Cearense viaja pela América Latina com dinheiro que economizou com cigarro
EXEMPLO DE VIDA

Cearense viaja pela América Latina com dinheiro que economizou com cigarro

Nilo Veloso gastava cerca de R$ 15 por dia em cigarro. Hoje, reverteu esse dinheiro em viagem e saúde

Por Lucas Barbosa em Perfil

18 de setembro de 2017 às 07:00

Há 4 semanas

Em 12 anos, Nilo saiu de fumante inveterado para líder grupos de ciclistas em Fortaleza (FOTO: Acervo Pessoal)

Vinte e quatro de julho de 2005. A data ainda está fresca na memória do comerciante Nilo Veloso, hoje com 66 anos e já aposentado. Ele ia no seu carro do trabalho para casa almoçar quando, em frente ao Ideal Clube, no Bairro Meireles, em Fortaleza, acendeu um cigarro e começou a passar mal. As tosses logo evoluíram e Nilo percebeu a vista escurecer.

Foi quando se apegou à Nossa Senhora e fez a promessa que mudaria a sua vida: a partir dali, deixaria de fumar. A esposa bem que duvidou, pois não era a primeira vez que ele prometia largar o vício, revive Nilo 12 anos depois.

Mas ele não só manteve a palavra, como, para provar a firmeza da proposta, decidiu que iria economizar o dinheiro que antes ia para as três carteiras de cigarro que diariamente consumia.

E assim, ele passou a contar com uma poupança diariamente alimentada com R$ 15, ao mesmo tempo em que reavivou o gosto pela atividade física.

O pai, Nilo Weber de Carvalho Veloso, foi o precursor do judô no Ceará, chegando a fundar uma academia que levava o seu nome. O filho seguia os passos dos pai e, inclusive, disputava competições. Foi, justamente, ao parar de competir que intensificou o uso de cigarro, quando tinha 25 anos. Quase 30 anos depois, voltava ao esporte, mas, dessa vez, no ciclismo.

Em um ano, já sentia a diferença. Já podia comprar o primeiro computador e sentir um novo gosto na água. As roupas precisaram ir para a lavanderia, pois, finalmente, ele percebeu que eram empestadas pelo cheiro do cigarro. Também sentiu efeito do abandono no cabelo, na pele, “em tudo”. E saiu dos 120 quilos para os atuais 87.

Do ponto de vista financeiro, o impacto também foi grande. Antes, suas viagens se resumiam às praias do Ceará. Com a economia, visitou Chile, Argentina, Uruguai, Rio, Grande do Sul, Foz do Iguaçu (PR) e diversas capitais do Nordeste. Em novembro próximo, tem viagem programada para Maceió. E, em fevereiro, pretende visitar o Rio de Janeiro.

O dinheiro também foi investido no novo esporte. Comprou uma bicicleta já com um ano sem cigarro e passou a trocá-las periodicamente. E sempre nas compras que passou fazer fazia questão de pagar com as moedas que economizou — mesmo em lojas que não queriam recebê-las.

Quem quiser testemunhar essa transformação pode encontrá-lo nos fins de semana e feriados pelas ruas da cidade, pedalando ao lado de um grupo de amigos no “Pedal Urbano Nilo Veloso” — de uniforme e tudo. Ainda sobra disposição para engajar a equipe em campanhas solidárias, que arrecadam donativos para institutos que atendem crianças com câncer. Tudo isso às custas do cigarro.

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EXEMPLO DE VIDA

Cearense viaja pela América Latina com dinheiro que economizou com cigarro

Nilo Veloso gastava cerca de R$ 15 por dia em cigarro. Hoje, reverteu esse dinheiro em viagem e saúde

Por Lucas Barbosa em Perfil

18 de setembro de 2017 às 07:00

Há 4 semanas

Em 12 anos, Nilo saiu de fumante inveterado para líder grupos de ciclistas em Fortaleza (FOTO: Acervo Pessoal)

Vinte e quatro de julho de 2005. A data ainda está fresca na memória do comerciante Nilo Veloso, hoje com 66 anos e já aposentado. Ele ia no seu carro do trabalho para casa almoçar quando, em frente ao Ideal Clube, no Bairro Meireles, em Fortaleza, acendeu um cigarro e começou a passar mal. As tosses logo evoluíram e Nilo percebeu a vista escurecer.

Foi quando se apegou à Nossa Senhora e fez a promessa que mudaria a sua vida: a partir dali, deixaria de fumar. A esposa bem que duvidou, pois não era a primeira vez que ele prometia largar o vício, revive Nilo 12 anos depois.

Mas ele não só manteve a palavra, como, para provar a firmeza da proposta, decidiu que iria economizar o dinheiro que antes ia para as três carteiras de cigarro que diariamente consumia.

E assim, ele passou a contar com uma poupança diariamente alimentada com R$ 15, ao mesmo tempo em que reavivou o gosto pela atividade física.

O pai, Nilo Weber de Carvalho Veloso, foi o precursor do judô no Ceará, chegando a fundar uma academia que levava o seu nome. O filho seguia os passos dos pai e, inclusive, disputava competições. Foi, justamente, ao parar de competir que intensificou o uso de cigarro, quando tinha 25 anos. Quase 30 anos depois, voltava ao esporte, mas, dessa vez, no ciclismo.

Em um ano, já sentia a diferença. Já podia comprar o primeiro computador e sentir um novo gosto na água. As roupas precisaram ir para a lavanderia, pois, finalmente, ele percebeu que eram empestadas pelo cheiro do cigarro. Também sentiu efeito do abandono no cabelo, na pele, “em tudo”. E saiu dos 120 quilos para os atuais 87.

Do ponto de vista financeiro, o impacto também foi grande. Antes, suas viagens se resumiam às praias do Ceará. Com a economia, visitou Chile, Argentina, Uruguai, Rio, Grande do Sul, Foz do Iguaçu (PR) e diversas capitais do Nordeste. Em novembro próximo, tem viagem programada para Maceió. E, em fevereiro, pretende visitar o Rio de Janeiro.

O dinheiro também foi investido no novo esporte. Comprou uma bicicleta já com um ano sem cigarro e passou a trocá-las periodicamente. E sempre nas compras que passou fazer fazia questão de pagar com as moedas que economizou — mesmo em lojas que não queriam recebê-las.

Quem quiser testemunhar essa transformação pode encontrá-lo nos fins de semana e feriados pelas ruas da cidade, pedalando ao lado de um grupo de amigos no “Pedal Urbano Nilo Veloso” — de uniforme e tudo. Ainda sobra disposição para engajar a equipe em campanhas solidárias, que arrecadam donativos para institutos que atendem crianças com câncer. Tudo isso às custas do cigarro.