Construída no tempo imperial, ferrovia de Baturité ainda desperta saudade
SÉCULO XIX

Construída no tempo imperial, ferrovia de Baturité ainda desperta saudade

A estrada de ferro de Baturité foi a primeira a ser construída no Ceará. Conheça as histórias de quem viveu nesses trilhos

Por Tribuna Bandnews FM em Mobilidade Urbana

19 de fevereiro de 2017 às 07:00

Há 1 mês
O declínio das ferrovias no Ceará aconteceu por volta dos anos 1980 (FOTO: Marcos Issa/Argosfoto/Reprodução)

O declínio das ferrovias no Ceará aconteceu por volta dos anos 1980 (FOTO: Marcos Issa/Argosfoto/Reprodução)

Elas já foram sinônimo de prosperidade e desenvolvimento. Mas, hoje, estão apenas na memória dos que viajaram muito através de seus trilhos. No Ceará, em meados do século XIX, um projeto pretendia integrar todo o estado através da construção da ferrovia que ligava Fortaleza a Baturité, e depois para a Região do Cariri.

A reportagem da Tribuna BandNews FM mostra um pouco da história da ferrovia Fortaleza-Baturité e de personagens que viveram bons tempos nos trilhos.

De Fortaleza a Baturité e de Baturité até a região do Cariri. Nos anos 1960, o então adolescente Joel Sampaio fez muitas vezes esse trajeto. Hoje, lembra com saudades os tempos em que o vagão de trem era uma aventura de criança.

“O meu pai viajava bastante, ele era eletricista. Em novembro de 1971, nós fomos de trem para Juazeiro do Norte e eu sempre gostei de viajar”, conta.

Autor de uma pesquisa científica, o historiador e professor da Uece, do campus de Quixadá, Tayrone Apollo Cândido, conta que, para além do desenvolvimento e escoamento da produção de café, a ferrovia foi construída, ainda no período imperial, com outro propósito.

“Diante das grandes crises ocasionadas durante as secas entre a passagem do século XIX para o século XX, a construção dessa ferrovia ficou relacionada diretamente com a necessidade que as elites locais tiveram de utilizar essas obras como um meio de socorrer através de trabalho os retirantes dessa seca”, explica o historiador.

A chamada estrada de ferro de Baturité foi a primeira a ser construída aqui no estado. O declínio das ferrovias no Ceará aconteceu por volta dos anos 1980. De lá pra cá, os novos meios de transporte foram substituindo aos poucos os velhos trens.

Acostumado a viajar para São Paulo e andar de trem, o técnico de assuntos educacionais Leno Pinheiro, sente falta dessa modalidade por aqui. “Em São Paulo, até por uma questão populacional, o trânsito e tudo, andar de trem ou metrô é perfeito para você chegar nos lugares rápido e de maneira pontual”, explica Leno.

O professor de História da UFC Sebastião Ponte lembra de um detalhe importante nessa história. Ele esclarece que “mesmo sem a ferrovia já vinha muita gente do interior para Fortaleza. Fazendeiros, sertanejos vinham morar aqui por conta das secas”.

Relatada no clássico de Rachel de Queiroz ‘O Quinze’, a Seca de 1915 fez muita gente vir para a capital em busca de vida nova através das estradas de ferro.

“Retirantes que chegavam a Fortaleza pelo trem às vezes faziam passagem invadindo os vagões para chegarem mais rápido à cidade em busca de socorro. Quando chegavam a Fortaleza, na estação, no início na Bezerra de Menezes, eles já eram recrutados para um campo de concentração”, conta Sebastião.

Ainda segundo Sebastião Ponte, os campos de concentração aqui em Fortaleza funcionavam como uma espécie de barreira para que os retirantes não invadissem a cidade.

Saiba mais na reportagem de Tiago Lima para a Tribuna BandNews FM:

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Construída no tempo imperial, ferrovia de Baturité ainda desperta saudade

A estrada de ferro de Baturité foi a primeira a ser construída no Ceará. Conheça as histórias de quem viveu nesses trilhos

Por Tribuna Bandnews FM em Mobilidade Urbana

19 de fevereiro de 2017 às 07:00

Há 1 mês
O declínio das ferrovias no Ceará aconteceu por volta dos anos 1980 (FOTO: Marcos Issa/Argosfoto/Reprodução)

O declínio das ferrovias no Ceará aconteceu por volta dos anos 1980 (FOTO: Marcos Issa/Argosfoto/Reprodução)

Elas já foram sinônimo de prosperidade e desenvolvimento. Mas, hoje, estão apenas na memória dos que viajaram muito através de seus trilhos. No Ceará, em meados do século XIX, um projeto pretendia integrar todo o estado através da construção da ferrovia que ligava Fortaleza a Baturité, e depois para a Região do Cariri.

A reportagem da Tribuna BandNews FM mostra um pouco da história da ferrovia Fortaleza-Baturité e de personagens que viveram bons tempos nos trilhos.

De Fortaleza a Baturité e de Baturité até a região do Cariri. Nos anos 1960, o então adolescente Joel Sampaio fez muitas vezes esse trajeto. Hoje, lembra com saudades os tempos em que o vagão de trem era uma aventura de criança.

“O meu pai viajava bastante, ele era eletricista. Em novembro de 1971, nós fomos de trem para Juazeiro do Norte e eu sempre gostei de viajar”, conta.

Autor de uma pesquisa científica, o historiador e professor da Uece, do campus de Quixadá, Tayrone Apollo Cândido, conta que, para além do desenvolvimento e escoamento da produção de café, a ferrovia foi construída, ainda no período imperial, com outro propósito.

“Diante das grandes crises ocasionadas durante as secas entre a passagem do século XIX para o século XX, a construção dessa ferrovia ficou relacionada diretamente com a necessidade que as elites locais tiveram de utilizar essas obras como um meio de socorrer através de trabalho os retirantes dessa seca”, explica o historiador.

A chamada estrada de ferro de Baturité foi a primeira a ser construída aqui no estado. O declínio das ferrovias no Ceará aconteceu por volta dos anos 1980. De lá pra cá, os novos meios de transporte foram substituindo aos poucos os velhos trens.

Acostumado a viajar para São Paulo e andar de trem, o técnico de assuntos educacionais Leno Pinheiro, sente falta dessa modalidade por aqui. “Em São Paulo, até por uma questão populacional, o trânsito e tudo, andar de trem ou metrô é perfeito para você chegar nos lugares rápido e de maneira pontual”, explica Leno.

O professor de História da UFC Sebastião Ponte lembra de um detalhe importante nessa história. Ele esclarece que “mesmo sem a ferrovia já vinha muita gente do interior para Fortaleza. Fazendeiros, sertanejos vinham morar aqui por conta das secas”.

Relatada no clássico de Rachel de Queiroz ‘O Quinze’, a Seca de 1915 fez muita gente vir para a capital em busca de vida nova através das estradas de ferro.

“Retirantes que chegavam a Fortaleza pelo trem às vezes faziam passagem invadindo os vagões para chegarem mais rápido à cidade em busca de socorro. Quando chegavam a Fortaleza, na estação, no início na Bezerra de Menezes, eles já eram recrutados para um campo de concentração”, conta Sebastião.

Ainda segundo Sebastião Ponte, os campos de concentração aqui em Fortaleza funcionavam como uma espécie de barreira para que os retirantes não invadissem a cidade.

Saiba mais na reportagem de Tiago Lima para a Tribuna BandNews FM: