Veja qual a explicação para o jacaré ‘passeando’ na Av. José Bastos - Noticias
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Veja qual a explicação para o jacaré ‘passeando’ na Av. José Bastos

Para o pesquisador o animal pode ter chegado ao local em razão de uma soltura indevida.

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

12 de março de 2017 às 08:53

Há 3 semanas

(Foto: Reprodução) Pesquisador explica que existe uma população nativa de jacarés no Ceará.

A cena de um jacaré atravessando a avenida José Bastos, em Fortaleza, chamou atenção de quem passava pela região. Logo o vídeo com o flagrante foi parar na internet e as pessoas começaram a se perguntar o que um réptil faria naquele lugar.

A mesma pergunta foi feita para o professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Hugo-Fernandes Ferreira. Para o pesquisador a resposta não é tão simples quanto parece. O animal pode ser considerado nativo, mas a população de jacarés na lagoa não, pois, provavelmente ela passou a existir no local, após a soltura indevida dos répteis na década de 90.

O pesquisador explica que existe uma população nativa de jacarés no Ceará, na bacia do rio Poti, região de Crateús e em lagoas do litoral norte, sobretudo e Itapipoca. “As espécies encontradas são Caiman crocodilus, parecida com a que vimos no vídeo e Paleosuchus palpebrosus. Há um registro desconfiável de Caiman latirostris na região da Serra Grande”, explica o pesquisador.

Ainda de acordo com Hugo, é provável a existência de jacarés nativos na lagoa de Parangaba. Segundo ele, o problema é a extinção local de diversas espécies de médio e grande porte nessa região que já acontece de forma exacerbada durante décadas.

O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Daniel Cassiano explica que os primeiros relatos de jacarés nas lagoas de Parangaba e Opaia surgiram na década de 1990, fato que provocou espanto e falatório na cidade. Os moradores da região afirmam não terem tido mais relatos de jacarés desde então.

O professor da UECE acredita que o filhote de Caiman flagrado no vídeo que circula nas redes sociais ter nascido na lagoa de Parangaba, mas não há evidências que atestem isso com certeza. “Por estarmos em um estado e principalmente em uma cidade muito pouco estudados zoologicamente, há fortes evidências de que foi soltura”, explica.

O pesquisador faz um último alerta em relação a isso. Sendo ou não nativo, solturas devem ser realizadas por órgãos competentes. Se uma pessoa possui um animal silvestre ou o encontrou fora de seu habitat, nunca solte-o na natureza. É importante entregá-lo ao Centro de Triagem de Animais Silvestres/IBAMA mais próximo ou localizar um biólogo competente para ajudar. Caso o animal esteja no seu habitat, ele deve permanecer onde está.

SERVIÇO:
CETAS Fortaleza/CE
ENDEREÇO: Rua Wilson Ferreira, 351, Guajeru, Fortaleza-CE. CEP: 60.840-610
TELEFONE: (85) 3474-0001

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Para o pesquisador o animal pode ter chegado ao local em razão de uma soltura indevida.

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

12 de março de 2017 às 08:53

Há 3 semanas

(Foto: Reprodução) Pesquisador explica que existe uma população nativa de jacarés no Ceará.

A cena de um jacaré atravessando a avenida José Bastos, em Fortaleza, chamou atenção de quem passava pela região. Logo o vídeo com o flagrante foi parar na internet e as pessoas começaram a se perguntar o que um réptil faria naquele lugar.

A mesma pergunta foi feita para o professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Hugo-Fernandes Ferreira. Para o pesquisador a resposta não é tão simples quanto parece. O animal pode ser considerado nativo, mas a população de jacarés na lagoa não, pois, provavelmente ela passou a existir no local, após a soltura indevida dos répteis na década de 90.

O pesquisador explica que existe uma população nativa de jacarés no Ceará, na bacia do rio Poti, região de Crateús e em lagoas do litoral norte, sobretudo e Itapipoca. “As espécies encontradas são Caiman crocodilus, parecida com a que vimos no vídeo e Paleosuchus palpebrosus. Há um registro desconfiável de Caiman latirostris na região da Serra Grande”, explica o pesquisador.

Ainda de acordo com Hugo, é provável a existência de jacarés nativos na lagoa de Parangaba. Segundo ele, o problema é a extinção local de diversas espécies de médio e grande porte nessa região que já acontece de forma exacerbada durante décadas.

O professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Daniel Cassiano explica que os primeiros relatos de jacarés nas lagoas de Parangaba e Opaia surgiram na década de 1990, fato que provocou espanto e falatório na cidade. Os moradores da região afirmam não terem tido mais relatos de jacarés desde então.

O professor da UECE acredita que o filhote de Caiman flagrado no vídeo que circula nas redes sociais ter nascido na lagoa de Parangaba, mas não há evidências que atestem isso com certeza. “Por estarmos em um estado e principalmente em uma cidade muito pouco estudados zoologicamente, há fortes evidências de que foi soltura”, explica.

O pesquisador faz um último alerta em relação a isso. Sendo ou não nativo, solturas devem ser realizadas por órgãos competentes. Se uma pessoa possui um animal silvestre ou o encontrou fora de seu habitat, nunca solte-o na natureza. É importante entregá-lo ao Centro de Triagem de Animais Silvestres/IBAMA mais próximo ou localizar um biólogo competente para ajudar. Caso o animal esteja no seu habitat, ele deve permanecer onde está.

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