Cearenses que se mudaram para Portugal contam as vantagem da vida "além-mar"
CEARENSES PELO MUNDO

Cearenses que se mudaram para Portugal contam as vantagens da vida “além-mar”

Segundo os cearenses, os custos com alimentação e transporte são menores do que em Fortaleza. A segurança é outra vantagem

Por Daniel Rocha em Cotidiano

29 de setembro de 2017 às 07:00

Há 3 semanas

Mariluce Nogueira mora em Portugal há 10 anos (FOTO: Arquivo Pessoal)

Segundo os dados da pesquisa “Brasileiros pelo Mundo” de 2015, do Ministério das Relações Exteriores, Portugal é o quinto país com a maior comunidade brasileiros, com cerca de 116 mil pessoas. E é claro que nesses números há cearenses que decidiram migrar para o continente europeu por diversas razões.

Seja por amor, para estudar ou para viver uma experiência no exterior, esses estrangeiros mantém algo em comum: a saudade da terra natal.

Há 10 anos morando na cidade de Paços de Arcos, próximo à capital de Portugal, Lisboa, Mariluce Nogueira, que trabalha no setor administrativo de uma empresa de rede de hospitais, conta que sente saudade da receptividade dos cearenses, da temperatura de 30º e da família.

“Sinto falta das pessoas que são acolhedoras, o sol ano inteiro e a capacidade da gente de se reinventar nas dificuldades”, cita a cearense.

A decisão de ir morar no país europeu surgiu a partir de uma proposta do seu marido português que conheceu ainda em Fortaleza. Um momento oportuno na época, pois Mariluce estava com dificuldade de encontrar empregos. A ideia de se mudar e se aventurar em outro país pareceu uma alternativa positiva.

“Quando eu decidi vir para cá, já estava difícil de encontrar empregos no Brasil. Acabei aceitando a proposta que ele (seu marido) havia me feito para morar aqui”, relatou.

Segundo Mariluce, ela e seu marido têm amigos em comum e foi, por meio deles, que se conheceram. Quando o português João Assunção foi embora para Portugal, trocaram e-mail e Skype para manter o contato, mas devido à distância buscaram meios de estarem perto. Foi aí que surgiu a ideia de ir morar na Europa.

Rafaela Andrade e Arthur Araújo moram em Portugal desde o fim do ano passado (FOTO: Arquivo Pessoal)

“Ele sugeriu para que eu fosse para lá para a gente se conhecer melhor. Foi um impacto muito grande quando viajei. Eu nunca tinha ido ao exterior. Apesar de ter morado por 10 anos em Minas Gerais, com cultura diferente, eu estava no Brasil. A situação era totalmente diferente”, ressaltou.

Mas ela não é a única que se viu atraída pelo País. Ao contrário de Mariluce, a publicitária Rafaela Andrade veio para viver outra experiência no exterior e acompanhar o seu marido, Arthur Araújo, que é doutorando em Turismo na Universidade de Aveiro.

Atualmente, a cearense trabalha no administrativo e atendimento de uma Escola de Dança. A escolha por Portugal deve-se à comodidade dos lusitanos falarem a mesma língua que os brasileiros.

“A decisão de vir para Portugal foi de início para ampliar minha vivência no exterior. Eu já tinha feito intercâmbio de seis meses na Espanha, mas senti a necessidade de retornar para aumentar a minha experiência fora do Brasil”, relata. O casal chegou ao País no fim de 2016 e deve permanecer até 2019, quando o doutorado de Arthur termina.

Qual é a vantagem de morar em Portugal?

De acordo com Karine Lima, que saiu do Brasil há seis meses, Portugal é o destino para quem busca tranquilidade. As cidades não são muito agitadas e os casos de violência são bem mais raros do que a Brasil. Atualmente, ela trabalha com tecnologia de informação e mora junto com seu marido e seu filho de cinco anos.

“Muita gente está vindo do Brasil, fugindo da onda de violência. Sair sozinha à noite sem ter medo foi uma das melhores sensações que já vivenciei aqui. Claro que há casos de violência, mas são raros”, destaca.

Além disso, Karine destaca a presença de parques com estrutura para lazer e práticas de esporte. Aspecto que ela vê como positivo por ter um filho de cinco anos. “Há um incentivo muito grande para o esporte e educação. Há parque bem estruturados para as crianças e de acesso gratuito”, cita.

Karine Lima se mudou para Portugal há seis meses com seu marido, Victor Soares, e o filho de cinco anos, Nicolas

Qual é a desvantagem?

Estar longe da família é a principal desvantagem citada pelos cearenses. Mas Mariluce cita outra que os outros entrevistados não vivenciaram e comum entre os estrangeiros, independente do país que esteja: o preconceito por ser imigrante.

Ela conta que já foi discriminada quando trabalhava como operadora de telemarketing. A sua função era oferecer cartão de crédito aos clientes. Quando estava ao telefone com uma portuguesa, a cliente se recusou ser atendida ao perceber que Mariluce era brasileira.

“Ela começou a me xingar, dizendo que estava tomando um emprego de um português. Disse para eu voltar para o meu país. Se fosse outra atendente, ela teria feito o cartão”, relatou.

Durante o momento, Mariluce teve que lidar com a situação para que não ganhasse proporções ao ponto de prejudicá-la no emprego. No fim, restou-lhe o aprendizado: “Às vezes é preciso aprender a respeitar pessoas que não te respeitam para se ter respeito”.

É caro morar em Portugal?

Karine e Rafaela dizem que não. Os custos dependem do estilo de vida e a localização em que você mora. No caso de Karine, que mora com a sua família na cidade de Sintra, a 25 km de Lisboa, o mês de aluguel custa 300 euros, equivalente a mil reais, para um apartamento de dois quartos.

Devido à qualidade do transporte público, demora cerca de 20 minutos de comboio para se deslocar para Lisboa. Todos os meses desembolsa um valor de 50 euros (150 reais) para usar o transporte público quantas vezes quiser. O valor é similar ao gasto mensal de R$ 140,80, pagando duas passagens de ônibus por dia para ir ao trabalho de segunda a sexta-feira em Fortaleza.

Já os custos com a alimentação, Karine disse que é bem mais em conta do que no Brasil. A cesta básica da sua família custa em média por mês 200 euros (600 reais). “Com esse valor se faz ótimas compras, incluindo os itens fúteis”, explica.

Já os custos de Rafaela são um pouco diferentes. Ela e Arthur moram em um apartamento de três quartos de aluguel de 600 euros (1.800 reais) na cidade de Aveiro. Por dividir a residência com mais dois cearenses, o casal desembolsa 200 euros (400 reais). Para alimentação, eles gastam em média 35 euros (100 reais) por semana.

FOTO: Arquivo Pessoal
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FOTO: Arquivo Pessoal

Karine Lima ao lado de seu marido, Victor Lima, e filho, Nicolas

FOTO: Arquivo Pessoal
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FOTO: Arquivo Pessoal

Karine Lima mora há seis meses em Portugal

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FOTO: Arquivo Pessoal

Karine cita a segurança como maior vantagem de morar em Portugal

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Rafaela Andrade quis vivenciar outra experiência fora do Brasil

FOTO: Arquivo Pessoal
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FOTO: Arquivo Pessoal

Marido de Karine faz doutorado em Turismo na Universidade de Aveiro

FOTO: Arquivo Pessoal
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FOTO: Arquivo Pessoal

Karine Andrade e seu marido, Arthur Araújo, em Porto

FOTO: Arquivo Pessoal
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FOTO: Arquivo Pessoal

Mariluce já tem a cidadania portuguesa

FOTO: Arquivo Pessoal
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FOTO: Arquivo Pessoal

Mariluce saiu do Brasil em 2007

FOTO: Arquivo Pessoal
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A cearense é casada com o português, João Assunção, que conheceu em Fortaleza

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CEARENSES PELO MUNDO

Cearenses que se mudaram para Portugal contam as vantagens da vida “além-mar”

Segundo os cearenses, os custos com alimentação e transporte são menores do que em Fortaleza. A segurança é outra vantagem

Por Daniel Rocha em Cotidiano

29 de setembro de 2017 às 07:00

Há 3 semanas

Mariluce Nogueira mora em Portugal há 10 anos (FOTO: Arquivo Pessoal)

Segundo os dados da pesquisa “Brasileiros pelo Mundo” de 2015, do Ministério das Relações Exteriores, Portugal é o quinto país com a maior comunidade brasileiros, com cerca de 116 mil pessoas. E é claro que nesses números há cearenses que decidiram migrar para o continente europeu por diversas razões.

Seja por amor, para estudar ou para viver uma experiência no exterior, esses estrangeiros mantém algo em comum: a saudade da terra natal.

Há 10 anos morando na cidade de Paços de Arcos, próximo à capital de Portugal, Lisboa, Mariluce Nogueira, que trabalha no setor administrativo de uma empresa de rede de hospitais, conta que sente saudade da receptividade dos cearenses, da temperatura de 30º e da família.

“Sinto falta das pessoas que são acolhedoras, o sol ano inteiro e a capacidade da gente de se reinventar nas dificuldades”, cita a cearense.

A decisão de ir morar no país europeu surgiu a partir de uma proposta do seu marido português que conheceu ainda em Fortaleza. Um momento oportuno na época, pois Mariluce estava com dificuldade de encontrar empregos. A ideia de se mudar e se aventurar em outro país pareceu uma alternativa positiva.

“Quando eu decidi vir para cá, já estava difícil de encontrar empregos no Brasil. Acabei aceitando a proposta que ele (seu marido) havia me feito para morar aqui”, relatou.

Segundo Mariluce, ela e seu marido têm amigos em comum e foi, por meio deles, que se conheceram. Quando o português João Assunção foi embora para Portugal, trocaram e-mail e Skype para manter o contato, mas devido à distância buscaram meios de estarem perto. Foi aí que surgiu a ideia de ir morar na Europa.

Rafaela Andrade e Arthur Araújo moram em Portugal desde o fim do ano passado (FOTO: Arquivo Pessoal)

“Ele sugeriu para que eu fosse para lá para a gente se conhecer melhor. Foi um impacto muito grande quando viajei. Eu nunca tinha ido ao exterior. Apesar de ter morado por 10 anos em Minas Gerais, com cultura diferente, eu estava no Brasil. A situação era totalmente diferente”, ressaltou.

Mas ela não é a única que se viu atraída pelo País. Ao contrário de Mariluce, a publicitária Rafaela Andrade veio para viver outra experiência no exterior e acompanhar o seu marido, Arthur Araújo, que é doutorando em Turismo na Universidade de Aveiro.

Atualmente, a cearense trabalha no administrativo e atendimento de uma Escola de Dança. A escolha por Portugal deve-se à comodidade dos lusitanos falarem a mesma língua que os brasileiros.

“A decisão de vir para Portugal foi de início para ampliar minha vivência no exterior. Eu já tinha feito intercâmbio de seis meses na Espanha, mas senti a necessidade de retornar para aumentar a minha experiência fora do Brasil”, relata. O casal chegou ao País no fim de 2016 e deve permanecer até 2019, quando o doutorado de Arthur termina.

Qual é a vantagem de morar em Portugal?

De acordo com Karine Lima, que saiu do Brasil há seis meses, Portugal é o destino para quem busca tranquilidade. As cidades não são muito agitadas e os casos de violência são bem mais raros do que a Brasil. Atualmente, ela trabalha com tecnologia de informação e mora junto com seu marido e seu filho de cinco anos.

“Muita gente está vindo do Brasil, fugindo da onda de violência. Sair sozinha à noite sem ter medo foi uma das melhores sensações que já vivenciei aqui. Claro que há casos de violência, mas são raros”, destaca.

Além disso, Karine destaca a presença de parques com estrutura para lazer e práticas de esporte. Aspecto que ela vê como positivo por ter um filho de cinco anos. “Há um incentivo muito grande para o esporte e educação. Há parque bem estruturados para as crianças e de acesso gratuito”, cita.

Karine Lima se mudou para Portugal há seis meses com seu marido, Victor Soares, e o filho de cinco anos, Nicolas

Qual é a desvantagem?

Estar longe da família é a principal desvantagem citada pelos cearenses. Mas Mariluce cita outra que os outros entrevistados não vivenciaram e comum entre os estrangeiros, independente do país que esteja: o preconceito por ser imigrante.

Ela conta que já foi discriminada quando trabalhava como operadora de telemarketing. A sua função era oferecer cartão de crédito aos clientes. Quando estava ao telefone com uma portuguesa, a cliente se recusou ser atendida ao perceber que Mariluce era brasileira.

“Ela começou a me xingar, dizendo que estava tomando um emprego de um português. Disse para eu voltar para o meu país. Se fosse outra atendente, ela teria feito o cartão”, relatou.

Durante o momento, Mariluce teve que lidar com a situação para que não ganhasse proporções ao ponto de prejudicá-la no emprego. No fim, restou-lhe o aprendizado: “Às vezes é preciso aprender a respeitar pessoas que não te respeitam para se ter respeito”.

É caro morar em Portugal?

Karine e Rafaela dizem que não. Os custos dependem do estilo de vida e a localização em que você mora. No caso de Karine, que mora com a sua família na cidade de Sintra, a 25 km de Lisboa, o mês de aluguel custa 300 euros, equivalente a mil reais, para um apartamento de dois quartos.

Devido à qualidade do transporte público, demora cerca de 20 minutos de comboio para se deslocar para Lisboa. Todos os meses desembolsa um valor de 50 euros (150 reais) para usar o transporte público quantas vezes quiser. O valor é similar ao gasto mensal de R$ 140,80, pagando duas passagens de ônibus por dia para ir ao trabalho de segunda a sexta-feira em Fortaleza.

Já os custos com a alimentação, Karine disse que é bem mais em conta do que no Brasil. A cesta básica da sua família custa em média por mês 200 euros (600 reais). “Com esse valor se faz ótimas compras, incluindo os itens fúteis”, explica.

Já os custos de Rafaela são um pouco diferentes. Ela e Arthur moram em um apartamento de três quartos de aluguel de 600 euros (1.800 reais) na cidade de Aveiro. Por dividir a residência com mais dois cearenses, o casal desembolsa 200 euros (400 reais). Para alimentação, eles gastam em média 35 euros (100 reais) por semana.

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Karine Lima ao lado de seu marido, Victor Lima, e filho, Nicolas

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Karine Lima mora há seis meses em Portugal

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Karine cita a segurança como maior vantagem de morar em Portugal

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Rafaela Andrade quis vivenciar outra experiência fora do Brasil

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Marido de Karine faz doutorado em Turismo na Universidade de Aveiro

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Karine Andrade e seu marido, Arthur Araújo, em Porto

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Mariluce já tem a cidadania portuguesa

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Mariluce saiu do Brasil em 2007

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A cearense é casada com o português, João Assunção, que conheceu em Fortaleza