Pesquisa recupera valiosa coleção de crustáceos do Labomar, em Fortaleza

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Pesquisa recupera valiosa coleção de crustáceos do Labomar, em Fortaleza

A coleção de crustáceos é um importante registro da biodiversidade do Ceará e do Nordeste

Por Tribuna do Ceará em Educação

18 de Março de 2018 às 07:15

Há 7 meses
Espécie de siri em referência a coleção de crustáceos

Um dos exemplares recuperados foi o Achelous spinimanus, conhecido popularmente como siri (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Por Carmina Dias, da Agência UFC

Tocar ou pelo menos ver de perto holótipos do caranguejo-ermitão Pagurus limatulus ou do camarão Palaemon paivai é o sonho de muitos pesquisadores de crustáceos. Na biologia, um holótipo é o exemplar ou fragmento único usado para a descrição e identificação científica de uma espécie.

Os dois mencionados são alguns dos exemplares dados como perdidos e reencontrados graças à pesquisa Recuperação da Coleção Carcinológica do Labomar, desenvolvida pela bolsista de iniciação acadêmica Vitória Régia Gonçalves de Sousa, sob orientação do Prof. Luís Ernesto Arruda Bezerra, que assumiu a curadoria da coleção em 2016.

Os espécimes têm valor ainda maior porque foram identificados para a ciência pelo Prof. José Fausto Filho (1935 017), pesquisador cearense que criou a coleção e hoje é referência mundial na área da carcinologia, o estudo dos crustáceos.

Espécie de barata Bathynomus Giganteus em referência a coleção de Crustáceos do Labomar

A espécie Bathynomus Giganteus foi coletada em 1972, em Acaraú, no Ceará (Foto: Ribamar Neto/ UFC)

Com o trabalho de resgate do acervo, também foram localizados os holótipos do camarão Brachycarpus holthuisi e do siri Callinectes affinis, assim como o parátipo da tamarutaca, ou lacraia-do-mar, Neogonodactylus moraisi. Parátipo é o espécime que pertence ao mesmo lote de um holótipo, mas que não foi o exemplar escolhido pelo pesquisador para fazer a descrição.

Além de resgatar esses holótipos e parátipos, o estudo também localizou na coleção amostras de espécies já conhecidas pela ciência, mas que não são mais encontradas no litoral cearense.

A Coleção Carcinológica é um importante registro de biodiversidade do Ceará e de boa parte do Nordeste brasileiro. “É um resgate da fauna de crustáceo do nosso litoral. Ela possibilita, por exemplo, entender como era essa fauna há 50 anos e comparar a situação com o que se tem hoje”, explica o Prof. Luís Ernesto.

Como amostra de transformações ocorridas na fauna do litoral cearense, ele aponta o exemplar do enorme caranguejo Cardisoma guanhumi, que, na década de 1970, era comum na região do rio Ceará. Atualmente, não é mais possível encontrar um caranguejo com tamanho semelhante naquela região.

Outro exemplar que evidencia as transformações é o do camarão Palaemon paivai, coletado na praia do Meireles pelo Prof. Fausto e não mais presente ali. Luís Ernesto explica que fatores como pesca predatória, poluição e ocupações irregulares das margens do rio e da faixa do litoral contribuíram para essas perdas.

Para Vitória, “coleções são importantes para a conservação da biodiversidade, registrando de certa forma a história da vida de determinado ecossistema. Resgatar a coleção é um jeito de dar continuidade e sentido ao trabalho de anos do Prof. Fausto Filho”, diz.

Resgate

Documentos que mostram fichas de catálogos de espécies de crustáceos

Fichas catalogam as espécies recuperadas da coleção do Labomar. Há documentos que datam da década de 1960 (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Quando se aposentou na década de 1980, o Prof. Fausto Filho deixou a coleção com 704 lotes de crustáceos catalogados. Sem curadoria por mais de 30 anos, o acervo sofreu perdas, reconhece o Prof. Luís Ernesto.

O pesquisador conta que a pesquisa Recuperação da Coleção Carcinológica do Labomar ocorreu em dois momentos. No primeiro período – abril a dezembro de 2016 –, a bolsista foi orientada a fazer o levantamento geral do material. Separou os exemplares bons dos estragados, limpou e trocou recipientes. Simultaneamente, passou as informações das fichas de tombamento manuscritas pelo Prof. Fausto para o Livro de Tombo, recém-criado.

No segundo período – de abril a dezembro de 2017 –, os dados da coleção foram digitalizados para tornar as informações acessíveis aos pesquisadores do Brasil e o exterior. A coleção atualmente possui 31 famílias de crustáceos distribuídas em 281 lotes, dos 704 deixados pelo Prof. Fausto Filho, devidamente identificados e registrados no Livro de Tombo. Foram perdidos ou danificados 423. Mesmo o que foi perdido permanece registrado; caso a espécie desapareça da natureza, os estudiosos saberão que ela existiu.

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A coleção de crustáceos é um importante registro da biodiversidade do Ceará e do Nordeste

Por Tribuna do Ceará em Educação

18 de Março de 2018 às 07:15

Há 7 meses
Espécie de siri em referência a coleção de crustáceos

Um dos exemplares recuperados foi o Achelous spinimanus, conhecido popularmente como siri (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Por Carmina Dias, da Agência UFC

Tocar ou pelo menos ver de perto holótipos do caranguejo-ermitão Pagurus limatulus ou do camarão Palaemon paivai é o sonho de muitos pesquisadores de crustáceos. Na biologia, um holótipo é o exemplar ou fragmento único usado para a descrição e identificação científica de uma espécie.

Os dois mencionados são alguns dos exemplares dados como perdidos e reencontrados graças à pesquisa Recuperação da Coleção Carcinológica do Labomar, desenvolvida pela bolsista de iniciação acadêmica Vitória Régia Gonçalves de Sousa, sob orientação do Prof. Luís Ernesto Arruda Bezerra, que assumiu a curadoria da coleção em 2016.

Os espécimes têm valor ainda maior porque foram identificados para a ciência pelo Prof. José Fausto Filho (1935 017), pesquisador cearense que criou a coleção e hoje é referência mundial na área da carcinologia, o estudo dos crustáceos.

Espécie de barata Bathynomus Giganteus em referência a coleção de Crustáceos do Labomar

A espécie Bathynomus Giganteus foi coletada em 1972, em Acaraú, no Ceará (Foto: Ribamar Neto/ UFC)

Com o trabalho de resgate do acervo, também foram localizados os holótipos do camarão Brachycarpus holthuisi e do siri Callinectes affinis, assim como o parátipo da tamarutaca, ou lacraia-do-mar, Neogonodactylus moraisi. Parátipo é o espécime que pertence ao mesmo lote de um holótipo, mas que não foi o exemplar escolhido pelo pesquisador para fazer a descrição.

Além de resgatar esses holótipos e parátipos, o estudo também localizou na coleção amostras de espécies já conhecidas pela ciência, mas que não são mais encontradas no litoral cearense.

A Coleção Carcinológica é um importante registro de biodiversidade do Ceará e de boa parte do Nordeste brasileiro. “É um resgate da fauna de crustáceo do nosso litoral. Ela possibilita, por exemplo, entender como era essa fauna há 50 anos e comparar a situação com o que se tem hoje”, explica o Prof. Luís Ernesto.

Como amostra de transformações ocorridas na fauna do litoral cearense, ele aponta o exemplar do enorme caranguejo Cardisoma guanhumi, que, na década de 1970, era comum na região do rio Ceará. Atualmente, não é mais possível encontrar um caranguejo com tamanho semelhante naquela região.

Outro exemplar que evidencia as transformações é o do camarão Palaemon paivai, coletado na praia do Meireles pelo Prof. Fausto e não mais presente ali. Luís Ernesto explica que fatores como pesca predatória, poluição e ocupações irregulares das margens do rio e da faixa do litoral contribuíram para essas perdas.

Para Vitória, “coleções são importantes para a conservação da biodiversidade, registrando de certa forma a história da vida de determinado ecossistema. Resgatar a coleção é um jeito de dar continuidade e sentido ao trabalho de anos do Prof. Fausto Filho”, diz.

Resgate

Documentos que mostram fichas de catálogos de espécies de crustáceos

Fichas catalogam as espécies recuperadas da coleção do Labomar. Há documentos que datam da década de 1960 (Foto: Ribamar Neto/UFC)

Quando se aposentou na década de 1980, o Prof. Fausto Filho deixou a coleção com 704 lotes de crustáceos catalogados. Sem curadoria por mais de 30 anos, o acervo sofreu perdas, reconhece o Prof. Luís Ernesto.

O pesquisador conta que a pesquisa Recuperação da Coleção Carcinológica do Labomar ocorreu em dois momentos. No primeiro período – abril a dezembro de 2016 –, a bolsista foi orientada a fazer o levantamento geral do material. Separou os exemplares bons dos estragados, limpou e trocou recipientes. Simultaneamente, passou as informações das fichas de tombamento manuscritas pelo Prof. Fausto para o Livro de Tombo, recém-criado.

No segundo período – de abril a dezembro de 2017 –, os dados da coleção foram digitalizados para tornar as informações acessíveis aos pesquisadores do Brasil e o exterior. A coleção atualmente possui 31 famílias de crustáceos distribuídas em 281 lotes, dos 704 deixados pelo Prof. Fausto Filho, devidamente identificados e registrados no Livro de Tombo. Foram perdidos ou danificados 423. Mesmo o que foi perdido permanece registrado; caso a espécie desapareça da natureza, os estudiosos saberão que ela existiu.