Relembre as chuvas de 2004, quando o Ceará recebeu o maior aporte de água da história

VOLUME HISTÓRICO

Relembre as chuvas de 2004, quando o Ceará recebeu o maior aporte de água da história

Volume de chuvas no mês de janeiro foi atípico e se seguiu nos meses seguintes, destruindo pontes e barragens

Por Jéssica Welma em Ceará

19 de agosto de 2017 às 06:30

Há 3 meses
Castanhão encheu pela primeira vez em 2004. (Foto: Dnocs)

Castanhão encheu pela primeira vez em 2004. (Foto: Dnocs)

O mês de janeiro de 2004 está marcado na memória dos cearenses como o mês mais chuvoso de toda a história do Estado. Tradicionalmente, abril e março são os meses com mais chuvas na região, o que não aconteceu em 2004. Só o primeiro mês do ano registrou chuvas 311% acima da média.

Para a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), dezembro e janeiro são meses de difícil previsão de precipitações e têm sistemas atuantes diferentes dos que marcam a quadra chuvosa no Ceará.

Possibilidades de que, na história do Ceará, outro “janeiro de 2004” aconteça sempre vão existir, apesar da excepcionalidade. De acordo com a Funceme, janeiro tem média histórica de chuvas em 98,7%, mas, em 2004, o índice quadruplicou, com a marca de 406 milímetros de chuva.

O ano foi marcado por arrombamento de várias barragens, prejuízo da plantação de agricultores, destruição de pontes nas estradas e pelo aumento do nível dos açudes até a cota máxima.

Comparação das chuvas em janeiro de 2004 e janeiro de 2017 no Ceará. (Foto: Reprodução/Funceme)

Comparação das chuvas em janeiro de 2004 e janeiro de 2017 no Ceará. (Foto: Reprodução/Funceme)

Castanhão

Uma das marcas do mês com maior índice de chuvas da história do Ceará foi a primeira cheia do açude Castanhão. Na época, inaugurado há cerca de um ano, dizia-se que seria preciso uma década para que o açude chegasse ao nível máximo, o que aconteceu em poucos dias de 2004.

A história é contada pelo coordenador do Departamento de Obras Contra a Seca (Dnocs), Fernando Pimentel. Ele atuou em todo o processo de remoção de moradores da Velha Jaguaribara para dar lugar às águas para o açude. Após a remoção das pessoas, eles esperavam fazer a remoção da fauna e de postes ao longo dos meses, mas tiveram de resolver a situação às pressas.

Com a força das chuvas, o volume das águas subiu rapidamente e foi preciso uma ação de emergência para salvar os animais. Quando o nível do açude começou a cair, anos depois, era possível ver os o topo dos postes e da fiação não removidos.

A Funceme explica, através da assessoria de imprensa, de que as chuvas em janeiro de 2004 são uma exceção, conforme os dados das últimas três décadas. Em janeiro, atuam os Vórtices Ciclônicos de Alto Nível e Cavados de Alto Nível, um sistema de previsão difícil em relação à frequência e à intensidade, conforme a Funceme.

O órgão conta com um sistema de previsão global especializado para as previsões de chuva entre fevereiro e maio, quando atua a Zona de Convergência Intertropical.

Em seu estudo sobre as chuvas em 2004, a ex-diretora da Academia Cearense de Ciências Teresinha de Maria Bezerra Sampaio Xavier pontua que, no ano, houve um aspecto complicador para a previsão das chuvas, “tornando-a especialmente dificultosa” devido a uma “situação de neutralidade” no Pacífico Equatorial, ou seja, sem ocorrência do fenômeno El Niño ou La Niña.

“Com efeito, sabe-se agora que anos neutros no Pacífico constituem anos de transição nos quais a previsão das chuvas para o Nordeste Setentrional e para o Ceará sempre oferece muito embaraço”, afirma.

Para 2017, a previsão da Funceme foi de 40% para chuvas acima da média, 30% para chuvas dentro da média e 30% para chuvas abaixo da média, o que é considerada uma porcentagem alta para o risco de seca.

Fim da quadra
A quadra chuvosa deste ano não foi suficiente para reabastecer os principais açudes do Estado. Com aporte 1,39 bilhões de metros cúbicos de água, o Estado se afirma no sexto ano consecutivo de seca.  O segundo semestre do ano, época de raras precipitações de chuva, deve agravar a situação, pois o período é marcado por céu sem nuvens e ventos fortes que ajudam a evaporar o volume de água dos açudes.

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Relembre as chuvas de 2004, quando o Ceará recebeu o maior aporte de água da história

Volume de chuvas no mês de janeiro foi atípico e se seguiu nos meses seguintes, destruindo pontes e barragens

Por Jéssica Welma em Ceará

19 de agosto de 2017 às 06:30

Há 3 meses
Castanhão encheu pela primeira vez em 2004. (Foto: Dnocs)

Castanhão encheu pela primeira vez em 2004. (Foto: Dnocs)

O mês de janeiro de 2004 está marcado na memória dos cearenses como o mês mais chuvoso de toda a história do Estado. Tradicionalmente, abril e março são os meses com mais chuvas na região, o que não aconteceu em 2004. Só o primeiro mês do ano registrou chuvas 311% acima da média.

Para a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), dezembro e janeiro são meses de difícil previsão de precipitações e têm sistemas atuantes diferentes dos que marcam a quadra chuvosa no Ceará.

Possibilidades de que, na história do Ceará, outro “janeiro de 2004” aconteça sempre vão existir, apesar da excepcionalidade. De acordo com a Funceme, janeiro tem média histórica de chuvas em 98,7%, mas, em 2004, o índice quadruplicou, com a marca de 406 milímetros de chuva.

O ano foi marcado por arrombamento de várias barragens, prejuízo da plantação de agricultores, destruição de pontes nas estradas e pelo aumento do nível dos açudes até a cota máxima.

Comparação das chuvas em janeiro de 2004 e janeiro de 2017 no Ceará. (Foto: Reprodução/Funceme)

Comparação das chuvas em janeiro de 2004 e janeiro de 2017 no Ceará. (Foto: Reprodução/Funceme)

Castanhão

Uma das marcas do mês com maior índice de chuvas da história do Ceará foi a primeira cheia do açude Castanhão. Na época, inaugurado há cerca de um ano, dizia-se que seria preciso uma década para que o açude chegasse ao nível máximo, o que aconteceu em poucos dias de 2004.

A história é contada pelo coordenador do Departamento de Obras Contra a Seca (Dnocs), Fernando Pimentel. Ele atuou em todo o processo de remoção de moradores da Velha Jaguaribara para dar lugar às águas para o açude. Após a remoção das pessoas, eles esperavam fazer a remoção da fauna e de postes ao longo dos meses, mas tiveram de resolver a situação às pressas.

Com a força das chuvas, o volume das águas subiu rapidamente e foi preciso uma ação de emergência para salvar os animais. Quando o nível do açude começou a cair, anos depois, era possível ver os o topo dos postes e da fiação não removidos.

A Funceme explica, através da assessoria de imprensa, de que as chuvas em janeiro de 2004 são uma exceção, conforme os dados das últimas três décadas. Em janeiro, atuam os Vórtices Ciclônicos de Alto Nível e Cavados de Alto Nível, um sistema de previsão difícil em relação à frequência e à intensidade, conforme a Funceme.

O órgão conta com um sistema de previsão global especializado para as previsões de chuva entre fevereiro e maio, quando atua a Zona de Convergência Intertropical.

Em seu estudo sobre as chuvas em 2004, a ex-diretora da Academia Cearense de Ciências Teresinha de Maria Bezerra Sampaio Xavier pontua que, no ano, houve um aspecto complicador para a previsão das chuvas, “tornando-a especialmente dificultosa” devido a uma “situação de neutralidade” no Pacífico Equatorial, ou seja, sem ocorrência do fenômeno El Niño ou La Niña.

“Com efeito, sabe-se agora que anos neutros no Pacífico constituem anos de transição nos quais a previsão das chuvas para o Nordeste Setentrional e para o Ceará sempre oferece muito embaraço”, afirma.

Para 2017, a previsão da Funceme foi de 40% para chuvas acima da média, 30% para chuvas dentro da média e 30% para chuvas abaixo da média, o que é considerada uma porcentagem alta para o risco de seca.

Fim da quadra
A quadra chuvosa deste ano não foi suficiente para reabastecer os principais açudes do Estado. Com aporte 1,39 bilhões de metros cúbicos de água, o Estado se afirma no sexto ano consecutivo de seca.  O segundo semestre do ano, época de raras precipitações de chuva, deve agravar a situação, pois o período é marcado por céu sem nuvens e ventos fortes que ajudam a evaporar o volume de água dos açudes.