Do crack para a arte, a história do homem que mudou de vida graças ao grafite

A ARTE DA SUPERAÇÃO

Do crack para a arte, a história do homem que mudou de vida graças ao grafite

Por 5 anos, Jader Angelim foi usuário de drogas, dentre elas o crack. Tornou-se dependente, dormiu na rua, pichou muros, ficou sem rumo. Mas uma palavra amiga e o grafite mudaram essa realidade

Por Daniel Rocha em Perfil

12 de Março de 2018 às 07:00

Há 5 meses
Jader em seu ateliê

Com 35 anos, Jader agradece a Deus por ter encontrado a arte (Foto: Iago Monteiro)

Ao passar pela Avenida Visconde do Rio Branco, no Bairro de Fátima, em Fortaleza, as paredes de um galpão se destacam em meio às casas antigas e aos estabelecimentos comerciais da região.

Com tons de preto e amarelo, os ícones da cultura nordestina, como Raquel Queiroz e Luiz Gonzaga, e o estilo de vida do sertão se contrastam com a paisagem urbana de uma das áreas centrais da capital cearense. Além dos personagens, o artista optou por seguir a estética da xilogravura para caracterizar ainda mais a cultura nordestina.

O mural é de autoria do baiano de Jader Angelim, 35, que há 22 anos mora em Fortaleza. O trabalho trata-se de uma encomenda de Rogério Boto, de 52 anos, para a fachada do clube de colecionadores de triciclos onde se reúne com os amigos esporadicamente. De acordo com o proprietário do local, a busca pelo trabalho de Jader era uma forma de evitar pichações na fachada do clube e o acúmulo de lixo.

“Temos um problema muito sério com a pichação na cidade e foi uma forma de inibir. Além disso, quis homenagear os nomes da cultura cearense”, ressalta Rogério. De acordo com ele, os grafiteiros são respeitados pelos pichadores e, por esse motivo, dificilmente as obras dos grafiteiros são “riscadas”.

O mural durou cinco dias para ser concluído, tempo de produção bem abaixo do considerado normal. De acordo com o artista Jader, a rapidez deve-se aos 15 anos de prática no ofício e também pelo tipo de grafite escolhido. “São desenhos bem aceitáveis, que você não precisam de outra mão de obra para fazer. Fui logo traçando o desenho”, explica.

Divórcio e dependência química

Grafite em parede jader

Jader Angelim foi contratado por Rogério Boto para ilustrar a fachada de seu galpão (Foto: Daniel Rocha)

Entretanto, o trabalho dele não expressa apenas o seu talento, mas revela um pouco da sua história de vida. Graças à arte, conseguiu ganhar um “rumo” na vida, como mesmo define.

Durante a adolescência, andava pelas ruas de Fortaleza pichando muros de casas, estabelecimentos e edifícios. Não havia horário definido. Poderia ser durante o dia ou pela madrugada.

Além disso, consumiu drogas dos 16 anos a 21 anos. Era um ex-usuário de crack. “Foi o período mais difícil da minha vida”, ressalta.

Segundo ele, a falta de oportunidade e de perspectiva na adolescência e aliada ao divórcio conturbado de seus pais foram os principais motivos que o levaram a chegar nessa situação. Jader relembra que morava com a mãe junto aos seus outros três irmãos na Bahia.

Ao sair com o pai durante uma visita comum, ele e os irmãos foram levados para o Rio de Janeiro sem o consentimento da mãe. “A gente morou no Rio por quatro anos sem saber nenhuma informação dos familiares”, relembra. Após esse período, veio morar em Fortaleza com a ex-mulher de seu pai, considerada uma mãe de criação. Em uma briga judicial, a mãe biológica perdeu a guarda dos filhos para o ex-marido, distanciando-se deles ao longo dos anos.

Uso de drogas

O período de uso de drogas, por sua vez, ocorreu quando veio morar em Fortaleza, aos 13 anos. Assim como muitas famílias da periferia, Jader passava por problemas financeiros. Precisava ajudar em casa, mas não havia oportunidade. “Eu só conseguia estágio que pagava apenas o vale-transporte. Por não ter concluído os estudos, ficava mais difícil. Eu tinha que ajudar em casa e você sem dinheiro fica excluso de tudo”, ressalta.

+Leia Mais: Guarde o nome da Mulher Barbada, a drag queen promessa musical do Ceará

Em meio a esses problemas, Jader buscou o refúgio nas drogas. Começou a conhecer pessoas envolvidas com o tráfico de entorpecentes.” Fui me afundando cada vez mais”, relembra. Nessa época, o artista também pichava com outros jovens para preencher a ociosidade. “Na periferia, você não tem o que fazer. A gente ficava na esquina conversando. E, ali, você tem álcool e outras drogas. Não tínhamos lazer. Não tínhamos nada. E o tráfico vem e diz: “Te pago ‘x’ para fazer isso”. Você se sente atraído”, confessa.

Por conta do vício no crack, o artista dormiu na rua e em “bocas de fumo”, vendeu itens de casa para comprar drogas, pensava em se matar. Ele conta que o único pensamento que tinha em mente era a necessidade de consumir a pedra de crack para sentir novamente a falsa sensação de liberdade.

“Virei zumbi. Não conseguia dormir direito porque a droga causava insônia. Eu não estava me reconhecendo. Estava magro e a minha saúde estava debilitada”, conta. Angelim teve a sorte que muitos jovens de Fortaleza não tiveram e ainda não têm. Conseguiu sair do mundo das drogas. De acordo com ele, a palavra de Deus, a arte e o apoio da família foram os responsáveis por tirá-lo dessa realidade.

Passou por um projeto voltado para dependentes químicos. Lá conheceu outras pessoas que sofriam do mesmo problema. Um deles, mais velho, já havia passado por inúmeras clínicas de reabilitação e o aconselhou a continuar no tratamento, voltar a estudar e recuperar a saúde.

“Ele já tinha cheirado tanta cocaína que tinha platina no nariz. A saúde dele já estava muito debilitada e tinha porcentagens mínimas de cura. Ele me disse: ‘você é novo. Volte a estudar”, relembra. Segundo Jader, aquele momento onde escutou a história do interno valeu mais do que as palestras que acompanhava no projeto. Abandonou o vício.

“Graças a Deus conheci o grafite”

Foi com a arte que Jader conseguiu reconstruir a vida. A música, o grafite e os desenhos foram os responsáveis por organizar suas ideias e lhe trazer novas perspectivas. A pintura não significa apenas sua fonte de renda. Retrata a sua superação. É a sua terapia. “Eu agradeço a Deus por ter encontrado a arte”, diz contente.

A mão desejada da filha mais nova de Jader (Foto: Iago Monteiro)

Hoje, casado e pai de dois filhos, Jader paga suas despesas de casa com a arte, mesmo com as poucas oportunidades ofertadas em Fortaleza. Em seu ateliê, trabalha por encomenda.

Faz quadros, objetos de decoração, desenhos em pranchas, grafite e estampas de blusas. Além disso, realiza shows de reggae com músicas autorais. É o que lhe oferece uma vida digna. Entretanto, por mais que seja um trabalho honesto, Jader encontra preconceito por ser artista e, principalmente, por vir da periferia.

“Às vezes, a gente é desvalorizado porque não tem um ensino superior. A gente é muito mal visto. Quando o artista é bem arrumado, ele é bem visto. Mas, quando eu volto todo sujo de tinta e pego um ônibus, vejo a indiferença das pessoas“, afirma.

Os olhares e o preconceito não lhe desanima. Para incentivá-lo, o artista sempre faz desenhos nas paredes de seu ateliê. Uma forma de saber que está no caminho certo. Dentre as marcas de tintas e desenhos na parede, está uma uma mão de criança desenhada. É a de sua filha mais nova que o surpreendeu ao fazer a sua primeira arte. “Ganhei o meu dia”, conclui.

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

Jader faz trabalhos por encomendas (Foto: Iago Monteiro)

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

O artista teve uma adolescência e juventude conturbada (Foto: Iago Monteiro)

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ARTISTA DE FORTALEZA

Angelim faz desenhos em quadros, grafite em paredes e é músico (Foto: Iago Monteiro)

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ARTISTA DE FORTALEZA

Para incentivá-lo a seguir na arte, ele coloca alguns de seus trabalhos na parede (Foto: Iago Monteiro)

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

(Foto: Iago Monteiro)

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ARTISTA DE FORTALEZA

Graças a arte, ele conseguiu sair do mundo das drogas (Foto: Iago Monteiro)

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

A parede do Galpão de Rogério Boto retrata a cultura nordestina (Foto: Daniel Rocha)

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

A medida foi uma forma de evitar pichações na parede (Foto: Daniel Rocha)

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

O mural durou cerca de cinco dias para ser produzido (Foto: Daniel Rocha)

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

No seu trabalho, o artista homenageou ícones da cultura nordestina (Foto: Daniel Rocha)

ARTISTA DE FORTALEZA
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ARTISTA DE FORTALEZA

O galpão fica localizado na avenida Visconde do Rio Branco (Foto: Daniel Rocha)

 

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A ARTE DA SUPERAÇÃO

Do crack para a arte, a história do homem que mudou de vida graças ao grafite

Por 5 anos, Jader Angelim foi usuário de drogas, dentre elas o crack. Tornou-se dependente, dormiu na rua, pichou muros, ficou sem rumo. Mas uma palavra amiga e o grafite mudaram essa realidade

Por Daniel Rocha em Perfil

12 de Março de 2018 às 07:00

Há 5 meses
Jader em seu ateliê

Com 35 anos, Jader agradece a Deus por ter encontrado a arte (Foto: Iago Monteiro)

Ao passar pela Avenida Visconde do Rio Branco, no Bairro de Fátima, em Fortaleza, as paredes de um galpão se destacam em meio às casas antigas e aos estabelecimentos comerciais da região.

Com tons de preto e amarelo, os ícones da cultura nordestina, como Raquel Queiroz e Luiz Gonzaga, e o estilo de vida do sertão se contrastam com a paisagem urbana de uma das áreas centrais da capital cearense. Além dos personagens, o artista optou por seguir a estética da xilogravura para caracterizar ainda mais a cultura nordestina.

O mural é de autoria do baiano de Jader Angelim, 35, que há 22 anos mora em Fortaleza. O trabalho trata-se de uma encomenda de Rogério Boto, de 52 anos, para a fachada do clube de colecionadores de triciclos onde se reúne com os amigos esporadicamente. De acordo com o proprietário do local, a busca pelo trabalho de Jader era uma forma de evitar pichações na fachada do clube e o acúmulo de lixo.

“Temos um problema muito sério com a pichação na cidade e foi uma forma de inibir. Além disso, quis homenagear os nomes da cultura cearense”, ressalta Rogério. De acordo com ele, os grafiteiros são respeitados pelos pichadores e, por esse motivo, dificilmente as obras dos grafiteiros são “riscadas”.

O mural durou cinco dias para ser concluído, tempo de produção bem abaixo do considerado normal. De acordo com o artista Jader, a rapidez deve-se aos 15 anos de prática no ofício e também pelo tipo de grafite escolhido. “São desenhos bem aceitáveis, que você não precisam de outra mão de obra para fazer. Fui logo traçando o desenho”, explica.

Divórcio e dependência química

Grafite em parede jader

Jader Angelim foi contratado por Rogério Boto para ilustrar a fachada de seu galpão (Foto: Daniel Rocha)

Entretanto, o trabalho dele não expressa apenas o seu talento, mas revela um pouco da sua história de vida. Graças à arte, conseguiu ganhar um “rumo” na vida, como mesmo define.

Durante a adolescência, andava pelas ruas de Fortaleza pichando muros de casas, estabelecimentos e edifícios. Não havia horário definido. Poderia ser durante o dia ou pela madrugada.

Além disso, consumiu drogas dos 16 anos a 21 anos. Era um ex-usuário de crack. “Foi o período mais difícil da minha vida”, ressalta.

Segundo ele, a falta de oportunidade e de perspectiva na adolescência e aliada ao divórcio conturbado de seus pais foram os principais motivos que o levaram a chegar nessa situação. Jader relembra que morava com a mãe junto aos seus outros três irmãos na Bahia.

Ao sair com o pai durante uma visita comum, ele e os irmãos foram levados para o Rio de Janeiro sem o consentimento da mãe. “A gente morou no Rio por quatro anos sem saber nenhuma informação dos familiares”, relembra. Após esse período, veio morar em Fortaleza com a ex-mulher de seu pai, considerada uma mãe de criação. Em uma briga judicial, a mãe biológica perdeu a guarda dos filhos para o ex-marido, distanciando-se deles ao longo dos anos.

Uso de drogas

O período de uso de drogas, por sua vez, ocorreu quando veio morar em Fortaleza, aos 13 anos. Assim como muitas famílias da periferia, Jader passava por problemas financeiros. Precisava ajudar em casa, mas não havia oportunidade. “Eu só conseguia estágio que pagava apenas o vale-transporte. Por não ter concluído os estudos, ficava mais difícil. Eu tinha que ajudar em casa e você sem dinheiro fica excluso de tudo”, ressalta.

+Leia Mais: Guarde o nome da Mulher Barbada, a drag queen promessa musical do Ceará

Em meio a esses problemas, Jader buscou o refúgio nas drogas. Começou a conhecer pessoas envolvidas com o tráfico de entorpecentes.” Fui me afundando cada vez mais”, relembra. Nessa época, o artista também pichava com outros jovens para preencher a ociosidade. “Na periferia, você não tem o que fazer. A gente ficava na esquina conversando. E, ali, você tem álcool e outras drogas. Não tínhamos lazer. Não tínhamos nada. E o tráfico vem e diz: “Te pago ‘x’ para fazer isso”. Você se sente atraído”, confessa.

Por conta do vício no crack, o artista dormiu na rua e em “bocas de fumo”, vendeu itens de casa para comprar drogas, pensava em se matar. Ele conta que o único pensamento que tinha em mente era a necessidade de consumir a pedra de crack para sentir novamente a falsa sensação de liberdade.

“Virei zumbi. Não conseguia dormir direito porque a droga causava insônia. Eu não estava me reconhecendo. Estava magro e a minha saúde estava debilitada”, conta. Angelim teve a sorte que muitos jovens de Fortaleza não tiveram e ainda não têm. Conseguiu sair do mundo das drogas. De acordo com ele, a palavra de Deus, a arte e o apoio da família foram os responsáveis por tirá-lo dessa realidade.

Passou por um projeto voltado para dependentes químicos. Lá conheceu outras pessoas que sofriam do mesmo problema. Um deles, mais velho, já havia passado por inúmeras clínicas de reabilitação e o aconselhou a continuar no tratamento, voltar a estudar e recuperar a saúde.

“Ele já tinha cheirado tanta cocaína que tinha platina no nariz. A saúde dele já estava muito debilitada e tinha porcentagens mínimas de cura. Ele me disse: ‘você é novo. Volte a estudar”, relembra. Segundo Jader, aquele momento onde escutou a história do interno valeu mais do que as palestras que acompanhava no projeto. Abandonou o vício.

“Graças a Deus conheci o grafite”

Foi com a arte que Jader conseguiu reconstruir a vida. A música, o grafite e os desenhos foram os responsáveis por organizar suas ideias e lhe trazer novas perspectivas. A pintura não significa apenas sua fonte de renda. Retrata a sua superação. É a sua terapia. “Eu agradeço a Deus por ter encontrado a arte”, diz contente.

A mão desejada da filha mais nova de Jader (Foto: Iago Monteiro)

Hoje, casado e pai de dois filhos, Jader paga suas despesas de casa com a arte, mesmo com as poucas oportunidades ofertadas em Fortaleza. Em seu ateliê, trabalha por encomenda.

Faz quadros, objetos de decoração, desenhos em pranchas, grafite e estampas de blusas. Além disso, realiza shows de reggae com músicas autorais. É o que lhe oferece uma vida digna. Entretanto, por mais que seja um trabalho honesto, Jader encontra preconceito por ser artista e, principalmente, por vir da periferia.

“Às vezes, a gente é desvalorizado porque não tem um ensino superior. A gente é muito mal visto. Quando o artista é bem arrumado, ele é bem visto. Mas, quando eu volto todo sujo de tinta e pego um ônibus, vejo a indiferença das pessoas“, afirma.

Os olhares e o preconceito não lhe desanima. Para incentivá-lo, o artista sempre faz desenhos nas paredes de seu ateliê. Uma forma de saber que está no caminho certo. Dentre as marcas de tintas e desenhos na parede, está uma uma mão de criança desenhada. É a de sua filha mais nova que o surpreendeu ao fazer a sua primeira arte. “Ganhei o meu dia”, conclui.

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Jader faz trabalhos por encomendas (Foto: Iago Monteiro)

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O artista teve uma adolescência e juventude conturbada (Foto: Iago Monteiro)

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Angelim faz desenhos em quadros, grafite em paredes e é músico (Foto: Iago Monteiro)

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Para incentivá-lo a seguir na arte, ele coloca alguns de seus trabalhos na parede (Foto: Iago Monteiro)

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(Foto: Iago Monteiro)

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Graças a arte, ele conseguiu sair do mundo das drogas (Foto: Iago Monteiro)

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A parede do Galpão de Rogério Boto retrata a cultura nordestina (Foto: Daniel Rocha)

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A medida foi uma forma de evitar pichações na parede (Foto: Daniel Rocha)

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ARTISTA DE FORTALEZA

O mural durou cerca de cinco dias para ser produzido (Foto: Daniel Rocha)

ARTISTA DE FORTALEZA
10/11

ARTISTA DE FORTALEZA

No seu trabalho, o artista homenageou ícones da cultura nordestina (Foto: Daniel Rocha)

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O galpão fica localizado na avenida Visconde do Rio Branco (Foto: Daniel Rocha)