Roberto Costa: "Nem tudo que reluz é ouro"
SEM QUILÔMETROS

Roberto Costa: “Nem tudo que reluz é ouro”

Jornalista ajuda leitores na escolha de carros usados, para evitar pesadelos no futuro

Por Tribuna do Ceará em Opinião

30 de julho de 2016 às 06:40

Há 6 meses

Por Roberto Costa

Quase sempre a compra de um automóvel é feita com emoção, e essa empolgação muitas vezes cega o futuro infeliz proprietário daquilo que, na loja, parecia joia única.

Em se tratando de carro zero quilômetro as possibilidades de arrependimento se resumem praticamente ao erro de escolha, ou seja, comprou um modelo que não se encaixa às necessidades ou acima da capacidade de endividamento. Mas, quando a compra recai sobre um modelo usado, a situação complica.

Mas novo ou usado?

Esta é uma resposta que somente o comprador tem principalmente hoje quando muitos preferem um modelo usado de categoria superior a um “popular” novo e, nesta hora, todo cuidado é pouco.

Algumas precauções devem ser tomadas antes mesmo de ir à caça da joia sonhada. A primeira está estudar a capacidade de investimento. Comprar algo acima das posses é algo mais comum que se imagina e, com o orçamento apertado no mínimo, a manutenção vai ficar prejudicada trazendo desconforto e até riscos no dia a dia.

Orçamento feito, é hora de estudar quais os modelos apropriados, as prioridades, o mais admirado não deve ser esquecido, mas nunca deixe de analisar outras ofertas que, por vezes, estão estacionadas ao lado e que podem ser melhores e mais baratas.

Mas nunca saia de forma desordenada. Procure lojas conhecidas que lhe darão mais segurança e lembre que o Código do Consumidor lhe dá um prazo de 90 dias para reclamar de problemas em geral, e não só em motor e câmbio como alguns apregoam. No caso de compra feita diretamente a um particular, pode-se recorrer ao código civil, mas fica tudo pouco mais complicado, exigindo a contratação de um advogado e a abertura de um processo.

Tomadas estas precauções, é hora de ir à luta. Se você não é um expert em automóveis, procure levar um amigo que tenha conhecimentos básicos, já que nem tudo que reluz é ouro. Chegando ao local da possível compra, tome cuidado com aquela “joinha” brilhando que foi paixão à primeira vista! Pode ser uma bela de uma arapuca.

Comece checando não o brilho da pintura, mas se é uniforme em toda a carroceria. Veja se portas e capuzes estão abrindo e fechando normalmente e com folgas iguais em todo o perímetro. Compare a situação das rodas e pneus, incluindo o estepe, já que podem denunciar uso incorreto pelo proprietário anterior.

Se houve algum acidente, e o carro foi reparado em uma boa oficina, pode ser difícil de notar, e um especialista deve ser consultado. Os tapetes devem estar em ordem na coloração e fixação, e não estando é possível que tenha sido atingido por enchentes, situação complicada, pois tais automóveis nunca mais serão uma boa opção.

Na parte mecânica, um especialista facilmente dará um parecer, mas o comprador pode fazer algumas pequenas observações. Sempre exija um teste driver e, logo ao ligar o carro, “sinta” se o motor não tem vibrações excessivas ou ruídos estranhos; veja se os pedais não estão com o curso longo (baixos); ao colocar a primeira marcha, se entrou fácil sem “arranhar”; e, andando, se as demais marchas entram naturalmente. Procure uma rua de pavimento ruim para ouvir ruídos na suspensão e em partes internas da carroceria.

Testar todos os itens elétricos colocando em funcionamento acessórios como som, ar-condicionado, acionamento elétrico dos vidros, faróis e lanternas. Lâmpadas apagadas ou acesas intermitentemente no painel para tentar sugerir de problemas elétricos. Alarmes não originais também podem trazer problemas.

Escolheu sua joia?

Agora vem a burocracia. Nunca adiante pagamento antes de ter certeza da situação legal do carro. Muitos têm débitos com as financeiras, e outros até podem estar arrolados em questões judiciais, e a dor de cabeça depois vai ser grande. É importante saber que eventuais multas anteriores terão que ser pagas no ato da transferência, e este é mais um complicador.

Finalmente procure o Manual do Proprietário e veja se constam pelo menos as revisões do período da garantia e saiba que a palavra de um especialista de confiança sempre será imprescindível para sua futura tranquilidade.

Pode parecer difícil seguir algumas normas, principalmente quando se está diante do carro sonhado, mas uma compra errada sempre será motivo de pesadelo.

*Roberto Costa é jornalista especializado em veículos há 40 anos. Com experiência em áreas de vendas, marketing e pós-venda em distribuidores de veículos, atuou também na organização e vistorias de carros em competições automotoras.

A coluna “Sem Quilômetros” é publicada no Tribuna do Ceará, aos sábados, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às segundas e quartas-feiras, às 7h10, e na Edição da Noite, a partir das 18h.

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Roberto Costa: “Nem tudo que reluz é ouro”

Jornalista ajuda leitores na escolha de carros usados, para evitar pesadelos no futuro

Por Tribuna do Ceará em Opinião

30 de julho de 2016 às 06:40

Há 6 meses

Por Roberto Costa

Quase sempre a compra de um automóvel é feita com emoção, e essa empolgação muitas vezes cega o futuro infeliz proprietário daquilo que, na loja, parecia joia única.

Em se tratando de carro zero quilômetro as possibilidades de arrependimento se resumem praticamente ao erro de escolha, ou seja, comprou um modelo que não se encaixa às necessidades ou acima da capacidade de endividamento. Mas, quando a compra recai sobre um modelo usado, a situação complica.

Mas novo ou usado?

Esta é uma resposta que somente o comprador tem principalmente hoje quando muitos preferem um modelo usado de categoria superior a um “popular” novo e, nesta hora, todo cuidado é pouco.

Algumas precauções devem ser tomadas antes mesmo de ir à caça da joia sonhada. A primeira está estudar a capacidade de investimento. Comprar algo acima das posses é algo mais comum que se imagina e, com o orçamento apertado no mínimo, a manutenção vai ficar prejudicada trazendo desconforto e até riscos no dia a dia.

Orçamento feito, é hora de estudar quais os modelos apropriados, as prioridades, o mais admirado não deve ser esquecido, mas nunca deixe de analisar outras ofertas que, por vezes, estão estacionadas ao lado e que podem ser melhores e mais baratas.

Mas nunca saia de forma desordenada. Procure lojas conhecidas que lhe darão mais segurança e lembre que o Código do Consumidor lhe dá um prazo de 90 dias para reclamar de problemas em geral, e não só em motor e câmbio como alguns apregoam. No caso de compra feita diretamente a um particular, pode-se recorrer ao código civil, mas fica tudo pouco mais complicado, exigindo a contratação de um advogado e a abertura de um processo.

Tomadas estas precauções, é hora de ir à luta. Se você não é um expert em automóveis, procure levar um amigo que tenha conhecimentos básicos, já que nem tudo que reluz é ouro. Chegando ao local da possível compra, tome cuidado com aquela “joinha” brilhando que foi paixão à primeira vista! Pode ser uma bela de uma arapuca.

Comece checando não o brilho da pintura, mas se é uniforme em toda a carroceria. Veja se portas e capuzes estão abrindo e fechando normalmente e com folgas iguais em todo o perímetro. Compare a situação das rodas e pneus, incluindo o estepe, já que podem denunciar uso incorreto pelo proprietário anterior.

Se houve algum acidente, e o carro foi reparado em uma boa oficina, pode ser difícil de notar, e um especialista deve ser consultado. Os tapetes devem estar em ordem na coloração e fixação, e não estando é possível que tenha sido atingido por enchentes, situação complicada, pois tais automóveis nunca mais serão uma boa opção.

Na parte mecânica, um especialista facilmente dará um parecer, mas o comprador pode fazer algumas pequenas observações. Sempre exija um teste driver e, logo ao ligar o carro, “sinta” se o motor não tem vibrações excessivas ou ruídos estranhos; veja se os pedais não estão com o curso longo (baixos); ao colocar a primeira marcha, se entrou fácil sem “arranhar”; e, andando, se as demais marchas entram naturalmente. Procure uma rua de pavimento ruim para ouvir ruídos na suspensão e em partes internas da carroceria.

Testar todos os itens elétricos colocando em funcionamento acessórios como som, ar-condicionado, acionamento elétrico dos vidros, faróis e lanternas. Lâmpadas apagadas ou acesas intermitentemente no painel para tentar sugerir de problemas elétricos. Alarmes não originais também podem trazer problemas.

Escolheu sua joia?

Agora vem a burocracia. Nunca adiante pagamento antes de ter certeza da situação legal do carro. Muitos têm débitos com as financeiras, e outros até podem estar arrolados em questões judiciais, e a dor de cabeça depois vai ser grande. É importante saber que eventuais multas anteriores terão que ser pagas no ato da transferência, e este é mais um complicador.

Finalmente procure o Manual do Proprietário e veja se constam pelo menos as revisões do período da garantia e saiba que a palavra de um especialista de confiança sempre será imprescindível para sua futura tranquilidade.

Pode parecer difícil seguir algumas normas, principalmente quando se está diante do carro sonhado, mas uma compra errada sempre será motivo de pesadelo.

*Roberto Costa é jornalista especializado em veículos há 40 anos. Com experiência em áreas de vendas, marketing e pós-venda em distribuidores de veículos, atuou também na organização e vistorias de carros em competições automotoras.

A coluna “Sem Quilômetros” é publicada no Tribuna do Ceará, aos sábados, e vai ao ar na Rádio Tribuna BandNews (FM 101.7) às segundas e quartas-feiras, às 7h10, e na Edição da Noite, a partir das 18h.