MP pede esclarecimento sobre professora substituída após aula de cultura africana

POLÊMICA

MP pede esclarecimento sobre professora substituída após aula de cultura africana

A professora fez um BO por intolerância religiosa sofrida na escola. Já a Secretaria de Educação de Juazeiro do Norte informa que ela abandonou as aulas

Por Jangadeiro FM em Educação

11 de Maio de 2018 às 14:07

Há 5 meses

Acusado ficará em casa (FOTO: Reprodução TJCE)

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal, pediu à Secretaria de Educação de Juazeiro do Norte informações sobre o caso de suposto afastamento de uma professora do município, que abandonou o emprego após ter ministrado aula sobre cultura africana e estudos regionais.

O caso ocorreu na Escola de Educação Infantil e Fundamental Tárcila Cruz de Alencar. A diretora afirma, por sua vez, que a docente abandonou o emprego e se recusa a conversar com a escola.

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), através da promotora Alessandra Magda Ribeiro, da Comarca de Juazeiro do Norte, instaurou procedimento administrativo no dia 9 de maio, determinando que a secretária de Educação, Maria Loureto, e a diretora administrativa da escola, Cláudia Roberta Bezerra, prestem informações sobre o caso da professora Maria Firmino.

A docente foi substituída após ter ministrado aula sobre patrimônio material, imaterial e natural de matriz africana em 20 de abril deste ano. O MP-CE instaurou o procedimento depois de veiculação do ocorrido nos meios de comunicação, que repercutiram um possível afastamento da professora de história, que também foi chamada para ser ouvida no próximo dia 17 de maio, às 10 horas.

O Ministério Público Federal deu 10 dias para a Secretaria Municipal de Educação e a Escola Estadual esclarecerem o caso. Já o Ministério Público Estadual deu cinco dias. O possível afastamento da professora Maria Firmino seria motivado pela aula de “Patrimônio Material, Imaterial e natural de Matriz Africana”.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Juazeiro do Norte, Rafael Uchoa, diz que fez assessoria jurídica para a professora, que registrou um BO na Delegacia Regional da cidade prestando queixa por intolerância religiosa. O advogado diz que a comissão foi procurada porque Maria Firmino se dizia ofendida por alguns alunos que estariam incomodados com a temática da aula.

“Umas alunas passaram mal em sala de aula. No momento, como é de costume, a professora os encaminhou para a diretora do colégio. E, diante disso, a diretora pediu que a professora Maria se afastasse dos alunos. Posteriormente, os pais foram ao colégio, segundo narrou a professora ao advogado, e começaram a agir de forma um pouco excessiva. A escola, segundo a professora, não ofereceu nenhuma ajuda no momento e nenhuma proteção. Ainda na sala de aula, a professora afirmou que alguns alunos ficaram dizendo ‘Xô, Satanás! Ninguém pode mais do que Deus’“, relatou Rafael.

A diretora Cláudia Regina disse em entrevista à Rede Jangadeiro FM que, após saber do ocorrido, colocou a professora à disposição da Secretaria de Educação para que ela explicasse o que houve. Em paralelo, outra docente já foi contratada para substituir Maria Firmino nas aulas. A diretora conta que ela preferiu abandonar as aulas a esclarecer o que houve.

“Houve um problema dentro da sala, com os alunos, e ela está simplesmente passando a versão dela do jeito que ela quer. Então, as pessoas estão espalhando a história por aí, não sabem nem o fundo de verdade. Ela não tem nenhuma prova do que ela mesmo fala. E ela, enquanto pessoa principal envolvida no problema, se recusa a nos atender e não quer vir na escola nem pra conversar. Como é que ela abandonou a escola?”, relatou a diretora.

A Secretária de Educação de Juazeiro do Norte, Maria Loureto, diz que a gestão não foi procurada em nenhum momento pela docente e desmente a versão de que ela teria sido afastada do trabalho pela direção da escola onde trabalhava apenas dez dias antes do ocorrido.

“A Secretaria de Educação nunca teve o prazer de falar com ela. Ela não nos procurou. Depois, a gente foi procurado na própria escola através de alguns pais que também narraram a inquietação de seus filhos dentro da sala de aula. E, a professora não nos procurando, não retornando à escola, a nossa obrigação como secretária de Educação seria impedir o prejuízo das aulas dos nossos alunos. E convocamos uma professora para que os alunos não ficassem sem a aula”, informou.

A produção da Jangadeiro FM tentou, por muitas vezes, contato com a professora Maria Firmino, mas as ligações não foram atendidas. Já em contato com a Delegacia Regional de Juazeiro do Norte, ninguém soube informar sobre o caso, nem o teor do B.O. Segundo a OAB, nenhum inquérito foi aberto para investigação.

Ouça as entrevistas à Rede Jangadeiro FM:

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A professora fez um BO por intolerância religiosa sofrida na escola. Já a Secretaria de Educação de Juazeiro do Norte informa que ela abandonou as aulas

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11 de Maio de 2018 às 14:07

Há 5 meses

Acusado ficará em casa (FOTO: Reprodução TJCE)

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal, pediu à Secretaria de Educação de Juazeiro do Norte informações sobre o caso de suposto afastamento de uma professora do município, que abandonou o emprego após ter ministrado aula sobre cultura africana e estudos regionais.

O caso ocorreu na Escola de Educação Infantil e Fundamental Tárcila Cruz de Alencar. A diretora afirma, por sua vez, que a docente abandonou o emprego e se recusa a conversar com a escola.

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), através da promotora Alessandra Magda Ribeiro, da Comarca de Juazeiro do Norte, instaurou procedimento administrativo no dia 9 de maio, determinando que a secretária de Educação, Maria Loureto, e a diretora administrativa da escola, Cláudia Roberta Bezerra, prestem informações sobre o caso da professora Maria Firmino.

A docente foi substituída após ter ministrado aula sobre patrimônio material, imaterial e natural de matriz africana em 20 de abril deste ano. O MP-CE instaurou o procedimento depois de veiculação do ocorrido nos meios de comunicação, que repercutiram um possível afastamento da professora de história, que também foi chamada para ser ouvida no próximo dia 17 de maio, às 10 horas.

O Ministério Público Federal deu 10 dias para a Secretaria Municipal de Educação e a Escola Estadual esclarecerem o caso. Já o Ministério Público Estadual deu cinco dias. O possível afastamento da professora Maria Firmino seria motivado pela aula de “Patrimônio Material, Imaterial e natural de Matriz Africana”.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Juazeiro do Norte, Rafael Uchoa, diz que fez assessoria jurídica para a professora, que registrou um BO na Delegacia Regional da cidade prestando queixa por intolerância religiosa. O advogado diz que a comissão foi procurada porque Maria Firmino se dizia ofendida por alguns alunos que estariam incomodados com a temática da aula.

“Umas alunas passaram mal em sala de aula. No momento, como é de costume, a professora os encaminhou para a diretora do colégio. E, diante disso, a diretora pediu que a professora Maria se afastasse dos alunos. Posteriormente, os pais foram ao colégio, segundo narrou a professora ao advogado, e começaram a agir de forma um pouco excessiva. A escola, segundo a professora, não ofereceu nenhuma ajuda no momento e nenhuma proteção. Ainda na sala de aula, a professora afirmou que alguns alunos ficaram dizendo ‘Xô, Satanás! Ninguém pode mais do que Deus’“, relatou Rafael.

A diretora Cláudia Regina disse em entrevista à Rede Jangadeiro FM que, após saber do ocorrido, colocou a professora à disposição da Secretaria de Educação para que ela explicasse o que houve. Em paralelo, outra docente já foi contratada para substituir Maria Firmino nas aulas. A diretora conta que ela preferiu abandonar as aulas a esclarecer o que houve.

“Houve um problema dentro da sala, com os alunos, e ela está simplesmente passando a versão dela do jeito que ela quer. Então, as pessoas estão espalhando a história por aí, não sabem nem o fundo de verdade. Ela não tem nenhuma prova do que ela mesmo fala. E ela, enquanto pessoa principal envolvida no problema, se recusa a nos atender e não quer vir na escola nem pra conversar. Como é que ela abandonou a escola?”, relatou a diretora.

A Secretária de Educação de Juazeiro do Norte, Maria Loureto, diz que a gestão não foi procurada em nenhum momento pela docente e desmente a versão de que ela teria sido afastada do trabalho pela direção da escola onde trabalhava apenas dez dias antes do ocorrido.

“A Secretaria de Educação nunca teve o prazer de falar com ela. Ela não nos procurou. Depois, a gente foi procurado na própria escola através de alguns pais que também narraram a inquietação de seus filhos dentro da sala de aula. E, a professora não nos procurando, não retornando à escola, a nossa obrigação como secretária de Educação seria impedir o prejuízo das aulas dos nossos alunos. E convocamos uma professora para que os alunos não ficassem sem a aula”, informou.

A produção da Jangadeiro FM tentou, por muitas vezes, contato com a professora Maria Firmino, mas as ligações não foram atendidas. Já em contato com a Delegacia Regional de Juazeiro do Norte, ninguém soube informar sobre o caso, nem o teor do B.O. Segundo a OAB, nenhum inquérito foi aberto para investigação.

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