Zona nobre de Fortaleza, bairro Meireles tem IDH próximo ao da Noruega


Zona nobre de Fortaleza, bairro Meireles tem IDH próximo ao da Noruega

Apesar do alto Índice de Desenvolvimento Humano do bairro localizado na orla, Fortaleza ficou com o terceiro pior índice entre as capitais brasileiras

Por Renata Monte em Cotidiano

11 de dezembro de 2014 às 09:30

Há 4 anos
Meireles é o bairro mais rico de Fortaleza. (Foto: Reprodução/Google)

Meireles é o bairro mais rico de Fortaleza. (Foto: Reprodução)

Bairro da área nobre de Fortaleza, tomado por edifícios e hotéis luxuosos, parte da zona turística, lugar de caminhadas à beira-mar. O Meireles, que surgiu por volta de 1950, construído pela classe abastada cearense, é o local que possui um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, ficando próximo até de países como a Noruega e o Japão, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Meireles é o bairro das pessoas com as maiores rendas, com maior nível de escolaridade, que detém poder político e econômico, que viajam para o exterior, que tem planos de saúde, que circulam em vias pavimentadas, urbanizadas e frequentam os melhores estabelecimentos comerciais de Fortaleza”, avalia o economista Vicente Ferrer. Segundo ele, o valor do metro quadrado no bairro hoje é de R$ 15 mil.

Daniel Aragão, cineasta e morador do Meireles, acredita que a maior vantagem de se morar no bairro é por ter tudo o que se quer na hora que deseja. “Por estar no foco turístico da cidade, acredito que tem mais facilidades e uma vibração diferente dos outros bairros. A parte triste é que, apesar de todos os recursos e infraestrutura adequada, temos uma enorme desigualdade social. Temos os prédios mais caros da cidade lado a lado a comunidades carentes de recursos e de presença do governo”.

A praia de Iracema, localizada no Meireles, é um dos pontos turísticos da capital. (Foto: Reprodução)

A praia de Iracema, localizada no Meireles, é um dos pontos turísticos da capital. (Foto: Reprodução)

Essa realidade explica o porquê de que, apesar do Meireles ter um IDH de 0,993 – próximo ao da Noruega, por exemplo, que lidera o ranking dos países mais desenvolvidos com 0,995 – a cidade de Fortaleza ainda é a terceira capital com pior IDH (0,754) do Brasil. “Essa disparidade é mais comum do que se imagina. Acontece em vários estados, por causa da concentração de renda”, explicou Vicente.

Segundo o economista, a causa dessa oposição entre o bairro e a própria cidade se dá em decorrência da falta de políticas públicas para cuidar da periferia. “Essa parte de Fortaleza carece de serviços básicos de segurança, de educação, de saúde. O que vemos é um processo de favelização, já que inúmeras pessoas saem da zona rural e chegam à zona urbana e não encontram meios para melhorar de vida”.

Para Daniel, mesmo com toda a infraestrutura, o bairro não é um lugar de convivência entre os moradores. “O estilo de vida do bairro em si é de muita reserva. Definitivamente, não somos um bairro de conversa fora na calçada, mas a caminhada na [avenida] Beira-mar serve para esse papel”.

O IDH é calculado a partir dos indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita), variando entre zero – que significa nenhum nível de desenvolvimento – e um – sendo o total de desenvolvimento. Otimista, Vicente acredita que Fortaleza está longe de se tornar uma Noruega por completo, mas opina que estamos no caminho certo. “Ainda não temos a nossa Noruega, mas com mais recursos públicos de base e a redução da corrupção, poderemos ser um dia”.

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Zona nobre de Fortaleza, bairro Meireles tem IDH próximo ao da Noruega

Apesar do alto Índice de Desenvolvimento Humano do bairro localizado na orla, Fortaleza ficou com o terceiro pior índice entre as capitais brasileiras

Por Renata Monte em Cotidiano

11 de dezembro de 2014 às 09:30

Há 4 anos
Meireles é o bairro mais rico de Fortaleza. (Foto: Reprodução/Google)

Meireles é o bairro mais rico de Fortaleza. (Foto: Reprodução)

Bairro da área nobre de Fortaleza, tomado por edifícios e hotéis luxuosos, parte da zona turística, lugar de caminhadas à beira-mar. O Meireles, que surgiu por volta de 1950, construído pela classe abastada cearense, é o local que possui um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, ficando próximo até de países como a Noruega e o Japão, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Meireles é o bairro das pessoas com as maiores rendas, com maior nível de escolaridade, que detém poder político e econômico, que viajam para o exterior, que tem planos de saúde, que circulam em vias pavimentadas, urbanizadas e frequentam os melhores estabelecimentos comerciais de Fortaleza”, avalia o economista Vicente Ferrer. Segundo ele, o valor do metro quadrado no bairro hoje é de R$ 15 mil.

Daniel Aragão, cineasta e morador do Meireles, acredita que a maior vantagem de se morar no bairro é por ter tudo o que se quer na hora que deseja. “Por estar no foco turístico da cidade, acredito que tem mais facilidades e uma vibração diferente dos outros bairros. A parte triste é que, apesar de todos os recursos e infraestrutura adequada, temos uma enorme desigualdade social. Temos os prédios mais caros da cidade lado a lado a comunidades carentes de recursos e de presença do governo”.

A praia de Iracema, localizada no Meireles, é um dos pontos turísticos da capital. (Foto: Reprodução)

A praia de Iracema, localizada no Meireles, é um dos pontos turísticos da capital. (Foto: Reprodução)

Essa realidade explica o porquê de que, apesar do Meireles ter um IDH de 0,993 – próximo ao da Noruega, por exemplo, que lidera o ranking dos países mais desenvolvidos com 0,995 – a cidade de Fortaleza ainda é a terceira capital com pior IDH (0,754) do Brasil. “Essa disparidade é mais comum do que se imagina. Acontece em vários estados, por causa da concentração de renda”, explicou Vicente.

Segundo o economista, a causa dessa oposição entre o bairro e a própria cidade se dá em decorrência da falta de políticas públicas para cuidar da periferia. “Essa parte de Fortaleza carece de serviços básicos de segurança, de educação, de saúde. O que vemos é um processo de favelização, já que inúmeras pessoas saem da zona rural e chegam à zona urbana e não encontram meios para melhorar de vida”.

Para Daniel, mesmo com toda a infraestrutura, o bairro não é um lugar de convivência entre os moradores. “O estilo de vida do bairro em si é de muita reserva. Definitivamente, não somos um bairro de conversa fora na calçada, mas a caminhada na [avenida] Beira-mar serve para esse papel”.

O IDH é calculado a partir dos indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita), variando entre zero – que significa nenhum nível de desenvolvimento – e um – sendo o total de desenvolvimento. Otimista, Vicente acredita que Fortaleza está longe de se tornar uma Noruega por completo, mas opina que estamos no caminho certo. “Ainda não temos a nossa Noruega, mas com mais recursos públicos de base e a redução da corrupção, poderemos ser um dia”.