Barra Pesada comemora 25 anos, consolidado como líder de audiência entre programas policiais


Barra Pesada comemora 25 anos, consolidado como líder de audiência entre programas policiais

O Barra Pesada, inspirado em programas de rádio, tornou-se em 1990 o primeiro programa policial exibido na TV cearense no horário do almoço

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

17 de julho de 2015 às 07:00

Há 4 anos

selo-barraSão 25 anos, com cerca de 6 mil programas exibidos. O Barra Pesada, da TV Jangadeiro, comemora aniversário nesta sexta-feira (17), consolidado como líder de audiência entre os programas policiais da televisão cearense.

Desde 1990 no ar, sempre no mesmo horário (das 11h45 às 13h50), o Barra, como é carinhosamente chamado, já noticiou crimes marcantes no cenário cearense, como o sequestro de Dom Aloísio Lorscheider. O Tribuna do Ceará conversou com os profissionais que fazem o programa acontecer, desde uma denúncia realizada ao telefone até a notícia entrar ao ar.

O produtor Jeová Castro iniciou sua jornada no programa ao mesmo tempo em que o Barra Pesada nascia. Há 25 anos trabalhando no setor, ele participou da criação do formato policial para TV, que existia apenas no rádio. “Não existia um programa como esse. Logo depois de criado, a audiência foi muito grande, ninguém esperava. Foi uma coisa assustadora mesmo. Depois as outras emissoras começaram a criar programas nessa área”.

Nonato Albuquerque apresenta o Barra Pesada há 23 anos (FOTO: Emílio Moreno/ Tribuna do Ceará)

Nonato Albuquerque apresenta o Barra Pesada há 23 anos (FOTO: Emílio Moreno/ Tribuna do Ceará)

O programa foi idealizado por Tancredo Carvalho, então superintendente da TV Jangadeiro. O nome teria sido inspirado em um livro escrito por um dos mais prestigiados repórteres policiais do país, Octávio Ribeiro, conhecido como “Pena Branca”.

Produção inicial

Erra quem pensa que o apresentador de estreia foi Nonato Albuquerque. Na verdade, quem assumiu como âncora inicial foi Tadeu Nascimento. A direção era de Oliveira Martins, e reportagem de Marilena Lima e Afrânio Marques. Em busca das matérias num tempo em que não existia internet, os produtores faziam uma espécie de “plantão diário”. Na prática, esse método era simples e trabalhoso: ligar para todas as delegacias pela manhã.

Ainda no início, foi divulgado o número de telefone para denúncias da população. “Como o programa foi o pioneiro, as pessoas passaram a ligar primeiro para o Barra e depois para a polícia. Muitas vezes, a equipe chegava junto com a polícia, e até antes devido a isso”, surpreende-se Jeová.

Percebeu-se, então, a necessidade de criar alguns quadros, para autenticar ainda mais a marca. “Todo dia gravamos em uma delegacia diferente os presos da noite. Tinha outro quadro que era o dia a dia do [Instituto Dr. José Frota] IJF”, relembrou.

Sobre o trabalho de produtor, Jeová ressalta que às vezes é necessário ser “psicólogo”. É necessário ter calma na hora de atender e procurar escutar as reclamações e denúncias. “Todo mundo procura o Barra para ter solução. Todos que ligam para cá ligam naquela fé que vai ser ajudado. Tem que ter muita cautela, porque a gente vive do público”.

Nonato revela que a memória deleta os casos exibidos para não absorver os problemas (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Nonato revela que a memória deleta os casos exibidos para não absorver os problemas (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Apresentação

Nonato Albuquerque já recebeu a alcunha de “Barra Pesada” por onde ia. Agora, de tão reconhecido, o programa se confunde com o nome do apresentador, que está há 23 anos no ar. Ele recebeu a proposta como forma de missão, apesar de ter “fugido” da editoria de polícia enquanto trabalhava em jornais impressos e rádios.

Tancredo Carvalho, então superintendente da TV Jangadeiro, convidou Nonato para fazer um teste. “Só não quero o Barra Pesada”, pontuou. Mas era justamente nesse programa que ele trabalharia por vários anos. “Não gostava, porque não era do meu perfil. Parece que a língua paga”, concluiu.

Por ser espírita, o âncora recebeu a visita de um amigo, que revelou que seria sua missão participar desse trabalho para evitar o estímulo à violência. “O Barra mudou. Não fui eu quem transformou. Mas foi a própria necessidade da TV de acoplar uma imagem menos policialesca, e muito mais como prestação de serviço e humana. Os fatos são duros e cruéis, porque é uma realidade que não dá para fugir. Mas você não pode também ampliar a dor. Esse não é meu perfil desde o começo”.

Nonato revela que, ao encerrar a exibição, sua memória é deletada automaticamente. Uma vez, o porteiro do seu prédio foi comentar um caso, e ele nem lembrava mais. Faz isso para evitar absorver os problemas e ficar obcecado com as histórias. Se for para destacar algum caso, ele prefere apontar a campanha de paz em Sapiranga, que foi exibida neste ano.

“Considero o fato mais marcante desses 25 anos. Que o Barra trouxe a possibilidade de unir facções tão divergentes que viviam se matando no intuito de valorizar a força do bairro. A comunidade me deixou até emocionado na hora. Nunca ouvi falar disso no Brasil”.

De aprendizado, tira a humildade como principal conhecimento. Além disso, salienta que a esperança é persistente, pois tudo é possível e tudo pode ser mudado. “Esses equivocados que comentem erros e delitos, eles vão encontrar sim a possibilidade de achar na vida outro momento. Tudo na vida são fases”.

No dia 17 de julho de 1990, foi ao ar o primeiro programa do Barra Pesada (FOTO: Emílio moreno/ Tribuna do Ceará)

No dia 17 de julho de 1990, foi ao ar o primeiro programa do Barra Pesada (FOTO: Emílio Moreno/ Tribuna do Ceará)

De repórter a editor

Atualmente como editor-chefe do programa, Paulo Campelo há 12 anos iniciou a carreira como repórter. Por gostar de noticiar casos policiais e sonhar em trabalhar no Barra Pesada, foi ganhando destaque na emissora desde 2009. Segue a mesma linha de Nonato, ao deletar os casos que cobria, pois não gostava de absorver a tristeza e crueldade dos crimes.

“Até hoje só teve um caso que me marcou. Que eu saí do local da pauta e fiquei com aquilo na cabeça”. Ele relembra o crime de uma garota que foi estuprada pelo namorado e amigos, que acabou sendo encontrada em um esgoto na cidade de Itapajé. Ao chegar no local um dia depois do crime, Paulo e equipe foram fazer uma espécie de reconstituição.

“No dia não tinha nada, nem corpo, só o cara preso e fomos resgatar lá no local. Descemos no bueiro com uma escada e encontramos, naquele cenário muito escuro e com lama, pedras e pedaços de madeira sujos de sangue, que teriam sido utilizados no crime. Eu saí de lá com aquela carga muito pesada. Cheguei em casa e não consegui entrar com a roupa que eu estava. Eu entrei em casa pelado, tomei banho na área para tirar tudo aquilo”, relembra.

Esse não foi o único caso complicado de Paulo. Ele até já foi solicitado por uma equipe da polícia para convencer que uma mulher liberasse uma refém que mantinha dentro de casa.

Em outra pauta marcante, o então repórter participou de uma perseguição policial a cinco detentos que haviam fugido de um presídio. Com final feliz, presenciou a captura dos foragidos e toda a ação da policial. “Foi pura adrenalina”.

Paulo encara a história com o Barra Pesada como um grande aprendizado para a vida. Foi a partir dessa experiência que passou a respeitar mais o próximo, valorizar a própria vida e tomar cuidados no trânsito e em casa. “Percebi que nós não somos nada aqui”. Ele espera que as matérias exibidas também sirvam de aprendizado para outras pessoas.

O programa coleciona uma série de fatos marcantes. De modo especial, hoje busca evitar as imagens violentas e prefere mostrar casos mais sociais, em que também solicita ajuda para as pessoas despertando a caridade. Em comemoração aos 25 anos de existência, vida longa ao Barra Pesada.

Programação especial

Para comemorar o aniversário do Barra Pesada, a TV Jangadeiro promove uma série de matérias especiais que vão ao ar a partir desta segunda-feira (20), no programa e também no Jornal Jangadeiro. Confira o vídeo:

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Barra Pesada comemora 25 anos, consolidado como líder de audiência entre programas policiais

O Barra Pesada, inspirado em programas de rádio, tornou-se em 1990 o primeiro programa policial exibido na TV cearense no horário do almoço

Por Hayanne Narlla em Cotidiano

17 de julho de 2015 às 07:00

Há 4 anos

selo-barraSão 25 anos, com cerca de 6 mil programas exibidos. O Barra Pesada, da TV Jangadeiro, comemora aniversário nesta sexta-feira (17), consolidado como líder de audiência entre os programas policiais da televisão cearense.

Desde 1990 no ar, sempre no mesmo horário (das 11h45 às 13h50), o Barra, como é carinhosamente chamado, já noticiou crimes marcantes no cenário cearense, como o sequestro de Dom Aloísio Lorscheider. O Tribuna do Ceará conversou com os profissionais que fazem o programa acontecer, desde uma denúncia realizada ao telefone até a notícia entrar ao ar.

O produtor Jeová Castro iniciou sua jornada no programa ao mesmo tempo em que o Barra Pesada nascia. Há 25 anos trabalhando no setor, ele participou da criação do formato policial para TV, que existia apenas no rádio. “Não existia um programa como esse. Logo depois de criado, a audiência foi muito grande, ninguém esperava. Foi uma coisa assustadora mesmo. Depois as outras emissoras começaram a criar programas nessa área”.

Nonato Albuquerque apresenta o Barra Pesada há 23 anos (FOTO: Emílio Moreno/ Tribuna do Ceará)

Nonato Albuquerque apresenta o Barra Pesada há 23 anos (FOTO: Emílio Moreno/ Tribuna do Ceará)

O programa foi idealizado por Tancredo Carvalho, então superintendente da TV Jangadeiro. O nome teria sido inspirado em um livro escrito por um dos mais prestigiados repórteres policiais do país, Octávio Ribeiro, conhecido como “Pena Branca”.

Produção inicial

Erra quem pensa que o apresentador de estreia foi Nonato Albuquerque. Na verdade, quem assumiu como âncora inicial foi Tadeu Nascimento. A direção era de Oliveira Martins, e reportagem de Marilena Lima e Afrânio Marques. Em busca das matérias num tempo em que não existia internet, os produtores faziam uma espécie de “plantão diário”. Na prática, esse método era simples e trabalhoso: ligar para todas as delegacias pela manhã.

Ainda no início, foi divulgado o número de telefone para denúncias da população. “Como o programa foi o pioneiro, as pessoas passaram a ligar primeiro para o Barra e depois para a polícia. Muitas vezes, a equipe chegava junto com a polícia, e até antes devido a isso”, surpreende-se Jeová.

Percebeu-se, então, a necessidade de criar alguns quadros, para autenticar ainda mais a marca. “Todo dia gravamos em uma delegacia diferente os presos da noite. Tinha outro quadro que era o dia a dia do [Instituto Dr. José Frota] IJF”, relembrou.

Sobre o trabalho de produtor, Jeová ressalta que às vezes é necessário ser “psicólogo”. É necessário ter calma na hora de atender e procurar escutar as reclamações e denúncias. “Todo mundo procura o Barra para ter solução. Todos que ligam para cá ligam naquela fé que vai ser ajudado. Tem que ter muita cautela, porque a gente vive do público”.

Nonato revela que a memória deleta os casos exibidos para não absorver os problemas (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Nonato revela que a memória deleta os casos exibidos para não absorver os problemas (FOTO: Fernanda Moura/ Tribuna do Ceará)

Apresentação

Nonato Albuquerque já recebeu a alcunha de “Barra Pesada” por onde ia. Agora, de tão reconhecido, o programa se confunde com o nome do apresentador, que está há 23 anos no ar. Ele recebeu a proposta como forma de missão, apesar de ter “fugido” da editoria de polícia enquanto trabalhava em jornais impressos e rádios.

Tancredo Carvalho, então superintendente da TV Jangadeiro, convidou Nonato para fazer um teste. “Só não quero o Barra Pesada”, pontuou. Mas era justamente nesse programa que ele trabalharia por vários anos. “Não gostava, porque não era do meu perfil. Parece que a língua paga”, concluiu.

Por ser espírita, o âncora recebeu a visita de um amigo, que revelou que seria sua missão participar desse trabalho para evitar o estímulo à violência. “O Barra mudou. Não fui eu quem transformou. Mas foi a própria necessidade da TV de acoplar uma imagem menos policialesca, e muito mais como prestação de serviço e humana. Os fatos são duros e cruéis, porque é uma realidade que não dá para fugir. Mas você não pode também ampliar a dor. Esse não é meu perfil desde o começo”.

Nonato revela que, ao encerrar a exibição, sua memória é deletada automaticamente. Uma vez, o porteiro do seu prédio foi comentar um caso, e ele nem lembrava mais. Faz isso para evitar absorver os problemas e ficar obcecado com as histórias. Se for para destacar algum caso, ele prefere apontar a campanha de paz em Sapiranga, que foi exibida neste ano.

“Considero o fato mais marcante desses 25 anos. Que o Barra trouxe a possibilidade de unir facções tão divergentes que viviam se matando no intuito de valorizar a força do bairro. A comunidade me deixou até emocionado na hora. Nunca ouvi falar disso no Brasil”.

De aprendizado, tira a humildade como principal conhecimento. Além disso, salienta que a esperança é persistente, pois tudo é possível e tudo pode ser mudado. “Esses equivocados que comentem erros e delitos, eles vão encontrar sim a possibilidade de achar na vida outro momento. Tudo na vida são fases”.

No dia 17 de julho de 1990, foi ao ar o primeiro programa do Barra Pesada (FOTO: Emílio moreno/ Tribuna do Ceará)

No dia 17 de julho de 1990, foi ao ar o primeiro programa do Barra Pesada (FOTO: Emílio Moreno/ Tribuna do Ceará)

De repórter a editor

Atualmente como editor-chefe do programa, Paulo Campelo há 12 anos iniciou a carreira como repórter. Por gostar de noticiar casos policiais e sonhar em trabalhar no Barra Pesada, foi ganhando destaque na emissora desde 2009. Segue a mesma linha de Nonato, ao deletar os casos que cobria, pois não gostava de absorver a tristeza e crueldade dos crimes.

“Até hoje só teve um caso que me marcou. Que eu saí do local da pauta e fiquei com aquilo na cabeça”. Ele relembra o crime de uma garota que foi estuprada pelo namorado e amigos, que acabou sendo encontrada em um esgoto na cidade de Itapajé. Ao chegar no local um dia depois do crime, Paulo e equipe foram fazer uma espécie de reconstituição.

“No dia não tinha nada, nem corpo, só o cara preso e fomos resgatar lá no local. Descemos no bueiro com uma escada e encontramos, naquele cenário muito escuro e com lama, pedras e pedaços de madeira sujos de sangue, que teriam sido utilizados no crime. Eu saí de lá com aquela carga muito pesada. Cheguei em casa e não consegui entrar com a roupa que eu estava. Eu entrei em casa pelado, tomei banho na área para tirar tudo aquilo”, relembra.

Esse não foi o único caso complicado de Paulo. Ele até já foi solicitado por uma equipe da polícia para convencer que uma mulher liberasse uma refém que mantinha dentro de casa.

Em outra pauta marcante, o então repórter participou de uma perseguição policial a cinco detentos que haviam fugido de um presídio. Com final feliz, presenciou a captura dos foragidos e toda a ação da policial. “Foi pura adrenalina”.

Paulo encara a história com o Barra Pesada como um grande aprendizado para a vida. Foi a partir dessa experiência que passou a respeitar mais o próximo, valorizar a própria vida e tomar cuidados no trânsito e em casa. “Percebi que nós não somos nada aqui”. Ele espera que as matérias exibidas também sirvam de aprendizado para outras pessoas.

O programa coleciona uma série de fatos marcantes. De modo especial, hoje busca evitar as imagens violentas e prefere mostrar casos mais sociais, em que também solicita ajuda para as pessoas despertando a caridade. Em comemoração aos 25 anos de existência, vida longa ao Barra Pesada.

Programação especial

Para comemorar o aniversário do Barra Pesada, a TV Jangadeiro promove uma série de matérias especiais que vão ao ar a partir desta segunda-feira (20), no programa e também no Jornal Jangadeiro. Confira o vídeo:

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