Projeto promove arte de forma inclusiva para pessoas com deficiência visual

FOTOGRAFIA TÁTIL

Projeto promove arte de forma inclusiva para pessoas com deficiência visual

Durante as oficinas, as pessoas com deficiência visual recebem auxílio de um mecanismo de descrição de cenários

Por Tribuna do Ceará em Educação

26 de novembro de 2017 às 06:45

Há 2 semanas
O projeto tem o objeto de inclusão social (FOTO: Divulgação)

O projeto tem o objeto de inclusão social (FOTO: Divulgação)

Por Agência UFC

Foi criado na Universidade Federal do Ceará (UFC) um projeto de extensão com o intuito de proporcionar aos deficientes visuais apreciar a fotografia. Uma arte que com o projeto irá transcender gêneros, etnias e, até mesmo, sentidos.

Nomeado de Fotografia Tátil, o projeto é coordenado pelo professor do Curso de Design Roberto César Vieira. A iniciativa surgiu na Semana de Acessibilidade, organizada pela Secretaria de Acessibilidade da UFC, em 2014. No ano seguinte, foi transformada em extensão com o objetivo de promover a inclusão através da fotografia acessível a pessoas com baixa ou nenhuma visão.

Para o coordenador, o objetivo é garantir uma maior inclusão social. “Diversos esforços têm sido realizados para tornar a fotografia uma ferramenta de inclusão social para pessoas cegas, seja pelo ato de fotografar sem o sentido da visão, seja pela produção de peças para apreciação pelo sentido do tato. Tais medidas visam introduzir a esse público o conceito da fotografia enquanto arte”, relata.

As atividades do projeto dividem-se em três etapas: a primeira é a produção da fotografia sem que haja o sentido da visão. Durante as oficinas, as pessoas com deficiência visual ou baixa visão recebem auxílio de um mecanismo de descrição de cenários, similar ao utilizado na áudio-descrição de filmes. Com essa descrição, os participantes conseguem produzir as fotografias. Aqueles que não possuem limitações em sua visão são vendados para garantir a total imersão na experiência.

As outras etapas

O projeto acontece na Universidade Federal do Ceará (FOTO: Divulgação)

O projeto acontece na Universidade Federal do Ceará (FOTO: Divulgação)

Com as fotografias em mãos, a segunda etapa consiste no estudo de programação, no processamento das imagens e no desenvolvimento de diferentes algoritmos que formam padrões artísticos. Essas técnicas são essenciais para que aconteça a terceira etapa: a materialização das fotografias.

O produto dessa materialização permite que, através do tato, os deficientes visuais possam apreciar e sentir as fotografias. As peças são feitas com tecnologia de fabricação digital, tendo como base os padrões gerados na programação das imagens.

Para fechar todo esse processo, acontece a exposição dos trabalhos realizados em encontros universitários, bem como em museus e em outros eventos. As imagens expostas vêm acompanhadas de escritos em braile para auxiliar seu entendimento. Essas exposições têm também o papel de avaliar a experiência do projeto a fim de melhorar não só o conteúdo exposto, como também as oficinas e o processo de produção.

Para uma maior abrangência do projeto, o Fotografia Tátil também busca outras formas de trabalhar a materialização de fotografias inclusivas e inserir a sociedade nesse processo.

Como exemplo, já foram realizados concursos através da página no Facebook para escolha de fotografias a serem materializadas, além de parcerias com fotógrafos, museus e outros projetos de extensão.

É o caso da exposição ‘Infância Refugiada’, da fotógrafa Karine Garcêz, que aconteceu, em 2016, no Museu da Imagem e do Som do Ceará e, em 2017, na Matilha Cultural, em São Paulo. Essa exposição contou com a parceria do Fotografia Tátil para materializar as imagens feitas por Karine.

A fotógrafa afirma que a ação combate o preconceito, gera inclusão e pensamento crítico, além de, claro, estimular a arte. “Eu amo esse projeto. Acho superimportante esse processo de inclusão. Quero poder fazer mais para contribuir no avanço das pesquisas, que resultem em novas técnicas que melhorem a acessibilidade das pessoas cegas a fotografias, imergir nesse universo de olhar pelo tato, pelo sentimento que o toque gera no outro e a construção dessa imagem”, conclui.

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FOTOGRAFIA TÁTIL

Projeto promove arte de forma inclusiva para pessoas com deficiência visual

Durante as oficinas, as pessoas com deficiência visual recebem auxílio de um mecanismo de descrição de cenários

Por Tribuna do Ceará em Educação

26 de novembro de 2017 às 06:45

Há 2 semanas
O projeto tem o objeto de inclusão social (FOTO: Divulgação)

O projeto tem o objeto de inclusão social (FOTO: Divulgação)

Por Agência UFC

Foi criado na Universidade Federal do Ceará (UFC) um projeto de extensão com o intuito de proporcionar aos deficientes visuais apreciar a fotografia. Uma arte que com o projeto irá transcender gêneros, etnias e, até mesmo, sentidos.

Nomeado de Fotografia Tátil, o projeto é coordenado pelo professor do Curso de Design Roberto César Vieira. A iniciativa surgiu na Semana de Acessibilidade, organizada pela Secretaria de Acessibilidade da UFC, em 2014. No ano seguinte, foi transformada em extensão com o objetivo de promover a inclusão através da fotografia acessível a pessoas com baixa ou nenhuma visão.

Para o coordenador, o objetivo é garantir uma maior inclusão social. “Diversos esforços têm sido realizados para tornar a fotografia uma ferramenta de inclusão social para pessoas cegas, seja pelo ato de fotografar sem o sentido da visão, seja pela produção de peças para apreciação pelo sentido do tato. Tais medidas visam introduzir a esse público o conceito da fotografia enquanto arte”, relata.

As atividades do projeto dividem-se em três etapas: a primeira é a produção da fotografia sem que haja o sentido da visão. Durante as oficinas, as pessoas com deficiência visual ou baixa visão recebem auxílio de um mecanismo de descrição de cenários, similar ao utilizado na áudio-descrição de filmes. Com essa descrição, os participantes conseguem produzir as fotografias. Aqueles que não possuem limitações em sua visão são vendados para garantir a total imersão na experiência.

As outras etapas

O projeto acontece na Universidade Federal do Ceará (FOTO: Divulgação)

O projeto acontece na Universidade Federal do Ceará (FOTO: Divulgação)

Com as fotografias em mãos, a segunda etapa consiste no estudo de programação, no processamento das imagens e no desenvolvimento de diferentes algoritmos que formam padrões artísticos. Essas técnicas são essenciais para que aconteça a terceira etapa: a materialização das fotografias.

O produto dessa materialização permite que, através do tato, os deficientes visuais possam apreciar e sentir as fotografias. As peças são feitas com tecnologia de fabricação digital, tendo como base os padrões gerados na programação das imagens.

Para fechar todo esse processo, acontece a exposição dos trabalhos realizados em encontros universitários, bem como em museus e em outros eventos. As imagens expostas vêm acompanhadas de escritos em braile para auxiliar seu entendimento. Essas exposições têm também o papel de avaliar a experiência do projeto a fim de melhorar não só o conteúdo exposto, como também as oficinas e o processo de produção.

Para uma maior abrangência do projeto, o Fotografia Tátil também busca outras formas de trabalhar a materialização de fotografias inclusivas e inserir a sociedade nesse processo.

Como exemplo, já foram realizados concursos através da página no Facebook para escolha de fotografias a serem materializadas, além de parcerias com fotógrafos, museus e outros projetos de extensão.

É o caso da exposição ‘Infância Refugiada’, da fotógrafa Karine Garcêz, que aconteceu, em 2016, no Museu da Imagem e do Som do Ceará e, em 2017, na Matilha Cultural, em São Paulo. Essa exposição contou com a parceria do Fotografia Tátil para materializar as imagens feitas por Karine.

A fotógrafa afirma que a ação combate o preconceito, gera inclusão e pensamento crítico, além de, claro, estimular a arte. “Eu amo esse projeto. Acho superimportante esse processo de inclusão. Quero poder fazer mais para contribuir no avanço das pesquisas, que resultem em novas técnicas que melhorem a acessibilidade das pessoas cegas a fotografias, imergir nesse universo de olhar pelo tato, pelo sentimento que o toque gera no outro e a construção dessa imagem”, conclui.