Cemitério mais antigo de Fortaleza tem jazigos de personalidades históricas do Ceará


Cemitério mais antigo de Fortaleza tem jazigos de personalidades históricas do Ceará

Além dos grandes nomes cearenses sepultados no cemitério São João Batista, a arquitetura, decoração e histórias curiosas são destaque no local

Por Rosana Romão em Cotidiano

16 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Cemitério une rua Padre Mororó até à Avenida Filomeno Gomes. Trajeto também é usado como atalho para chegar mais rápido de uma rua para outra. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Cemitério une rua Padre Mororó até à Avenida Filomeno Gomes. Trajeto também é usado como atalho para chegar mais rápido de uma rua para outra. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Entre a dor, saudade e orações está a rua Padre Mororó. Silenciosa e pouco movimentada, a rua abriga um local que não é tão cobiçado: o cemitério São João Batista. O cemitério mais antigo de Fortaleza abriga lápides com nomes importantes para a história e cultura cearense. General Sampaio, Juvenal Galeno, Barão de Camocim e Moreira Campos são algumas personalidades que descansam no lugar.

Logo na entrada, os túmulos mais famosos atraem por sua suntuosidade. É o caso da lápide do militar brasileiro e herói da guerra da Tríplice Aliança, General Sampaio. Por ter participado das principais guerras travadas pelo Exército brasileiro e sua bravura nas batalhas, é patrono da arma de infantaria do Brasil. O advogado, jornalista e político Caio Prado, que foi citado pelo escritor Adolfo Caminha no romance A Normalista, também foi sepultado no local. Outros nomes como o do empresário e político Carlos Jereissati, do poeta Rogaciano Leite e do religioso Frei Tito, preso pela ditadura militar, estão esculpidos nas lápides.

A estruturação das vias de Fortaleza foi desenvolvida pelo arquiteto Adolfo Herbster, que prezava pela simetria e buscava dividir a cidade em paralelogramos. Ele criou a planta da Fortaleza entre 1852 e 1875. Seu corpo foi enterrado na mesma cidade que o projetara, e jaz no São João Batista. O farmacêutico que comandou, mesmo sem apoio governamental, uma campanha de vacinação contra a epidemia da varíola, Rodolpho Teófilo, é outro nome importante para a história do Ceará enterrado no cemitério.

A arquitetura é uma característica que chama atenção à primeira vista. Colunas, esculturas e efígies vistosas decoram o terreno de areia fofa. Algo que impressiona é a expressão “bronze do cemitério” usada pelos funcionários para descontrair os visitantes. Acostumados a trabalhar a céu aberto, eles brincam com os visitantes que estando a poucos minutos no local reclamam do calor.

O contraste de jazigos decorados com flores e plantas e os que nem mesmo possuem uma lápide visível causa estranhamento. O fato é que esse tipo de decoração é feita pelos familiares e amigos do falecido. Ou seja, os túmulos que não possuem sequer uma lápide são vistos como abandonados e causam um sentimento de solidariedade aos visitantes.

Pode-se perceber a discrepância da decoração entre os túmulos dos escritores Juvenal Galeno, que possui apenas um vaso com uma planta seca, e Moreira Campos, completamente rodeado e adornado de várias vegetações. Impossível passar pelo local e não sentir compaixão pelos finados. “A gente tenta fazer uma marcação porque às vezes as pessoas passam e nem sabe que aqui tem uma pessoa enterrada”, lamenta a auxiliar administrativa Layane Gadelha.

É fato que cemitérios são conhecidos como cenário de contos e filmes de terror, mas para quem trabalha no São João Batista não há tanto receio assim. A tranquilidade é apontada como um fator positivo e o convívio entre os colegas é quase um relacionamento familiar. Ao caminhar pelos jazigos, você escuta os coveiros conversando com os pedreiros sobre assuntos do cotidiano com uma intimidade que só amigos de longos anos possuem.

Pequena Lúcia: para uns, retrato de criança é mal assombrado, para outros, a menina é milagreira. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Pequena Lúcia: para uns, retrato de criança é mal assombrado, para outros, a menina é milagreira. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Algumas histórias ganham fama através dessas conversas informais, como o caso da pequena Lúcia, que viveu por apenas dois anos. Ela é irmã de Luiza Távora, primeira-dama do Ceará durante os dois mandatos de Virgílio Távora. As duas irmãs estão enterradas no mesmo jazigo que possui uma efígie bem curiosa. A imagem da pequena Lúcia está no alto de uma coluna e costuma assustar os visitantes. O motivo se dá em virtude do olhar fixo da criança. “Uma moça já passou mal por ter olhado pra foto. Geralmente as pessoas têm medo”, explica a guia Layane Gadelha.

Mas além da imagem curiosa há outro detalhe que chama a atenção. O túmulo possui doces, pipoca e balões como decoração. Trata-se de um ritual do imaginário popular: sempre que os visitantes colocam esses atrativos infantis em cima do túmulo de uma criança, a alma do finado vai até o local, come os doces, brinca com os balões e depois vai embora. É uma prática utilizada por quem deseja estar perto daquela alma. No caso da pequena Lúcia, as pessoas desejam estar perto da sua alma porque a menina tem fama de milagreira. Assim, costuma-se repetir a tradição para alcançar uma prece. Uma vez atendida, a pessoa volta ao local para agradecer pelo milagre alcançado. Por isso, o túmulo da pequena Lúcia possui algumas placas de agradecimento e é bastante visitado.

História

Inaugurado em 1866, o cemitério tem 95 mil m². É bastante visitado por escolas para que os alunos possam conhecer um pouco da história cearense e de personalidades ilustres que fizeram história no estado.

Datas comemorativas como Dia dos Pais, Dia das Mães e até Dia das Crianças costumam encher o cemitério de visitantes, mas o Dia de Finados é disparado o mais frequentado. Ponto positivo para os comerciantes que vivem do consumo desses visitantes em suas lanchonetes. Semanalmente o cemitério abre às 7h e fecha às 17h. Depois desse horário não é mais possível visitar o local, por qualquer que seja o fim da visita.

Apesar da fama de mal assombrado, o lugar é bem arborizado e com um visual atrativo, que une desde a rua Padre Mororó até à Avenida Filomeno Gomes, no bairro Jacarecanga. Além de refletir um pouco sobre a morte ao caminhar pelos finados, é possível dar um novo significado à vida, que passa a ter um valor mais intenso. E por que não valorizar a vida aprendendo um pouco da história cearense inspirando-se nos grandes feitos que esses ilustres personagens? Por fim, entre a dor, a saudade e as orações que cercam o cemitério São João Batista.

Confira outros nomes cearenses sepultados no local:

Cemitério São João Batista têm jazigos de personalidades históricas do Ceará
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Túmulo de General Sampaio. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do político Thomaz Pompeo de Souza Brasil. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do jornalista Antônio Caio da Silva Prado. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do jornalista Antônio Caio da Silva Prado. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do senador Virgílio Távora. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Jazigo da família de Dr. João Guilherme Studart. Local onde Barão de Studart está sepultado. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Jazigo da família de Dr. João Guilherme Studart. Local onde Barão de Studart está sepultado. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Jazigo da damília Aziz K Jereissati. FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Dr. Gonçalo Baptista Vieira, o Barão de Aquiraz. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo da Baronesa de São Leonardo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo da Baronesa de São Leonardo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do político Manuel Fernandes Vieira. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do arquiteto Adolfo Herbster. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do farmacêutico Rodolpho Teófilo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do farmacêutico Rodolpho Teófilo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Barão de Camocim. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Barão e Baronesa de Aratanha. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Desembargador Moreira da Rocha. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Desembargador Moreira da Rocha. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo dos escritores Moreira Campos e sua filha Natércia Campos. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Frei Tito de Alencar Lima. Túmulo dos escritores Moreira Campos e sua filha Natércia Campos. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Frei Tito de Alencar Lima. Túmulo dos escritores Moreira Campos e sua filha Natércia Campos. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do poeta Quintino Cunha. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo de Lúcia e Luiza Távora. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo de Juvenal Galeno. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Comércio em volta do cemitério São João Batista. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Além dos grandes nomes cearenses sepultados no cemitério São João Batista, a arquitetura, decoração e histórias curiosas são destaque no local

Por Rosana Romão em Cotidiano

16 de agosto de 2014 às 08:00

Há 5 anos
Cemitério une rua Padre Mororó até à Avenida Filomeno Gomes. Trajeto também é usado como atalho para chegar mais rápido de uma rua para outra. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Cemitério une rua Padre Mororó até à Avenida Filomeno Gomes. Trajeto também é usado como atalho para chegar mais rápido de uma rua para outra. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Entre a dor, saudade e orações está a rua Padre Mororó. Silenciosa e pouco movimentada, a rua abriga um local que não é tão cobiçado: o cemitério São João Batista. O cemitério mais antigo de Fortaleza abriga lápides com nomes importantes para a história e cultura cearense. General Sampaio, Juvenal Galeno, Barão de Camocim e Moreira Campos são algumas personalidades que descansam no lugar.

Logo na entrada, os túmulos mais famosos atraem por sua suntuosidade. É o caso da lápide do militar brasileiro e herói da guerra da Tríplice Aliança, General Sampaio. Por ter participado das principais guerras travadas pelo Exército brasileiro e sua bravura nas batalhas, é patrono da arma de infantaria do Brasil. O advogado, jornalista e político Caio Prado, que foi citado pelo escritor Adolfo Caminha no romance A Normalista, também foi sepultado no local. Outros nomes como o do empresário e político Carlos Jereissati, do poeta Rogaciano Leite e do religioso Frei Tito, preso pela ditadura militar, estão esculpidos nas lápides.

A estruturação das vias de Fortaleza foi desenvolvida pelo arquiteto Adolfo Herbster, que prezava pela simetria e buscava dividir a cidade em paralelogramos. Ele criou a planta da Fortaleza entre 1852 e 1875. Seu corpo foi enterrado na mesma cidade que o projetara, e jaz no São João Batista. O farmacêutico que comandou, mesmo sem apoio governamental, uma campanha de vacinação contra a epidemia da varíola, Rodolpho Teófilo, é outro nome importante para a história do Ceará enterrado no cemitério.

A arquitetura é uma característica que chama atenção à primeira vista. Colunas, esculturas e efígies vistosas decoram o terreno de areia fofa. Algo que impressiona é a expressão “bronze do cemitério” usada pelos funcionários para descontrair os visitantes. Acostumados a trabalhar a céu aberto, eles brincam com os visitantes que estando a poucos minutos no local reclamam do calor.

O contraste de jazigos decorados com flores e plantas e os que nem mesmo possuem uma lápide visível causa estranhamento. O fato é que esse tipo de decoração é feita pelos familiares e amigos do falecido. Ou seja, os túmulos que não possuem sequer uma lápide são vistos como abandonados e causam um sentimento de solidariedade aos visitantes.

Pode-se perceber a discrepância da decoração entre os túmulos dos escritores Juvenal Galeno, que possui apenas um vaso com uma planta seca, e Moreira Campos, completamente rodeado e adornado de várias vegetações. Impossível passar pelo local e não sentir compaixão pelos finados. “A gente tenta fazer uma marcação porque às vezes as pessoas passam e nem sabe que aqui tem uma pessoa enterrada”, lamenta a auxiliar administrativa Layane Gadelha.

É fato que cemitérios são conhecidos como cenário de contos e filmes de terror, mas para quem trabalha no São João Batista não há tanto receio assim. A tranquilidade é apontada como um fator positivo e o convívio entre os colegas é quase um relacionamento familiar. Ao caminhar pelos jazigos, você escuta os coveiros conversando com os pedreiros sobre assuntos do cotidiano com uma intimidade que só amigos de longos anos possuem.

Pequena Lúcia: para uns, retrato de criança é mal assombrado, para outros, a menina é milagreira. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Pequena Lúcia: para uns, retrato de criança é mal assombrado, para outros, a menina é milagreira. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

Algumas histórias ganham fama através dessas conversas informais, como o caso da pequena Lúcia, que viveu por apenas dois anos. Ela é irmã de Luiza Távora, primeira-dama do Ceará durante os dois mandatos de Virgílio Távora. As duas irmãs estão enterradas no mesmo jazigo que possui uma efígie bem curiosa. A imagem da pequena Lúcia está no alto de uma coluna e costuma assustar os visitantes. O motivo se dá em virtude do olhar fixo da criança. “Uma moça já passou mal por ter olhado pra foto. Geralmente as pessoas têm medo”, explica a guia Layane Gadelha.

Mas além da imagem curiosa há outro detalhe que chama a atenção. O túmulo possui doces, pipoca e balões como decoração. Trata-se de um ritual do imaginário popular: sempre que os visitantes colocam esses atrativos infantis em cima do túmulo de uma criança, a alma do finado vai até o local, come os doces, brinca com os balões e depois vai embora. É uma prática utilizada por quem deseja estar perto daquela alma. No caso da pequena Lúcia, as pessoas desejam estar perto da sua alma porque a menina tem fama de milagreira. Assim, costuma-se repetir a tradição para alcançar uma prece. Uma vez atendida, a pessoa volta ao local para agradecer pelo milagre alcançado. Por isso, o túmulo da pequena Lúcia possui algumas placas de agradecimento e é bastante visitado.

História

Inaugurado em 1866, o cemitério tem 95 mil m². É bastante visitado por escolas para que os alunos possam conhecer um pouco da história cearense e de personalidades ilustres que fizeram história no estado.

Datas comemorativas como Dia dos Pais, Dia das Mães e até Dia das Crianças costumam encher o cemitério de visitantes, mas o Dia de Finados é disparado o mais frequentado. Ponto positivo para os comerciantes que vivem do consumo desses visitantes em suas lanchonetes. Semanalmente o cemitério abre às 7h e fecha às 17h. Depois desse horário não é mais possível visitar o local, por qualquer que seja o fim da visita.

Apesar da fama de mal assombrado, o lugar é bem arborizado e com um visual atrativo, que une desde a rua Padre Mororó até à Avenida Filomeno Gomes, no bairro Jacarecanga. Além de refletir um pouco sobre a morte ao caminhar pelos finados, é possível dar um novo significado à vida, que passa a ter um valor mais intenso. E por que não valorizar a vida aprendendo um pouco da história cearense inspirando-se nos grandes feitos que esses ilustres personagens? Por fim, entre a dor, a saudade e as orações que cercam o cemitério São João Batista.

Confira outros nomes cearenses sepultados no local:

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Túmulo do jornalista Antônio Caio da Silva Prado. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Jazigo da família de Dr. João Guilherme Studart. Local onde Barão de Studart está sepultado. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Jazigo da família de Dr. João Guilherme Studart. Local onde Barão de Studart está sepultado. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Jazigo da damília Aziz K Jereissati. FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Dr. Gonçalo Baptista Vieira, o Barão de Aquiraz. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo da Baronesa de São Leonardo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo da Baronesa de São Leonardo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do farmacêutico Rodolpho Teófilo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do farmacêutico Rodolpho Teófilo. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Barão de Camocim. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Barão e Baronesa de Aratanha. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Desembargador Moreira da Rocha. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Desembargador Moreira da Rocha. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo dos escritores Moreira Campos e sua filha Natércia Campos. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Frei Tito de Alencar Lima. Túmulo dos escritores Moreira Campos e sua filha Natércia Campos. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo do Frei Tito de Alencar Lima. Túmulo dos escritores Moreira Campos e sua filha Natércia Campos. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo de Lúcia e Luiza Távora. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Túmulo de Juvenal Galeno. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)

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Comércio em volta do cemitério São João Batista. (FOTO: Tribuna do Ceará/ Rosana Romão)