"Falta cultura de ensino da música no Brasil", avalia cearense que estudou na França

MÚSICA CLÁSSICA

“Falta cultura de ensino da música no Brasil”, avalia cearense que estudou na França

Integrante da Orquestra de Câmara Villa-Lobos, Leonardo Ferreira passou 10 meses no Conservatório de Briançon

Por Lucas Barbosa em Educação

5 de agosto de 2017 às 07:00

Há 4 meses
Leonardo Ferreira divulga os caprichos da música enquanto integrante da Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos, um projeto do maestro Leonardo Sidney que abriga estudantes de música (FOTO: Portal Estilo em Pauta)

Leonardo Ferreira celebra os ganhos como integrante da Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos, um projeto do maestro Leonardo Sidney (FOTO: Portal Estilo em Pauta)

“Conhecer o nacionalismo francês na música”. Foi o que deu vontade ao estudante de música Leonardo Ferreira, de 22 anos, de implantar algo semelhante ao Brasil. Não só tocar, mas estudar, pesquisar sobre autores como Villa-Lobos e Francisco Mignone.

Estudante de Música na Universidade Estadual do Ceará (Uece), Leonardo passou 10 meses estudando no Conservatório de Briançon, através do projeto “Briançon, Tempo de Brasil”, parceria da Associação Amigos do Piano do Ceará (Apice) com o instituto francês.

Na França, ele conta não ter desenvolvido apenas a técnica violonista, mas também um “amadurecimento”, tanto musical, quanto cultural. O que resultou na vontade de repassar o conhecimento e a paixão pela músicas aos mais jovens na qualidade de professor.

Vejo uma escassez enorme na educação musical no Ceará“, critica, mas também se anima, no intuito de contribuir para mudar tal situação. “Quero dar oportunidade a essas crianças que se interessarem a começar a estudar música, coisa que eu não tive no passado”.

Ele mesmo, que começou a tocar violino aos nove anos, se mostra como parte desse quadro de descaso com a música no Brasil. “Pode parecer muito jovem aqui no Brasil, mas, em escolas da Europa, você começa, com quatro, cinco anos de idade”, diz.

Leonardo ainda vê uma diferença crucial entre as duas realidades: na França toda cidade tem um conservatório. Ou, ainda, há aulas de música dentro da escola.

“Existe a lei que obriga as escolas a ter aulas de música, mas isso é um caso a parte. Só determina que o ensino de arte tenha música incluída, enquanto na França você atua na área musical mesmo”, avalia.

Essa falta de cultura no ensino da música, afirma ele, é que cria um dos grandes constrangimentos aos brasileiros que sonham em ser músicos. “Muitos perguntam aqui no País: ‘Por que vocês estuda música’. Na França, eles responderiam com outra pergunta: ‘por que você estuda Português?'”.

Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos

Você já havia conhecido Leonardo Ferreira ainda em agosto de 2015, justamente quando ele buscava viabilizar os estudos na França. Ele era um dos estudantes que faziam parte do concerto “Alliance Musicale”, ação beneficente em prol dos alunos do projeto Briançon Tempo de Brasil, que visava arrecadar fundos que custeariam as passagens aéreas, além de serviços como as taxas do Campus France e deslocamento para Brasília, onde obteriam visto de estudante junto ao consulado francês.

“Por ano, a iniciativa contempla quatro músicos com a formação no último ano da escola francesa, retornando com o diploma de nível médio Certificat de fin d’étudesmusicales (Certificado de Conclusão dos Estudos Musicais)”, noticiou Tribuna do Ceará à época.  Leonardo só lamenta que o certificado não pode ser aproveitado na Uece — ou seja, seus estudos na graduação ficaram parados.

Leonardo já divulga os caprichos da música enquanto integrante da Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos, um projeto do maestro Leonardo Sidney que abriga estudantes de música, desde crianças até adultos. Seu repertório traz para o ambiente da música clássica o mainstream de rock, pop, MPB, etc, em “concertos populares”. Leonardo hoje é solista e escreve junto ao maestro.

Apagão não foi suficiente para tirar o brilho da orquestra (FOTO: Divulgação/Teatro José de Alencar”

Na última apresentação da orquestra, ocorreu um fato inusitado: as luzes do Teatro José de Alencar, no Centro, se apagaram. Como o som continuou a funcionar, os músicos continuaram valendo-se da criatividade. Dezenas de luzes de celulares iluminaram o restante do concerto, criando uma atmosfera única. Confira um pouco do clima na imagem ao lado.

O espetáculo, ocorrido na quinta-feira (13), era uma ação beneficente em prol do Lar Amigos de Jesus. Para entrar, era preciso doar quilo de alimento não perecível. “O projeto da orquestra é promissor e, ao mesmo tempo prazeroso, onde todos os membros são comprometidos a fazer aquele trabalho, inclusive — o que deu sucesso nessa última apresentação foi, justamente, isso”.

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MÚSICA CLÁSSICA

“Falta cultura de ensino da música no Brasil”, avalia cearense que estudou na França

Integrante da Orquestra de Câmara Villa-Lobos, Leonardo Ferreira passou 10 meses no Conservatório de Briançon

Por Lucas Barbosa em Educação

5 de agosto de 2017 às 07:00

Há 4 meses
Leonardo Ferreira divulga os caprichos da música enquanto integrante da Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos, um projeto do maestro Leonardo Sidney que abriga estudantes de música (FOTO: Portal Estilo em Pauta)

Leonardo Ferreira celebra os ganhos como integrante da Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos, um projeto do maestro Leonardo Sidney (FOTO: Portal Estilo em Pauta)

“Conhecer o nacionalismo francês na música”. Foi o que deu vontade ao estudante de música Leonardo Ferreira, de 22 anos, de implantar algo semelhante ao Brasil. Não só tocar, mas estudar, pesquisar sobre autores como Villa-Lobos e Francisco Mignone.

Estudante de Música na Universidade Estadual do Ceará (Uece), Leonardo passou 10 meses estudando no Conservatório de Briançon, através do projeto “Briançon, Tempo de Brasil”, parceria da Associação Amigos do Piano do Ceará (Apice) com o instituto francês.

Na França, ele conta não ter desenvolvido apenas a técnica violonista, mas também um “amadurecimento”, tanto musical, quanto cultural. O que resultou na vontade de repassar o conhecimento e a paixão pela músicas aos mais jovens na qualidade de professor.

Vejo uma escassez enorme na educação musical no Ceará“, critica, mas também se anima, no intuito de contribuir para mudar tal situação. “Quero dar oportunidade a essas crianças que se interessarem a começar a estudar música, coisa que eu não tive no passado”.

Ele mesmo, que começou a tocar violino aos nove anos, se mostra como parte desse quadro de descaso com a música no Brasil. “Pode parecer muito jovem aqui no Brasil, mas, em escolas da Europa, você começa, com quatro, cinco anos de idade”, diz.

Leonardo ainda vê uma diferença crucial entre as duas realidades: na França toda cidade tem um conservatório. Ou, ainda, há aulas de música dentro da escola.

“Existe a lei que obriga as escolas a ter aulas de música, mas isso é um caso a parte. Só determina que o ensino de arte tenha música incluída, enquanto na França você atua na área musical mesmo”, avalia.

Essa falta de cultura no ensino da música, afirma ele, é que cria um dos grandes constrangimentos aos brasileiros que sonham em ser músicos. “Muitos perguntam aqui no País: ‘Por que vocês estuda música’. Na França, eles responderiam com outra pergunta: ‘por que você estuda Português?'”.

Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos

Você já havia conhecido Leonardo Ferreira ainda em agosto de 2015, justamente quando ele buscava viabilizar os estudos na França. Ele era um dos estudantes que faziam parte do concerto “Alliance Musicale”, ação beneficente em prol dos alunos do projeto Briançon Tempo de Brasil, que visava arrecadar fundos que custeariam as passagens aéreas, além de serviços como as taxas do Campus France e deslocamento para Brasília, onde obteriam visto de estudante junto ao consulado francês.

“Por ano, a iniciativa contempla quatro músicos com a formação no último ano da escola francesa, retornando com o diploma de nível médio Certificat de fin d’étudesmusicales (Certificado de Conclusão dos Estudos Musicais)”, noticiou Tribuna do Ceará à época.  Leonardo só lamenta que o certificado não pode ser aproveitado na Uece — ou seja, seus estudos na graduação ficaram parados.

Leonardo já divulga os caprichos da música enquanto integrante da Orquestra de Câmara Heitor Villa-Lobos, um projeto do maestro Leonardo Sidney que abriga estudantes de música, desde crianças até adultos. Seu repertório traz para o ambiente da música clássica o mainstream de rock, pop, MPB, etc, em “concertos populares”. Leonardo hoje é solista e escreve junto ao maestro.

Apagão não foi suficiente para tirar o brilho da orquestra (FOTO: Divulgação/Teatro José de Alencar”

Na última apresentação da orquestra, ocorreu um fato inusitado: as luzes do Teatro José de Alencar, no Centro, se apagaram. Como o som continuou a funcionar, os músicos continuaram valendo-se da criatividade. Dezenas de luzes de celulares iluminaram o restante do concerto, criando uma atmosfera única. Confira um pouco do clima na imagem ao lado.

O espetáculo, ocorrido na quinta-feira (13), era uma ação beneficente em prol do Lar Amigos de Jesus. Para entrar, era preciso doar quilo de alimento não perecível. “O projeto da orquestra é promissor e, ao mesmo tempo prazeroso, onde todos os membros são comprometidos a fazer aquele trabalho, inclusive — o que deu sucesso nessa última apresentação foi, justamente, isso”.