Ceará não vai pra frente enquanto político pensar em voto e não no coletivo, aponta especialista

ESPECIAL ELEIÇÕES 2018

Ceará não vai pra frente enquanto político pensar em voto e não no coletivo, aponta especialista

Veja a última reportagem da série do Jornal Jangadeiro que discute áreas em que o Ceará precisa avançar após as eleições de 2018

Por Tribuna do Ceará em Eleições 2018

28 de setembro de 2018 às 14:49

Há 2 meses
saneamento

O saneamento básico é um direito garantido pela Constituição. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Ao longo de três semanas, o Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT, exibiu uma série de reportagens sobre a realidade do Ceará em diversos aspectos e o que precisa ser melhorado. Educação, saúde, segurança pública, geração de emprego, saneamento básico e transparência com os gastos públicos são áreas que precisam investimentos, na opinião da população e de especialistas.

Na saúde, a distribuição de aparelhos para exames de mamografia na rede estadual precisa melhorar. Em 184 municípios, tirando Fortaleza, somente 19 cidades contam com mamógrafo em policlínicas regionais. Em 2015, a cobertura de exames de mamografia no Ceará era apenas de 18%.

“A gente tem mamógrafos insuficientes na rede pública, também temos mamógrafos mal distribuídos e ao mesmo tempo a gente enfrenta a qualidade ruim de muitos aparelhos. Tem aparelhos que são obsoletos ou seja, a qualidade das imagens vão ser inadequadas pra detectar câncer de mama. A gente precisa atacar distribuição, mamógrafos disponíveis, mas também a qualidade do exame, para a gente ter além da cobertura adequada, uma detecção adequada” , disse o mastologista Francisco Pimentel.

Ainda na saúde, o estado tem déficit de 258 leitos de UTI neonatal, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A transferência de pacientes para capital também oferece riscos no setor de alta complexidade. A situação poderia ser amenizada com equipamentos que reforçassem a demanda de urgência e emergência, como o Hospital Regional Metropolitano, em Maracanaú, que deveria ter ficado pronto antes da Copa do Mundo de 2014, mas nunca saiu do papel. E o Hospital e Maternidade Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, que deveria atender casos graves de 20 municípios da região, foi inaugurado em 2014, mas a maternidade jamais funcionou.

Conviver com esgoto a céu aberto ainda é uma realidade para muitos cearenses. Dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) de 2016 revelam que a cobertura do esgotamento sanitário na área urbana era de 31,7%, enquanto na zona rural de todo o estado não chegava a 0,5%.

Com recursos escassos para todas as demandas, alguns gastos que não deram retornos são alvos de questionamentos, entre eles o Acquário do Ceará, que consumiu R$ 83 milhões em quatro anos. A obra é um esqueleto incompleto à beira mar. Nessa mesma lista, entra a compra dos tatuzões, máquinas de perfuração de túneis para a linha leste do metrô de Fortaleza que nunca foram usadas. Na própria linha, já foram gastos R$ 24 milhões de um orçamento total que chegava a mais de R$ 2 bilhões, e os serviços nunca avançaram.

Policiais em referência a Crimes cometidos por facções criminosas aumentam violência no interior do estado

As facções criminosas estão se espalhando por todo o estado do Ceará (FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

Na segurança reside o maior temor do Ceará e também expectativa por mudanças. De janeiro a agosto deste ano, o estado registrou 3.110 assassinatos. Essa estatística está relacionada à atuação do crime organizado. Facções, dentro e fora do presídio, disputam o domínio do narcotráfico e fazem vítimas na capital e no interior.

Na educação, o estado comemora alguns bons resultados, mas enfrenta outro enorme desafio. Enquanto o Ensino Básico tem conseguido destaque pelo fato de reunir 82 das 100 melhores escolas do Brasil, o Ensino Médio, que é responsabilidade do Estado, não atingiu a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A meta era de 4,3, mas o estado teve nota de 3,8.

Assim como o resto do país, o Ceará também sofre com o desemprego. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 472 mil pessoas estão desocupadas. Mais de 1 milhão de pessoas trabalham por conta própria. “Já tinha as coisas de lanche, vi o movimento da praça e resolvi, né?”, disse uma vendedora.

Nos últimos 10 anos houve chuvas acima da média em somente um ano. Sofrimento para quem vive no interior. O Castanhão, maior açude do Ceará, está somente com 6% da capacidade. A vinda das águas do Rio São Francisco, prevista para o fim do ano, tem gerado expectativa para os agricultores.

As ações e os investimentos do poder público causam impacto direto na vida da população, seja pelo benefício proporcionado por uma obra ou pelo desperdício de um projeto que ficou parado.

“O que eu quero? Penso no coletivo ou penso de forma individual? Penso como político para dobrar minha quantidade de votos ou penso no coletivo, na população que mais precisa? Isso a gente precisa repensar. Ou a gente repensa isso ou a gente não muda essa realidade”, avaliou Humberto Júnior, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental do Ceará (Abes).

Veja as reportagens da série Eleições 2018:

27/9/2018 – Com 400 mil desempregados, Ceará vê o crescimento da informalidade no mercado de trabalho

26/9/2018 – Transposição do Rio São Francisco vira esperança diante do risco de um 2019 de seca

21/9/2018 – Facções se espalham pelo interior do Ceará e assustam moradores com aumento da violência

20/9/2018 – Falta de planejamento causa atrasos em diferentes obras do Governo do Estado, aponta MP

19/9/2018 – Desafio do Ceará é repetir o sucesso do Ensino Fundamental também no Ensino Médio

14/9/2018 – Cobertura de esgotamento no Ceará atinge somente 31%

13/9/2018 – Ceará precisa de 258 leitos de UTIs neonatais a mais para atender demanda de todo o estado

12/9/2018 – Ceará possui cobertura de somente 15% dos municípios para exames de mamografia

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Ceará não vai pra frente enquanto político pensar em voto e não no coletivo, aponta especialista

Veja a última reportagem da série do Jornal Jangadeiro que discute áreas em que o Ceará precisa avançar após as eleições de 2018

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28 de setembro de 2018 às 14:49

Há 2 meses
saneamento

O saneamento básico é um direito garantido pela Constituição. (FOTO: Reprodução/TV Jangadeiro)

Ao longo de três semanas, o Jornal Jangadeiro, da TV Jangadeiro/SBT, exibiu uma série de reportagens sobre a realidade do Ceará em diversos aspectos e o que precisa ser melhorado. Educação, saúde, segurança pública, geração de emprego, saneamento básico e transparência com os gastos públicos são áreas que precisam investimentos, na opinião da população e de especialistas.

Na saúde, a distribuição de aparelhos para exames de mamografia na rede estadual precisa melhorar. Em 184 municípios, tirando Fortaleza, somente 19 cidades contam com mamógrafo em policlínicas regionais. Em 2015, a cobertura de exames de mamografia no Ceará era apenas de 18%.

“A gente tem mamógrafos insuficientes na rede pública, também temos mamógrafos mal distribuídos e ao mesmo tempo a gente enfrenta a qualidade ruim de muitos aparelhos. Tem aparelhos que são obsoletos ou seja, a qualidade das imagens vão ser inadequadas pra detectar câncer de mama. A gente precisa atacar distribuição, mamógrafos disponíveis, mas também a qualidade do exame, para a gente ter além da cobertura adequada, uma detecção adequada” , disse o mastologista Francisco Pimentel.

Ainda na saúde, o estado tem déficit de 258 leitos de UTI neonatal, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A transferência de pacientes para capital também oferece riscos no setor de alta complexidade. A situação poderia ser amenizada com equipamentos que reforçassem a demanda de urgência e emergência, como o Hospital Regional Metropolitano, em Maracanaú, que deveria ter ficado pronto antes da Copa do Mundo de 2014, mas nunca saiu do papel. E o Hospital e Maternidade Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, que deveria atender casos graves de 20 municípios da região, foi inaugurado em 2014, mas a maternidade jamais funcionou.

Conviver com esgoto a céu aberto ainda é uma realidade para muitos cearenses. Dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) de 2016 revelam que a cobertura do esgotamento sanitário na área urbana era de 31,7%, enquanto na zona rural de todo o estado não chegava a 0,5%.

Com recursos escassos para todas as demandas, alguns gastos que não deram retornos são alvos de questionamentos, entre eles o Acquário do Ceará, que consumiu R$ 83 milhões em quatro anos. A obra é um esqueleto incompleto à beira mar. Nessa mesma lista, entra a compra dos tatuzões, máquinas de perfuração de túneis para a linha leste do metrô de Fortaleza que nunca foram usadas. Na própria linha, já foram gastos R$ 24 milhões de um orçamento total que chegava a mais de R$ 2 bilhões, e os serviços nunca avançaram.

Policiais em referência a Crimes cometidos por facções criminosas aumentam violência no interior do estado

As facções criminosas estão se espalhando por todo o estado do Ceará (FOTO: Reprodução/ TV Jangadeiro)

Na segurança reside o maior temor do Ceará e também expectativa por mudanças. De janeiro a agosto deste ano, o estado registrou 3.110 assassinatos. Essa estatística está relacionada à atuação do crime organizado. Facções, dentro e fora do presídio, disputam o domínio do narcotráfico e fazem vítimas na capital e no interior.

Na educação, o estado comemora alguns bons resultados, mas enfrenta outro enorme desafio. Enquanto o Ensino Básico tem conseguido destaque pelo fato de reunir 82 das 100 melhores escolas do Brasil, o Ensino Médio, que é responsabilidade do Estado, não atingiu a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). A meta era de 4,3, mas o estado teve nota de 3,8.

Assim como o resto do país, o Ceará também sofre com o desemprego. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 472 mil pessoas estão desocupadas. Mais de 1 milhão de pessoas trabalham por conta própria. “Já tinha as coisas de lanche, vi o movimento da praça e resolvi, né?”, disse uma vendedora.

Nos últimos 10 anos houve chuvas acima da média em somente um ano. Sofrimento para quem vive no interior. O Castanhão, maior açude do Ceará, está somente com 6% da capacidade. A vinda das águas do Rio São Francisco, prevista para o fim do ano, tem gerado expectativa para os agricultores.

As ações e os investimentos do poder público causam impacto direto na vida da população, seja pelo benefício proporcionado por uma obra ou pelo desperdício de um projeto que ficou parado.

“O que eu quero? Penso no coletivo ou penso de forma individual? Penso como político para dobrar minha quantidade de votos ou penso no coletivo, na população que mais precisa? Isso a gente precisa repensar. Ou a gente repensa isso ou a gente não muda essa realidade”, avaliou Humberto Júnior, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental do Ceará (Abes).

Veja as reportagens da série Eleições 2018:

27/9/2018 – Com 400 mil desempregados, Ceará vê o crescimento da informalidade no mercado de trabalho

26/9/2018 – Transposição do Rio São Francisco vira esperança diante do risco de um 2019 de seca

21/9/2018 – Facções se espalham pelo interior do Ceará e assustam moradores com aumento da violência

20/9/2018 – Falta de planejamento causa atrasos em diferentes obras do Governo do Estado, aponta MP

19/9/2018 – Desafio do Ceará é repetir o sucesso do Ensino Fundamental também no Ensino Médio

14/9/2018 – Cobertura de esgotamento no Ceará atinge somente 31%

13/9/2018 – Ceará precisa de 258 leitos de UTIs neonatais a mais para atender demanda de todo o estado

12/9/2018 – Ceará possui cobertura de somente 15% dos municípios para exames de mamografia