Família de operário em coma não sabia que ele fazia "bico" em obra da varanda de prédio


Família de operário em coma não sabia que ele fazia “bico” em obra da varanda de prédio

Em razão de obra irregular no prédio, um operário morreu e dois ficaram feridos. Família de trabalhador em coma foi ao condomínio pedir providências sobre o caso

Por Roberta Tavares em Cotidiano

4 de Março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Esposa de operário acidentado, Maria Elza, pede providências sobre caso (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Esposa de operário acidentado, Maria Elza, pede providências sobre caso (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

A família dos operários que estão internados no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, após desabamento de varanda na última segunda-feira (2), esteve no prédio localizado no Bairro Meireles a fim de obter informações sobre as providências que devem ser tomadas.

Os irmãos Raimundo José do Nascimento, de 52 anos, e Gilvanir José do Nascimento, de 44 anos, estavam trabalhando no Edifício Versailles, quando foram atingidos pelo desabamento da laje do segundo andar do prédio. Segundo a esposa de Gilvanir, Maria Elza de Jesus do Nascimento, o acidente foi uma surpresa para a família. “Quase morro de susto. Eu nem sabia que ele estava trabalhando nesse prédio”, relatou em entrevista ao Tribuna do Ceará.

De acordo com ela, o marido é mestre de obra e não trabalhava com carteira assinada. “Ele fazia uns bicos. Não era emprego fixo não”, explicou. Gilvanir segue internado em coma no IJF. O operário está entubado e apresenta traumatismo craniano. O irmão Raimundo José do Nascimento, de 52 anos, fez tomografia, passa bem, mas ainda não recebeu alta médica. Já o operário Valdízio Moreira Nunes morreu na hora.

A esposa de Raimundo, Firmina de Souza, ainda não sabe o que será feito daqui por diante. O advogado do condomínio – que não quis se identificar – e os técnicos da Defesa Civil e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia receberam a família. “Viemos pegar o endereço para ir à delegacia. Disseram para procuramos uma assistente social, ainda não sabemos muito o que fazer. Espero que o melhor aconteça”, concluiu Firmina.

Relatório da obra

De acordo com o coordenador Especial de Proteção e Defesa Civil, Cristiano Férrer, a obra estava sendo construída irregularmente. “O documento que nos foi apresentado foi uma ART [Anotação de Responsabilidade Técnica] às 15h, sem comprovante de pagamento, ou seja, não tinha valor porque não foi registrado. Um documento produzido de última hora, ainda estamos avaliando a veracidade disso”, antecipa.

Dessa forma, o condomínio segue interditado desde segunda-feira e será liberado após reforma a ser executada pela administração do prédio. “As famílias só vão voltar para cá quando houver a conclusão da obra”, explica Cristiano. Não há prazo determinado para o retorno das famílias aos apartamentos. O Tribuna do Ceará tentou contato com moradores do condomínio, mas nenhum quis se pronunciar sobre o acidente.

Acompanhe o caso:

2 de março – Varanda de apartamento de área nobre de Fortaleza desaba e causa uma morte

3 de março – Prédio cuja varanda desabou não tinha registro válido para realizar reforma

3 de março – Moradores já haviam alertado construtora de que prédio apresentava rachaduras

3 de março – Prédio do Meireles corre risco de novos desabamentos em outras varandas

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Família de operário em coma não sabia que ele fazia “bico” em obra da varanda de prédio

Em razão de obra irregular no prédio, um operário morreu e dois ficaram feridos. Família de trabalhador em coma foi ao condomínio pedir providências sobre o caso

Por Roberta Tavares em Cotidiano

4 de Março de 2015 às 07:00

Há 4 anos
Esposa de operário acidentado, Maria Elza, pede providências sobre caso (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

Esposa de operário acidentado, Maria Elza, pede providências sobre caso (FOTO: Roberta Tavares/Tribuna do Ceará)

A família dos operários que estão internados no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, após desabamento de varanda na última segunda-feira (2), esteve no prédio localizado no Bairro Meireles a fim de obter informações sobre as providências que devem ser tomadas.

Os irmãos Raimundo José do Nascimento, de 52 anos, e Gilvanir José do Nascimento, de 44 anos, estavam trabalhando no Edifício Versailles, quando foram atingidos pelo desabamento da laje do segundo andar do prédio. Segundo a esposa de Gilvanir, Maria Elza de Jesus do Nascimento, o acidente foi uma surpresa para a família. “Quase morro de susto. Eu nem sabia que ele estava trabalhando nesse prédio”, relatou em entrevista ao Tribuna do Ceará.

De acordo com ela, o marido é mestre de obra e não trabalhava com carteira assinada. “Ele fazia uns bicos. Não era emprego fixo não”, explicou. Gilvanir segue internado em coma no IJF. O operário está entubado e apresenta traumatismo craniano. O irmão Raimundo José do Nascimento, de 52 anos, fez tomografia, passa bem, mas ainda não recebeu alta médica. Já o operário Valdízio Moreira Nunes morreu na hora.

A esposa de Raimundo, Firmina de Souza, ainda não sabe o que será feito daqui por diante. O advogado do condomínio – que não quis se identificar – e os técnicos da Defesa Civil e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia receberam a família. “Viemos pegar o endereço para ir à delegacia. Disseram para procuramos uma assistente social, ainda não sabemos muito o que fazer. Espero que o melhor aconteça”, concluiu Firmina.

Relatório da obra

De acordo com o coordenador Especial de Proteção e Defesa Civil, Cristiano Férrer, a obra estava sendo construída irregularmente. “O documento que nos foi apresentado foi uma ART [Anotação de Responsabilidade Técnica] às 15h, sem comprovante de pagamento, ou seja, não tinha valor porque não foi registrado. Um documento produzido de última hora, ainda estamos avaliando a veracidade disso”, antecipa.

Dessa forma, o condomínio segue interditado desde segunda-feira e será liberado após reforma a ser executada pela administração do prédio. “As famílias só vão voltar para cá quando houver a conclusão da obra”, explica Cristiano. Não há prazo determinado para o retorno das famílias aos apartamentos. O Tribuna do Ceará tentou contato com moradores do condomínio, mas nenhum quis se pronunciar sobre o acidente.

Acompanhe o caso:

2 de março – Varanda de apartamento de área nobre de Fortaleza desaba e causa uma morte

3 de março – Prédio cuja varanda desabou não tinha registro válido para realizar reforma

3 de março – Moradores já haviam alertado construtora de que prédio apresentava rachaduras

3 de março – Prédio do Meireles corre risco de novos desabamentos em outras varandas