Estudante reclama de falta de crédito na produção de ketchup natural lançado pela UFC

DESABAFO

Estudante reclama de falta de crédito na produção de ketchup natural lançado pela UFC

Thiago Tarja, estudante de Engenharia de Alimentos, disse que os alunos criadores do ketchup ficaram alheios ao processo, e que não participaram da definição dos royalties. A UFC negou a falta de reconhecimento e diz que seguiu a legislação

Por Tribuna do Ceará em Educação

29 de novembro de 2018 às 12:12

Há 2 semanas
Estudantes desenvolveram um ketchup de acerola (FOTO: Divulgação)

Estudantes desenvolveram um ketchup de acerola (FOTO: Divulgação)

(*) Atualizado às 13h30.

No Departamento de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Ceará (UFC), estudantes desenvolveram um ketchup feito de acerola. Entretanto, o que deveria ser motivo de comemoração acabou se tornando uma polêmica nas redes sociais.

Por meio do Facebook, o estudante Thiago Tarja fez um desabafo público. “Foi difícil assistir (como mero espectador) o produto ser licenciado a uma empresa privada e lançado no mercado (o que eu acho maravilhoso), e, no entanto, perceber que os alunos criadores praticamente não receberam crédito público pela invenção e que os louros da vitória ficaram quase que exclusivamente a cargo da professora, uma das criadoras, e da empresa vencedora do licenciamento“, reclama.

O desabafo segue com o estudante lamentando a falta de reconhecimento no evento de pré-lançamento do produto, batizado de Natchup. “Pergunto-me quantas pessoas presentes sabiam quem eram os alunos criadores e que o projeto não foi concebido e desenvolvido somente pela professora e pela empresa. Certamente pouquíssimas”.

Thiago afirma que os estudantes não foram sondados sobre os valores que estavam sendo negociados entre a universidade e a empresa que adquiriu os direitos do produto.

É difícil ainda descobrir que toda a negociação entre empresa e UFC a respeito do licenciamento e dos royalties devidos foi conduzida e finalizada sem sequer comunicar aos alunos criadores. Sim, fomos surpreendidos com a notícia que o produto havia sido licenciado e que os valores dos royalties já haviam sido acordados (em um valor que eu, pessoalmente, considero baixo) sem nenhum aviso ou participação nossa”.

Explicação da UFC

Tribuna do Ceará contactou a assessoria de imprensa da UFC para comentar o caso. A assessoria informou que a universidade teria uma reunião durante a manhã para discutir a questão e que se pronunciaria até as 12h desta quinta-feira (29).

Posteriormente a publicação desta matéria, feita no início da tarde, a UFC enviou uma mensagem ao Tribuna do Ceará em resposta às críticas do estudante. Confira abaixo:

– “Assim como docentes e gestores, toda a equipe de estudantes envolvidos no projeto merece reconhecimento. Nas matérias veiculadas nas mídias oficiais da UFC, e até mesmo em reportagens produzidas por veículos da imprensa, os nomes dos alunos foram devidamente incluídos”. 
–  “Sobre o registro da patente, esclarecemos que, de acordo com a legislação federal e a resolução nº 38/2017 do Conselho Universitário, que dispõe sobre propriedade intelectual e inovação tecnológica na UFC, o processo de negociação e celebração de contrato de transferência tecnológica e licenciamento para direito de uso ou exploração de produtos, é de responsabilidade e prerrogativa da Instituição. A condução do registro de patente e de negociação de contratos, portanto, é regida por regras estabelecidas na lei”.
– “Isso não significa, no entanto, que os inventores do produto, incluindo os estudantes, deixarão de ser contemplados. Segundo a resolução, 1/3 nos ganhos econômicos, auferidos pela UFC, resultantes de contratos, é assegurado aos criadores”.

O Tribuna do Ceará enviou mensagem para as redes sociais do estudante, mas não houve retorno. Também não conseguimos contato via telefone.

Publicidade

Dê sua opinião

DESABAFO

Estudante reclama de falta de crédito na produção de ketchup natural lançado pela UFC

Thiago Tarja, estudante de Engenharia de Alimentos, disse que os alunos criadores do ketchup ficaram alheios ao processo, e que não participaram da definição dos royalties. A UFC negou a falta de reconhecimento e diz que seguiu a legislação

Por Tribuna do Ceará em Educação

29 de novembro de 2018 às 12:12

Há 2 semanas
Estudantes desenvolveram um ketchup de acerola (FOTO: Divulgação)

Estudantes desenvolveram um ketchup de acerola (FOTO: Divulgação)

(*) Atualizado às 13h30.

No Departamento de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Ceará (UFC), estudantes desenvolveram um ketchup feito de acerola. Entretanto, o que deveria ser motivo de comemoração acabou se tornando uma polêmica nas redes sociais.

Por meio do Facebook, o estudante Thiago Tarja fez um desabafo público. “Foi difícil assistir (como mero espectador) o produto ser licenciado a uma empresa privada e lançado no mercado (o que eu acho maravilhoso), e, no entanto, perceber que os alunos criadores praticamente não receberam crédito público pela invenção e que os louros da vitória ficaram quase que exclusivamente a cargo da professora, uma das criadoras, e da empresa vencedora do licenciamento“, reclama.

O desabafo segue com o estudante lamentando a falta de reconhecimento no evento de pré-lançamento do produto, batizado de Natchup. “Pergunto-me quantas pessoas presentes sabiam quem eram os alunos criadores e que o projeto não foi concebido e desenvolvido somente pela professora e pela empresa. Certamente pouquíssimas”.

Thiago afirma que os estudantes não foram sondados sobre os valores que estavam sendo negociados entre a universidade e a empresa que adquiriu os direitos do produto.

É difícil ainda descobrir que toda a negociação entre empresa e UFC a respeito do licenciamento e dos royalties devidos foi conduzida e finalizada sem sequer comunicar aos alunos criadores. Sim, fomos surpreendidos com a notícia que o produto havia sido licenciado e que os valores dos royalties já haviam sido acordados (em um valor que eu, pessoalmente, considero baixo) sem nenhum aviso ou participação nossa”.

Explicação da UFC

Tribuna do Ceará contactou a assessoria de imprensa da UFC para comentar o caso. A assessoria informou que a universidade teria uma reunião durante a manhã para discutir a questão e que se pronunciaria até as 12h desta quinta-feira (29).

Posteriormente a publicação desta matéria, feita no início da tarde, a UFC enviou uma mensagem ao Tribuna do Ceará em resposta às críticas do estudante. Confira abaixo:

– “Assim como docentes e gestores, toda a equipe de estudantes envolvidos no projeto merece reconhecimento. Nas matérias veiculadas nas mídias oficiais da UFC, e até mesmo em reportagens produzidas por veículos da imprensa, os nomes dos alunos foram devidamente incluídos”. 
–  “Sobre o registro da patente, esclarecemos que, de acordo com a legislação federal e a resolução nº 38/2017 do Conselho Universitário, que dispõe sobre propriedade intelectual e inovação tecnológica na UFC, o processo de negociação e celebração de contrato de transferência tecnológica e licenciamento para direito de uso ou exploração de produtos, é de responsabilidade e prerrogativa da Instituição. A condução do registro de patente e de negociação de contratos, portanto, é regida por regras estabelecidas na lei”.
– “Isso não significa, no entanto, que os inventores do produto, incluindo os estudantes, deixarão de ser contemplados. Segundo a resolução, 1/3 nos ganhos econômicos, auferidos pela UFC, resultantes de contratos, é assegurado aos criadores”.

O Tribuna do Ceará enviou mensagem para as redes sociais do estudante, mas não houve retorno. Também não conseguimos contato via telefone.