1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado, diz IBGE

DESIGUALDADE DE RENDA

1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado, diz IBGE

Aspectos sociais, como o acesso à educação e saúde, que repercutem na posição social dos indivíduos e nos postos de trabalho, são cruciais na distribuição de renda

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

14 de março de 2019 às 13:53

Há 2 semanas
Objetivo é que o consumidor não seja enganado (FOTO: Artur Luiz/Flickr/Creative Commons)

Ceará é o sétimo do país em concentração de renda. (FOTO: Artur Luiz/Flickr/Creative Commons)

O Ceará ocupa a sétima posição no Brasil em maior concentração de renda. De acordo com o IBGE, 1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado. Além disso, dos 9 milhões de habitantes, apenas 5 milhões e 200 mil pessoas têm algum tipo de rendimento, seja originado do trabalho, do aluguel seja de alguma outra fonte de renda, como um benefício social.

Segundo dados da Receita Federal, só 600 mil cearenses são obrigados a declarar o imposto de renda, porque apenas esse número atingiu a cota de declaração, mostrando o nível de desigualdade. Com informações da Tribuna Band News FM.

O aumento da concentração de renda no Estado se acentuou na passagem de 2016 para 2017, como explica o disseminador de pesquisas do IBGE, Helder Rocha, tendo como base o índice de Gini, que mede a distribuição de renda.

“O Índice de Gini é um índice que mede a desigualdade da distribuição de renda e o seu valor varia de zero até um. Zero é a igualdade uniformemente distribuída entre a população e 1 é a desigualdade máxima. No Nordeste, o Ceará, em 2017, tinha o terceiro maior Índice de Gini, e o estado da Bahia tinha o maior com 0,599. O Rio Grande do Norte tem o menor da região Norte-Nordeste, 0,529”, explicou o especialista.

Aspectos sociais, como o acesso à educação e saúde, que repercutem na posição social dos indivíduos e consequentemente nos postos de trabalho, que são os principais responsáveis pela maior parte da renda do cearense, são cruciais na distribuição de rendimentos.

O coordenador do Laboratório dos Estudos da Pobreza da UFC, Vitor Hugo Miro, ressalta que a recessão econômica brasileira piorou a distribuição de renda. Segundo ele, o cenário macroeconômico complica os efeitos de demais políticas públicas em outras áreas a serem implementadas e, portanto, afeta a reversão do quadro.

“Nos últimos anos, inclusive um pouco antes de estarmos num período de crise, a nossa desigualdade de renda já veio sofrendo uma piora. Muito disso se deve ao cenário macroeconômico de crise, de redução de rendimentos, de aumento de desemprego. Então, pelo menos a curto prazo, a gente só vai conseguir reverter esse aumento de desigualdade de renda quando a gente melhorar as nossas condições econômicas, redução de desemprego e a economia crescer”, explicou Vitor Hugo Miro.

1% da população

O IBGE revela ainda que 1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado, com média mensal chegando a quase R$ 20.000,00 (vinte mil reais). O valor é 40 vezes maior que os R$497,00 reais recebidos por metade dos trabalhadores cearenses.

Para o professor de economia da Universidade Estadual do Ceará e conselheiro federal de economia, Lauro Chaves Neto, a concentração de renda é um problema histórico, que pode se resolver apenas nas próximas décadas, desde que sejam implementadas políticas públicas eficientes.

“Para você reduzir a desigualdade, você precisa primeiro capacitar esses 50% de renda menor no estado do Ceará para que eles consigam, melhorando seu nível educacional, melhorar sua produtividade, de empreendedorismo e não ficaram dependendo de emprego, mas possam ser microempreendedores individuais, que possam colocar pequenos negócios, microempresas e isso vai contribuir para reverter esse quadro ao longo de décadas. Mas não só a educação. Nós precisamos melhorar a estrutura física, o capital social, as instituições, associações de bairros..”, disse o professor.

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, o índice de Gini, que mede a distribuição de renda das pessoas a partir de 15 anos de idade, o indicador vinha apresentando redução da concentração desde 2012, mas na passagem de 2016 para 2017 em que houve acentuação na concentração de renda do Ceará, a mesma tendência foi observada no país.

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DESIGUALDADE DE RENDA

1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado, diz IBGE

Aspectos sociais, como o acesso à educação e saúde, que repercutem na posição social dos indivíduos e nos postos de trabalho, são cruciais na distribuição de renda

Por Tribuna Bandnews FM em Ceará

14 de março de 2019 às 13:53

Há 2 semanas
Objetivo é que o consumidor não seja enganado (FOTO: Artur Luiz/Flickr/Creative Commons)

Ceará é o sétimo do país em concentração de renda. (FOTO: Artur Luiz/Flickr/Creative Commons)

O Ceará ocupa a sétima posição no Brasil em maior concentração de renda. De acordo com o IBGE, 1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado. Além disso, dos 9 milhões de habitantes, apenas 5 milhões e 200 mil pessoas têm algum tipo de rendimento, seja originado do trabalho, do aluguel seja de alguma outra fonte de renda, como um benefício social.

Segundo dados da Receita Federal, só 600 mil cearenses são obrigados a declarar o imposto de renda, porque apenas esse número atingiu a cota de declaração, mostrando o nível de desigualdade. Com informações da Tribuna Band News FM.

O aumento da concentração de renda no Estado se acentuou na passagem de 2016 para 2017, como explica o disseminador de pesquisas do IBGE, Helder Rocha, tendo como base o índice de Gini, que mede a distribuição de renda.

“O Índice de Gini é um índice que mede a desigualdade da distribuição de renda e o seu valor varia de zero até um. Zero é a igualdade uniformemente distribuída entre a população e 1 é a desigualdade máxima. No Nordeste, o Ceará, em 2017, tinha o terceiro maior Índice de Gini, e o estado da Bahia tinha o maior com 0,599. O Rio Grande do Norte tem o menor da região Norte-Nordeste, 0,529”, explicou o especialista.

Aspectos sociais, como o acesso à educação e saúde, que repercutem na posição social dos indivíduos e consequentemente nos postos de trabalho, que são os principais responsáveis pela maior parte da renda do cearense, são cruciais na distribuição de rendimentos.

O coordenador do Laboratório dos Estudos da Pobreza da UFC, Vitor Hugo Miro, ressalta que a recessão econômica brasileira piorou a distribuição de renda. Segundo ele, o cenário macroeconômico complica os efeitos de demais políticas públicas em outras áreas a serem implementadas e, portanto, afeta a reversão do quadro.

“Nos últimos anos, inclusive um pouco antes de estarmos num período de crise, a nossa desigualdade de renda já veio sofrendo uma piora. Muito disso se deve ao cenário macroeconômico de crise, de redução de rendimentos, de aumento de desemprego. Então, pelo menos a curto prazo, a gente só vai conseguir reverter esse aumento de desigualdade de renda quando a gente melhorar as nossas condições econômicas, redução de desemprego e a economia crescer”, explicou Vitor Hugo Miro.

1% da população

O IBGE revela ainda que 1% da população cearense concentra os maiores rendimentos do Estado, com média mensal chegando a quase R$ 20.000,00 (vinte mil reais). O valor é 40 vezes maior que os R$497,00 reais recebidos por metade dos trabalhadores cearenses.

Para o professor de economia da Universidade Estadual do Ceará e conselheiro federal de economia, Lauro Chaves Neto, a concentração de renda é um problema histórico, que pode se resolver apenas nas próximas décadas, desde que sejam implementadas políticas públicas eficientes.

“Para você reduzir a desigualdade, você precisa primeiro capacitar esses 50% de renda menor no estado do Ceará para que eles consigam, melhorando seu nível educacional, melhorar sua produtividade, de empreendedorismo e não ficaram dependendo de emprego, mas possam ser microempreendedores individuais, que possam colocar pequenos negócios, microempresas e isso vai contribuir para reverter esse quadro ao longo de décadas. Mas não só a educação. Nós precisamos melhorar a estrutura física, o capital social, as instituições, associações de bairros..”, disse o professor.

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, o índice de Gini, que mede a distribuição de renda das pessoas a partir de 15 anos de idade, o indicador vinha apresentando redução da concentração desde 2012, mas na passagem de 2016 para 2017 em que houve acentuação na concentração de renda do Ceará, a mesma tendência foi observada no país.