Projeto Escola Sem Partido pode ser votado nesta semana na Câmara dos Deputados

POLÊMICA

Projeto Escola Sem Partido pode ser votado nesta semana na Câmara dos Deputados

O programa – que é uma das principais bandeiras de aliados do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) – estabelece que cada sala de aula deverá ter um cartaz especificando seis deveres do professor

Por Tribuna Bandnews FM em Educação

7 de novembro de 2018 às 15:40

Há 1 semana
lousa

Projeto deve ser voltado em breve na Câmara dos Deputados (FOTO: Freepik)

A votação do Projeto Escola Sem Partido pode ocorrer esta semana na Câmara dos Deputados. A apreciação na comissão especial da Casa deveria ter ocorrido na quarta-feira passada, mas foi adiada devido à presença de manifestantes contrários à proposição.

Por tramitar em caráter terminativo, se aprovado, o texto segue direto para o Senado Federal, a menos que seja aprovado um requerimento para votar no plenário da Câmara. Para isso, é preciso apoio de 52 deputados. Com informações da Tribuna BandNews FM.

O programa – que é uma das principais bandeiras de aliados do presidente eleito Jair Bolsonaro, do PSL – estabelece que cada sala de aula deverá ter um cartaz especificando seis deveres do professor, como “não cooptar os alunos para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária”.

Segundo a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Tânia Batista, o projeto prega uma neutralidade que não existe de fato.

“Se nós olharmos, dos 15 projetos que foram apresentados nessa direção, 11 deles são vinculados à bancada evangélica. Isso já indica que não há essa neutralidade apresentada pelo projeto. E também é importante destacar que, aquilo que se construiu historicamente em termos de formação, de um pensamento que buscasse estar mais com a realidade social concreta das pessoas… Isso é algo construído ao longo de anos”, reflete a professora. 

Segundo Tânia, foi conseguido – por meio de muita resistência e debate – construir pensamento crítico no Brasil. “Conseguimos superar, inclusive, os tempos da ditadura militar. Então, querer institucionalizar um programa para poder retornar a uma visão conservadora, liberal, onde o que está posto é a imposição de determinados valores, nós não podemos aceitar”, avaliou.

Já a professora de filosofia da UECE, Catarina Rochamonte, acredita que o projeto é importante.

Nós não vivemos, efetivamente, em um ambiente de normalidade, tranquilo, onde há um debate plural. A gente vive em um ambiente onde se trata a escola, muitas vezes, como lugar de formar militância. Nas universidades a gente vê isso. Se o professor se limitasse a agir de maneira sensata, ou seja, cumprindo seu papel de educador, uma vez ou outra ele vai deixar transparecer seu ponto de vista e isso não é nenhum crime”, avaliou a professora.

O debate completo aconteceu no Tribuna BandNews 1ª Edição de terça-feira e pode ser assistido na íntegra através da página do Facebook da Tribuna BandNews FM.

Ouça os trechos abaixo:

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Projeto Escola Sem Partido pode ser votado nesta semana na Câmara dos Deputados

O programa – que é uma das principais bandeiras de aliados do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) – estabelece que cada sala de aula deverá ter um cartaz especificando seis deveres do professor

Por Tribuna Bandnews FM em Educação

7 de novembro de 2018 às 15:40

Há 1 semana
lousa

Projeto deve ser voltado em breve na Câmara dos Deputados (FOTO: Freepik)

A votação do Projeto Escola Sem Partido pode ocorrer esta semana na Câmara dos Deputados. A apreciação na comissão especial da Casa deveria ter ocorrido na quarta-feira passada, mas foi adiada devido à presença de manifestantes contrários à proposição.

Por tramitar em caráter terminativo, se aprovado, o texto segue direto para o Senado Federal, a menos que seja aprovado um requerimento para votar no plenário da Câmara. Para isso, é preciso apoio de 52 deputados. Com informações da Tribuna BandNews FM.

O programa – que é uma das principais bandeiras de aliados do presidente eleito Jair Bolsonaro, do PSL – estabelece que cada sala de aula deverá ter um cartaz especificando seis deveres do professor, como “não cooptar os alunos para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária”.

Segundo a professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC), Tânia Batista, o projeto prega uma neutralidade que não existe de fato.

“Se nós olharmos, dos 15 projetos que foram apresentados nessa direção, 11 deles são vinculados à bancada evangélica. Isso já indica que não há essa neutralidade apresentada pelo projeto. E também é importante destacar que, aquilo que se construiu historicamente em termos de formação, de um pensamento que buscasse estar mais com a realidade social concreta das pessoas… Isso é algo construído ao longo de anos”, reflete a professora. 

Segundo Tânia, foi conseguido – por meio de muita resistência e debate – construir pensamento crítico no Brasil. “Conseguimos superar, inclusive, os tempos da ditadura militar. Então, querer institucionalizar um programa para poder retornar a uma visão conservadora, liberal, onde o que está posto é a imposição de determinados valores, nós não podemos aceitar”, avaliou.

Já a professora de filosofia da UECE, Catarina Rochamonte, acredita que o projeto é importante.

Nós não vivemos, efetivamente, em um ambiente de normalidade, tranquilo, onde há um debate plural. A gente vive em um ambiente onde se trata a escola, muitas vezes, como lugar de formar militância. Nas universidades a gente vê isso. Se o professor se limitasse a agir de maneira sensata, ou seja, cumprindo seu papel de educador, uma vez ou outra ele vai deixar transparecer seu ponto de vista e isso não é nenhum crime”, avaliou a professora.

O debate completo aconteceu no Tribuna BandNews 1ª Edição de terça-feira e pode ser assistido na íntegra através da página do Facebook da Tribuna BandNews FM.

Ouça os trechos abaixo: