Ceará registra morte por síndrome paralisante. Já são 10 casos atendidos em hospitais


Ceará registra morte por síndrome paralisante. Já são 10 casos atendidos em hospitais

A Síndrome de Guillain-Barré, que provoca paralisia pelo corpo, já fez quatro vítimas no Nordeste. Cearense que morreu era de Novo Oriente

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

24 de julho de 2015 às 15:41

Há 4 anos
Santa Casa de Sobral confirmou a morte de um homem após ser internado com a síndrome (FOTO: Reprodução)

Santa Casa de Sobral confirmou a morte de um homem após ser internado com a síndrome (FOTO: Reprodução)

Dormência, fraqueza e falta de ar. Esses sintomas fazem parte da doença que está se espalhando rapidamente pelo Nordeste: a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), popularmente conhecida como síndrome paralisante.

A doença tem causado alvoroço nos pacientes e determinou a morte do agricultor Amadeu do Carmo Melo, de 63 anos. Segundo a Santa Casa de Sobral, o homem era natural de Novo Oriente e se internou no dia 15 de junho. No dia 26, ele veio a óbito por insuficiência respiratória como consequência da Guillan-Barré.

Também foram confirmados óbitos na Bahia (1) e na Paraíba (2). O Ministério da Saúde ainda informou que foi observada possível correlação entre a infecção por Zika vírus e a ocorrência da SGB em locais com circulação simultânea do vírus da dengue. Porém, ainda não há uma confirmação dessa correlação.

No Ceará, a Secretaria da Saúde do Estado já confirmou nove casos da doença em pacientes que deram entrada em hospitais entre janeiro e abril deste ano, além do homem que morreu após ser internado em junho.

Paralisia corporal

A recepcionista Bruna de Sousa, de 25 anos, foi uma das pacientes diagnosticadas com a doença. No dia 24 de junho, ela começou a sentir sintomas da doença chamada Zika, como o aparecimento de manchas vermelhas pelo corpo. Porém, após seis dias, ela passou a sentir dormência no corpo. Além disso, sentia dores de cabeça muito forte.

Bruna procurou atendimento médico no Gonzaguinha, em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), mas os médicos a diagnosticaram com enxaqueca. Dessa forma, ela tomou medicamentos e voltou para casa.

Como as dores não paravam, ela decidiu buscar ajuda novamente. Conseguiu se consultar um neurologista do Instituto Dr José Frota (IJF), no Centro, que pediu um exame de tomografia, mas não foi apontado nada no diagnóstico. “O médico suspeitou que fosse a Guillain-Barré, mas disse que o único local que oferece o tratamento é o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), e foi lá onde eu fui diagnosticada”, relata.

'O médico disse que vai demorar entre 100 a 200 dias para que a dormência acabe, ainda vou ter que retornar lá algumas vezes, mas espero que dê tudo certo

Tratamento exige paciência

De acordo com a paciente, a dormência iniciou nas pontas dos dedos das mãos e dos pés, depois foi subindo para a perna, atingiu a boca, a língua, e teve paralisia facial (por isso, prefere não mostrar sua foto). Seu diafragma também ficou dormente, com rigidez. Como não conseguia comer, teve que se alimentar por quatro dias através de sonda. No HGF, ela realizou exames de força e de sangue, punção e em seguida foi diagnosticada com a Síndrome Guillain-Barré, onde fez o tratamento.

Durante cinco dias tomou Imunoglobulina, medicamento utilizado para o tratamento da doença. Em seguida, recebeu alta e recupera-se em casa, realizando fisioterapia. Ela ainda sente dormência nas mãos, nos pés e caminha com dificuldade. Por jogar futebol e fazer musculação, sente falta da sua antiga rotina. “Eu nunca fui internada na vida, sempre pratiquei esportes. É frustrante porque você tem que depender das pessoas, ainda estou usando fralda, e ainda tem essa lentidão para voltar ao normal”.

Para ajudá-la na recuperação, a mãe de Bruna teve que para de trabalhar para dedicar-se à filha. Mas apesar do susto, a paciente está tranquila porque soube que a doença era reversível e agora espera pela sua cura. “O médico disse que vai demorar entre 100 a 200 dias para que a dormência acabe, ainda vou ter que retornar lá algumas vezes, mas espero que dê tudo certo”, conclui.

Não há motivo para pânico

Em nota, o Núcleo de Epidemiologia da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), além de confirmar os 10 casos neste ano, informou que não há variação significativa de casos nos anos anteriores. Em 2013, foram confirmados 32 casos e, em 2014, 38 casos.

“Novos casos suspeitos da doença continuam em investigação clínica. Por orientação do Ministério da Saúde, serão objeto de investigação epidemiológica. Para tanto, a Coordenadoria de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa está orientando as unidades de assistência sobre a notificação e o detalhamento dessas ocorrências”, consta.

Doença autoimune

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune, que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso por engano. A causa exata ainda é desconhecida. Geralmente, a doença aparece alguns dias ou semanas após uma infecção do trato respiratório e digestivo. Isso leva à inflamação dos nervos, que provoca fraqueza muscular.

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Ceará registra morte por síndrome paralisante. Já são 10 casos atendidos em hospitais

A Síndrome de Guillain-Barré, que provoca paralisia pelo corpo, já fez quatro vítimas no Nordeste. Cearense que morreu era de Novo Oriente

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

24 de julho de 2015 às 15:41

Há 4 anos
Santa Casa de Sobral confirmou a morte de um homem após ser internado com a síndrome (FOTO: Reprodução)

Santa Casa de Sobral confirmou a morte de um homem após ser internado com a síndrome (FOTO: Reprodução)

Dormência, fraqueza e falta de ar. Esses sintomas fazem parte da doença que está se espalhando rapidamente pelo Nordeste: a Síndrome de Guillain-Barré (SGB), popularmente conhecida como síndrome paralisante.

A doença tem causado alvoroço nos pacientes e determinou a morte do agricultor Amadeu do Carmo Melo, de 63 anos. Segundo a Santa Casa de Sobral, o homem era natural de Novo Oriente e se internou no dia 15 de junho. No dia 26, ele veio a óbito por insuficiência respiratória como consequência da Guillan-Barré.

Também foram confirmados óbitos na Bahia (1) e na Paraíba (2). O Ministério da Saúde ainda informou que foi observada possível correlação entre a infecção por Zika vírus e a ocorrência da SGB em locais com circulação simultânea do vírus da dengue. Porém, ainda não há uma confirmação dessa correlação.

No Ceará, a Secretaria da Saúde do Estado já confirmou nove casos da doença em pacientes que deram entrada em hospitais entre janeiro e abril deste ano, além do homem que morreu após ser internado em junho.

Paralisia corporal

A recepcionista Bruna de Sousa, de 25 anos, foi uma das pacientes diagnosticadas com a doença. No dia 24 de junho, ela começou a sentir sintomas da doença chamada Zika, como o aparecimento de manchas vermelhas pelo corpo. Porém, após seis dias, ela passou a sentir dormência no corpo. Além disso, sentia dores de cabeça muito forte.

Bruna procurou atendimento médico no Gonzaguinha, em uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), mas os médicos a diagnosticaram com enxaqueca. Dessa forma, ela tomou medicamentos e voltou para casa.

Como as dores não paravam, ela decidiu buscar ajuda novamente. Conseguiu se consultar um neurologista do Instituto Dr José Frota (IJF), no Centro, que pediu um exame de tomografia, mas não foi apontado nada no diagnóstico. “O médico suspeitou que fosse a Guillain-Barré, mas disse que o único local que oferece o tratamento é o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), e foi lá onde eu fui diagnosticada”, relata.

'O médico disse que vai demorar entre 100 a 200 dias para que a dormência acabe, ainda vou ter que retornar lá algumas vezes, mas espero que dê tudo certo

Tratamento exige paciência

De acordo com a paciente, a dormência iniciou nas pontas dos dedos das mãos e dos pés, depois foi subindo para a perna, atingiu a boca, a língua, e teve paralisia facial (por isso, prefere não mostrar sua foto). Seu diafragma também ficou dormente, com rigidez. Como não conseguia comer, teve que se alimentar por quatro dias através de sonda. No HGF, ela realizou exames de força e de sangue, punção e em seguida foi diagnosticada com a Síndrome Guillain-Barré, onde fez o tratamento.

Durante cinco dias tomou Imunoglobulina, medicamento utilizado para o tratamento da doença. Em seguida, recebeu alta e recupera-se em casa, realizando fisioterapia. Ela ainda sente dormência nas mãos, nos pés e caminha com dificuldade. Por jogar futebol e fazer musculação, sente falta da sua antiga rotina. “Eu nunca fui internada na vida, sempre pratiquei esportes. É frustrante porque você tem que depender das pessoas, ainda estou usando fralda, e ainda tem essa lentidão para voltar ao normal”.

Para ajudá-la na recuperação, a mãe de Bruna teve que para de trabalhar para dedicar-se à filha. Mas apesar do susto, a paciente está tranquila porque soube que a doença era reversível e agora espera pela sua cura. “O médico disse que vai demorar entre 100 a 200 dias para que a dormência acabe, ainda vou ter que retornar lá algumas vezes, mas espero que dê tudo certo”, conclui.

Não há motivo para pânico

Em nota, o Núcleo de Epidemiologia da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), além de confirmar os 10 casos neste ano, informou que não há variação significativa de casos nos anos anteriores. Em 2013, foram confirmados 32 casos e, em 2014, 38 casos.

“Novos casos suspeitos da doença continuam em investigação clínica. Por orientação do Ministério da Saúde, serão objeto de investigação epidemiológica. Para tanto, a Coordenadoria de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa está orientando as unidades de assistência sobre a notificação e o detalhamento dessas ocorrências”, consta.

Doença autoimune

A Síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune, que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso por engano. A causa exata ainda é desconhecida. Geralmente, a doença aparece alguns dias ou semanas após uma infecção do trato respiratório e digestivo. Isso leva à inflamação dos nervos, que provoca fraqueza muscular.