolucionou o forró que conhecemos hoje.

Por Renatta Pimentel em Perfil

26 de Março de 2013 às 19:00

Há 6 anos

De bermuda e camiseta, que leva a estampa “Mastruz com Leite” – primeira banda de forró eletrônico – Emanoel Gurgel tem o visual de um homem das cavernas: cabelos grisalhos, desgrenhados, barba longa e meio desajeitado.  Mas a fala amistosa com todos os funcionários da sua empresa desmonta essa impressão. Ele é bonzinho, simpático e transparece humildade também através de suas ações.

É difícil manter os pés no chão diante de tantas conquistas. Gurgel relembra que começou do zero e atualmente mantem seu ‘império’ com a ajuda dos filhos – são sete herdeiros de cinco mulheres diferentes.

Emanuel Gurgel

Emanuel Gurgel é considerado um dos percussores do forró eletrônico no Ceara (FOTO: Renata Pimentel)

Antes mesmo de pensar em criar o Mastruz com Leite, ele trabalhava com moda surf, mas a paixão pela dança o levou para um caminho bem diferente: o forró. Foi na década de 90 ao som da Black Banda, que Gurgel despertou o interesse pelo ritmo – antes considerado brega e que só podia ser tocado em época de festa junina.

“Quando ouvi Luiz Gonzaga tocando eu sabia que podia enriquecer o ritmo com outros elementos. Eu queria difundir o forró e tive a ideia de colocar uma banda tocando direto durante cinco horas e sem intervalo”, relembra. Nunca ninguém havia feito isso antes. Cinco horas de forró com a mesmo banda. São mais ou menos 100 músicas, direto, no pique.

Incialmente a tentativa foi frustrada, conforme conta o jaguaribano. “Investi na Banda Aquários, mas ela tinha o mesmo estilo musical da Black Banda e acabou não dando tão certo. Eu precisava de gente que tocasse forró sem ter vergonha disso. Foi aí que surgiu o Mastruz com Leite, a Kátia Cilene ganhou o concurso para ser cantora e juntou aos músicos que eu trouxe do interior do estado”.

Uma curiosidade sobre a banda responsável por mudar o cenário musical do forró, é a escolha do nome. Emanoel conta, que Mastruz com Leite era o nome de um time de handball. O nome tinha de ser esse…mais identificação com algo que vinha da raiz, não dava. Era o Mastruz com Leite! Outra peculiaridade sobre o grupo foi o uso da vinheta no meio das músicas. “Quando a música da banda tocava na rádio, o locutor não dizia de quem era então tive a ideia de fazer a vinheta ‘É o forró Mastruz com Leite!’”. Depois disso todas as bandas o imitaram. Todas.

Fã de ditados populares, Gurgel fala sobre a importância da sabedoria. “Se na sua família não tem um ancião, adote um. Só assim você vai saber o que ser sábio”. Outra característica da personalidade do empresário é a intuição, e é nela que ele aposta sempre que dá início a um novo negócio. “Quando montei o Mastruz eu já os fiz pensando em tocar no Faustão”. Dito e feito. Dois anos depois lá estava a maior banda de forró do mundo, num desses domingos, ao vivo no programa.

Gurgel, que já patrocinou até time de futebol e fez sua marca se transformar em bingo no interior, hoje produz cinco bandas de forró, uma gravadora, uma rádio, fazenda e seu mais recente investimento é o briquete – tipo de madeira ecologicamente correta – e chegou a se afastar dos negócios para treinar os filhos.

“Durante cinco anos fiquei longe de tudo, mas tinha um propósito: fazer com que meus filhos tivessem responsabilidade de tocar os negócios quando eu morrer”. Sem medo da morte e com muita vontade de viver, se tem uma coisa que ele não gosta é de dormir. “Pra mim, enquanto estou dormindo, é como se estivesse perdendo tempo”.

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Emanuel Gurgel, o inventor do ‘forró eletrônico’

O perfil de hoje é de Emanoel Gurgel, o homem por trás do Forró Mastruz com Leite e que revolucionou o forró que conhecemos hoje.

Por Renatta Pimentel em Perfil

26 de Março de 2013 às 19:00

Há 6 anos

De bermuda e camiseta, que leva a estampa “Mastruz com Leite” – primeira banda de forró eletrônico – Emanoel Gurgel tem o visual de um homem das cavernas: cabelos grisalhos, desgrenhados, barba longa e meio desajeitado.  Mas a fala amistosa com todos os funcionários da sua empresa desmonta essa impressão. Ele é bonzinho, simpático e transparece humildade também através de suas ações.

É difícil manter os pés no chão diante de tantas conquistas. Gurgel relembra que começou do zero e atualmente mantem seu ‘império’ com a ajuda dos filhos – são sete herdeiros de cinco mulheres diferentes.

Emanuel Gurgel

Emanuel Gurgel é considerado um dos percussores do forró eletrônico no Ceara (FOTO: Renata Pimentel)

Antes mesmo de pensar em criar o Mastruz com Leite, ele trabalhava com moda surf, mas a paixão pela dança o levou para um caminho bem diferente: o forró. Foi na década de 90 ao som da Black Banda, que Gurgel despertou o interesse pelo ritmo – antes considerado brega e que só podia ser tocado em época de festa junina.

“Quando ouvi Luiz Gonzaga tocando eu sabia que podia enriquecer o ritmo com outros elementos. Eu queria difundir o forró e tive a ideia de colocar uma banda tocando direto durante cinco horas e sem intervalo”, relembra. Nunca ninguém havia feito isso antes. Cinco horas de forró com a mesmo banda. São mais ou menos 100 músicas, direto, no pique.

Incialmente a tentativa foi frustrada, conforme conta o jaguaribano. “Investi na Banda Aquários, mas ela tinha o mesmo estilo musical da Black Banda e acabou não dando tão certo. Eu precisava de gente que tocasse forró sem ter vergonha disso. Foi aí que surgiu o Mastruz com Leite, a Kátia Cilene ganhou o concurso para ser cantora e juntou aos músicos que eu trouxe do interior do estado”.

Uma curiosidade sobre a banda responsável por mudar o cenário musical do forró, é a escolha do nome. Emanoel conta, que Mastruz com Leite era o nome de um time de handball. O nome tinha de ser esse…mais identificação com algo que vinha da raiz, não dava. Era o Mastruz com Leite! Outra peculiaridade sobre o grupo foi o uso da vinheta no meio das músicas. “Quando a música da banda tocava na rádio, o locutor não dizia de quem era então tive a ideia de fazer a vinheta ‘É o forró Mastruz com Leite!’”. Depois disso todas as bandas o imitaram. Todas.

Fã de ditados populares, Gurgel fala sobre a importância da sabedoria. “Se na sua família não tem um ancião, adote um. Só assim você vai saber o que ser sábio”. Outra característica da personalidade do empresário é a intuição, e é nela que ele aposta sempre que dá início a um novo negócio. “Quando montei o Mastruz eu já os fiz pensando em tocar no Faustão”. Dito e feito. Dois anos depois lá estava a maior banda de forró do mundo, num desses domingos, ao vivo no programa.

Gurgel, que já patrocinou até time de futebol e fez sua marca se transformar em bingo no interior, hoje produz cinco bandas de forró, uma gravadora, uma rádio, fazenda e seu mais recente investimento é o briquete – tipo de madeira ecologicamente correta – e chegou a se afastar dos negócios para treinar os filhos.

“Durante cinco anos fiquei longe de tudo, mas tinha um propósito: fazer com que meus filhos tivessem responsabilidade de tocar os negócios quando eu morrer”. Sem medo da morte e com muita vontade de viver, se tem uma coisa que ele não gosta é de dormir. “Pra mim, enquanto estou dormindo, é como se estivesse perdendo tempo”.