Cearenses criam sensor que auxilia surdos a andar de bicicleta com mais segurança
LUZES NO GUIDÃO

Cearenses criam sistema que auxilia surdos a andar de bicicleta com mais segurança

Sistema criado por alunos universitários de Aracati evita que surdos sofram acidentes enquanto pedalam

Por Matheus Ribeiro em Mobilidade Urbana

29 de novembro de 2016 às 07:00

Há 11 meses
Estudantes e seus orientadores devem representar o Ceará em feira internacional (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

Estudantes e seus orientadores devem representar o Ceará em feira internacional (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

A prática de ciclismo em Fortaleza é comumente feita por grupos de adeptos da modalidade. Contudo, engana-se quem pensa que o ciclismo pode não ser um esporte inclusivo. Com a intenção de proporcionar uma pedalada mais segura aos deficientes auditivos, dois estudantes do Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Aracati, a 171 quilômetros de Fortaleza, criaram um projeto de inclusão ao ciclismo de destaque internacional.

O projeto, intitulado como uma solução de baixo custo para acessibilidade de ciclistas surdos no trânsito urbano, foi criado pelos cearenses Johnattan Viana e Igor Galdino. Cursando o oitavo e o terceiro semestre do curso de Ciências da Computação, os estudantes pensaram no projeto para atender necessidades do irmão de Johnattan.

“Tenho um irmão surdo e ele tinha costume de pedalar bastante, mas já tinha se machucado muito. Por isso, tivemos essa ideia. Essa solução é de baixo custo porque usamos materiais relativamente baratos. A gente liga alguns sensores em um bicicleta e com eles a gente consegue identificar possíveis situações de risco para o ciclista. Aí a gente passa esses dados pelo celular e um aplicativo faz o tratamento e mostra para o ciclista os riscos próximos ao seu local”, explica Johnattan.

Segundo a professora e pesquisadora do IFCE, Carina Oliveira, a iniciativa surgiu como forma de dar maior acessibilidade aos deficientes auditivos. “Esse projeto surgiu de um projeto antigo que era o de automatizar soluções para acessibilidade, e um deles desenvolvidos foi uma bicicleta para surdos”. 

A orientadora explica como funciona o equipamento. “Uma placa instalada na bicicleta lança uma onda ultrassônica que bate em um obstáculo qualquer que estiver próximo e volta para placa. Quando essa onda voltar, ela diz ao ciclista por meio de um dispositivo instalado no guidão da bike a distância e a velocidade que o objeto está atrás do ciclista e aos lados dele. Com isso, ele se orienta e evita um acidente”, detalha Carina.

A professora explica que o projeto é voltado para deficientes auditivos, porém atinge mais que isso. “Esse sistema também pode agregar àqueles ciclistas que andam com fones de ouvido. Quando eles aderem aos fones, eles podem ser considerados ciclistas surdos e esse sistema também evita que eles sofram acidentes graves”, conta.

Iniciado em julho de 2015, o novo projeto tem como um dos seus diferenciais o baixo custo de produção. Segundo os estudantes, para produzir e por em prática a iniciativa foi desembolsado cerca de R$ 100. “Essa placa que instalamos costuma ser muito barata, tanto ela quanto os sensores. Então o custo que nós usamos na época para produzir a primeira bicicleta deve estar mais barato ainda”, destaca Johnattan.

Protótipo de uma bike foi desenvolvido para auxiliar na pesquisa dos alunos (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

Protótipo de uma bike foi desenvolvido para auxiliar na pesquisa dos alunos (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

Destaque nacional e internacional

Conforme Johnattan, o projeto não visa lucro, mas sim um retorno dos estudos proporcionados pelo governo do Ceará. “Queremos realmente ajudar as pessoas. Nossa educação é pública, o governo deu todo esse suporte para a nossa educação, então isso é o mínimo que pudemos fazer para retribuir à sociedade. Isso não é menos do que devemos fazer como futuros cientistas”, destaca.

Tanta dedicação dos jovens cientistas rendeu bastante reconhecimento. Desde julho do ano passado, Igor e Johnattan apresentam o projeto em várias feiras de ciências do Brasil. Entretanto, no próximo mês de janeiro a expectativa é ganhar reconhecimento internacional.

“Já apresentamos o projeto numa conferência internacional, que aconteceu em Recife no ano passado. Agora, esse mesmo evento será realizado na França e também iremos mostrar o que evoluímos nele”, conclui o aluno.

Todo o projeto e o protótipo de bicicleta foi desenvolvido pelos estudantes e pelos orientadores no Laboratório de Redes de Aracati (LAR-A). Nesse laboratório, todos os anos saem inovações tecnológicas que beneficiam não somente os alunos, mas também toda à sociedade da região cearense.

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Cearenses criam sistema que auxilia surdos a andar de bicicleta com mais segurança

Sistema criado por alunos universitários de Aracati evita que surdos sofram acidentes enquanto pedalam

Por Matheus Ribeiro em Mobilidade Urbana

29 de novembro de 2016 às 07:00

Há 11 meses
Estudantes e seus orientadores devem representar o Ceará em feira internacional (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

Estudantes e seus orientadores devem representar o Ceará em feira internacional (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

A prática de ciclismo em Fortaleza é comumente feita por grupos de adeptos da modalidade. Contudo, engana-se quem pensa que o ciclismo pode não ser um esporte inclusivo. Com a intenção de proporcionar uma pedalada mais segura aos deficientes auditivos, dois estudantes do Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Aracati, a 171 quilômetros de Fortaleza, criaram um projeto de inclusão ao ciclismo de destaque internacional.

O projeto, intitulado como uma solução de baixo custo para acessibilidade de ciclistas surdos no trânsito urbano, foi criado pelos cearenses Johnattan Viana e Igor Galdino. Cursando o oitavo e o terceiro semestre do curso de Ciências da Computação, os estudantes pensaram no projeto para atender necessidades do irmão de Johnattan.

“Tenho um irmão surdo e ele tinha costume de pedalar bastante, mas já tinha se machucado muito. Por isso, tivemos essa ideia. Essa solução é de baixo custo porque usamos materiais relativamente baratos. A gente liga alguns sensores em um bicicleta e com eles a gente consegue identificar possíveis situações de risco para o ciclista. Aí a gente passa esses dados pelo celular e um aplicativo faz o tratamento e mostra para o ciclista os riscos próximos ao seu local”, explica Johnattan.

Segundo a professora e pesquisadora do IFCE, Carina Oliveira, a iniciativa surgiu como forma de dar maior acessibilidade aos deficientes auditivos. “Esse projeto surgiu de um projeto antigo que era o de automatizar soluções para acessibilidade, e um deles desenvolvidos foi uma bicicleta para surdos”. 

A orientadora explica como funciona o equipamento. “Uma placa instalada na bicicleta lança uma onda ultrassônica que bate em um obstáculo qualquer que estiver próximo e volta para placa. Quando essa onda voltar, ela diz ao ciclista por meio de um dispositivo instalado no guidão da bike a distância e a velocidade que o objeto está atrás do ciclista e aos lados dele. Com isso, ele se orienta e evita um acidente”, detalha Carina.

A professora explica que o projeto é voltado para deficientes auditivos, porém atinge mais que isso. “Esse sistema também pode agregar àqueles ciclistas que andam com fones de ouvido. Quando eles aderem aos fones, eles podem ser considerados ciclistas surdos e esse sistema também evita que eles sofram acidentes graves”, conta.

Iniciado em julho de 2015, o novo projeto tem como um dos seus diferenciais o baixo custo de produção. Segundo os estudantes, para produzir e por em prática a iniciativa foi desembolsado cerca de R$ 100. “Essa placa que instalamos costuma ser muito barata, tanto ela quanto os sensores. Então o custo que nós usamos na época para produzir a primeira bicicleta deve estar mais barato ainda”, destaca Johnattan.

Protótipo de uma bike foi desenvolvido para auxiliar na pesquisa dos alunos (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

Protótipo de uma bike foi desenvolvido para auxiliar na pesquisa dos alunos (FOTO: Vitor Honorio / IFCE)

Destaque nacional e internacional

Conforme Johnattan, o projeto não visa lucro, mas sim um retorno dos estudos proporcionados pelo governo do Ceará. “Queremos realmente ajudar as pessoas. Nossa educação é pública, o governo deu todo esse suporte para a nossa educação, então isso é o mínimo que pudemos fazer para retribuir à sociedade. Isso não é menos do que devemos fazer como futuros cientistas”, destaca.

Tanta dedicação dos jovens cientistas rendeu bastante reconhecimento. Desde julho do ano passado, Igor e Johnattan apresentam o projeto em várias feiras de ciências do Brasil. Entretanto, no próximo mês de janeiro a expectativa é ganhar reconhecimento internacional.

“Já apresentamos o projeto numa conferência internacional, que aconteceu em Recife no ano passado. Agora, esse mesmo evento será realizado na França e também iremos mostrar o que evoluímos nele”, conclui o aluno.

Todo o projeto e o protótipo de bicicleta foi desenvolvido pelos estudantes e pelos orientadores no Laboratório de Redes de Aracati (LAR-A). Nesse laboratório, todos os anos saem inovações tecnológicas que beneficiam não somente os alunos, mas também toda à sociedade da região cearense.