Cearense vai de Fortaleza a Salvador com apenas R$ 90 no bolso
AVENTUREIRO

Cearense conta como viajou de Fortaleza a Salvador através de caronas e com R$ 90 no bolso

A última aventura de Mike Guilherme tinha como meta ir até a Argentina com caronas, mas um chamado exigiu a volta

Por Rosana Romão em Perfil

14 de julho de 2016 às 07:00

Há 6 meses
Mike Guilherme rem 22 anos e é estudante de jornalismo. (FOTO: arquivo pessoal)

Mike Guilherme, de 22 anos, é estudante de Jornalismo. (FOTO: Arquivo pessoal)

Imagine você pegar R$ 40 e sair de casa com destino a Argentina. Será que daria certo? Para o cearense Mike Guilherme, isso era quase um fato, não fosse por um motivo especial. Ainda assim, ele conseguiu viajar de Fortaleza a Salvador com R$ 90 no bolso no período de 9 dias. Isso porque uma amiga doou R$ 50 ao aventureiro, porque por ele o orçamento seria de apenas R$ 40 mesmo.

A sua inspiração veio de uma moça que teria viajado por três meses na Europa sem dinheiro, conhecendo cerca de 13 países. Ele, que fazia o trecho Fortaleza-Tejuçuoca diversas vezes quando criança, se apresentou com grupos de teatro e capoeira em outras cidades e participou de congressos em outros estados, decidiu ampliar os horizontes e ir mais longe. Teve a sua primeira experiência quando foi para São Paulo e passou 38 dias viajando.

Na primeira experiência, Mike começou a se planejar em janeiro para viajar em julho. Ele passou por São Paulo, Rio de Janeiro, visitou várias cidades de Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Pernambuco. Isso tudo com 20 anos de idade e uma passagem de ida para São Paulo. Todos os outros lugares conheceu através de caronas e com hospedagens solidárias.

Estudante de Jornalismo, na época ele era monitor de rádio e jornal pelo programa Mais Educação em duas escolas públicas. Escolheu o período de férias para não ser prejudicado. “Minha mãe me chamou de maluco, dizendo que eu ia me arriscar. Meu padastro me apoiou e acabou convencendo ela, que criou até um Facebook para acompanhar a minha fanpage, onde eu posto informações da viagem”, comenta.

Ele estudou por seis meses sobre como viajar sem dinheiro. (FOTO: arquivo pessoal)

Ele estudou por seis meses sobre como viajar sem dinheiro. (FOTO: arquivo pessoal)

Aventura

Nesta segunda experiência, ele pretendia ir de Fortaleza até a Argentina. Como estava desempregado e sabia que não iria conseguir um emprego até o período de férias da faculdade, começou a planejar a viagem com um mês de antecedência. Como tinha vontade de conhecer os países da América do Sul, pretendia ir até o Sul do Brasil e passar pela Argentina e pelo Paraguai. Todavia, ele percorreu seis cidades, chegando em Salvador, mas precisou retornar a Fortaleza.

Aluno de uma universidade privada, ele recebeu a notícia de que sua transferência para a Universidade Federal do Ceará (UFC) havia sido aceita. Então, comprou uma passagem de volta para Fortaleza para cuidar da documentação.

“Não estava nos meus planos voltar, fiquei pensando se continuava ou voltava. Pensei em fazer uma procuração, mas como só eu sabia onde estavam os meus documentos, decidi vir logo. Minha mãe comprou uma passagem de volta para mim”, conta. Como seu curso na UFC é de período integral, ele vai adiar a viagem para o fim do ano, quando estiver de férias.

Ainda assim, Mike passou por Morada Nova, Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte, Milagres, Brejo Santo, Penaforte, Salgueiro, Feira de Santana e Salvador. Tudo isso pegando carona e dormindo em locais diversos. Em sua barraca, armada na rua e em postos de gasolina, quando não conseguia hospedagem.

“Fui do lixo ao luxo. Um dia dormi em uma rodoviária, em Feira de Santana, e no outro dia dormi em uma varanda, em um apartamento de frente pro mar, em Salvador”, acrescenta.

Mas para conseguir esse resultado, ele teve que se dedicar bastante. Foram seis meses estudando sobre como viajar de carona e com pouco dinheiro. Teve que pedir dicas, ouvir opiniões e fez amizades para se preparar. Mas, para ele, o que mais conta é a preparação psicológica. “Tem que se preparar bem, porque você vai passar por coisas que não imagina, superar medos, chegar em pessoas que você não conhece e pedir carona, alimentação”, alerta.

Às vezes, ao conhecerem a história de Mike Guilherme, as pessoas se sensibilizam e o ajudam. “As pessoas dizem que eu estou fazendo algo que elas gostariam de fazer, mas não podem devido ao trabalho, família, etc, então elas querem fazer parte de alguma forma daquilo e acabam ajudando, com alimentação e até dinheiro”, detalha. 

Na sua primeira aventura, ele conseguiu arrecadar R$ 800, o que contribuiu com sua alimentação e uma passagem de ônibus de Recife a Fortaleza. E na sua última viagem, a Salvador, para onde saiu com apenas R$ 90, ele conseguiu apurar R$ 120. Alguns seguidores de sua fanpage também se solidarizam e tentam ajudá-lo de alguma forma, seja com hospedagem ou dinheiro. Ele também se oferece para trabalhar se for necessário.

Sobre medo, ele é taxativo. “Perigo tem em todo lugar. Corremos perigo até onde moramos. Eu mesmo já fui assaltado na minha rua. Sei dos perigos que corro, mas tento não me prender a isso”, afirma. A única situação desagradável pela qual passou foi a de um caminhoneiro que o assediou. Mas, com educação, Mike esclareceu que queria apenas a carona e que não havia cabimento para isso e ficou tudo bem.

“Perigo tem em todo lugar. Corremos perigo até onde moramos. Eu mesmo já fui assaltado na minha rua. Sei dos perigos que corro, mas tento não me prender a isso”.

Atualmente com 22 anos, ele ainda pretende ir para muitos destinos. Para não ter que esperar até o fim do ano para ir à Argentina, ele já se organiza para uma mini trip, onde passará por Recife, João Pessoa e Rio Grande do Norte. Ele pretende passar três semanas viajando e conhecendo novas pessoas. “Você fica mais aberto para conhecer o mundo, faz novas amizades, enxerga melhor o lugar onde mora, de onde veio”, conclui.

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Cearense conta como viajou de Fortaleza a Salvador através de caronas e com R$ 90 no bolso

A última aventura de Mike Guilherme tinha como meta ir até a Argentina com caronas, mas um chamado exigiu a volta

Por Rosana Romão em Perfil

14 de julho de 2016 às 07:00

Há 6 meses
Mike Guilherme rem 22 anos e é estudante de jornalismo. (FOTO: arquivo pessoal)

Mike Guilherme, de 22 anos, é estudante de Jornalismo. (FOTO: Arquivo pessoal)

Imagine você pegar R$ 40 e sair de casa com destino a Argentina. Será que daria certo? Para o cearense Mike Guilherme, isso era quase um fato, não fosse por um motivo especial. Ainda assim, ele conseguiu viajar de Fortaleza a Salvador com R$ 90 no bolso no período de 9 dias. Isso porque uma amiga doou R$ 50 ao aventureiro, porque por ele o orçamento seria de apenas R$ 40 mesmo.

A sua inspiração veio de uma moça que teria viajado por três meses na Europa sem dinheiro, conhecendo cerca de 13 países. Ele, que fazia o trecho Fortaleza-Tejuçuoca diversas vezes quando criança, se apresentou com grupos de teatro e capoeira em outras cidades e participou de congressos em outros estados, decidiu ampliar os horizontes e ir mais longe. Teve a sua primeira experiência quando foi para São Paulo e passou 38 dias viajando.

Na primeira experiência, Mike começou a se planejar em janeiro para viajar em julho. Ele passou por São Paulo, Rio de Janeiro, visitou várias cidades de Minas Gerais, Bahia, Sergipe e Pernambuco. Isso tudo com 20 anos de idade e uma passagem de ida para São Paulo. Todos os outros lugares conheceu através de caronas e com hospedagens solidárias.

Estudante de Jornalismo, na época ele era monitor de rádio e jornal pelo programa Mais Educação em duas escolas públicas. Escolheu o período de férias para não ser prejudicado. “Minha mãe me chamou de maluco, dizendo que eu ia me arriscar. Meu padastro me apoiou e acabou convencendo ela, que criou até um Facebook para acompanhar a minha fanpage, onde eu posto informações da viagem”, comenta.

Ele estudou por seis meses sobre como viajar sem dinheiro. (FOTO: arquivo pessoal)

Ele estudou por seis meses sobre como viajar sem dinheiro. (FOTO: arquivo pessoal)

Aventura

Nesta segunda experiência, ele pretendia ir de Fortaleza até a Argentina. Como estava desempregado e sabia que não iria conseguir um emprego até o período de férias da faculdade, começou a planejar a viagem com um mês de antecedência. Como tinha vontade de conhecer os países da América do Sul, pretendia ir até o Sul do Brasil e passar pela Argentina e pelo Paraguai. Todavia, ele percorreu seis cidades, chegando em Salvador, mas precisou retornar a Fortaleza.

Aluno de uma universidade privada, ele recebeu a notícia de que sua transferência para a Universidade Federal do Ceará (UFC) havia sido aceita. Então, comprou uma passagem de volta para Fortaleza para cuidar da documentação.

“Não estava nos meus planos voltar, fiquei pensando se continuava ou voltava. Pensei em fazer uma procuração, mas como só eu sabia onde estavam os meus documentos, decidi vir logo. Minha mãe comprou uma passagem de volta para mim”, conta. Como seu curso na UFC é de período integral, ele vai adiar a viagem para o fim do ano, quando estiver de férias.

Ainda assim, Mike passou por Morada Nova, Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte, Milagres, Brejo Santo, Penaforte, Salgueiro, Feira de Santana e Salvador. Tudo isso pegando carona e dormindo em locais diversos. Em sua barraca, armada na rua e em postos de gasolina, quando não conseguia hospedagem.

“Fui do lixo ao luxo. Um dia dormi em uma rodoviária, em Feira de Santana, e no outro dia dormi em uma varanda, em um apartamento de frente pro mar, em Salvador”, acrescenta.

Mas para conseguir esse resultado, ele teve que se dedicar bastante. Foram seis meses estudando sobre como viajar de carona e com pouco dinheiro. Teve que pedir dicas, ouvir opiniões e fez amizades para se preparar. Mas, para ele, o que mais conta é a preparação psicológica. “Tem que se preparar bem, porque você vai passar por coisas que não imagina, superar medos, chegar em pessoas que você não conhece e pedir carona, alimentação”, alerta.

Às vezes, ao conhecerem a história de Mike Guilherme, as pessoas se sensibilizam e o ajudam. “As pessoas dizem que eu estou fazendo algo que elas gostariam de fazer, mas não podem devido ao trabalho, família, etc, então elas querem fazer parte de alguma forma daquilo e acabam ajudando, com alimentação e até dinheiro”, detalha. 

Na sua primeira aventura, ele conseguiu arrecadar R$ 800, o que contribuiu com sua alimentação e uma passagem de ônibus de Recife a Fortaleza. E na sua última viagem, a Salvador, para onde saiu com apenas R$ 90, ele conseguiu apurar R$ 120. Alguns seguidores de sua fanpage também se solidarizam e tentam ajudá-lo de alguma forma, seja com hospedagem ou dinheiro. Ele também se oferece para trabalhar se for necessário.

Sobre medo, ele é taxativo. “Perigo tem em todo lugar. Corremos perigo até onde moramos. Eu mesmo já fui assaltado na minha rua. Sei dos perigos que corro, mas tento não me prender a isso”, afirma. A única situação desagradável pela qual passou foi a de um caminhoneiro que o assediou. Mas, com educação, Mike esclareceu que queria apenas a carona e que não havia cabimento para isso e ficou tudo bem.

“Perigo tem em todo lugar. Corremos perigo até onde moramos. Eu mesmo já fui assaltado na minha rua. Sei dos perigos que corro, mas tento não me prender a isso”.

Atualmente com 22 anos, ele ainda pretende ir para muitos destinos. Para não ter que esperar até o fim do ano para ir à Argentina, ele já se organiza para uma mini trip, onde passará por Recife, João Pessoa e Rio Grande do Norte. Ele pretende passar três semanas viajando e conhecendo novas pessoas. “Você fica mais aberto para conhecer o mundo, faz novas amizades, enxerga melhor o lugar onde mora, de onde veio”, conclui.