Ceará precisa de 258 leitos de UTIs neonatais a mais para atender demanda de todo o estado

ESPECIAL ELEIÇÕES 2018

Ceará precisa de 258 leitos de UTIs neonatais a mais para atender demanda de todo o estado

A segunda reportagem da série do Jornal Jangadeiro aborda o déficit de leitos de UTIs neonatais e a concentração de leitos na Grande Fortaleza. O especial aborda temas em que o Ceará precisa avançar nas eleições de 2018

Por TV Jangadeiro em Eleições 2018

13 de setembro de 2018 às 11:33

Há 1 mês
Leitos de UTIs Neontais

A demanda vinda do interior lota as UTIs neonatais de Fortaleza (Foto: Reprodução/TV Jangadeiro)

A falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatais em municípios do interior do Estado lota as unidades dos hospitais públicos da Grande Fortaleza. De acordo a Sociedade Brasileira de Pediatrias, em 2017, o Ceará possuía 273 leitos de UTI Neonatal, sendo 175 na rede pública e 98 na rede particular.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a proporção ideal é de, pelo menos, 4 leitos por mil nascidos vivos. Para que o Estado consiga atingir essa meta, são necessários 531 UTIs, quase o dobro do atual número.

As UTIs neonatais são destinadas para atender bebês prematuros com dificuldades respiratórias ou com outras doenças de risco. Entretanto, nem todos os municípios cearenses conseguem dar assistência às gestantes nessas situações. O jeito é transferi-las para hospitais das principais cidades do Estado, como Fortaleza.

Foi o caso de Rosimeire. Todo o seu pré-natal foi feito em uma unidade de saúde perto de sua casa, no município de Pacatuba. Entretanto, deu à luz ao filho em outra cidade.

“Lá não tem maternidade. Tem hospital de emergência. Aí casos graves encaminham para outros hospitais de Fortaleza ou de Maracanaú”, indica. Ela passou 14 dias internada no Hospital da Mulher de Maracanaú.

O mesmo aconteceu com Ana Karla da Silva. A agricultora foi transferida de Mulungu, no Macico de Baturité, para ser atendida no Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), em Fortaleza, após sentir fortes dores. “Eu estava sentindo muita dor, contrações, tontura. Eles acharam melhor eu vir para cá”, relata. O filho nasceu prematuro com 38 semanas.

Segundo a Secretaria de Saúde do Ceará, dos 175 leitos disponibilizados na rede pública, 90 estão distribuídos em cinco hospitais da capital e um no município de Sobral, na região Norte. Além disso, há também unidades mantidas pela União como é o caso da Meac, referência no Estado.

Na Meac, a capacidade total é de 21 leitos de UTIs Neonatais. De acordo com Eveline Campos, o número é o suficiente para atender a demanda da capital, mas a vinda de pacientes de outras cidades lotam as unidades. “Dentro da UTI, 60% das mães são provenientes de Fortaleza. Os 40% ou até mesmo 50% das pacientes vêm de outros municípios”, comenta.

Segundo a Coordenadoria da Área Técnica da Saúde da Mulher em Fortaleza, no ano passado, houve 42 mil nascidos vivos na capital. Desse total, 12 mil partos são de gestantes não residentes de Fortaleza, correspondendo a 28%.

Devido à demanda do interior, a coordenadora da área técnica de saúde em Fortaleza, Léa Dias, afirma que a disponibilidade não é o suficiente para atender todos os pacientes. “Se a gente fosse considerar somente os nascidos em Fortaleza, o que temos de UTIs neonatais é o suficiente para as gestantes da capital. Como Fortaleza recebe gestações de alto risco de outros municípios, esses leitos tornam-se insuficientes”, explica.

Veja as reportagens da série Eleições 2018:

12/9/2018 – Ceará possui cobertura de somente 15% dos municípios para exames de mamografia

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Ceará precisa de 258 leitos de UTIs neonatais a mais para atender demanda de todo o estado

A segunda reportagem da série do Jornal Jangadeiro aborda o déficit de leitos de UTIs neonatais e a concentração de leitos na Grande Fortaleza. O especial aborda temas em que o Ceará precisa avançar nas eleições de 2018

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13 de setembro de 2018 às 11:33

Há 1 mês
Leitos de UTIs Neontais

A demanda vinda do interior lota as UTIs neonatais de Fortaleza (Foto: Reprodução/TV Jangadeiro)

A falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatais em municípios do interior do Estado lota as unidades dos hospitais públicos da Grande Fortaleza. De acordo a Sociedade Brasileira de Pediatrias, em 2017, o Ceará possuía 273 leitos de UTI Neonatal, sendo 175 na rede pública e 98 na rede particular.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a proporção ideal é de, pelo menos, 4 leitos por mil nascidos vivos. Para que o Estado consiga atingir essa meta, são necessários 531 UTIs, quase o dobro do atual número.

As UTIs neonatais são destinadas para atender bebês prematuros com dificuldades respiratórias ou com outras doenças de risco. Entretanto, nem todos os municípios cearenses conseguem dar assistência às gestantes nessas situações. O jeito é transferi-las para hospitais das principais cidades do Estado, como Fortaleza.

Foi o caso de Rosimeire. Todo o seu pré-natal foi feito em uma unidade de saúde perto de sua casa, no município de Pacatuba. Entretanto, deu à luz ao filho em outra cidade.

“Lá não tem maternidade. Tem hospital de emergência. Aí casos graves encaminham para outros hospitais de Fortaleza ou de Maracanaú”, indica. Ela passou 14 dias internada no Hospital da Mulher de Maracanaú.

O mesmo aconteceu com Ana Karla da Silva. A agricultora foi transferida de Mulungu, no Macico de Baturité, para ser atendida no Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), em Fortaleza, após sentir fortes dores. “Eu estava sentindo muita dor, contrações, tontura. Eles acharam melhor eu vir para cá”, relata. O filho nasceu prematuro com 38 semanas.

Segundo a Secretaria de Saúde do Ceará, dos 175 leitos disponibilizados na rede pública, 90 estão distribuídos em cinco hospitais da capital e um no município de Sobral, na região Norte. Além disso, há também unidades mantidas pela União como é o caso da Meac, referência no Estado.

Na Meac, a capacidade total é de 21 leitos de UTIs Neonatais. De acordo com Eveline Campos, o número é o suficiente para atender a demanda da capital, mas a vinda de pacientes de outras cidades lotam as unidades. “Dentro da UTI, 60% das mães são provenientes de Fortaleza. Os 40% ou até mesmo 50% das pacientes vêm de outros municípios”, comenta.

Segundo a Coordenadoria da Área Técnica da Saúde da Mulher em Fortaleza, no ano passado, houve 42 mil nascidos vivos na capital. Desse total, 12 mil partos são de gestantes não residentes de Fortaleza, correspondendo a 28%.

Devido à demanda do interior, a coordenadora da área técnica de saúde em Fortaleza, Léa Dias, afirma que a disponibilidade não é o suficiente para atender todos os pacientes. “Se a gente fosse considerar somente os nascidos em Fortaleza, o que temos de UTIs neonatais é o suficiente para as gestantes da capital. Como Fortaleza recebe gestações de alto risco de outros municípios, esses leitos tornam-se insuficientes”, explica.

Veja as reportagens da série Eleições 2018:

12/9/2018 – Ceará possui cobertura de somente 15% dos municípios para exames de mamografia