Moradores já haviam alertado construtora que prédio apresentava rachaduras


Moradores já haviam alertado construtora de que prédio apresentava rachaduras

Segundo advogado, por falta de ação da construtora, moradores providenciaram a reforma de emergência; Prefeitura já notificou o prédio por obra irregular em varanda

Por Daniel Herculano em Cotidiano

3 de março de 2015 às 11:25

Há 4 anos
3

Uma varanda do edifício Versailles desabou na segunda-feira (2) (Foto: Reprodução Whatsapp)

O desabamento registrado na tarde da última segunda-feira (2) no bairro Meireles, zona nobre de Fortaleza, que deixou um morto e dois feridos, já havia sido previsto pelos moradores do Edifício Versailles. Segundo o advogado responsável pelo condomínio, a construtora Mendonça Aguiar, responsável pela construção do prédio, já havia sido alertada com antecedência de que as varandas apresentava rachaduras. “Como a Mendonça Aguiar não respondeu aos chamados dos moradores nem tomou providências, eles resolveram chamar um engenheiro para fazer um laudo para dar sequência à reforma”, informou o advogado, que preferiu não se identificar.

A obra de emergência, contudo, estava irregular. De acordo com o coordenador Especial de Proteção e Defesa Civil, Cristiano Férrer, a responsabilidade não era da construtora, pelo fato de o empreendimento ter mais de 30 anos. Sendo, portanto, responsabilidade da administração do prédio. “O documento que nos foi apresentado foi uma ART [Anotação de Responsabilidade Técnica], sem comprovante de pagamento, ou seja, não tinha valor porque não foi registrado”, antecipa.

O documento apresentado foi apenas de cálculo, e não do desenvolvimento da obra, por isso a reforma não poderia ter iniciado. Porém, a equipe da Defesa Civil identificou que o escoramento já havia sido iniciado. “A gente constatou que a obra estava iniciando, falta identificar quem é o responsável. Até o presente momento o responsável vai ser o síndico”, apontou Cristiano Férrer.

Na manhã desta terça-feira (3), a Prefeitura de Fortaleza enviou o técnico João Batista Magalhães, que notificou o prédio pela obra irregular. Para fazer a vistoria do local, estão presentes no edifício integrantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-ce), da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil também foram ao prédio para obter mais informações sobre o processo, pois a informação é de que os trabalhadores eram sindicalizados.

Desabamento de laje no Meireles
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Desabamento de laje no Meireles

Prédio foi evacuado após o desabamento da varanda (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Prédio notificado
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Prédio notificado

Técnico da Prefeitura de Fortaleza, João Batista Magalhães já notificou o prédio (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Foto: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará
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Foto: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará

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Foto: Whatsapp Tribuna
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Foto: Whatsapp Tribuna

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Desabamento de laje no Meireles
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Desabamento de laje no Meireles

Prédio foi evacuado após o desabamento da varanda (FOTO: Whatsapp/Tribuna)

Medo de se identificar

Tanto na portaria do Edifício Versailles, quanto na vizinhança, ninguém quer falar sobre o ocorrido, e aqueles que falam demonstram medo em se identificar. Uma senhora que está passando férias em um prédio vizinho afirmou ter ouvido um estrondo e gritos, mas não teve curiosidade de olhar, “achei que era barulho na piscina do meu prédio. Depois que vi as notícias é que liguei uma coisa à outra, um desastre”.

Moradores removidos

Desde da noite da última segunda-feira (2), os moradores dos apartamentos do edifício Versailles foram removidos do local. São sete andares, com um apartamento por andar. Dois estavam desocupados. Cinco famílias que moram no prédio foram deslocadas para casas de familiares.

Boletim médico

Os irmãos Raimundo José do Nascimento, 52, e Gilvanir José do Nascimento, 44, ficaram feridos, foram socorridos e levados ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no centro de Fortaleza. Gilvanir José do Nascimento, que ao ser socorrido teve de ser massageado por causa de paradas cardiorrespiratórias, segue em estado gravíssimo. O operário está entubado e apresenta traumatismo craniano. Já José Raimundo já fez uma tomografia e outros exames, passa bem, mas ainda não recebeu alta. A assessoria do IFJ informa que não sabe onde o paciente está no momento. (Com informações de Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Veja a matéria da TV Jangadeiro:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15394218″]

Nota da construtora Mendonça Aguiar

A construtora lamenta o acidente e se solidariza com​ os operários e seus familiares e condôminos, esclarecendo que o Habite-se da obra data de 1986, estando o prédio sob a administração do condomínio há 29 anos. Importante destacar que a construtora só foi procurada pelo condomínio no dia do acidente, e que a reforma da varanda em questão estava sendo realizada por outra empresa, motivo pelo qual a construtora aguarda o término das investigações para poder​ se posicionar sobre o caso. Por fim, confirma o compromisso com a qualidade e segurança de suas obras, reforçando a necessidade do proprietário ou responsável legal da edificação realizar as manutenções previstas na Lei 9.913, de 26 de julho de 2012, que estabelece, inclusive, a realização de vistorias técnicas​ preventivas a cada três anos,​ para edificações entre 21 e 30 anos de construção.

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Moradores já haviam alertado construtora de que prédio apresentava rachaduras

Segundo advogado, por falta de ação da construtora, moradores providenciaram a reforma de emergência; Prefeitura já notificou o prédio por obra irregular em varanda

Por Daniel Herculano em Cotidiano

3 de março de 2015 às 11:25

Há 4 anos
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Uma varanda do edifício Versailles desabou na segunda-feira (2) (Foto: Reprodução Whatsapp)

O desabamento registrado na tarde da última segunda-feira (2) no bairro Meireles, zona nobre de Fortaleza, que deixou um morto e dois feridos, já havia sido previsto pelos moradores do Edifício Versailles. Segundo o advogado responsável pelo condomínio, a construtora Mendonça Aguiar, responsável pela construção do prédio, já havia sido alertada com antecedência de que as varandas apresentava rachaduras. “Como a Mendonça Aguiar não respondeu aos chamados dos moradores nem tomou providências, eles resolveram chamar um engenheiro para fazer um laudo para dar sequência à reforma”, informou o advogado, que preferiu não se identificar.

A obra de emergência, contudo, estava irregular. De acordo com o coordenador Especial de Proteção e Defesa Civil, Cristiano Férrer, a responsabilidade não era da construtora, pelo fato de o empreendimento ter mais de 30 anos. Sendo, portanto, responsabilidade da administração do prédio. “O documento que nos foi apresentado foi uma ART [Anotação de Responsabilidade Técnica], sem comprovante de pagamento, ou seja, não tinha valor porque não foi registrado”, antecipa.

O documento apresentado foi apenas de cálculo, e não do desenvolvimento da obra, por isso a reforma não poderia ter iniciado. Porém, a equipe da Defesa Civil identificou que o escoramento já havia sido iniciado. “A gente constatou que a obra estava iniciando, falta identificar quem é o responsável. Até o presente momento o responsável vai ser o síndico”, apontou Cristiano Férrer.

Na manhã desta terça-feira (3), a Prefeitura de Fortaleza enviou o técnico João Batista Magalhães, que notificou o prédio pela obra irregular. Para fazer a vistoria do local, estão presentes no edifício integrantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-ce), da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. Dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil também foram ao prédio para obter mais informações sobre o processo, pois a informação é de que os trabalhadores eram sindicalizados.

Desabamento de laje no Meireles
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Desabamento de laje no Meireles

Prédio foi evacuado após o desabamento da varanda (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Prédio notificado
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Prédio notificado

Técnico da Prefeitura de Fortaleza, João Batista Magalhães já notificou o prédio (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Foto: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará
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Foto: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará

Foto: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará

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Foto: Whatsapp Tribuna
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Desabamento de laje no Meireles
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Desabamento de laje no Meireles

Prédio foi evacuado após o desabamento da varanda (FOTO: Whatsapp/Tribuna)

Medo de se identificar

Tanto na portaria do Edifício Versailles, quanto na vizinhança, ninguém quer falar sobre o ocorrido, e aqueles que falam demonstram medo em se identificar. Uma senhora que está passando férias em um prédio vizinho afirmou ter ouvido um estrondo e gritos, mas não teve curiosidade de olhar, “achei que era barulho na piscina do meu prédio. Depois que vi as notícias é que liguei uma coisa à outra, um desastre”.

Moradores removidos

Desde da noite da última segunda-feira (2), os moradores dos apartamentos do edifício Versailles foram removidos do local. São sete andares, com um apartamento por andar. Dois estavam desocupados. Cinco famílias que moram no prédio foram deslocadas para casas de familiares.

Boletim médico

Os irmãos Raimundo José do Nascimento, 52, e Gilvanir José do Nascimento, 44, ficaram feridos, foram socorridos e levados ao Instituto Doutor José Frota (IJF), no centro de Fortaleza. Gilvanir José do Nascimento, que ao ser socorrido teve de ser massageado por causa de paradas cardiorrespiratórias, segue em estado gravíssimo. O operário está entubado e apresenta traumatismo craniano. Já José Raimundo já fez uma tomografia e outros exames, passa bem, mas ainda não recebeu alta. A assessoria do IFJ informa que não sabe onde o paciente está no momento. (Com informações de Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Veja a matéria da TV Jangadeiro:

[uol video=”http://mais.uol.com.br/view/15394218″]

Nota da construtora Mendonça Aguiar

A construtora lamenta o acidente e se solidariza com​ os operários e seus familiares e condôminos, esclarecendo que o Habite-se da obra data de 1986, estando o prédio sob a administração do condomínio há 29 anos. Importante destacar que a construtora só foi procurada pelo condomínio no dia do acidente, e que a reforma da varanda em questão estava sendo realizada por outra empresa, motivo pelo qual a construtora aguarda o término das investigações para poder​ se posicionar sobre o caso. Por fim, confirma o compromisso com a qualidade e segurança de suas obras, reforçando a necessidade do proprietário ou responsável legal da edificação realizar as manutenções previstas na Lei 9.913, de 26 de julho de 2012, que estabelece, inclusive, a realização de vistorias técnicas​ preventivas a cada três anos,​ para edificações entre 21 e 30 anos de construção.