Vinte bairros de Fortaleza concentram quase a metade dos homicídios da cidade


Vinte bairros de Fortaleza concentram quase a metade dos homicídios da cidade

Dos 1.625 homicídios em Fortaleza, 1.190 aconteceram em 40 dos 119 bairros. Em comum, alta densidade de jovens, baixa escolaridade e elevada pobreza

Por Thalyta Martins em Fortaleza

12 de novembro de 2013 às 07:30

Há 5 anos

Alta densidade de jovens de 11 a 29 anos, baixa escolaridade e elevada pobreza são algumas das características socioeconômicas comuns aos bairros com maior número de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) em Fortaleza. Das 1.625 ocorrências registradas em 2012, 1.190 aconteceram em 40 dos 119 bairros da capital cearense, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). O bairro com maior incidência é a Barra do Ceará com 70 assassinatos.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), a maior parte desse tipo de crime ocorreu em bairros localizados nas zonas periféricas de Fortaleza. Existe uma concentração de casos em grupos de bairros situados nas Secretarias Regionais (SER) I, IV e VI.

Entre eles estão Conjunto Palmeiras, Jangurussu, Barroso, Messejana e Passaré; Siqueira, Granja Lisboa, Bom Jardim, Granja Portugal, Bonsucesso, Canindezinho e Genibaú; Quintino Cunha, Vila Velha, Jardim Iracema, Álvaro Weyne e Barra do Ceará; Vicente Pinzón, Praia do Futuro e Edson Queiroz.

De acordo com Ipece, o maior número de homicídios dolosos se concentram nas zonas periféricas de Fortaleza (FOTO: Divulgação)

Além desses bairros, também se destacaram com elevados números de delitos: Pirambú, Centro, Jardim das Oliveiras, Planalto Airton Sena, Mondubim e Pici. Já entre os bairros que não apresentaram nenhum registro de homicídio doloso estão Parque Araxá, Amadeo Furtado, Bom Futuro, Parreão, Salinas, De Lourdes, Parque Manibura, Guajerú, Coaçu e São Bento.

Outra característica apontada pela pesquisa é que os grupos pertencentes às áreas mais violentas também possuem as menores taxas de renda média pessoal, variando de R$ 239,25 a R$ 500.

Segundo o professor Flávio Ataliba, as informações apontam que existe uma importante associação espacial entre indicadores socioeconômicos e criminalidade na capital cearense, pois as áreas mais violentas são as que apresentam elevada taxa de jovens, maiores níveis de pobreza, menores taxas de alfabetização e menores valores médios de renda domiciliar per capita. Portanto, estão mais sujeitos a uma maior persistência da violência.

Levando em consideração os dados do estudo, um dos elaboradores, Victor Hugo de Oliveira, ressaltou a importância das informações coletadas para ajudar nas ações públicas com o objetivo de reduzir os crimes de morte em Fortaleza. “[Ações] Passam a ser condicionadas não somente pelos fatores causadores dos delitos de morte (violência doméstica, tráfico de drogas, e etc.) como também pelas áreas de maior ocorrência”.

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Vinte bairros de Fortaleza concentram quase a metade dos homicídios da cidade

Dos 1.625 homicídios em Fortaleza, 1.190 aconteceram em 40 dos 119 bairros. Em comum, alta densidade de jovens, baixa escolaridade e elevada pobreza

Por Thalyta Martins em Fortaleza

12 de novembro de 2013 às 07:30

Há 5 anos

Alta densidade de jovens de 11 a 29 anos, baixa escolaridade e elevada pobreza são algumas das características socioeconômicas comuns aos bairros com maior número de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) em Fortaleza. Das 1.625 ocorrências registradas em 2012, 1.190 aconteceram em 40 dos 119 bairros da capital cearense, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). O bairro com maior incidência é a Barra do Ceará com 70 assassinatos.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), a maior parte desse tipo de crime ocorreu em bairros localizados nas zonas periféricas de Fortaleza. Existe uma concentração de casos em grupos de bairros situados nas Secretarias Regionais (SER) I, IV e VI.

Entre eles estão Conjunto Palmeiras, Jangurussu, Barroso, Messejana e Passaré; Siqueira, Granja Lisboa, Bom Jardim, Granja Portugal, Bonsucesso, Canindezinho e Genibaú; Quintino Cunha, Vila Velha, Jardim Iracema, Álvaro Weyne e Barra do Ceará; Vicente Pinzón, Praia do Futuro e Edson Queiroz.

De acordo com Ipece, o maior número de homicídios dolosos se concentram nas zonas periféricas de Fortaleza (FOTO: Divulgação)

Além desses bairros, também se destacaram com elevados números de delitos: Pirambú, Centro, Jardim das Oliveiras, Planalto Airton Sena, Mondubim e Pici. Já entre os bairros que não apresentaram nenhum registro de homicídio doloso estão Parque Araxá, Amadeo Furtado, Bom Futuro, Parreão, Salinas, De Lourdes, Parque Manibura, Guajerú, Coaçu e São Bento.

Outra característica apontada pela pesquisa é que os grupos pertencentes às áreas mais violentas também possuem as menores taxas de renda média pessoal, variando de R$ 239,25 a R$ 500.

Segundo o professor Flávio Ataliba, as informações apontam que existe uma importante associação espacial entre indicadores socioeconômicos e criminalidade na capital cearense, pois as áreas mais violentas são as que apresentam elevada taxa de jovens, maiores níveis de pobreza, menores taxas de alfabetização e menores valores médios de renda domiciliar per capita. Portanto, estão mais sujeitos a uma maior persistência da violência.

Levando em consideração os dados do estudo, um dos elaboradores, Victor Hugo de Oliveira, ressaltou a importância das informações coletadas para ajudar nas ações públicas com o objetivo de reduzir os crimes de morte em Fortaleza. “[Ações] Passam a ser condicionadas não somente pelos fatores causadores dos delitos de morte (violência doméstica, tráfico de drogas, e etc.) como também pelas áreas de maior ocorrência”.