Sete Papais Noéis do sul do país dividem o teto para trabalhar em Fortaleza

HO-HO-HO!

Sete Papais Noéis do sul do país dividem o teto para trabalho temporário em Fortaleza

Os Bom Velhinhos estranham o calor do Ceará e aproveitam para comer novidades como tapioca e cuscuz

Por Rosana Romão em Cotidiano

5 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 2 anos
Ailton Gonçalves, João Duarte, Gino Palma e Maxwel Goulart. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Ailton Gonçalves, João Duarte, Gino Palma e Maxwel Goulart. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Um apartamento com sete Papais Noeis. Mesmo descaracterizados, as barbas e cabelos brancos entregam o que vieram fazer na capital cearense: levar a magia do Natal às crianças.

E eles vêm do Sul do país para receber as crianças nos grandes shoppings e eventos temáticos. Assim como existe a Aldeia do Papai Noel, em Gramado (RS), existe em Fortaleza o Apartamento do Papai Noel.

Localizado no Bairro Papicu, o apartamento hospeda sete Papais Noeis, que se revezam nos shoppings da capital. Trabalham cerca de 6 horas por dia, mas também participam de eventos extras. Empresas, escolas, hospitais e casas de idosos recebem a visita do bom velhinho nesta época do ano. Cerca de 30 a 45 dias do ano são dedicados à data festiva na vida de um Papai Noel.

Para ser um, tem que gostar de criança. Essa frase é unanimidade entre os velhinhos que se caracterizam do personagem. E a preparação é cuidar do cabelo e da barba para evitar o grisalho e ficar com os pelos o mais branco possível.

“Criança é criança. Tem aquelas que olham encantadas, sorriem, as que choram, as que têm medo. Tem que estar preparado para tudo”, indica João Duarte, de 55 anos.

A maioria deles já é avô e já brincou de Papai Noel com os netos. Com a oportunidade, eles podem viver o personagem até mais de uma vez por ano.

“No meu caso foi para salvar uma pessoa. Um Papai Noel faleceu e quando estava no salão minha esposa ouviu uma amiga comentando que eu tinha cara de Papai Noel. Eu fui porque gostava de criança, e continuo até hoje”, explica Maxwel Goulart, de 66 anos, vindo de Belo Horizonte.

Gino Palma tem 87 anos e além de Papai Noel é gaitista e artesão. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Gino Palma tem 87 anos e além de Papai Noel é gaitista e artesão. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Há 18 anos interpretando o personagem, ele garante que após o dia 26 de dezembro fica irreconhecível. “Eu sou outra pessoa, fico uns 15 anos mais novo”, brinca.

Já Gino Palma prefere continuar com o visual durante todo o ano, porque participa de outros eventos fora do período natalino. Ele é o mais velho da turma, com 87 anos. Natural do município Fazenda Rio Grande, no Paraná, conta que gosta do personagem desde quando era criança.

Vindos do Sul do país, eles admiram as belezas do Ceará e há os que querem voltar para o Estado todos os anos. “Tudo aqui é diferente, principalmente o clima. Admiro muito a educação do Ceará. A gente percebe isso das crianças. E aqui cuidamos mais da alimentação, tomamos suco para refrescar. Tapioca e cuscuz nós gostamos muito”, afirma Gino Palma.

Como a maioria tem o expediente preenchido, quase não sobra tempo para aproveitar a cidade. Mas, como costumam vir vários anos seguidos, eles sempre conhecem algum ponto turístico, como o Mercado São Sebastião e o Mercado Central. “Já fomos no Beach Park para conhecer, mas teve que ser correndo porque logo ficou tumultuado. As crianças vieram em cima”, brinca João Duarte.

Apesar se distanciar da família no período natalino, eles veem a oportunidade com bons olhos. Se esforçam para voltar para casa ainda no Natal, mas às vezes não é possível. De toda forma, os familiares já estão acostumados com a rotina.

“Eu não digo que é um trabalho, é quase um SPA, uma terapia. A gente vê todo tipo de criança e adulto, que desperta a criança que está dentro dele”, revela João Duarte. 

Emocionante

A atividade também proporciona momentos marcantes na vida de um Papai Noel. Gino Palma relembra o mais interessante que viveu, em Santarém, no Pará. Um garoto de 8 anos chegou rapidamente, correu e se ajoelhou aos seus pés.

Pegando em suas pernas, ele olhou para o Papai Noel e disse: “Papai Noel, eu não quero que o senhor leve a bicicleta e nem a bola. Eu quero que o senhor vá na minha casa e dê saúde para o meu pai, que está muito doente”, disse.

“Ele pensava que o Papai Noel fosse um Deus. Tinha muita gente, então eu pedi silêncio e que todos fechassem os seus olhos. Disse: ‘Então vamos mandar saúde para o pai desse menino que está aqui pedindo. Vamos, em conjunto, abrir o nosso coração’. Levantei as mãos, fiz o pedido e acredito que ele recebeu”, conta, emocionado.

Para o ano de 2017, os Papais Noeis que visitam Fortaleza esperam que tenham paz, amor e têm um pedido especial para os cearenses. “Vamos economizar água. Eu vi uma reportagem ontem falando sobre a seca aqui no Ceará, uma barbaridade. No nosso estado, o clima é úmido, temos chuvas dia sim e dia não, mas aqui não vi chuva ainda, e isso é muito triste. Que haja consciência e economizem para não faltar”, aconselha Gino Palma.

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Sete Papais Noéis do sul do país dividem o teto para trabalho temporário em Fortaleza

Os Bom Velhinhos estranham o calor do Ceará e aproveitam para comer novidades como tapioca e cuscuz

Por Rosana Romão em Cotidiano

5 de dezembro de 2016 às 07:00

Há 2 anos
Ailton Gonçalves, João Duarte, Gino Palma e Maxwel Goulart. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Ailton Gonçalves, João Duarte, Gino Palma e Maxwel Goulart. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Um apartamento com sete Papais Noeis. Mesmo descaracterizados, as barbas e cabelos brancos entregam o que vieram fazer na capital cearense: levar a magia do Natal às crianças.

E eles vêm do Sul do país para receber as crianças nos grandes shoppings e eventos temáticos. Assim como existe a Aldeia do Papai Noel, em Gramado (RS), existe em Fortaleza o Apartamento do Papai Noel.

Localizado no Bairro Papicu, o apartamento hospeda sete Papais Noeis, que se revezam nos shoppings da capital. Trabalham cerca de 6 horas por dia, mas também participam de eventos extras. Empresas, escolas, hospitais e casas de idosos recebem a visita do bom velhinho nesta época do ano. Cerca de 30 a 45 dias do ano são dedicados à data festiva na vida de um Papai Noel.

Para ser um, tem que gostar de criança. Essa frase é unanimidade entre os velhinhos que se caracterizam do personagem. E a preparação é cuidar do cabelo e da barba para evitar o grisalho e ficar com os pelos o mais branco possível.

“Criança é criança. Tem aquelas que olham encantadas, sorriem, as que choram, as que têm medo. Tem que estar preparado para tudo”, indica João Duarte, de 55 anos.

A maioria deles já é avô e já brincou de Papai Noel com os netos. Com a oportunidade, eles podem viver o personagem até mais de uma vez por ano.

“No meu caso foi para salvar uma pessoa. Um Papai Noel faleceu e quando estava no salão minha esposa ouviu uma amiga comentando que eu tinha cara de Papai Noel. Eu fui porque gostava de criança, e continuo até hoje”, explica Maxwel Goulart, de 66 anos, vindo de Belo Horizonte.

Gino Palma tem 87 anos e além de Papai Noel é gaitista e artesão. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Gino Palma tem 87 anos e além de Papai Noel é gaitista e artesão. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Há 18 anos interpretando o personagem, ele garante que após o dia 26 de dezembro fica irreconhecível. “Eu sou outra pessoa, fico uns 15 anos mais novo”, brinca.

Já Gino Palma prefere continuar com o visual durante todo o ano, porque participa de outros eventos fora do período natalino. Ele é o mais velho da turma, com 87 anos. Natural do município Fazenda Rio Grande, no Paraná, conta que gosta do personagem desde quando era criança.

Vindos do Sul do país, eles admiram as belezas do Ceará e há os que querem voltar para o Estado todos os anos. “Tudo aqui é diferente, principalmente o clima. Admiro muito a educação do Ceará. A gente percebe isso das crianças. E aqui cuidamos mais da alimentação, tomamos suco para refrescar. Tapioca e cuscuz nós gostamos muito”, afirma Gino Palma.

Como a maioria tem o expediente preenchido, quase não sobra tempo para aproveitar a cidade. Mas, como costumam vir vários anos seguidos, eles sempre conhecem algum ponto turístico, como o Mercado São Sebastião e o Mercado Central. “Já fomos no Beach Park para conhecer, mas teve que ser correndo porque logo ficou tumultuado. As crianças vieram em cima”, brinca João Duarte.

Apesar se distanciar da família no período natalino, eles veem a oportunidade com bons olhos. Se esforçam para voltar para casa ainda no Natal, mas às vezes não é possível. De toda forma, os familiares já estão acostumados com a rotina.

“Eu não digo que é um trabalho, é quase um SPA, uma terapia. A gente vê todo tipo de criança e adulto, que desperta a criança que está dentro dele”, revela João Duarte. 

Emocionante

A atividade também proporciona momentos marcantes na vida de um Papai Noel. Gino Palma relembra o mais interessante que viveu, em Santarém, no Pará. Um garoto de 8 anos chegou rapidamente, correu e se ajoelhou aos seus pés.

Pegando em suas pernas, ele olhou para o Papai Noel e disse: “Papai Noel, eu não quero que o senhor leve a bicicleta e nem a bola. Eu quero que o senhor vá na minha casa e dê saúde para o meu pai, que está muito doente”, disse.

“Ele pensava que o Papai Noel fosse um Deus. Tinha muita gente, então eu pedi silêncio e que todos fechassem os seus olhos. Disse: ‘Então vamos mandar saúde para o pai desse menino que está aqui pedindo. Vamos, em conjunto, abrir o nosso coração’. Levantei as mãos, fiz o pedido e acredito que ele recebeu”, conta, emocionado.

Para o ano de 2017, os Papais Noeis que visitam Fortaleza esperam que tenham paz, amor e têm um pedido especial para os cearenses. “Vamos economizar água. Eu vi uma reportagem ontem falando sobre a seca aqui no Ceará, uma barbaridade. No nosso estado, o clima é úmido, temos chuvas dia sim e dia não, mas aqui não vi chuva ainda, e isso é muito triste. Que haja consciência e economizem para não faltar”, aconselha Gino Palma.