Filha conhece o pai depois de 39 anos em incrível coincidência dentro de ônibus em Fortaleza

PRESENTE DO ACASO

Filha conhece o pai depois de 39 anos em incrível coincidência dentro de ônibus em Fortaleza

Joana D’arc Bezerra sentou ao lado de Francisco Nazaré Galvão e, quando disse o nome do pai que nunca conheceu, teve uma surpresa

Por Jéssica Welma em Cotidiano

26 de setembro de 2018 às 10:32

Há 3 meses
Joana e Francisco comprovaram a paternidade quase 40 anos depois do nascimento da manicure. (Foto: Divulgação/Defensoria Pública do Ceará)

Joana e Francisco comprovaram a paternidade quase 40 anos depois do nascimento dela. (Foto: Divulgação/Defensoria Pública do Ceará)

Por quase quatro décadas, a manicure Joana D’arc Bezerra só sabia o nome do pai, “Francisco Nazaré Galvão”, e o local onde ele trabalhava, “no Instituto de Previdência do Ceará”. Isso era tudo. Joana passou pela infância, pela adolescência e chegou à fase adulta com um espaço em branco na certidão de nascimento onde deveria constar o nome do pai.

O destino que Joana não procurou, um dia, cruzou seu caminho. E esse encontro não tem elementos de contos de fada, mas de vida o mais real possível: Joana e Francisco descobriram a paternidade sentados, um ao lado do outro, em um ônibus, pelas ruas de Fortaleza.

– O senhor vai pra onde?
– Eu vou trabalhar. Sou aposentado, mas ainda trabalho.
– O senhor trabalha onde?
– No Ipec (Instituto de Previdência do Estado do Ceará), que passou a ser denominado como Instituto de Saúde dos Servidores do Estado do Ceará (Issec), em 2007.
– Ah, o senhor trabalha no Ipec! Então é bem capaz de ser conhecido do meu pai. A minha mãe disse que ele trabalhava no Ipec, mas eu acho que ele não está mais nem aqui.
– Como é o nome do seu pai?
– Francisco Nazaré Galvão.
– Bem, se não for eu, é o meu irmão!
– E o senhor tem um irmão com o mesmo nome?
– Tenho!
– Pois quando o senhor encontrar com o seu irmão pergunte se ele namorou com a Lúcia…

Joana contou a história que ouviu da mãe durante sua vida: há 40 anos, a mãe engravidou, mas terminou o relacionamento com o pai antes do nascimento da filha. Eles perderam o contato desde então. Ao terminar o relato, Francisco tirou os óculos e as lágrimas caíram.

Era julho de 2017. A manicure pegou o ônibus da linha Borges de Melo, como era costume. Sentou-se e reparou que, ao lado, um senhor segurava um envelope com o nome que, anos atrás, ouviu a mãe dizer que pertencia ao pai que não a registrou.

Joana cresceu criada pela mãe e pelos avós maternos. Ela nunca foi procurá-lo, apesar de saber seu nome o local de trabalho. De repente, aquele estranho, de cabelos grisalhos, sentado ao seu lado no ônibus a remeteu a tudo isso. Ela puxou conversa e a história ganhou novos contornos.

“Eu fiz uma foto no dia em que o encontrei, mandei para minha mãe e contei o que havia acontecido. Ela confirmou: ele era o meu pai e quase infartou quando soube que nos conhecemos dentro do ônibus”, conta Joana.

Francisco Nazaré Galvão, de 75 anos, também nunca procurou saber sobre o paradeiro da namorada e da filha, um lamento que trazia consigo. “Se eu fosse procurar pelo o que eu não perdi, quando eu encontrasse eu não ia conhecer. Mas Deus fez melhor e nos colocou no mesmo caminho”, justificou, sem jeito, à filha.

No dia 21 de setembro de 2018, pouco mais de um ano desde o encontro, pai e filha receberam a confirmação daquilo que o coração já sabia desde a conversa no ônibus.

“Eu num dizia que você era a minha filha? Ela não acreditava, porque é difícil mesmo de acreditar nessa coincidência toda. Mas está aqui o papel que confirma tudo”, comemorou o pai que, 40 anos depois, via finalmente nascer a filha.

Se a distância emocional era grande, a distância física era o extremo oposto: eles moram no mesmo bairro, distantes quatro quarteirões um do outro. O ônibus da linha Borges de Melo é da rotina dos dois. Mesmo assim, demorou a chegar o dia em que os destinos realmente se cruzariam.

Agora, é hora de inserir o nome do pai no registro de nascimento, bem como oficializar o nome do avô na documentação do filho de 17 anos. O abraço de comemoração do resultado do DNA era forte como um elo jamais rompido.

Reconhecimento de paternidade

A defensora pública e supervisora do Núcleo Central de Atendimento, Andréa Rebouças, explica que o procedimento de reconhecimento de paternidade é realizado diretamente no cartório. “Munidos do resultado do DNA, não há necessidade de judicialização. Basta eles se dirigirem ao cartório onde Joana foi registrada e requerer o reconhecimento de paternidade tardia espontânea”, destaca.

A segunda via do documento, já com o nome do pai, é entregue em poucos dias. Depois, basta dirigir-se aos órgãos responsáveis pelas demais documentações para atualizar os dados. Em seguida, o procedimento é direcionado aos documentos do filho.

Sem o nome do pai

Assim como Joana D’arc, 5,5 milhões de crianças brasileiras também não têm o nome do pai no documento. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar de 2011.

Se o pai não participou do registro de seu filho e quer fazê-lo posteriormente, o reconhecimento pode ser realizado a qualquer tempo, é gratuito e realizado diretamente no cartório do registro dos filho.

De acordo com o Provimento nº 63, de 14 de novembro de 2017, do CNJ, a orientação é que o pedido seja feito, preferencialmente, no cartório em que a pessoa foi registrada, o que agiliza o processo.

A solicitação do reconhecimento espontâneo de paternidade pode ser feita pela mãe da criança, pelo próprio filho maior de 18 anos, ou ainda pelo pai que deseja confirmar sua paternidade. Para ser feita no cartório, os pais precisam ser maiores de 18 anos.

“A falta do nome da figura paternal nos documentos não é só um espaço em branco. Independentemente da forma que a criança, sua mãe e o restante da família lidam com isso, o registro sempre terá a ver com identidade e história. O reconhecimento é, além de uma obrigação jurídica, é um dever moral que tem um impacto significativo no desenvolvimento e na vida dos filhos”, complementa Andréa Rebouças.

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Filha conhece o pai depois de 39 anos em incrível coincidência dentro de ônibus em Fortaleza

Joana D’arc Bezerra sentou ao lado de Francisco Nazaré Galvão e, quando disse o nome do pai que nunca conheceu, teve uma surpresa

Por Jéssica Welma em Cotidiano

26 de setembro de 2018 às 10:32

Há 3 meses
Joana e Francisco comprovaram a paternidade quase 40 anos depois do nascimento da manicure. (Foto: Divulgação/Defensoria Pública do Ceará)

Joana e Francisco comprovaram a paternidade quase 40 anos depois do nascimento dela. (Foto: Divulgação/Defensoria Pública do Ceará)

Por quase quatro décadas, a manicure Joana D’arc Bezerra só sabia o nome do pai, “Francisco Nazaré Galvão”, e o local onde ele trabalhava, “no Instituto de Previdência do Ceará”. Isso era tudo. Joana passou pela infância, pela adolescência e chegou à fase adulta com um espaço em branco na certidão de nascimento onde deveria constar o nome do pai.

O destino que Joana não procurou, um dia, cruzou seu caminho. E esse encontro não tem elementos de contos de fada, mas de vida o mais real possível: Joana e Francisco descobriram a paternidade sentados, um ao lado do outro, em um ônibus, pelas ruas de Fortaleza.

– O senhor vai pra onde?
– Eu vou trabalhar. Sou aposentado, mas ainda trabalho.
– O senhor trabalha onde?
– No Ipec (Instituto de Previdência do Estado do Ceará), que passou a ser denominado como Instituto de Saúde dos Servidores do Estado do Ceará (Issec), em 2007.
– Ah, o senhor trabalha no Ipec! Então é bem capaz de ser conhecido do meu pai. A minha mãe disse que ele trabalhava no Ipec, mas eu acho que ele não está mais nem aqui.
– Como é o nome do seu pai?
– Francisco Nazaré Galvão.
– Bem, se não for eu, é o meu irmão!
– E o senhor tem um irmão com o mesmo nome?
– Tenho!
– Pois quando o senhor encontrar com o seu irmão pergunte se ele namorou com a Lúcia…

Joana contou a história que ouviu da mãe durante sua vida: há 40 anos, a mãe engravidou, mas terminou o relacionamento com o pai antes do nascimento da filha. Eles perderam o contato desde então. Ao terminar o relato, Francisco tirou os óculos e as lágrimas caíram.

Era julho de 2017. A manicure pegou o ônibus da linha Borges de Melo, como era costume. Sentou-se e reparou que, ao lado, um senhor segurava um envelope com o nome que, anos atrás, ouviu a mãe dizer que pertencia ao pai que não a registrou.

Joana cresceu criada pela mãe e pelos avós maternos. Ela nunca foi procurá-lo, apesar de saber seu nome o local de trabalho. De repente, aquele estranho, de cabelos grisalhos, sentado ao seu lado no ônibus a remeteu a tudo isso. Ela puxou conversa e a história ganhou novos contornos.

“Eu fiz uma foto no dia em que o encontrei, mandei para minha mãe e contei o que havia acontecido. Ela confirmou: ele era o meu pai e quase infartou quando soube que nos conhecemos dentro do ônibus”, conta Joana.

Francisco Nazaré Galvão, de 75 anos, também nunca procurou saber sobre o paradeiro da namorada e da filha, um lamento que trazia consigo. “Se eu fosse procurar pelo o que eu não perdi, quando eu encontrasse eu não ia conhecer. Mas Deus fez melhor e nos colocou no mesmo caminho”, justificou, sem jeito, à filha.

No dia 21 de setembro de 2018, pouco mais de um ano desde o encontro, pai e filha receberam a confirmação daquilo que o coração já sabia desde a conversa no ônibus.

“Eu num dizia que você era a minha filha? Ela não acreditava, porque é difícil mesmo de acreditar nessa coincidência toda. Mas está aqui o papel que confirma tudo”, comemorou o pai que, 40 anos depois, via finalmente nascer a filha.

Se a distância emocional era grande, a distância física era o extremo oposto: eles moram no mesmo bairro, distantes quatro quarteirões um do outro. O ônibus da linha Borges de Melo é da rotina dos dois. Mesmo assim, demorou a chegar o dia em que os destinos realmente se cruzariam.

Agora, é hora de inserir o nome do pai no registro de nascimento, bem como oficializar o nome do avô na documentação do filho de 17 anos. O abraço de comemoração do resultado do DNA era forte como um elo jamais rompido.

Reconhecimento de paternidade

A defensora pública e supervisora do Núcleo Central de Atendimento, Andréa Rebouças, explica que o procedimento de reconhecimento de paternidade é realizado diretamente no cartório. “Munidos do resultado do DNA, não há necessidade de judicialização. Basta eles se dirigirem ao cartório onde Joana foi registrada e requerer o reconhecimento de paternidade tardia espontânea”, destaca.

A segunda via do documento, já com o nome do pai, é entregue em poucos dias. Depois, basta dirigir-se aos órgãos responsáveis pelas demais documentações para atualizar os dados. Em seguida, o procedimento é direcionado aos documentos do filho.

Sem o nome do pai

Assim como Joana D’arc, 5,5 milhões de crianças brasileiras também não têm o nome do pai no documento. Os dados são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar de 2011.

Se o pai não participou do registro de seu filho e quer fazê-lo posteriormente, o reconhecimento pode ser realizado a qualquer tempo, é gratuito e realizado diretamente no cartório do registro dos filho.

De acordo com o Provimento nº 63, de 14 de novembro de 2017, do CNJ, a orientação é que o pedido seja feito, preferencialmente, no cartório em que a pessoa foi registrada, o que agiliza o processo.

A solicitação do reconhecimento espontâneo de paternidade pode ser feita pela mãe da criança, pelo próprio filho maior de 18 anos, ou ainda pelo pai que deseja confirmar sua paternidade. Para ser feita no cartório, os pais precisam ser maiores de 18 anos.

“A falta do nome da figura paternal nos documentos não é só um espaço em branco. Independentemente da forma que a criança, sua mãe e o restante da família lidam com isso, o registro sempre terá a ver com identidade e história. O reconhecimento é, além de uma obrigação jurídica, é um dever moral que tem um impacto significativo no desenvolvimento e na vida dos filhos”, complementa Andréa Rebouças.