Direção de centro universitário apoia estudantes em protesto contra machismo

PROTESTO

Direção de centro universitário apoia estudantes em protesto contra machismo

Estudantes criaram um time de futebol com o nome “Habeas Pernas” e um brasão com uma ilustração de uma mulher em posição pornográfica

Por Ana Clara Jovino em Cotidiano

10 de Abril de 2017 às 18:26

Há 8 meses

Os manifestantes gritavam as palavras de ordem “Machistas Não Passarão” (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Cerca de 150 pessoas, entre estudantes e professores do Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7), se reuniram no pátio central da instituição, na manhã desta segunda-feira (10), enquanto gritavam as palavras de ordem “Machistas Não Passarão”. Outro protesto está marcado para às 20h desta segunda.

A manifestação foi para chamar a atenção para uma atitude considerada machista de estudantes de Direito de colocarem o nome “Habeas Pernas” e um brasão com uma ilustração de uma mulher em posição pornográfica no time de futebol que eles criaram. A criação foi feita para um campeonato, realizado periodicamente entre alunos do curso.

As organizadoras do protesto se vestiram de preto para identificar o movimento. A estudante de Direito Amanda Campos acredita que conseguiram chegar ao objetivo da manifestação. “Sem dúvidas conseguimos atingir o objetivo, a UNI7 já se pronunciou e a direção está do nosso lado”, justifica.

Amanda afirma que a principal causa para realizarem o protesto é para que o caso seja encarado com seriedade e não como uma brincadeira ou piada, como os integrantes do time afirmaram.

A estudante ainda se preocupa que estudantes de Direito tenham uma atitude como essa. “É absurdo pensar que eles serão nossos defensores daqui a poucos anos”.

“Não queremos crucificar os meninos do time, a faculdade ou o centro acadêmico. O que queremos é o mínimo de respeito aqui dentro. Queríamos que o nome e o escudo não tivessem sequer passado pela inscrição”, esclarece.

As organizadoras se vestiram de preto para identificar o movimento (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Em nota de esclarecimento, o centro acadêmico Agerson Tabosa (Caat), que organizou o torneio, afirmou não ter sido apresentado ao escudo no momento da inscrição do time e que não presumiu o caráter machista do nome da equipe.

“Habeas Pernas, apenas o nome, de forma razoável, pode ser entendido como um trocadilho com a prática futebolística de driblar ou, em outras palavras, passar a bola entre as pernas do adversário”, diz a nota.

O CA ainda afirmou ter entrado em contato com os integrantes do time, no sábado (8), dia em que foi realizado o campeonato, solicitando que o símbolo da equipe fosse coberto durante as partidas, o que teria sido aceito. No entanto, as fitas adesivas usadas para cobrir o escudo desprenderam-se dos uniformes durante as partidas e não foram repostas “em razão do tardar da noite e da natureza sucessiva dos jogos”.

“Ainda que toda a situação deva ser discutida de forma pública e razoável, mostrou-se impossível, no dia do evento, alguma posição do Caat de forma mais incisiva, uma vez que, para tal, mostra-se necessária uma apuração séria de todos os fatos, o que, por sua vez, precisa de tempo. Se tomássemos alguma medida mais séria sem qualquer deliberação apurada e sem previsão no regulamento, seria um demonstrativo de inconsequência, o que não condiz com a atuação de um Caat sério”.

Organizadores do torneio afirmaram não ter tomado conhecimento do escudo do time no momento da inscrição (FOTO: Reprodução/Facebook)

A exclusão da equipe do campeonato, como exigida pelos manifestantes, não combinaria com a “promoção do companheirismo e descontração” buscada pela competição. A exclusão também acarretaria, argumenta o CA, no cancelamento do evento. O centro acadêmico afirmou que, a partir da próxima edição do torneio, o regulamento impedirá “qualquer forma de manifestação machista ou que incite violência de qualquer natureza”. Também afirma que será promovida uma reunião geral pública, debatendo o tema.

Após a publicação desta matéria, a Uni7 divulgou nota de esclarecimento. Confira o texto na íntegra:

Habeas Respeito
Habeas, do latim “ter”.
No último sábado (08/04/2017), em um campeonato de futebol organizado pelo Centro Acadêmico Agerson Tabosa (CAAT), participaram três times com nomes e símbolos ofensivos e machistas. O CAAT é a entidade representativa dos estudantes do curso de Direito.

A UNI7 incentiva a participação autônoma dos alunos nos centros acadêmicos, ao mesmo tempo em que repudia qualquer ato de desrespeito e preconceito. A UNI7 tem compromisso com um ambiente ético e entende que a abertura para pluralidade de ideias não deve se confundir com espaço de ações discriminatórias ou misóginas.

Diante dos fatos e após ouvir o CAAT, a UNI7 iniciou os procedimentos acadêmicos previstos em seu regimento interno. A Instituição valoriza as manifestações dos alunos no debate sobre a questão do respeito nas relações Sociais.

A mediação de conflitos como o atual, por meio do diálogo envolvendo toda a comunidade acadêmica, é central ao trabalho da UNI7 na construção de um mundo mais justo e respeitoso por meio da educação.

UNI7 – Centro Universitário 7 de Setembro”

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Direção de centro universitário apoia estudantes em protesto contra machismo

Estudantes criaram um time de futebol com o nome “Habeas Pernas” e um brasão com uma ilustração de uma mulher em posição pornográfica

Por Ana Clara Jovino em Cotidiano

10 de Abril de 2017 às 18:26

Há 8 meses

Os manifestantes gritavam as palavras de ordem “Machistas Não Passarão” (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Cerca de 150 pessoas, entre estudantes e professores do Centro Universitário 7 de Setembro (UNI7), se reuniram no pátio central da instituição, na manhã desta segunda-feira (10), enquanto gritavam as palavras de ordem “Machistas Não Passarão”. Outro protesto está marcado para às 20h desta segunda.

A manifestação foi para chamar a atenção para uma atitude considerada machista de estudantes de Direito de colocarem o nome “Habeas Pernas” e um brasão com uma ilustração de uma mulher em posição pornográfica no time de futebol que eles criaram. A criação foi feita para um campeonato, realizado periodicamente entre alunos do curso.

As organizadoras do protesto se vestiram de preto para identificar o movimento. A estudante de Direito Amanda Campos acredita que conseguiram chegar ao objetivo da manifestação. “Sem dúvidas conseguimos atingir o objetivo, a UNI7 já se pronunciou e a direção está do nosso lado”, justifica.

Amanda afirma que a principal causa para realizarem o protesto é para que o caso seja encarado com seriedade e não como uma brincadeira ou piada, como os integrantes do time afirmaram.

A estudante ainda se preocupa que estudantes de Direito tenham uma atitude como essa. “É absurdo pensar que eles serão nossos defensores daqui a poucos anos”.

“Não queremos crucificar os meninos do time, a faculdade ou o centro acadêmico. O que queremos é o mínimo de respeito aqui dentro. Queríamos que o nome e o escudo não tivessem sequer passado pela inscrição”, esclarece.

As organizadoras se vestiram de preto para identificar o movimento (FOTO: Reprodução/Whatsapp)

Em nota de esclarecimento, o centro acadêmico Agerson Tabosa (Caat), que organizou o torneio, afirmou não ter sido apresentado ao escudo no momento da inscrição do time e que não presumiu o caráter machista do nome da equipe.

“Habeas Pernas, apenas o nome, de forma razoável, pode ser entendido como um trocadilho com a prática futebolística de driblar ou, em outras palavras, passar a bola entre as pernas do adversário”, diz a nota.

O CA ainda afirmou ter entrado em contato com os integrantes do time, no sábado (8), dia em que foi realizado o campeonato, solicitando que o símbolo da equipe fosse coberto durante as partidas, o que teria sido aceito. No entanto, as fitas adesivas usadas para cobrir o escudo desprenderam-se dos uniformes durante as partidas e não foram repostas “em razão do tardar da noite e da natureza sucessiva dos jogos”.

“Ainda que toda a situação deva ser discutida de forma pública e razoável, mostrou-se impossível, no dia do evento, alguma posição do Caat de forma mais incisiva, uma vez que, para tal, mostra-se necessária uma apuração séria de todos os fatos, o que, por sua vez, precisa de tempo. Se tomássemos alguma medida mais séria sem qualquer deliberação apurada e sem previsão no regulamento, seria um demonstrativo de inconsequência, o que não condiz com a atuação de um Caat sério”.

Organizadores do torneio afirmaram não ter tomado conhecimento do escudo do time no momento da inscrição (FOTO: Reprodução/Facebook)

A exclusão da equipe do campeonato, como exigida pelos manifestantes, não combinaria com a “promoção do companheirismo e descontração” buscada pela competição. A exclusão também acarretaria, argumenta o CA, no cancelamento do evento. O centro acadêmico afirmou que, a partir da próxima edição do torneio, o regulamento impedirá “qualquer forma de manifestação machista ou que incite violência de qualquer natureza”. Também afirma que será promovida uma reunião geral pública, debatendo o tema.

Após a publicação desta matéria, a Uni7 divulgou nota de esclarecimento. Confira o texto na íntegra:

Habeas Respeito
Habeas, do latim “ter”.
No último sábado (08/04/2017), em um campeonato de futebol organizado pelo Centro Acadêmico Agerson Tabosa (CAAT), participaram três times com nomes e símbolos ofensivos e machistas. O CAAT é a entidade representativa dos estudantes do curso de Direito.

A UNI7 incentiva a participação autônoma dos alunos nos centros acadêmicos, ao mesmo tempo em que repudia qualquer ato de desrespeito e preconceito. A UNI7 tem compromisso com um ambiente ético e entende que a abertura para pluralidade de ideias não deve se confundir com espaço de ações discriminatórias ou misóginas.

Diante dos fatos e após ouvir o CAAT, a UNI7 iniciou os procedimentos acadêmicos previstos em seu regimento interno. A Instituição valoriza as manifestações dos alunos no debate sobre a questão do respeito nas relações Sociais.

A mediação de conflitos como o atual, por meio do diálogo envolvendo toda a comunidade acadêmica, é central ao trabalho da UNI7 na construção de um mundo mais justo e respeitoso por meio da educação.

UNI7 – Centro Universitário 7 de Setembro”