"A gente tenta gritar, mas fica paralisada", relatam vítimas de homens que se masturbam em ônibus
ASSÉDIO SEXUAL

“A gente tenta gritar, mas fica paralisada”, relatam vítimas de homens que se masturbam em ônibus

Conversamos com mulheres que passaram por casos semelhantes ao desta segunda-feira. Relatos são assustadores

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

6 de dezembro de 2016 às 10:52

Há 2 meses
Homem foi flagrado se masturbando em ônibus (FOTO: Reprodução)

Homem foi flagrado se masturbando em ônibus (FOTO: Reprodução)

Por Matheus Ribeiro e Roberta Tavares

Comentários desnecessários, mão boba, encochamento e agressões verbais. O assédio dentro de transportes coletivos de Fortaleza não é algo novo. Nesta segunda-feira (5), o Tribuna do Ceará noticiou o flagrante de uma mulher que filmou um homem se masturbando no ônibus, por volta das 11h, na linha Genibaú/Lagoa.

Mas o caso não é isolado. Acontece todos os dias, em qualquer horário, com mulheres de todas as idades. Diante da circunstância, o Tribuna do Ceará conversou com mulheres que passaram por situações semelhantes. Uma delas, inclusive, foi surpreendida ainda criança. Outra, uma jovem de 26 anos, ressaltou já ter sido assediada duas vezes dentro de ônibus.

“Uma vez eu estava naquela cadeira que fica perto do trocador, na parte de traseira do ônibus. Só tinha eu; porque, como só ia descer no terminal, tinha o costume de sentar antes da catraca, onde tem lugar vago. Percebi que ele estava olhando muito para mim. Quando vejo, ele está pegando nas partes íntimas dele, por cima da calça, mas fazendo um movimento de ‘vai e vem”.

A jornalista achou estranho, por não entender o que estava acontecendo. “Nunca imaginaria que ele faria isso. Foi quando prestei atenção, e ele começou a fazer os movimentos mais fortes. Fiquei com medo e resolvi passar. Ele ainda tentou pegar minha mão. Eu meio que ‘joguei o dinheiro’ na mão dele e passei correndo”, relembra a situação que aconteceu há três anos, mas insiste em permanecer na memória.

No outro caso, o agressor era um idoso. “Entrei no ônibus e tinha uma cadeira vaga (do lado do corredor, não era a janela) e tinha um senhor. Fiquei lá… Quando vi, ele estava fazendo um gesto estranho: com os dois dedos (polegar e indicador) passando na virilha. Mas me dei conta de que não era na virilha… era no ‘negócio’ dele. Tomei um susto, mas não fiz nada, simplesmente me levantei e saí”.

Segundo disse, muitas mulheres já viram ou passaram pelo constrangimento e desrespeito e, como ela, nunca tiveram coragem de falar, seja por vergonha ou medo. “Ou também por, simplesmente, as pessoas não acreditaram, porque é a minha palavra contra a do homem. Muitas acabam fingindo que não viram nada até para ‘não dar bola’ para o que ele está fazendo. Até porque, tem gente que acha que aquilo é gesto de ‘macho’”, reflete.

“Não falo só por mim, mas por todas, que tenho certeza de que já passaram por alguma situação desse tipo, incluindo olhares, ‘cantadas’ e até ‘passadas de mão’. O maior sentimento que eu tenho é de nojo e tristeza em saber que, além de todos os medos na rua, você ainda tem que tomar cuidado com o homem que está ao seu lado no transporte”, lamenta.

Quando eu li a matéria no Tribuna do Ceará, pensei na mesma hora: ‘Ôxe, eu também já passei por isso’. Como se fosse comum… Meu Deus! Isso não pode ser comum”.

“O maior sentimento que tenho é de nojo e tristeza em saber que, além de todos os medos na rua, você ainda tem que tomar cuidado com o homem que está ao seu lado no transporte”

Celular na mão

Outra mulher, de 23 anos, flagrou um homem se masturbando, também dentro de um ônibus, ao assistir a uma transmissão ao vivo no Facebook. No vídeo, uma jovem dançava, enquanto o agressor se excitava no transporte.

“Eu estava em pé, ao lado dele. A menina, no vídeo, aparecia dançando. Ele começou a ter reações como se estivesse excitado. Não chegou a tirar o órgão da roupa, mas ficou passando a mão. Teve uma hora que a conexão caiu, e ele ficou nervoso, porque parecia que ele queria continuar”.

De acordo com ela, o ônibus estava lotado, mas não interferia em nada no comportamento do homem. “Tinha uma mulher sentada ao lado dele. Quando a conexão voltou, ele continuou a passar a mão, cada vez mais rápido. Dava para perceber que ele estava se masturbando em cima da roupa mesmo, mas ele não se importou muito. Até que chegou o momento de ele descer na parada de ônibus”. 

Para a jovem, a situação foi constrangedora e, por isso, não teve reação. “A gente acha que vai conseguir gritar, mas eu não tive reação nenhuma na hora. Eu só queria que ele descesse, para eu poder conseguir respirar, porque foi horrível”.

Redes sociais

Nas redes sociais do Tribuna do Ceará, após a publicação da matéria em seu perfil oficial no Facebook, uma série de mulheres contaram casos semelhantes já presenciados. Em algumas publicações, muitas relatam que já presenciaram quando ainda eram crianças.

“Já passei por isso quando era criança e, simplesmente, não tive reação, pensei em correr para o colo da minha mãe. Nunca disse isso para ninguém, era um velho. Lembro muito bem e não soube o que fazer”, relata uma das leitoras.

Outras destacam que casos como esse chocam qualquer mulher. “Já passei por isso também. É horrível, a gente não sabe se grita, se chora ou se reage batendo. Mas muitas fazem como eu, ficam sem reação”, escreveu outra mulher.

Veja os relatos:

(FOTO: Reprodução Facebook)

(FOTO: Reprodução Facebook)

(FOTO: Reprodução Facebook)

(FOTO: Reprodução Facebook)

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ASSÉDIO SEXUAL

“A gente tenta gritar, mas fica paralisada”, relatam vítimas de homens que se masturbam em ônibus

Conversamos com mulheres que passaram por casos semelhantes ao desta segunda-feira. Relatos são assustadores

Por Tribuna do Ceará em Cotidiano

6 de dezembro de 2016 às 10:52

Há 2 meses
Homem foi flagrado se masturbando em ônibus (FOTO: Reprodução)

Homem foi flagrado se masturbando em ônibus (FOTO: Reprodução)

Por Matheus Ribeiro e Roberta Tavares

Comentários desnecessários, mão boba, encochamento e agressões verbais. O assédio dentro de transportes coletivos de Fortaleza não é algo novo. Nesta segunda-feira (5), o Tribuna do Ceará noticiou o flagrante de uma mulher que filmou um homem se masturbando no ônibus, por volta das 11h, na linha Genibaú/Lagoa.

Mas o caso não é isolado. Acontece todos os dias, em qualquer horário, com mulheres de todas as idades. Diante da circunstância, o Tribuna do Ceará conversou com mulheres que passaram por situações semelhantes. Uma delas, inclusive, foi surpreendida ainda criança. Outra, uma jovem de 26 anos, ressaltou já ter sido assediada duas vezes dentro de ônibus.

“Uma vez eu estava naquela cadeira que fica perto do trocador, na parte de traseira do ônibus. Só tinha eu; porque, como só ia descer no terminal, tinha o costume de sentar antes da catraca, onde tem lugar vago. Percebi que ele estava olhando muito para mim. Quando vejo, ele está pegando nas partes íntimas dele, por cima da calça, mas fazendo um movimento de ‘vai e vem”.

A jornalista achou estranho, por não entender o que estava acontecendo. “Nunca imaginaria que ele faria isso. Foi quando prestei atenção, e ele começou a fazer os movimentos mais fortes. Fiquei com medo e resolvi passar. Ele ainda tentou pegar minha mão. Eu meio que ‘joguei o dinheiro’ na mão dele e passei correndo”, relembra a situação que aconteceu há três anos, mas insiste em permanecer na memória.

No outro caso, o agressor era um idoso. “Entrei no ônibus e tinha uma cadeira vaga (do lado do corredor, não era a janela) e tinha um senhor. Fiquei lá… Quando vi, ele estava fazendo um gesto estranho: com os dois dedos (polegar e indicador) passando na virilha. Mas me dei conta de que não era na virilha… era no ‘negócio’ dele. Tomei um susto, mas não fiz nada, simplesmente me levantei e saí”.

Segundo disse, muitas mulheres já viram ou passaram pelo constrangimento e desrespeito e, como ela, nunca tiveram coragem de falar, seja por vergonha ou medo. “Ou também por, simplesmente, as pessoas não acreditaram, porque é a minha palavra contra a do homem. Muitas acabam fingindo que não viram nada até para ‘não dar bola’ para o que ele está fazendo. Até porque, tem gente que acha que aquilo é gesto de ‘macho’”, reflete.

“Não falo só por mim, mas por todas, que tenho certeza de que já passaram por alguma situação desse tipo, incluindo olhares, ‘cantadas’ e até ‘passadas de mão’. O maior sentimento que eu tenho é de nojo e tristeza em saber que, além de todos os medos na rua, você ainda tem que tomar cuidado com o homem que está ao seu lado no transporte”, lamenta.

Quando eu li a matéria no Tribuna do Ceará, pensei na mesma hora: ‘Ôxe, eu também já passei por isso’. Como se fosse comum… Meu Deus! Isso não pode ser comum”.

“O maior sentimento que tenho é de nojo e tristeza em saber que, além de todos os medos na rua, você ainda tem que tomar cuidado com o homem que está ao seu lado no transporte”

Celular na mão

Outra mulher, de 23 anos, flagrou um homem se masturbando, também dentro de um ônibus, ao assistir a uma transmissão ao vivo no Facebook. No vídeo, uma jovem dançava, enquanto o agressor se excitava no transporte.

“Eu estava em pé, ao lado dele. A menina, no vídeo, aparecia dançando. Ele começou a ter reações como se estivesse excitado. Não chegou a tirar o órgão da roupa, mas ficou passando a mão. Teve uma hora que a conexão caiu, e ele ficou nervoso, porque parecia que ele queria continuar”.

De acordo com ela, o ônibus estava lotado, mas não interferia em nada no comportamento do homem. “Tinha uma mulher sentada ao lado dele. Quando a conexão voltou, ele continuou a passar a mão, cada vez mais rápido. Dava para perceber que ele estava se masturbando em cima da roupa mesmo, mas ele não se importou muito. Até que chegou o momento de ele descer na parada de ônibus”. 

Para a jovem, a situação foi constrangedora e, por isso, não teve reação. “A gente acha que vai conseguir gritar, mas eu não tive reação nenhuma na hora. Eu só queria que ele descesse, para eu poder conseguir respirar, porque foi horrível”.

Redes sociais

Nas redes sociais do Tribuna do Ceará, após a publicação da matéria em seu perfil oficial no Facebook, uma série de mulheres contaram casos semelhantes já presenciados. Em algumas publicações, muitas relatam que já presenciaram quando ainda eram crianças.

“Já passei por isso quando era criança e, simplesmente, não tive reação, pensei em correr para o colo da minha mãe. Nunca disse isso para ninguém, era um velho. Lembro muito bem e não soube o que fazer”, relata uma das leitoras.

Outras destacam que casos como esse chocam qualquer mulher. “Já passei por isso também. É horrível, a gente não sabe se grita, se chora ou se reage batendo. Mas muitas fazem como eu, ficam sem reação”, escreveu outra mulher.

Veja os relatos:

(FOTO: Reprodução Facebook)

(FOTO: Reprodução Facebook)

(FOTO: Reprodução Facebook)

(FOTO: Reprodução Facebook)