Alunas transexuais do IFCE lutam para disputar campeonato escolar em time feminino

ESPORTES

Alunas transexuais do IFCE lutam para disputar campeonato escolar em time feminino

Sarah e Luana despertaram discussão educacional quando reivindicaram reconhecimento como atletas, assim como no caso de Tiffany

Por Jéssica Welma em Educação

23 de Fevereiro de 2018 às 07:15

Há 6 meses
Jogadora de vôlei segurando bola embaixo do braço. (Foto: Pxhere)

Presença de atletas transexuais virou discussão atual nos esportes. (Foto: Pxhere)

Duas estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) de Fortaleza levaram ao ambiente escolar uma discussão atual em âmbito nacional: a presença de transexuais no esporte.

Sarah Avril de Oliveira Lima e Luana Ângelo reivindicaram o direito de integrar time feminino nos campeonatos de vôlei e futsal da instituição no final do ano passado.

O fato gerou debate na escola sobre a inserção de transexuais no esporte. Discussão semelhante tem repercutido nacionalmente com o sucesso da atleta Tiffany Abreu na Superliga Feminina de Vôlei. A jogadora é a primeira transexual a atuar na principal competição do Brasil na modalidade.

Tiffany, que já havia disputado a Superliga Masculina de Vôlei, tem quebrado recordes de pontos e despertado discussão sobre dosagem hormonal e estrutura biológica da atleta para integrar time feminino.

No final do ano passado, as estudantes Sarah e Luana questionaram o impedimento de atuarem em equipes femininas. “Eles disseram que, primeiro, iam conversar com os servidores e os alunos para saber a opinião deles. Depois fizeram uma reunião. Alguns dos alunos ficaram surpresos por saber que eu sou trans”, conta Sarah.

O chefe do departamento de esporte do IFCE, Kleber Ribeiro, pontuou que essa foi a primeira vez em que se depararam com uma reivindicação do tipo. Para ele, quando se trata do esporte profissional, em que o resultado e a performance do atleta têm impactos financeiros e metas diferenciadas, a discussão é mais complexa. No caso das estudantes, a ponderação do IFCE considerou o aspecto educacional.

“O maior objetivo do nosso evento não era esportivo, era educacional. Não podemos botar os valores esportivos acima dos educacionais”, pontuou.

Sarah, que joga vôlei, disse que algumas pessoas não quiseram aceitar a participação das jovens, com receio de que machucassem outra atleta. “Também teve outros alunos que me conhecem, que já me viram treinar na seleção de vôlei feminino do IFCE e que sabem que eu jogo como uma garota”, pontuou.

As jovens fizeram uma mobilização com dezenas de outros estudantes e com as equipes que disputariam as competições para que as apoiassem.

“Mudou muita coisa depois da Semana Cultural e Esportiva. Eles viram que nós existimos no IFCE e que uma mulher trans (transgênero) que faz tratamento hormonal, participando de algum esporte, não tem nenhuma vantagem sobre uma mulher cis (cisgênero)”, ressalta Sarah.

“Está sendo muito positivo educativamente. Teve uma grande repercussão dentro do campus e gerou um processo educativo”, avaliou o chefe do departamento de esporte.

Publicidade

Dê sua opinião

ESPORTES

Alunas transexuais do IFCE lutam para disputar campeonato escolar em time feminino

Sarah e Luana despertaram discussão educacional quando reivindicaram reconhecimento como atletas, assim como no caso de Tiffany

Por Jéssica Welma em Educação

23 de Fevereiro de 2018 às 07:15

Há 6 meses
Jogadora de vôlei segurando bola embaixo do braço. (Foto: Pxhere)

Presença de atletas transexuais virou discussão atual nos esportes. (Foto: Pxhere)

Duas estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE) de Fortaleza levaram ao ambiente escolar uma discussão atual em âmbito nacional: a presença de transexuais no esporte.

Sarah Avril de Oliveira Lima e Luana Ângelo reivindicaram o direito de integrar time feminino nos campeonatos de vôlei e futsal da instituição no final do ano passado.

O fato gerou debate na escola sobre a inserção de transexuais no esporte. Discussão semelhante tem repercutido nacionalmente com o sucesso da atleta Tiffany Abreu na Superliga Feminina de Vôlei. A jogadora é a primeira transexual a atuar na principal competição do Brasil na modalidade.

Tiffany, que já havia disputado a Superliga Masculina de Vôlei, tem quebrado recordes de pontos e despertado discussão sobre dosagem hormonal e estrutura biológica da atleta para integrar time feminino.

No final do ano passado, as estudantes Sarah e Luana questionaram o impedimento de atuarem em equipes femininas. “Eles disseram que, primeiro, iam conversar com os servidores e os alunos para saber a opinião deles. Depois fizeram uma reunião. Alguns dos alunos ficaram surpresos por saber que eu sou trans”, conta Sarah.

O chefe do departamento de esporte do IFCE, Kleber Ribeiro, pontuou que essa foi a primeira vez em que se depararam com uma reivindicação do tipo. Para ele, quando se trata do esporte profissional, em que o resultado e a performance do atleta têm impactos financeiros e metas diferenciadas, a discussão é mais complexa. No caso das estudantes, a ponderação do IFCE considerou o aspecto educacional.

“O maior objetivo do nosso evento não era esportivo, era educacional. Não podemos botar os valores esportivos acima dos educacionais”, pontuou.

Sarah, que joga vôlei, disse que algumas pessoas não quiseram aceitar a participação das jovens, com receio de que machucassem outra atleta. “Também teve outros alunos que me conhecem, que já me viram treinar na seleção de vôlei feminino do IFCE e que sabem que eu jogo como uma garota”, pontuou.

As jovens fizeram uma mobilização com dezenas de outros estudantes e com as equipes que disputariam as competições para que as apoiassem.

“Mudou muita coisa depois da Semana Cultural e Esportiva. Eles viram que nós existimos no IFCE e que uma mulher trans (transgênero) que faz tratamento hormonal, participando de algum esporte, não tem nenhuma vantagem sobre uma mulher cis (cisgênero)”, ressalta Sarah.

“Está sendo muito positivo educativamente. Teve uma grande repercussão dentro do campus e gerou um processo educativo”, avaliou o chefe do departamento de esporte.