Moradores de Conjunto no Barroso II temem despejo

Segundo denúncia, funcionários da Habitafor que estão trabalhando no local afirmaram que moradores seriam despejados dos imóveis

Moradores que ocuparam os imóveis de um conjunto habitacional no Bairro Barroso II, no entorno do Rio Cocó, em Fortaleza, estão preocupados com o levantamento social que a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Habitafor, está realizando no local. Cerca de 40 profissionais do órgão foram deslocados para o conjunto que é a primeira obra do Programa de Requalificação Urbana com Inclusão Social (Preurbis), em Fortaleza.

No Barroso, mais de 800 famílias ocuparam 816 apartamentos durante a madrugada do dia 30 de outubro de 2012 (FOTO: Google Maps)

No Barroso, mais de 800 famílias ocuparam 816 apartamentos durante a madrugada do dia 30 de outubro de 2012 (FOTO: Google Maps)

Segundo sugestão de matéria repassada ao Portal Tribuna do Ceará, funcionários que estão trabalhando no local, afirmaram que os moradores seriam despejados dos imóveis e usaram de ironia com a situação. A assessoria informou que nenhum funcionário da Habitafor está autorizado a definir a situação dos moradores, eles estão no local para colher os dados que serão enviados ao Ministério Público (MP).

A assessoria informou ainda, que a previsão é que o trabalho de levantamento social seja encerrado nesta quinta-feira (4). De acordo com ele, o cadastramento foi solicitado pelo Ministério Público para conhecer o perfil socioeconômico dos ocupantes dos imóveis. O MP vai analisar os casos e definir os procedimentos a serem tomados.  O caso é semelhante ao Conjunto Habitacional que deveria abrigar os moradores da Comunidade do Pau Fininho, no Papicu, onde o levantamento já foi realizado e encaminhado ao Ministério Público.

No Barroso, mais de 800 famílias ocuparam 816 apartamentos durante a madrugada do dia 30 de outubro de 2012. A obra na época estava com 64% dos trabalhos concluídos. Segundo os moradores, duas ações de reintegração de posse foram pedidas pela prefeitura, mas ambas foram negadas. As famílias já ocupam o lugar há oito meses e para lutarem pela permanência fundaram a associação Novo Jardim Castelão, nome dado por eles ao residencial.


R$ 99 milhões foram investidos nas obras ocupadas

O Programa de Requalificação Urbana com Inclusão Social (Preurbis) tem financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, da Caixa Econômica Federal e da prefeitura de Fortaleza, inicialmente as comunidades beneficiadas seriam as da Boa Vista, São Sebastião, Gavião, Do Cal, TBA e João Paulo II.

Elas foram priorizadas levando em consideração os níveis de risco social e ambiental, a densidade populacional e o nível de pobreza. Segundo dados no site da Prefeitura o investimento inicial seria de R$ 99 milhões.

O conjunto habitacional ocupado na área do Barroso II está localizado em um terreno de 88 mil metros quadrados e tem em seu projeto, além da construção das unidades residenciais, com duas quadras poliesportivas, um centro de convivência, uma creche, área de lazer, estacionamento, parque, via, passeio e ciclovia. Também constam como parte da obra ações de urbanização, infra-estrutura urbana e atuação social, além da recuperação do corredor ecológico situado na Bacia do Rio Cocó.

Segundo a assessoria da Habitafor, os imóveis são destinados as pessoas com renda de até três salários mínimos e que não participem de outros programas de moradia como o Minha Casa, Minha Vida. O Projeto tem duas vertentes, dar um lar digno as pessoas e revitalizar as áreas de encosta e a bacia do Rio Cocó através da requalificação e urbanização do espaço.

Comentários