Lixo vira instrumento musical e muda a vida de jovens da periferia de Fortaleza


Lixo vira instrumento musical e muda a vida de jovens da periferia de Fortaleza

Três vezes por semana o grupo se reúne para ensaiar, com momentos reservados para o lazer e para a leitura bíblica

Por Rosana Romão em Cotidiano

19 de novembro de 2014 às 08:00

Há 3 anos
Bate Late atende jovens de 13 a 18 anos com aulas de bateria. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Bate Late atende jovens de 13 a 18 anos com aulas de bateria. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Latas de tinta e vasilhames secos depois de usados geralmente vão para o lixo. Mas para os jovens da comunidade Santa Fé, no Bairro Ancuri, de Fortaleza, esse lixo pode se transformar em instrumento musical. Idealizado pelo baterista Luís Mesquita, mais conhecido como “Luisão”, o projeto Bate Lata busca oferecer uma atividade educativa para tirar os jovens da ociosidade e difundir princípios bíblicos, além de alertar para a consciência ambiental.

Para conseguir o material, Luisão recolheu parte do material do EcoVidas, um projeto de reciclagem da Igreja Batista Central de Fortaleza (IBC). Porém, decidiu entregá-los às crianças de uma forma diferente. Levou os materiais para uma casa de reabilitação e escondeu-os em locais estratégicos. Após uma partilha de experiências contada pelos internos, Luisão deu uma mensagem sobre trabalho em equipe.

No final, contou sobre as latas que encontrou para o projeto e pediu para os jovens pegá-las. “Foi uma experiência muito boa porque eles vivenciaram na prática o trabalho em equipe. E as palavras ditas pelos internos os fizeram refletir bastante. Eles contaram como as decisões erradas que fizeram mudou a vida deles, isso alertou os meninos a pensarem bem sobre o que eles queriam para o futuro”.

Para iniciar as atividades do projeto, Luisão fez uma lista de outros possíveis alunos e saiu pelo bairro procurando novos integrantes. Após a busca, agendou uma reunião, mas apenas dois jovens compareceram. Mesmo assim, o professor não desanimou, contou aos dois presentes qual era o seu sonho e a partir disso, eles foram chamando seus amigos para participar.

Um dos desafios enfrentados foi a vinda dos novos integrantes. Antes de conhecer o projeto, jovens costumavam pular o muro da igreja para jogar bola e muitas vezes foram expulsos pelos vigias, com isso eles pioravam o comportamento e se divertiam fazendo armadilhas para despistar os vigias. “A gente fazia o terror, eles tinham muita raiva da gente”, brinca uma das crianças.

Porém, depois que conheceram o Bate Lata, conheceram novos princípios e deixaram o mau comportamento para trás. A vontade de aprender a tocar um instrumento foi maior do que a de bagunçar. “Eu conheci o Luisão em uma aula de violão que ele deu lá no colégio. Ele me chamou e eu vim, tô gostando muito. No futuro eu quero ser músico mas quero cantar também”, almeja o estudante Alessandro Lima.

“A mãe de um deles veio aqui e me disse assim: ‘quando eu soube quem são os meninos que estão participando desse projeto eu disse logo que não iria dar certo porque quando esses meninos estão juntos nada presta. Eu vim aqui porque estou preocupada com meu filho’. Mas aí eu pedi pra ela ficar e acompanhar o trabalho. Ela não só gostou como se emocionou”, relembra o baterista Luisão.

Bate Lata

Criado em abril deste ano, o projeto atende a dez crianças e adolescentes. Três vezes por semana eles se reúnem para ensaiar. Na sexta-feira o grupo participa de uma partilha onde contam sobre o que aconteceu na semana, desde experiências positivas a negativas. Luís Mesquita lê uma passagem bíblica e em seguida realizam orações de agradecimento.

O idealizador do Bate Lata é músico profissional e doa parte do seu tempo para ensinar as crianças a tocarem um instrumento. “A morte para eles é algo normal, eles já se acostumaram. Alguns até já presenciaram um crime. Então eles precisam de mais apoio, de lazer, essa foi uma forma que eu encontrei de ajudá-los a ter um futuro”.

Após sete meses de criação, os integrantes do projeto já se apresentaram em público e procuram aprender a tocar outros instrumentos. A primeira apresentação foi na escola onde eles estudam, depois no anfiteatro da Beira-Mar durante a Copa do Mundo e, por último, na Igreja Batista de Fortaleza, com 4 mil pessoas no público.

“Dois jovens saíram do projeto para trabalhar, e isso é muito legal porque o projeto contribuiu para isso. As mães deles sempre os aconselhava para buscar um emprego mas eles não tinham interesse. Aqui eles aprenderam a se tornar bons cidadãos e agora estão em busca de novos desafios. Essa é a ideia, que eles lutem por um futuro melhor”, conclui.

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Lixo vira instrumento musical e muda a vida de jovens da periferia de Fortaleza

Três vezes por semana o grupo se reúne para ensaiar, com momentos reservados para o lazer e para a leitura bíblica

Por Rosana Romão em Cotidiano

19 de novembro de 2014 às 08:00

Há 3 anos
Bate Late atende jovens de 13 a 18 anos com aulas de bateria. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Bate Late atende jovens de 13 a 18 anos com aulas de bateria. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Latas de tinta e vasilhames secos depois de usados geralmente vão para o lixo. Mas para os jovens da comunidade Santa Fé, no Bairro Ancuri, de Fortaleza, esse lixo pode se transformar em instrumento musical. Idealizado pelo baterista Luís Mesquita, mais conhecido como “Luisão”, o projeto Bate Lata busca oferecer uma atividade educativa para tirar os jovens da ociosidade e difundir princípios bíblicos, além de alertar para a consciência ambiental.

Para conseguir o material, Luisão recolheu parte do material do EcoVidas, um projeto de reciclagem da Igreja Batista Central de Fortaleza (IBC). Porém, decidiu entregá-los às crianças de uma forma diferente. Levou os materiais para uma casa de reabilitação e escondeu-os em locais estratégicos. Após uma partilha de experiências contada pelos internos, Luisão deu uma mensagem sobre trabalho em equipe.

No final, contou sobre as latas que encontrou para o projeto e pediu para os jovens pegá-las. “Foi uma experiência muito boa porque eles vivenciaram na prática o trabalho em equipe. E as palavras ditas pelos internos os fizeram refletir bastante. Eles contaram como as decisões erradas que fizeram mudou a vida deles, isso alertou os meninos a pensarem bem sobre o que eles queriam para o futuro”.

Para iniciar as atividades do projeto, Luisão fez uma lista de outros possíveis alunos e saiu pelo bairro procurando novos integrantes. Após a busca, agendou uma reunião, mas apenas dois jovens compareceram. Mesmo assim, o professor não desanimou, contou aos dois presentes qual era o seu sonho e a partir disso, eles foram chamando seus amigos para participar.

Um dos desafios enfrentados foi a vinda dos novos integrantes. Antes de conhecer o projeto, jovens costumavam pular o muro da igreja para jogar bola e muitas vezes foram expulsos pelos vigias, com isso eles pioravam o comportamento e se divertiam fazendo armadilhas para despistar os vigias. “A gente fazia o terror, eles tinham muita raiva da gente”, brinca uma das crianças.

Porém, depois que conheceram o Bate Lata, conheceram novos princípios e deixaram o mau comportamento para trás. A vontade de aprender a tocar um instrumento foi maior do que a de bagunçar. “Eu conheci o Luisão em uma aula de violão que ele deu lá no colégio. Ele me chamou e eu vim, tô gostando muito. No futuro eu quero ser músico mas quero cantar também”, almeja o estudante Alessandro Lima.

“A mãe de um deles veio aqui e me disse assim: ‘quando eu soube quem são os meninos que estão participando desse projeto eu disse logo que não iria dar certo porque quando esses meninos estão juntos nada presta. Eu vim aqui porque estou preocupada com meu filho’. Mas aí eu pedi pra ela ficar e acompanhar o trabalho. Ela não só gostou como se emocionou”, relembra o baterista Luisão.

Bate Lata

Criado em abril deste ano, o projeto atende a dez crianças e adolescentes. Três vezes por semana eles se reúnem para ensaiar. Na sexta-feira o grupo participa de uma partilha onde contam sobre o que aconteceu na semana, desde experiências positivas a negativas. Luís Mesquita lê uma passagem bíblica e em seguida realizam orações de agradecimento.

O idealizador do Bate Lata é músico profissional e doa parte do seu tempo para ensinar as crianças a tocarem um instrumento. “A morte para eles é algo normal, eles já se acostumaram. Alguns até já presenciaram um crime. Então eles precisam de mais apoio, de lazer, essa foi uma forma que eu encontrei de ajudá-los a ter um futuro”.

Após sete meses de criação, os integrantes do projeto já se apresentaram em público e procuram aprender a tocar outros instrumentos. A primeira apresentação foi na escola onde eles estudam, depois no anfiteatro da Beira-Mar durante a Copa do Mundo e, por último, na Igreja Batista de Fortaleza, com 4 mil pessoas no público.

“Dois jovens saíram do projeto para trabalhar, e isso é muito legal porque o projeto contribuiu para isso. As mães deles sempre os aconselhava para buscar um emprego mas eles não tinham interesse. Aqui eles aprenderam a se tornar bons cidadãos e agora estão em busca de novos desafios. Essa é a ideia, que eles lutem por um futuro melhor”, conclui.