Cearenses se inspiram no Uber e criam app de transporte só para mulheres
DE MULHER PRA MULHER

Cearenses se inspiram no Uber e criam app de transporte só para mulheres

O Divas For atinge preços competitivos porque as motoristas não precisam repassar percentual dos valores das corridas ao aplicativo

Por Lyvia Rocha em Mobilidade Urbana

30 de agosto de 2017 às 09:00

Há 3 semanas
Divas For foi criado há pouco mais de 1 mês (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Divas For foi criado há pouco mais de 1 mês (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

O medo de serem abordadas de forma inconveniente, de sofrerem assédio ou piadinhas de mal gosto faz com que muitas mulheres tenham medo de pegar transportes como táxi e Uber, por ter mais homens dirigindo os veículos. Pensando nisso, a motorista Eveline Carolina e duas amigas resolveram criar o Divas For, aplicativo similar ao Uber que tem apenas mulheres como motoristas e foca em clientes mulheres.

A ideia surgiu em junho, e foi colocada em prática dias depois. Há 1 mês o aplicativo está no ar. “Eu era motorista do Uber, e muitas mulheres relatavam que tinha medo de andar com homens, principalmente no horário da noite. Então, fui pensando em criar um aplicativo que podia deixar elas mais à vontade e sem chance de sofrerem assédio”, relata.

Por ser algo bem complexo e trabalhoso, ela decidiu dividir todo o processo com as sócias Monique e Cibele, que ajudaram na contratação da empresa que administra o app. “A gente se inspirou no Uber na hora da criação do aplicativo e o processo foi até rápido. Como essas empresas são caras, nós fizemos uma parceria e todas saímos ganhando”, disse.

Os valores também são semelhantes ao Uber. Cada quilômetro custa R$ 1,20 e o minuto é R$ 0,15. Já a tarifa base sai no valor de R$ 2,50 e o preço mínimo de cada viagem é de R$ 6,75. No momento, o app só está disponível em celulares com o sistema operacional Android.

Os carros também tem suas especificidades. Devem ser acima de 2008, possuir quatro portas e ar-condicionado.

A vantagem para as motoristas parceiras do Divas For é que não há divisão dos valores da corrida com a administração do aplicativo, diferentemente dos concorrentes. Todo o arrecadado é das motoristas, que só precisam pagar para a central um valor mensal de R$ 200 – também bastante abaixo do custo que motoristas repassam, por exemplo, para o Uber mensalmente.

Com isso, explica a criadora do Divas For, as corridas atingem preços mais em conta que os concorrentes.

Apesar do foco ser feminino, homens acompanhados de mulheres também pode realizar as viagens. “A nossa restrição é no cadastro que só pode ser feito por mulheres. Porém, as mulheres acompanhadas de namorados e filhos podem entrar no carro normalmente”, finaliza.

Luta pela regularização

Após o Uber ter sido liberado pelo Tribunal de Justiça do Ceará, o Divas For também deseja ser reconhecido pelos órgãos responsáveis. “Nós vamos atrás sim. A tecnologia chegou e não podemos aceitar decisões arcaicas e acredito que seria até mais fácil para nós, por ser algo mais específico”, acredita Eveline.

Apesar disso, ela acredita que ainda pode levar um tempo até que as motoristas possam lutar por isso. “É necessário termos mais clientes, e que elas também possam nos ajudar”, afirma.

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DE MULHER PRA MULHER

Cearenses se inspiram no Uber e criam app de transporte só para mulheres

O Divas For atinge preços competitivos porque as motoristas não precisam repassar percentual dos valores das corridas ao aplicativo

Por Lyvia Rocha em Mobilidade Urbana

30 de agosto de 2017 às 09:00

Há 3 semanas
Divas For foi criado há pouco mais de 1 mês (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

Divas For foi criado há pouco mais de 1 mês (FOTO: Fernanda Moura/Tribuna do Ceará)

O medo de serem abordadas de forma inconveniente, de sofrerem assédio ou piadinhas de mal gosto faz com que muitas mulheres tenham medo de pegar transportes como táxi e Uber, por ter mais homens dirigindo os veículos. Pensando nisso, a motorista Eveline Carolina e duas amigas resolveram criar o Divas For, aplicativo similar ao Uber que tem apenas mulheres como motoristas e foca em clientes mulheres.

A ideia surgiu em junho, e foi colocada em prática dias depois. Há 1 mês o aplicativo está no ar. “Eu era motorista do Uber, e muitas mulheres relatavam que tinha medo de andar com homens, principalmente no horário da noite. Então, fui pensando em criar um aplicativo que podia deixar elas mais à vontade e sem chance de sofrerem assédio”, relata.

Por ser algo bem complexo e trabalhoso, ela decidiu dividir todo o processo com as sócias Monique e Cibele, que ajudaram na contratação da empresa que administra o app. “A gente se inspirou no Uber na hora da criação do aplicativo e o processo foi até rápido. Como essas empresas são caras, nós fizemos uma parceria e todas saímos ganhando”, disse.

Os valores também são semelhantes ao Uber. Cada quilômetro custa R$ 1,20 e o minuto é R$ 0,15. Já a tarifa base sai no valor de R$ 2,50 e o preço mínimo de cada viagem é de R$ 6,75. No momento, o app só está disponível em celulares com o sistema operacional Android.

Os carros também tem suas especificidades. Devem ser acima de 2008, possuir quatro portas e ar-condicionado.

A vantagem para as motoristas parceiras do Divas For é que não há divisão dos valores da corrida com a administração do aplicativo, diferentemente dos concorrentes. Todo o arrecadado é das motoristas, que só precisam pagar para a central um valor mensal de R$ 200 – também bastante abaixo do custo que motoristas repassam, por exemplo, para o Uber mensalmente.

Com isso, explica a criadora do Divas For, as corridas atingem preços mais em conta que os concorrentes.

Apesar do foco ser feminino, homens acompanhados de mulheres também pode realizar as viagens. “A nossa restrição é no cadastro que só pode ser feito por mulheres. Porém, as mulheres acompanhadas de namorados e filhos podem entrar no carro normalmente”, finaliza.

Luta pela regularização

Após o Uber ter sido liberado pelo Tribunal de Justiça do Ceará, o Divas For também deseja ser reconhecido pelos órgãos responsáveis. “Nós vamos atrás sim. A tecnologia chegou e não podemos aceitar decisões arcaicas e acredito que seria até mais fácil para nós, por ser algo mais específico”, acredita Eveline.

Apesar disso, ela acredita que ainda pode levar um tempo até que as motoristas possam lutar por isso. “É necessário termos mais clientes, e que elas também possam nos ajudar”, afirma.