Candidata à presidência da OAB-CE, Roberta Vasques defende interiorização e piso ético

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Candidata à presidência da OAB-CE, Roberta Vasques defende interiorização e piso ético

Em entrevista à Tribuna Band News FM, a candidata alertou que, diante da grande quantidade de cursos de Direito no Ceará (38, ao todo), há jovens advogados recebendo pouco acima de R$ 1.000

Por Tribuna Bandnews FM em Cotidiano

20 de novembro de 2018 às 11:07

Há 3 semanas
roberta-vasques

Roberta Vasques quer ser a primeira mulher a presidir a OAB-CE. (FOTO: Crisneive Silveira/Tribuna do Ceará)

Candidata à Presidência da OAB-CE, a professora universitária Roberta Vasques esteve nos estúdios da Tribuna Band News FM para falar mais sobre as propostas da chapa Reage OAB para a entidade. Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras comandaram a entrevista na manhã desta terça-feira (20), que também contou com participação de ouvintes e internautas. Em foco, formação da chapa, subseções no interior do estado, anuidade entre outros pontos importantes.

A Reage OAB é formada por profissionais de diversos segmentos. Roberta Vasques explica a composição da chapa e faz crítica ao grupo da situação.

“Em todas as chapas existem membros da atual gestão. Não existe chapa pura. Até seria impossível. Fazer parte de uma gestão não é concordar com ela. Então é intrigante, três da atual gestão terem discordado da atual gestão. Na chapa 10 existem os membros corajosos dessa gestão que resolveram reagir à apatia dela. Na chapa da situação, quem está compondo é o atual presidente da OAB, com representantes de advogados do governador do Estado, primos do prefeito de Fortaleza. Diferente da chapa 10, que é formada por advogados militantes”, esclareceu a candidata.

Roberta Vasques fala que a ideia é interiorizar a OAB, fazer com que haja maior participação dos advogados e investir em centros de apoio.

“A ideia é a interiorização da Ordem. Fiz parte da gestão passada e houve uma verdadeira revolução. Nessa gestão, infelizmente, só houve a criação de uma subseção. Nós vamos fazer um estudo profundo de onde não existe subseções e criar, como em Ipu, Quixeramobim, Acaraú… Precisamos fazer uma gestão moderna, com planejamento para analisar as subseções e como estão essas subseções. A prioridade da chapa 10 é a interiorização da nossa OAB, inclusive investindo em centros de apoio aos advogados. Se a OAB estiver presente no interior, com advogados pagos pela Ordem para brigar pelo colega, ele consegue ir para o enfrentamento”, destacou a candidata.

Professora universitária há 15 anos, a advogada fala do acolhimento da jovem advocacia à chapa 10. Roberta Vasques defende um piso ético para os profissionais que estão entrando no mercado.

“A jovem advocacia está em massa com a chapa 10. Nós temos 38 cursos de Direito só no Ceará. Diante dessa massificação, esses jovens são jogados de maneira abrupta no mercado de trabalho e não conseguem ser absorvidos. Hoje, um jovem advogado ganha R$ 1.000 e 1.200. E encontrar um ex-aluno desistindo da advocacia, sem conseguir se inserir no mercado… É preciso estabelecer um piso ético para a advocacia. Há estudos do Conselho Jovem, já com piso ético para a jovem advocacia. Na atual gestão, não houve interesse em pautar para o conselho pleno. Fique tranquilo, jovem advogado, tenho coragem de colocar o termo em pauta”, defende a candidata.

Roberta Vasques fala também sobre outros temas importantes para a classe: anuidade e saúde.

“A chapa tem proposta de reduzir a anuidade, onde o jovem faz o curso da ESA e ele tem desconto automático. Nós queremos qualificação e ao mesmo tempo reduzir a anuidade. A OAB vai fazer convênios para acumular pontos e abater da anuidade, a exemplo da OAB de Pernambuco. Tem também a anuidade da CAACE (Caixa de Assistência dos Advogados do CE). Não existe isenção da anuidade da CAACE. Hoje, se o advogado quiser usar dentista, fisioterapeuta, tem que pagar cento e poucos reais. Mas 20% do valor da anuidade é repassado para a CAACE. Ela não precisa cobrar. Na OAB Ceará não haverá aumento de anuidade, haverá gestão!

Sobre a Operação Expresso 150, que investiga suposta venda de liminares, Roberta defende que os que forem culpados devem ser punidos.

“Estamos fazendo uma fiscalização. Se apurado, punir. Nós temos que ter muito cuidado, muita cautela. Existem as denúncias e os que não foram denunciados. É preciso que o Tribunal de Ética avalie, dando oportunidade ao contraditório. Os maus profissionais devem sim ser expurgados. Houve uma análise pontual dos casos, mas entendo que poderia ter sido mais célere. Devemos dar oportunidade de defesa e punir os maus profissionais”, avaliou.

Perguntada sobre a participação do irmão, Leandro Vasques, na empreitada dela para a presidência da OAB-CE, a candidata é enfática ao lembrar a trajetória de luta pela classe. Em 85 anos, a Ordem nunca teve uma mulher como presidente.

“Meu irmão é uma pessoa, eu sou uma outra pessoa. Ele é um valoroso advogado, mas ele não coordena minha campanha. Esse é um pensamento machista de que uma mulher só pode ser liderança de tiver um homem perto. Não estou aqui por ele, quem me conhece sabe da minha trajetória de luta. Já está mais que na hora de ter uma mulher protagonista nos quadros da OAB”, relembra Roberta.

Por fim, a candidata reforça a pluralidade da chapa Reage OAB, além do foco em retomar o papel de protagonismo da OAB. O grupo de Roberta recebeu apoio de Edson Santana, que desistiu da candidatura.

“A chapa 10 é formada por advogados militantes, agora com a união com o colega Edson Santana, teremos uma gestão independente, altiva. Precisamos trazer à OAB o protagonismo de antes. Temos representantes de todos os segmentos da advocacia. Fizemos questão de uma chapa plural para que todos se sentissem partícipes do processo. E porque não uma mulher a frente da instituição? Vamos resgatar a OAB em defesa da advocacia e da sociedade cearense”, concluiu.

Outras três chapas disputam a presidência da entidade: Somos Todos OAB – Experiência para Inovar, A Ordem é Renovar e OABCE Reinventar É Preciso. As eleições da Ordem dos Advogados do Brasil (CE) serão realizadas no próximo dia 28 de novembro.

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Candidata à presidência da OAB-CE, Roberta Vasques defende interiorização e piso ético

Em entrevista à Tribuna Band News FM, a candidata alertou que, diante da grande quantidade de cursos de Direito no Ceará (38, ao todo), há jovens advogados recebendo pouco acima de R$ 1.000

Por Tribuna Bandnews FM em Cotidiano

20 de novembro de 2018 às 11:07

Há 3 semanas
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Roberta Vasques quer ser a primeira mulher a presidir a OAB-CE. (FOTO: Crisneive Silveira/Tribuna do Ceará)

Candidata à Presidência da OAB-CE, a professora universitária Roberta Vasques esteve nos estúdios da Tribuna Band News FM para falar mais sobre as propostas da chapa Reage OAB para a entidade. Nonato Albuquerque e Ariane Cajazeiras comandaram a entrevista na manhã desta terça-feira (20), que também contou com participação de ouvintes e internautas. Em foco, formação da chapa, subseções no interior do estado, anuidade entre outros pontos importantes.

A Reage OAB é formada por profissionais de diversos segmentos. Roberta Vasques explica a composição da chapa e faz crítica ao grupo da situação.

“Em todas as chapas existem membros da atual gestão. Não existe chapa pura. Até seria impossível. Fazer parte de uma gestão não é concordar com ela. Então é intrigante, três da atual gestão terem discordado da atual gestão. Na chapa 10 existem os membros corajosos dessa gestão que resolveram reagir à apatia dela. Na chapa da situação, quem está compondo é o atual presidente da OAB, com representantes de advogados do governador do Estado, primos do prefeito de Fortaleza. Diferente da chapa 10, que é formada por advogados militantes”, esclareceu a candidata.

Roberta Vasques fala que a ideia é interiorizar a OAB, fazer com que haja maior participação dos advogados e investir em centros de apoio.

“A ideia é a interiorização da Ordem. Fiz parte da gestão passada e houve uma verdadeira revolução. Nessa gestão, infelizmente, só houve a criação de uma subseção. Nós vamos fazer um estudo profundo de onde não existe subseções e criar, como em Ipu, Quixeramobim, Acaraú… Precisamos fazer uma gestão moderna, com planejamento para analisar as subseções e como estão essas subseções. A prioridade da chapa 10 é a interiorização da nossa OAB, inclusive investindo em centros de apoio aos advogados. Se a OAB estiver presente no interior, com advogados pagos pela Ordem para brigar pelo colega, ele consegue ir para o enfrentamento”, destacou a candidata.

Professora universitária há 15 anos, a advogada fala do acolhimento da jovem advocacia à chapa 10. Roberta Vasques defende um piso ético para os profissionais que estão entrando no mercado.

“A jovem advocacia está em massa com a chapa 10. Nós temos 38 cursos de Direito só no Ceará. Diante dessa massificação, esses jovens são jogados de maneira abrupta no mercado de trabalho e não conseguem ser absorvidos. Hoje, um jovem advogado ganha R$ 1.000 e 1.200. E encontrar um ex-aluno desistindo da advocacia, sem conseguir se inserir no mercado… É preciso estabelecer um piso ético para a advocacia. Há estudos do Conselho Jovem, já com piso ético para a jovem advocacia. Na atual gestão, não houve interesse em pautar para o conselho pleno. Fique tranquilo, jovem advogado, tenho coragem de colocar o termo em pauta”, defende a candidata.

Roberta Vasques fala também sobre outros temas importantes para a classe: anuidade e saúde.

“A chapa tem proposta de reduzir a anuidade, onde o jovem faz o curso da ESA e ele tem desconto automático. Nós queremos qualificação e ao mesmo tempo reduzir a anuidade. A OAB vai fazer convênios para acumular pontos e abater da anuidade, a exemplo da OAB de Pernambuco. Tem também a anuidade da CAACE (Caixa de Assistência dos Advogados do CE). Não existe isenção da anuidade da CAACE. Hoje, se o advogado quiser usar dentista, fisioterapeuta, tem que pagar cento e poucos reais. Mas 20% do valor da anuidade é repassado para a CAACE. Ela não precisa cobrar. Na OAB Ceará não haverá aumento de anuidade, haverá gestão!

Sobre a Operação Expresso 150, que investiga suposta venda de liminares, Roberta defende que os que forem culpados devem ser punidos.

“Estamos fazendo uma fiscalização. Se apurado, punir. Nós temos que ter muito cuidado, muita cautela. Existem as denúncias e os que não foram denunciados. É preciso que o Tribunal de Ética avalie, dando oportunidade ao contraditório. Os maus profissionais devem sim ser expurgados. Houve uma análise pontual dos casos, mas entendo que poderia ter sido mais célere. Devemos dar oportunidade de defesa e punir os maus profissionais”, avaliou.

Perguntada sobre a participação do irmão, Leandro Vasques, na empreitada dela para a presidência da OAB-CE, a candidata é enfática ao lembrar a trajetória de luta pela classe. Em 85 anos, a Ordem nunca teve uma mulher como presidente.

“Meu irmão é uma pessoa, eu sou uma outra pessoa. Ele é um valoroso advogado, mas ele não coordena minha campanha. Esse é um pensamento machista de que uma mulher só pode ser liderança de tiver um homem perto. Não estou aqui por ele, quem me conhece sabe da minha trajetória de luta. Já está mais que na hora de ter uma mulher protagonista nos quadros da OAB”, relembra Roberta.

Por fim, a candidata reforça a pluralidade da chapa Reage OAB, além do foco em retomar o papel de protagonismo da OAB. O grupo de Roberta recebeu apoio de Edson Santana, que desistiu da candidatura.

“A chapa 10 é formada por advogados militantes, agora com a união com o colega Edson Santana, teremos uma gestão independente, altiva. Precisamos trazer à OAB o protagonismo de antes. Temos representantes de todos os segmentos da advocacia. Fizemos questão de uma chapa plural para que todos se sentissem partícipes do processo. E porque não uma mulher a frente da instituição? Vamos resgatar a OAB em defesa da advocacia e da sociedade cearense”, concluiu.

Outras três chapas disputam a presidência da entidade: Somos Todos OAB – Experiência para Inovar, A Ordem é Renovar e OABCE Reinventar É Preciso. As eleições da Ordem dos Advogados do Brasil (CE) serão realizadas no próximo dia 28 de novembro.