Professor usa material reciclável para ensinar robótica em escola pública de Fortaleza

INOVAÇÃO

Professor usa material reciclável para ensinar robótica em escola pública de Fortaleza

Na escola Dom Hélder Câmara, 30 alunos constroem robôs e aprendem sobre reutilização do lixo. A turma conta com ajuda da comunidade

Por Crisneive Silveira em Educação

5 de junho de 2018 às 07:15

Há 2 meses
escola, robótica sustentável

Professor André Cardoso com os alunos da Escola Dom Helder Câmara. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Quem não conhece o homem de lata, do Mágico de Oz? O conto de fadas de L. Frank Baum fez parte da infância de muita gente. Mas, por aqui, vamos falar do “homem de papelão”, do carrinho de PVC… Todos são produtos de outra história: a que vem sendo construída no projeto Robótica Sustentável, que funciona na Escola de Ensino Fundamental e Médio Dom Hélder Câmara, em Fortaleza.

Caixas de papelão, palitos de picolé, tampinhas de garrafas PET, ligas de escritório e peças de aparelhos eletrônicos viram robôs, aprendizado e conscientização ambiental desde 2016, quando o projeto foi criado.

A iniciativa de ensinar robótica de maneira sustentável e a baixo custo veio do professor André Cardoso, de 26 anos, bacharel e licenciado em Biologia.

“Queria aplicar a robótica, mas não tinha material. Aí me veio a ideia de usar materiais reciclados para isso. A gente abriu uma área de captação de recursos recicláveis. A comunidade vem, deixa eletrodomésticos, gelágua quebrado, a gente abre, pega os componentes eletrônicos, trabalha na robótica e o resto do material a gente separa para reciclagem. O projeto aborda a área de robótica sustentável como também educação ambiental”, explicou o professor.

André foi lotado no laboratório de Ciências, “um lugar interdisciplinar”, como ele mesmo diz. É Química, Física, Biologia e Matemática juntas. Ao chegar, encontrou peças antigas de robótica. Mas vontade de fazer um bom trabalho e imaginação não faltaram. Ali, ele viu uma oportunidade de envolver os alunos no ensino e na formação cidadãos conscientes da importância da natureza.

“Percebi que a robótica atraía mais os alunos porque é uma coisa que você monta, tem habilidade de trabalhar o material e aquilo desenvolver. E os olhos dos meninos brilharam ao ver o projeto pronto. E aí começou tudo. Aliei a minha base na Biologia de educação ambiental com a robótica. Uso a técnica da sustentabilidade, do reaproveitamento de material, dentro da robótica, e deu muito certo”, explicou o professor.

A comunidade onde fica a escola, no Jardim Guanabara, abraçou o projeto. Os moradores doam todo tipo de material, como ventilador velho, TV quebrada, gelágua, canos de PVC, liga de escritório, clipes, baterias de notebook, de celular… Mas o papelão é o mais barato e fácil de encontrar. Deles, são retirados os componentes eletrônicos e moldados novos projetos. Nada é desperdiçado. Tudo é reutilizado. O projeto, inclusive, precisa de mais material, principalmente eletrônico, para as aulas. A ideia é ampliar o espaço para a comunidade. Doações e parcerias serão bem vindas.

Pistola de cola quente, cola quente, cola branca, estilete, tesoura, são alguns dos “equipamentos” usados para criar os “homens de papelão”. Eles transformam a inventividade dos alunos em realidade. Uma turma do ensino médio e outra do ensino fundamental, cada uma com 15 alunos, participam das aulas. Para o primeiro grupo, os encontros são diários, de segunda à sexta pela noite. Os mais novos têm aula durante a tarde de sexta.

“As aulas são muito boas, temos um excelente profissional na escola. Enxergo como uma oportunidade única porque tem muitos jovens que não têm essa oportunidade que eu tenho de estudar e aprender”, disse Gabriel Portela, de 16 anos, aluno do 1º ano do ensino.

O Robótica Sustentável tem dois eixos básicos: a robótica educacional a baixo custo e a sustentabilidade. Na primeira, matemática, física e eletrônica, além de desenvolver o trabalho em equipe. Na outra, a união dos dois pontos: quando a tecnologia é usada para trabalhar a reciclagem e aflorar a conscientização ambiental.

“Vejo a aprendizagem acontecer. O aluno aprende que lixo não é lixo, mas um resíduo que deve ser trabalhado e ter uma destinação correta, e aquele resíduo pode se transformar num robô, num carrinho, uma coisa que ele possa brincar. A ideia é desenvolver essa coisa mais lúdica e de aprendizado”, avaliou o professor.

Se o homem de lata tem coração, o homem de papelão também tem. E é cheio de sonhos. Desses que transformam as dificuldades em energia para ir além, usando a ciência em prol do mundo.

Contato
Prof. André Cardoso – 99621-4279

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Na escola Dom Hélder Câmara, 30 alunos constroem robôs e aprendem sobre reutilização do lixo. A turma conta com ajuda da comunidade

Por Crisneive Silveira em Educação

5 de junho de 2018 às 07:15

Há 2 meses
escola, robótica sustentável

Professor André Cardoso com os alunos da Escola Dom Helder Câmara. (FOTO: Arquivo Pessoal)

Quem não conhece o homem de lata, do Mágico de Oz? O conto de fadas de L. Frank Baum fez parte da infância de muita gente. Mas, por aqui, vamos falar do “homem de papelão”, do carrinho de PVC… Todos são produtos de outra história: a que vem sendo construída no projeto Robótica Sustentável, que funciona na Escola de Ensino Fundamental e Médio Dom Hélder Câmara, em Fortaleza.

Caixas de papelão, palitos de picolé, tampinhas de garrafas PET, ligas de escritório e peças de aparelhos eletrônicos viram robôs, aprendizado e conscientização ambiental desde 2016, quando o projeto foi criado.

A iniciativa de ensinar robótica de maneira sustentável e a baixo custo veio do professor André Cardoso, de 26 anos, bacharel e licenciado em Biologia.

“Queria aplicar a robótica, mas não tinha material. Aí me veio a ideia de usar materiais reciclados para isso. A gente abriu uma área de captação de recursos recicláveis. A comunidade vem, deixa eletrodomésticos, gelágua quebrado, a gente abre, pega os componentes eletrônicos, trabalha na robótica e o resto do material a gente separa para reciclagem. O projeto aborda a área de robótica sustentável como também educação ambiental”, explicou o professor.

André foi lotado no laboratório de Ciências, “um lugar interdisciplinar”, como ele mesmo diz. É Química, Física, Biologia e Matemática juntas. Ao chegar, encontrou peças antigas de robótica. Mas vontade de fazer um bom trabalho e imaginação não faltaram. Ali, ele viu uma oportunidade de envolver os alunos no ensino e na formação cidadãos conscientes da importância da natureza.

“Percebi que a robótica atraía mais os alunos porque é uma coisa que você monta, tem habilidade de trabalhar o material e aquilo desenvolver. E os olhos dos meninos brilharam ao ver o projeto pronto. E aí começou tudo. Aliei a minha base na Biologia de educação ambiental com a robótica. Uso a técnica da sustentabilidade, do reaproveitamento de material, dentro da robótica, e deu muito certo”, explicou o professor.

A comunidade onde fica a escola, no Jardim Guanabara, abraçou o projeto. Os moradores doam todo tipo de material, como ventilador velho, TV quebrada, gelágua, canos de PVC, liga de escritório, clipes, baterias de notebook, de celular… Mas o papelão é o mais barato e fácil de encontrar. Deles, são retirados os componentes eletrônicos e moldados novos projetos. Nada é desperdiçado. Tudo é reutilizado. O projeto, inclusive, precisa de mais material, principalmente eletrônico, para as aulas. A ideia é ampliar o espaço para a comunidade. Doações e parcerias serão bem vindas.

Pistola de cola quente, cola quente, cola branca, estilete, tesoura, são alguns dos “equipamentos” usados para criar os “homens de papelão”. Eles transformam a inventividade dos alunos em realidade. Uma turma do ensino médio e outra do ensino fundamental, cada uma com 15 alunos, participam das aulas. Para o primeiro grupo, os encontros são diários, de segunda à sexta pela noite. Os mais novos têm aula durante a tarde de sexta.

“As aulas são muito boas, temos um excelente profissional na escola. Enxergo como uma oportunidade única porque tem muitos jovens que não têm essa oportunidade que eu tenho de estudar e aprender”, disse Gabriel Portela, de 16 anos, aluno do 1º ano do ensino.

O Robótica Sustentável tem dois eixos básicos: a robótica educacional a baixo custo e a sustentabilidade. Na primeira, matemática, física e eletrônica, além de desenvolver o trabalho em equipe. Na outra, a união dos dois pontos: quando a tecnologia é usada para trabalhar a reciclagem e aflorar a conscientização ambiental.

“Vejo a aprendizagem acontecer. O aluno aprende que lixo não é lixo, mas um resíduo que deve ser trabalhado e ter uma destinação correta, e aquele resíduo pode se transformar num robô, num carrinho, uma coisa que ele possa brincar. A ideia é desenvolver essa coisa mais lúdica e de aprendizado”, avaliou o professor.

Se o homem de lata tem coração, o homem de papelão também tem. E é cheio de sonhos. Desses que transformam as dificuldades em energia para ir além, usando a ciência em prol do mundo.

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