Especialistas em Libras entendem que tema da redação do Enem foi uma "decisão histórica"

ESCOLHA SURPREENDENTE

Especialistas em Libras entendem que tema da redação do Enem foi uma “decisão histórica”

Uma série de datas e decisões do governo indicavam que este podia ser um tema para a prova de redação no Enem de 2017

Por Daniel Rocha em Educação

7 de novembro de 2017 às 06:45

Há 2 semanas

O tema do Enem 2017 surpreendeu os candidatos, pois a proposta não estava entre as mais esperadas (FOTO:João Neto-ACS/MEC)

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (2017) abordou os desafios para a inclusão dos surdos na educação do País. A proposta “Desafios para Formação Educacional de Surdos no Brasil” surpreendeu os candidatos, pois a temática não estava entre as principais sugestões.

Entretanto, para o coordenador do Instituto Cearense de Educação de Surdos, Wagner Santana, há vários motivos para que o tema do Enem abordasse a problemática. De acordo com ele, neste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou aos surdos e deficientes auditivos uma prova com as questões traduzidas na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

“Este ano foi um marco histórico para a acessibilidade aos surdos. Os candidatos com surdez puderam fazer a prova com o auxílio de um vídeo em Libras. Além disso, se comemora os 15 anos do reconhecimento da Libras como a segunda língua oficial do País e os 160 anos do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines)”, aponta Wagner os indicativos para a escolha do tema.

De acordo com o coordenador, as dificuldades enfrentadas pelos surdos e deficientes auditivos são enormes. A começar pela falta de acessibilidade nas provas de concursos ou avaliativas. Ao contrário do Enem deste ano, as provas de concursos dificilmente são traduzidas para a Libras, língua oficial dessa população. Além disso, a falta de profissionais bilíngues dentro das escolas e em outros setores da sociedade dificulta a inserção dessa população na educação.

“A maioria dos professores não sabe se comunicar em Libras e, portanto, não consegue se comunicar com o aluno. Ele vai ter que se virar. É uma queixa geral”, destaca.

Já a psicóloga Talita Estrela aponta que algumas escolas disponibilizam intérpretes para auxiliar o professor dentro de sala de aula, porém alerta que nem todos têm a qualificação devida para desempenhar o cargo. Além disso, ressalta que a Libras é difundida no País mesmo sendo a segunda língua oficial do Brasil, dificultando a inclusão dos surdos e deficientes auditivos.

“A Libras é a segunda língua do Brasil, mas é muito pouco falada. Além dessa barreira na educação, eles têm dificuldade quando vai usar um serviço de saúde, por exemplo. Nem o familiar sabe se comunicar direito”, aponta.

Para os especialistas, a proposta de redação do Enem alerta a sociedade sobre a importância e conscientização de aprender a se comunicar em Libras. Segundo Wagner, a inclusão deve ocorrer a partir de uma mudança de pensamento coletivo. “O correto é saber a segunda língua”, conclui.

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Especialistas em Libras entendem que tema da redação do Enem foi uma “decisão histórica”

Uma série de datas e decisões do governo indicavam que este podia ser um tema para a prova de redação no Enem de 2017

Por Daniel Rocha em Educação

7 de novembro de 2017 às 06:45

Há 2 semanas

O tema do Enem 2017 surpreendeu os candidatos, pois a proposta não estava entre as mais esperadas (FOTO:João Neto-ACS/MEC)

O tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (2017) abordou os desafios para a inclusão dos surdos na educação do País. A proposta “Desafios para Formação Educacional de Surdos no Brasil” surpreendeu os candidatos, pois a temática não estava entre as principais sugestões.

Entretanto, para o coordenador do Instituto Cearense de Educação de Surdos, Wagner Santana, há vários motivos para que o tema do Enem abordasse a problemática. De acordo com ele, neste ano, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) disponibilizou aos surdos e deficientes auditivos uma prova com as questões traduzidas na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

“Este ano foi um marco histórico para a acessibilidade aos surdos. Os candidatos com surdez puderam fazer a prova com o auxílio de um vídeo em Libras. Além disso, se comemora os 15 anos do reconhecimento da Libras como a segunda língua oficial do País e os 160 anos do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines)”, aponta Wagner os indicativos para a escolha do tema.

De acordo com o coordenador, as dificuldades enfrentadas pelos surdos e deficientes auditivos são enormes. A começar pela falta de acessibilidade nas provas de concursos ou avaliativas. Ao contrário do Enem deste ano, as provas de concursos dificilmente são traduzidas para a Libras, língua oficial dessa população. Além disso, a falta de profissionais bilíngues dentro das escolas e em outros setores da sociedade dificulta a inserção dessa população na educação.

“A maioria dos professores não sabe se comunicar em Libras e, portanto, não consegue se comunicar com o aluno. Ele vai ter que se virar. É uma queixa geral”, destaca.

Já a psicóloga Talita Estrela aponta que algumas escolas disponibilizam intérpretes para auxiliar o professor dentro de sala de aula, porém alerta que nem todos têm a qualificação devida para desempenhar o cargo. Além disso, ressalta que a Libras é difundida no País mesmo sendo a segunda língua oficial do Brasil, dificultando a inclusão dos surdos e deficientes auditivos.

“A Libras é a segunda língua do Brasil, mas é muito pouco falada. Além dessa barreira na educação, eles têm dificuldade quando vai usar um serviço de saúde, por exemplo. Nem o familiar sabe se comunicar direito”, aponta.

Para os especialistas, a proposta de redação do Enem alerta a sociedade sobre a importância e conscientização de aprender a se comunicar em Libras. Segundo Wagner, a inclusão deve ocorrer a partir de uma mudança de pensamento coletivo. “O correto é saber a segunda língua”, conclui.