Litoral de Fortaleza ficar quase todo poluído é uma "vergonha", critica indústria do turismo
REFLEXO DAS CHUVAS

Litoral de Fortaleza ficar quase todo poluído é uma “vergonha”, critica indústria do turismo

Dos 31 pontos do litoral de Fortaleza, apenas três estão limpos. Representantes dos hotéis e dos guias criticam situação

Por Lyvia Rocha em Cotidiano

20 de abril de 2017 às 07:00

Há 4 meses
Apenas 3 prais de Fortaleza estão próprias para banho (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Apenas 3 praias de Fortaleza estão próprias para banho (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Fortaleza é conhecida pelas belas praias. Porém, toda essa beleza não é refletida em qualidade nas águas. No momento, apenas três praias da orla da Capital estão próprias para banho, de acordo com boletim divulgado na última semana pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). Um prejuízo sem tamanho para a imagem de uma cidade que vive do turismo.

Os trechos que estão aptos para o banho são na região Leste, entre os postos dos Bombeiros 2 e 3 da Praia de Futuro, e na região Central, entre a rua José Vilar e o Espigão da Desembargador Moreira, da Ind. Naval do Ceará (Inace) até o Aquário. Na parte Oeste, nenhuma praia está liberada para banho.

Esse fato que é recorrente, principalmente em épocas de chuvas na cidade, preocupa o setor de hotéis. Para o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis (ABIH), Eliseu Barros, isso é um caso que deveria ser resolvido já há muito tempo, para não prejudicar o turismo.

“Isso é a pior coisa para o turista. Ele é atraído pelo sol e mar, e quando não encontra por aqui vai para outro destino, ou para praias que ficam próximas, mas fora da Capital. Desta forma, torna Fortaleza apenas uma cidade dormitório“, alerta.

Eliseu Barros revelou que tem falado com os órgãos públicos para que esse problema seja solucionado, mas ainda não há um prazo para isso.

“Queremos um vigor a mais na fiscalização para esses esgotos clandestinos que são um dos responsáveis por poluir nossas praias. Essa poluição no mar tem prejudicado nosso fluxo de turista, porque ele não vem mais ou vai para praias distantes. Isso também se reflete no comércio, restaurantes e outros setores que precisam demais desses turistas”, explica.

Para Paulo Probo, presidente da Associação dos Guias Integrados ao Turismo Rodoviário (Agir), é complicado fidelizar um turista na cidade e indicar praias na Capital por conta desse problema de poluição.

“Infelizmente há um tempo que acontece isso das próprias ficarem impróprias. Nós ficamos entre a cruz e a espada, ficamos sem credencial para indicar banho nas praias daqui, pois quase todas estão sujas”, lamenta.

De mãos atadas, o profissional fala que uma cidade que se diz turística não pode enfrentar um problema como esse há tantos anos. “É muito ruim para nós que estamos na Capital, que falamos tanto em praias e não temos praias próprias para banho”, indica.

Por isso, os guias de turismo vão trabalhando em meio ao jeitinho. “Nós acabamos disfarçando isso e indicando para os turistas praias do litoral cearense, como Canoa Quebrada, Lagoinha, entre outras. O que acontece é lamentável, mas estamos nas mãos dos órgãos públicos para resolver essa problemática”, aponta.

Nesta semana, das praias do litoral de Fortaleza, apenas três das 31 praias monitoradas pela Semace estão consideradas próprias para banhos. Já as praias da Região Metropolitana estão todas próprias para o banho.

De forma positiva também se encontram as praias do litoral cearense. Dos 16 trechos examinados, apenas a amostra de Camocim se encontra imprópria. O monitoramento vai da praia da Baleia (Itapipoca) a de Bitupitá (Camocim), no litoral oeste, e da Tabubinha (Beberibe) a Redonda (Icapuí), no litoral leste.

Causas, consequências e solução

Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) explicou que a baixa balneabilidade está relacionada aos ciclos de chuva, que a água, por meio do escoamento superficial, conduz grandes quantidades de poluentes que se encontram nas ruas, calçadas, telhados e outros terrenos para as galerias pluviais, riachos e rios que deságuam no mar.

O órgão explica ainda que, em Fortaleza, essa poluição está relacionada com a infraestrutura sanitária (rede coletora de esgoto) e galeria de águas pluviais, que são uma das principais fontes de contaminação das águas superficiais e responsável pela degradação da qualidade das águas costeiras.

A grande causa acontece porque rios, riachos e galerias de águas pluviais que desaguam no mar lançando poluentes (resíduos sólidos e esgotos), desta forma, degradando a qualidade da água.

Para ajudar no combate à poluição, a Seuma promove o Programa Águas da Cidade, o qual é composto por várias iniciativas integradas, objetivando, sobretudo, a recuperação da qualidade dos recursos hídricos e orla de Fortaleza. As atividades promovidas possibilitam a conquista de melhores índices de balneabilidade.

Dentre as ações estão a fiscalização diária por denúncia ou busca ativa de imóveis não interligados à rede pública de esgoto e de possíveis ligações clandestinas; fiscalização das estações de tratamento de esgotos (ETEs) e de locais com atividades potencialmente poluidoras, sendo os responsáveis autuados quando efluentes são lançados fora dos padrões; e iniciativas de educação ambiental com sensibilização da população.

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REFLEXO DAS CHUVAS

Litoral de Fortaleza ficar quase todo poluído é uma “vergonha”, critica indústria do turismo

Dos 31 pontos do litoral de Fortaleza, apenas três estão limpos. Representantes dos hotéis e dos guias criticam situação

Por Lyvia Rocha em Cotidiano

20 de abril de 2017 às 07:00

Há 4 meses
Apenas 3 prais de Fortaleza estão próprias para banho (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Apenas 3 praias de Fortaleza estão próprias para banho (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Fortaleza é conhecida pelas belas praias. Porém, toda essa beleza não é refletida em qualidade nas águas. No momento, apenas três praias da orla da Capital estão próprias para banho, de acordo com boletim divulgado na última semana pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace). Um prejuízo sem tamanho para a imagem de uma cidade que vive do turismo.

Os trechos que estão aptos para o banho são na região Leste, entre os postos dos Bombeiros 2 e 3 da Praia de Futuro, e na região Central, entre a rua José Vilar e o Espigão da Desembargador Moreira, da Ind. Naval do Ceará (Inace) até o Aquário. Na parte Oeste, nenhuma praia está liberada para banho.

Esse fato que é recorrente, principalmente em épocas de chuvas na cidade, preocupa o setor de hotéis. Para o presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis (ABIH), Eliseu Barros, isso é um caso que deveria ser resolvido já há muito tempo, para não prejudicar o turismo.

“Isso é a pior coisa para o turista. Ele é atraído pelo sol e mar, e quando não encontra por aqui vai para outro destino, ou para praias que ficam próximas, mas fora da Capital. Desta forma, torna Fortaleza apenas uma cidade dormitório“, alerta.

Eliseu Barros revelou que tem falado com os órgãos públicos para que esse problema seja solucionado, mas ainda não há um prazo para isso.

“Queremos um vigor a mais na fiscalização para esses esgotos clandestinos que são um dos responsáveis por poluir nossas praias. Essa poluição no mar tem prejudicado nosso fluxo de turista, porque ele não vem mais ou vai para praias distantes. Isso também se reflete no comércio, restaurantes e outros setores que precisam demais desses turistas”, explica.

Para Paulo Probo, presidente da Associação dos Guias Integrados ao Turismo Rodoviário (Agir), é complicado fidelizar um turista na cidade e indicar praias na Capital por conta desse problema de poluição.

“Infelizmente há um tempo que acontece isso das próprias ficarem impróprias. Nós ficamos entre a cruz e a espada, ficamos sem credencial para indicar banho nas praias daqui, pois quase todas estão sujas”, lamenta.

De mãos atadas, o profissional fala que uma cidade que se diz turística não pode enfrentar um problema como esse há tantos anos. “É muito ruim para nós que estamos na Capital, que falamos tanto em praias e não temos praias próprias para banho”, indica.

Por isso, os guias de turismo vão trabalhando em meio ao jeitinho. “Nós acabamos disfarçando isso e indicando para os turistas praias do litoral cearense, como Canoa Quebrada, Lagoinha, entre outras. O que acontece é lamentável, mas estamos nas mãos dos órgãos públicos para resolver essa problemática”, aponta.

Nesta semana, das praias do litoral de Fortaleza, apenas três das 31 praias monitoradas pela Semace estão consideradas próprias para banhos. Já as praias da Região Metropolitana estão todas próprias para o banho.

De forma positiva também se encontram as praias do litoral cearense. Dos 16 trechos examinados, apenas a amostra de Camocim se encontra imprópria. O monitoramento vai da praia da Baleia (Itapipoca) a de Bitupitá (Camocim), no litoral oeste, e da Tabubinha (Beberibe) a Redonda (Icapuí), no litoral leste.

Causas, consequências e solução

Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) explicou que a baixa balneabilidade está relacionada aos ciclos de chuva, que a água, por meio do escoamento superficial, conduz grandes quantidades de poluentes que se encontram nas ruas, calçadas, telhados e outros terrenos para as galerias pluviais, riachos e rios que deságuam no mar.

O órgão explica ainda que, em Fortaleza, essa poluição está relacionada com a infraestrutura sanitária (rede coletora de esgoto) e galeria de águas pluviais, que são uma das principais fontes de contaminação das águas superficiais e responsável pela degradação da qualidade das águas costeiras.

A grande causa acontece porque rios, riachos e galerias de águas pluviais que desaguam no mar lançando poluentes (resíduos sólidos e esgotos), desta forma, degradando a qualidade da água.

Para ajudar no combate à poluição, a Seuma promove o Programa Águas da Cidade, o qual é composto por várias iniciativas integradas, objetivando, sobretudo, a recuperação da qualidade dos recursos hídricos e orla de Fortaleza. As atividades promovidas possibilitam a conquista de melhores índices de balneabilidade.

Dentre as ações estão a fiscalização diária por denúncia ou busca ativa de imóveis não interligados à rede pública de esgoto e de possíveis ligações clandestinas; fiscalização das estações de tratamento de esgotos (ETEs) e de locais com atividades potencialmente poluidoras, sendo os responsáveis autuados quando efluentes são lançados fora dos padrões; e iniciativas de educação ambiental com sensibilização da população.