Doze trabalhadores em condição de escravidão são resgatados em prédio abandonado de Fortaleza

SITUAÇÃO DEGRADANTE

Doze trabalhadores em condição de escravidão são resgatados em prédio abandonado de Fortaleza

Os trabalhadores eram oriundos de cidades do Interior e permaneciam durante a semana em prédio sem estrutura física adequada, além da ausência de outros direitos

Por Crisneive Silveira em Cotidiano

12 de julho de 2018 às 14:40

Há 1 semana
prédio, trabalhadores, escravidão

Doze trabalhadores são encontrados em condições semelhantes a de trabalho escravo em prédio de Fortaleza. (FOTO: Divulgação/Ministério do Trabalho)

Doze trabalhadores da construção civil foram resgatados na noite desta quarta-feira (11) em um edifício abandonado na avenida Rogaciano Leite, em Fortaleza. No local, foram identificadas condições que caracterizam trabalho escravo, como ausência de trato sanitário e de iluminação, além de irregularidades trabalhistas, já que o grupo não possuía carteira assinada, não tirava férias e morava ali há cerca de sete anos.

Ministério do Trabalho (MT), Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal (PF) participaram da operação e também investigam envolvidos.

Segundo Daniel Arêa, chefe da fiscalização do Ministério do Trabalho, o grupo foi encontrado em condições de escravidão. No prédio, a iluminação é precária, feita de forma clandestina, trazendo risco de incêndio. Além disso, não há instalação sanitária.

Os trabalhadores, que têm entre 40 e 50 anos, vieram das cidades de Aracoiaba e Beberibe, no interior do Estado, e faziam as necessidades fisiológicas no matagal em torno do edifício.

O fiscal também conta que o lixo era depositado dentro do próprio edifício, já que não é uma residência registrada e por isso não há coleta. O prédio, abandonado e ainda em construção, está somente no reboco, um ambiente onde paredes e piso não são higiênicos. As cozinhas também eram improvisadas e sujas. Os trabalhadores ficavam no local durante a semana e voltavam para os interiores nos fins de semana.

Aliciamento

“Eles viviam num ambiente totalmente degradante e sem carteira assinada. Sete anos numa situação dessas, sem tirar férias, 13º salário, FGTS… Foi uma violação também dos direitos dos empregados. Total desrespeito à dignidade da pessoa humana. Até sem água potável… Nem sei de onde a água era. A alimentação era precária, eles comiam basicamente ovo, arroz e feijão e não houve nenhuma providência do empregador”, explicou Daniel Arêa. Ainda não se sabe sobre a responsabilidade da obra.

De acordo com o fiscal, havia uma cadeia de aliciamento e recrutamento desses trabalhadores no interior do Estado. “Havia uma pessoa que morava lá junto (com os trabalhadores), era como se fosse o líder da obra. Ele tinha contato direto com a pessoa que fazia aliciamento e essa pessoa tem contato direto com o empreiteiro e ele com a construtora. Estamos investigando para chegar ao final dessa cadeia”, disse o chefe de fiscalização do Ministério do Trabalho.

Trabalhadores resgatados
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Doze trabalhadores são encontrados em condições semelhantes a de trabalho escravo em prédio de Fortaleza. (FOTO: Divulgação/Ministério do Trabalho)

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Doze trabalhadores são encontrados em condições semelhantes a de trabalho escravo em prédio de Fortaleza. (FOTO: Divulgação/Ministério do Trabalho)

 

Foram também colhidas informações de que, há um ano, um funcionário caiu no fosso do elevador e ficou dez meses hospitalizado. O homem já não trabalha mais para a empresa, mas o Ministério do Trabalho está em busca de identificá-lo para garantir seus direitos.

“Eles foram retirados imediatamente e levados para um lugar digno e conhecido. Eles terão seus contratos rescindidos, seguro-desemprego especial, que é dado para trabalhadores encontrados nessa situação; e as penalidades da empresa serão os autos de infração tanto para o MPT, que vai dar procedimento ao processo na seara trabalhista, e ao MPF para tomar providências junto à seara criminal”, pontuou Daniel Arêa.

A fiscalização do Ministério do Trabalho foi responsável por executar a operação de resgate, garantir o pagamento dos direitos e autuar a empresa. Depois de MT e MPT, o relatório do trâmite chega ao Ministério Público Federal para que seja realizada a denúncia.

O fiscal ressalta que os trabalhadores tinha consciência da irregularidade da situação, mas se obrigavam a permanecer para garantir o sustento da família. “Eles se sujeitam a esse tipo de situação porque é necessidade, mas isso não justifica que o trabalhador não possa ter seus direitos”, ressalta Arêa.

A operação, que teve início após denúncia anônima, continua para descobrir todos os responsáveis.

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SITUAÇÃO DEGRADANTE

Doze trabalhadores em condição de escravidão são resgatados em prédio abandonado de Fortaleza

Os trabalhadores eram oriundos de cidades do Interior e permaneciam durante a semana em prédio sem estrutura física adequada, além da ausência de outros direitos

Por Crisneive Silveira em Cotidiano

12 de julho de 2018 às 14:40

Há 1 semana
prédio, trabalhadores, escravidão

Doze trabalhadores são encontrados em condições semelhantes a de trabalho escravo em prédio de Fortaleza. (FOTO: Divulgação/Ministério do Trabalho)

Doze trabalhadores da construção civil foram resgatados na noite desta quarta-feira (11) em um edifício abandonado na avenida Rogaciano Leite, em Fortaleza. No local, foram identificadas condições que caracterizam trabalho escravo, como ausência de trato sanitário e de iluminação, além de irregularidades trabalhistas, já que o grupo não possuía carteira assinada, não tirava férias e morava ali há cerca de sete anos.

Ministério do Trabalho (MT), Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Federal (PF) participaram da operação e também investigam envolvidos.

Segundo Daniel Arêa, chefe da fiscalização do Ministério do Trabalho, o grupo foi encontrado em condições de escravidão. No prédio, a iluminação é precária, feita de forma clandestina, trazendo risco de incêndio. Além disso, não há instalação sanitária.

Os trabalhadores, que têm entre 40 e 50 anos, vieram das cidades de Aracoiaba e Beberibe, no interior do Estado, e faziam as necessidades fisiológicas no matagal em torno do edifício.

O fiscal também conta que o lixo era depositado dentro do próprio edifício, já que não é uma residência registrada e por isso não há coleta. O prédio, abandonado e ainda em construção, está somente no reboco, um ambiente onde paredes e piso não são higiênicos. As cozinhas também eram improvisadas e sujas. Os trabalhadores ficavam no local durante a semana e voltavam para os interiores nos fins de semana.

Aliciamento

“Eles viviam num ambiente totalmente degradante e sem carteira assinada. Sete anos numa situação dessas, sem tirar férias, 13º salário, FGTS… Foi uma violação também dos direitos dos empregados. Total desrespeito à dignidade da pessoa humana. Até sem água potável… Nem sei de onde a água era. A alimentação era precária, eles comiam basicamente ovo, arroz e feijão e não houve nenhuma providência do empregador”, explicou Daniel Arêa. Ainda não se sabe sobre a responsabilidade da obra.

De acordo com o fiscal, havia uma cadeia de aliciamento e recrutamento desses trabalhadores no interior do Estado. “Havia uma pessoa que morava lá junto (com os trabalhadores), era como se fosse o líder da obra. Ele tinha contato direto com a pessoa que fazia aliciamento e essa pessoa tem contato direto com o empreiteiro e ele com a construtora. Estamos investigando para chegar ao final dessa cadeia”, disse o chefe de fiscalização do Ministério do Trabalho.

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Doze trabalhadores são encontrados em condições semelhantes a de trabalho escravo em prédio de Fortaleza. (FOTO: Divulgação/Ministério do Trabalho)

 

Foram também colhidas informações de que, há um ano, um funcionário caiu no fosso do elevador e ficou dez meses hospitalizado. O homem já não trabalha mais para a empresa, mas o Ministério do Trabalho está em busca de identificá-lo para garantir seus direitos.

“Eles foram retirados imediatamente e levados para um lugar digno e conhecido. Eles terão seus contratos rescindidos, seguro-desemprego especial, que é dado para trabalhadores encontrados nessa situação; e as penalidades da empresa serão os autos de infração tanto para o MPT, que vai dar procedimento ao processo na seara trabalhista, e ao MPF para tomar providências junto à seara criminal”, pontuou Daniel Arêa.

A fiscalização do Ministério do Trabalho foi responsável por executar a operação de resgate, garantir o pagamento dos direitos e autuar a empresa. Depois de MT e MPT, o relatório do trâmite chega ao Ministério Público Federal para que seja realizada a denúncia.

O fiscal ressalta que os trabalhadores tinha consciência da irregularidade da situação, mas se obrigavam a permanecer para garantir o sustento da família. “Eles se sujeitam a esse tipo de situação porque é necessidade, mas isso não justifica que o trabalhador não possa ter seus direitos”, ressalta Arêa.

A operação, que teve início após denúncia anônima, continua para descobrir todos os responsáveis.