Cego estuda Jornalismo e possui sua própria rádio online

Cego estuda Jornalismo e possui sua própria rádio online

O cearense Carlos Viana nasceu com a deficiência visual, e com o tempo perdeu a condição de enxergar vultos. Isso, porém, não foi obstáculo ao seu sucesso

Por Thalyta Martins em Perfil

28 de outubro de 2013 às 19:14

Há 4 anos
Carlos Viana estuda Jornalismo e possui sua própria rádio online (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

Carlos Viana estuda Jornalismo e possui sua própria rádio online (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

Com frases curtas e poucas palavras, o cearense estudante de Jornalismo Carlos Viana, dono da própria rádio online, conta um pouco tímido como supera as dificuldades diárias devido a sua deficiência visual. “O principal problema é o pessoal não conhecer essa deficiência. Colocam obstáculos nas calçadas, carro mal estacionado, dificultando o caminho”, afirma o caçula de uma família com sete filhos.

O estudante nasceu com a deficiência, mas conta que conseguia ver alguns vultos quando era mais novo. Aos 15 anos, já não conseguia mais ver uma parede branca. Foi quando ele realizou uma cirurgia para retirar os olhos, já que não aguentava mais sentir dor e ter certeza de que não iria mais enxergar.

“Até água que batia no olho doía. Chegou um ponto em que o remédio para controlar a pressão do olho não funcionava mais. Eu preferia porque a visão estava diminuindo, sabia que nunca ia enxergar, foi tranquilo.” A dor era devido ao glaucoma, doença causada pela lesão do nervo óptico, relacionada a pressão ocular alta.

Ele relatou que existem três possíveis explicações sobre a deficiência visual: a primeira porque a mãe teve a gestação aos 42 anos de idade; a segunda porque os pais são primos; e a terceira porque, durante a gravidez, a mãe dele teve rubéola. Sendo a última, a que ele mais acredita ter influenciado na doença, já que tem seis irmãos e só ele nasceu com alguma deficiência.

Carlos Viana, à esquerda, com os amigos da faculdade (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

Carlos Viana, à esquerda, com os amigos da faculdade (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

As experiências acadêmicas e profissionais do rapaz de 27 anos são muitas. Como universitário, ele já iniciou o curso de História na Universidade do Vale do Acaraú (UVA), mas desistiu e atualmente está no terceiro semestre de Jornalismo na Faculdade Cearense (FaC). “Não sei por que comecei História. Sempre quis fazer Jornalismo, quando eu tinha nove anos ficava brincando com a seringa e dizia que era o microfone da minha rádio”, relembra Carlos.

No currículo profissional, ele organiza o tempo entre o Projeto Acesso do Museu de Cultura Cearense (MCC) no Centro Dragão do Mar, onde trabalha com ações que tornam o lugar mais acessível a todos os públicos; o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que, como bolsista, testa sites do governo quanto a acessibilidade; o programa Valores em Foco na Rádio Dom Bosco; e a própria web rádio, intitulada Mais Brasil, para a qual realiza as gravações e toda a programação sozinho.

E o que você mais gosta de fazer? “Ler e ouvir rádio”, o estudante responde rapidamente. Ele explica que prefere ler pelo computador ao braile. “O braile é muito restrito, faz muito tempo que não leio, uso a Internet. É uma questão mesmo de preço, o livro é muito caro e na Internet tem tudo.” Ele utiliza um programa que fala as informações que estão no computador. “Na faculdade faço tudo com a ajuda do computador, provas, trabalhos. Os professores sempre me mandam por email.”

Em relação às expectativas para o futuro, Carlos Viana quer trabalhar com jornalismo seja a área que for, internet ou impresso. Mas confessa: “A minha paixão é o rádio.” E deixa um recado: “Eu gostaria muito que as pessoas dessem mais atenção e oportunidades a cegos, porque as pessoas quando veem que são cegos já acham que não são capazes. Eu gostaria muito que isso mudasse!”

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Cego estuda Jornalismo e possui sua própria rádio online

O cearense Carlos Viana nasceu com a deficiência visual, e com o tempo perdeu a condição de enxergar vultos. Isso, porém, não foi obstáculo ao seu sucesso

Por Thalyta Martins em Perfil

28 de outubro de 2013 às 19:14

Há 4 anos
Carlos Viana estuda Jornalismo e possui sua própria rádio online (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

Carlos Viana estuda Jornalismo e possui sua própria rádio online (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

Com frases curtas e poucas palavras, o cearense estudante de Jornalismo Carlos Viana, dono da própria rádio online, conta um pouco tímido como supera as dificuldades diárias devido a sua deficiência visual. “O principal problema é o pessoal não conhecer essa deficiência. Colocam obstáculos nas calçadas, carro mal estacionado, dificultando o caminho”, afirma o caçula de uma família com sete filhos.

O estudante nasceu com a deficiência, mas conta que conseguia ver alguns vultos quando era mais novo. Aos 15 anos, já não conseguia mais ver uma parede branca. Foi quando ele realizou uma cirurgia para retirar os olhos, já que não aguentava mais sentir dor e ter certeza de que não iria mais enxergar.

“Até água que batia no olho doía. Chegou um ponto em que o remédio para controlar a pressão do olho não funcionava mais. Eu preferia porque a visão estava diminuindo, sabia que nunca ia enxergar, foi tranquilo.” A dor era devido ao glaucoma, doença causada pela lesão do nervo óptico, relacionada a pressão ocular alta.

Ele relatou que existem três possíveis explicações sobre a deficiência visual: a primeira porque a mãe teve a gestação aos 42 anos de idade; a segunda porque os pais são primos; e a terceira porque, durante a gravidez, a mãe dele teve rubéola. Sendo a última, a que ele mais acredita ter influenciado na doença, já que tem seis irmãos e só ele nasceu com alguma deficiência.

Carlos Viana, à esquerda, com os amigos da faculdade (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

Carlos Viana, à esquerda, com os amigos da faculdade (FOTO: Arquivo Pessoal/Facebook)

As experiências acadêmicas e profissionais do rapaz de 27 anos são muitas. Como universitário, ele já iniciou o curso de História na Universidade do Vale do Acaraú (UVA), mas desistiu e atualmente está no terceiro semestre de Jornalismo na Faculdade Cearense (FaC). “Não sei por que comecei História. Sempre quis fazer Jornalismo, quando eu tinha nove anos ficava brincando com a seringa e dizia que era o microfone da minha rádio”, relembra Carlos.

No currículo profissional, ele organiza o tempo entre o Projeto Acesso do Museu de Cultura Cearense (MCC) no Centro Dragão do Mar, onde trabalha com ações que tornam o lugar mais acessível a todos os públicos; o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que, como bolsista, testa sites do governo quanto a acessibilidade; o programa Valores em Foco na Rádio Dom Bosco; e a própria web rádio, intitulada Mais Brasil, para a qual realiza as gravações e toda a programação sozinho.

E o que você mais gosta de fazer? “Ler e ouvir rádio”, o estudante responde rapidamente. Ele explica que prefere ler pelo computador ao braile. “O braile é muito restrito, faz muito tempo que não leio, uso a Internet. É uma questão mesmo de preço, o livro é muito caro e na Internet tem tudo.” Ele utiliza um programa que fala as informações que estão no computador. “Na faculdade faço tudo com a ajuda do computador, provas, trabalhos. Os professores sempre me mandam por email.”

Em relação às expectativas para o futuro, Carlos Viana quer trabalhar com jornalismo seja a área que for, internet ou impresso. Mas confessa: “A minha paixão é o rádio.” E deixa um recado: “Eu gostaria muito que as pessoas dessem mais atenção e oportunidades a cegos, porque as pessoas quando veem que são cegos já acham que não são capazes. Eu gostaria muito que isso mudasse!”