Onde estão as candidatas? Ceará tem maioria de mulheres no eleitorado e minoria na disputa de cargos

REPRESENTAÇÃO

Onde estão as candidatas? Ceará tem maioria de mulheres no eleitorado e minoria na disputa de cargos

No Ceará, as mulheres estão em quatro das cinco candidaturas majoritárias nas eleições de 2018, mas representação ainda é pouca

Por Tribuna do Ceará em Eleições 2018

10 de setembro de 2018 às 15:13

Há 2 meses
Partidos são obrigados a cumprirem cota de 30% de mulheres nas eleições. (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

Partidos são obrigados a cumprirem cota de 30% de mulheres nas eleições. (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

No Ceará, as mulheres são maioria na hora de conceder seu voto, mas são minoria quando o assunto disputar votos. Em 2018, as mulheres representam apenas 30,7% do total de candidaturas no Estado – próximo ao limite mínimo permitido pela Justiça Eleitoral. Numa eleição com mais vice-candidatas, quase 40% em todo o Brasil, chama atenção que o percentual de mulheres que concorrem permaneceu o mesmo de 2014.

O Tribuna do Ceará, com base no levantamento de candidaturas criado pelo movimento Ela Candidata em todo o Brasil, lista as mulheres que postulam cargos públicos nessas eleições. A ferramenta tem como objetivo reunir informações sobre as mulheres candidatas.

No Ceará, todas as coligações cumprem a cota de 30% de candidaturas femininas. Em 2018, são 278 candidatas contra 629 candidatos. Em 2014, o índice foi pouco maior, com 30,9% do total de postulantes, mas numericamente houve pouca mudança: eram 270 mulheres há quatro anos. No Brasil, em 2014, disputaram 8.124 mulheres (31,1%). Em 2018, são 9.131 candidatas (31,4%).

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ceará tem 6.344.483 eleitores, dos quais 53% são mulheres (3.361.941) e 47% são homens (2.980.778).

A disputa atual no Ceará tem uma mulher em quatro das cinco chapas majoritárias. A atual vice-governador Izolda Cela (PDT) tenta reeleição ao lado de Camilo Santana (PT). Na principal chapa de oposição, a vereadora de Caucaia e empresária Emília Pessoa (PSDB) sai ao lado de General Theophilo (PSDB).

A chapa de oposição tem também uma candidata ao Senado, Mayra Pinheiro (PSDB). O mesmo aconteceu com a chapa Psol-PCB. A candidata a vice Raquel Lima (PCB) acompanha Ailton Lopes (Psol) e tem Anna Karine (Psol) como candidata ao Senado. Na chapa de extrema direita, a professora Ninon Tauchmann (PSL) é candidata a vice na chapa com Hélio Góis (PSL). Somente a chapa do PSTU não tem mulheres.

A cientista política Mirtes Amorim pontua que as mulheres deram um grande salto na inserção do mercado de trabalho, mas ainda trilham um caminho lento na representação política. “Esse é um movimento histórico e por isso é mais lento. O movimento histórico dá saltos, mas o processo é lento. Até uns vinte anos atrás, tínhamos uma menor e mais fraca participação das mulheres na política porque a estrutura social e econômica das cidades e das sociedades tinha como parâmetro o homem trabalhar fora e a mulher cuidar da casa e dos filhos”, pontua.

A cota para mulheres foi instituída em 1997 na Lei das Eleições, mas se tornou restritiva em 2009, quando uma mudança no texto deixou claro o caráter compulsório da medida. Depois de decisão do Supremo Tribunal Federal, passou a existir também a obrigação de destinar 30% dos recursos financeiros para candidatas. Apesar disso, as mulheres ainda têm dificuldade de se ver representadas na política.

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Onde estão as candidatas? Ceará tem maioria de mulheres no eleitorado e minoria na disputa de cargos

No Ceará, as mulheres estão em quatro das cinco candidaturas majoritárias nas eleições de 2018, mas representação ainda é pouca

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10 de setembro de 2018 às 15:13

Há 2 meses
Partidos são obrigados a cumprirem cota de 30% de mulheres nas eleições. (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

Partidos são obrigados a cumprirem cota de 30% de mulheres nas eleições. (Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil)

No Ceará, as mulheres são maioria na hora de conceder seu voto, mas são minoria quando o assunto disputar votos. Em 2018, as mulheres representam apenas 30,7% do total de candidaturas no Estado – próximo ao limite mínimo permitido pela Justiça Eleitoral. Numa eleição com mais vice-candidatas, quase 40% em todo o Brasil, chama atenção que o percentual de mulheres que concorrem permaneceu o mesmo de 2014.

O Tribuna do Ceará, com base no levantamento de candidaturas criado pelo movimento Ela Candidata em todo o Brasil, lista as mulheres que postulam cargos públicos nessas eleições. A ferramenta tem como objetivo reunir informações sobre as mulheres candidatas.

No Ceará, todas as coligações cumprem a cota de 30% de candidaturas femininas. Em 2018, são 278 candidatas contra 629 candidatos. Em 2014, o índice foi pouco maior, com 30,9% do total de postulantes, mas numericamente houve pouca mudança: eram 270 mulheres há quatro anos. No Brasil, em 2014, disputaram 8.124 mulheres (31,1%). Em 2018, são 9.131 candidatas (31,4%).

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Ceará tem 6.344.483 eleitores, dos quais 53% são mulheres (3.361.941) e 47% são homens (2.980.778).

A disputa atual no Ceará tem uma mulher em quatro das cinco chapas majoritárias. A atual vice-governador Izolda Cela (PDT) tenta reeleição ao lado de Camilo Santana (PT). Na principal chapa de oposição, a vereadora de Caucaia e empresária Emília Pessoa (PSDB) sai ao lado de General Theophilo (PSDB).

A chapa de oposição tem também uma candidata ao Senado, Mayra Pinheiro (PSDB). O mesmo aconteceu com a chapa Psol-PCB. A candidata a vice Raquel Lima (PCB) acompanha Ailton Lopes (Psol) e tem Anna Karine (Psol) como candidata ao Senado. Na chapa de extrema direita, a professora Ninon Tauchmann (PSL) é candidata a vice na chapa com Hélio Góis (PSL). Somente a chapa do PSTU não tem mulheres.

A cientista política Mirtes Amorim pontua que as mulheres deram um grande salto na inserção do mercado de trabalho, mas ainda trilham um caminho lento na representação política. “Esse é um movimento histórico e por isso é mais lento. O movimento histórico dá saltos, mas o processo é lento. Até uns vinte anos atrás, tínhamos uma menor e mais fraca participação das mulheres na política porque a estrutura social e econômica das cidades e das sociedades tinha como parâmetro o homem trabalhar fora e a mulher cuidar da casa e dos filhos”, pontua.

A cota para mulheres foi instituída em 1997 na Lei das Eleições, mas se tornou restritiva em 2009, quando uma mudança no texto deixou claro o caráter compulsório da medida. Depois de decisão do Supremo Tribunal Federal, passou a existir também a obrigação de destinar 30% dos recursos financeiros para candidatas. Apesar disso, as mulheres ainda têm dificuldade de se ver representadas na política.