Em 15 anos, 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados no Ceará


Em 15 anos, 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados no Ceará

Pesquisador do instituto Daniel Cerqueira analisou os dados de mortes por causas indeterminadas do Datasus

Por Tribuna do Ceará em Ceará

5 de agosto de 2013 às 14:38

Há 6 anos

Por Roberta Tavares e Felipe Lima

Com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, estimou-se o número de homicídios ocultos (HOs) em cada estado do Brasil, considerando os óbitos que foram erroneamente classificados como “causa indeterminada”. O balanço dos dados foi divulgado nesta segunda-feira (5) no estudo chamado Mapa dos homicídios ocultos do Brasil.

O levantamento aponta que somente no Ceará, mais de 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados em 15 anos, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De 1996 a 2010, 2.643 homicídios não entraram nas estatísticas de mortes violentas do Ceará. Em 2010, o número de mortes ocultas chegou a 302.

A descoberta foi feita pelo diretor da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest) do Ipea, pesquisador do instituto Daniel Cerqueira, que analisou os dados de mortes por causas indeterminadas do Datasus, Banco de dados do Sistema Único de Saúde, criado pelo Ministério da Saúde.

Mortes indeterminadas

Os estados com menor prevalência de mortes indeterminadas desde 2000 foram: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná, Santa Catarina, e Tocantins. Os estados com prevalência intermediária foram: Ceará, Mato Grosso; Rio Grande do Sul; Rondônia; e Sergipe.

Enquanto em Sergipe houve diminuição paulatina nas taxas de mortes indeterminadas, por todo o período, no Ceará e em Mato Grosso houve aumento, ainda que não monotônico. Os maiores índices de mortes indeterminadas foram verificados em sete estados: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo.

Sobre o levantamento

Foram analisadas as características socioeconômicas e situacionais associadas a cada uma das quase 1,9 milhão de mortes violentas, ocorridas no país entre 1996 e 2010. Os resultados deste estudo indicaram que o número de homicídios no país seria 18,3% superior ao dos registros oficiais, o que representa cerca de 8.600 homicídios não reconhecidos, a cada ano.

Com isso, as estimativas indicaram que o Brasil ultrapassou a marca anual de 60 mil óbitos por agressões. Os cálculos mostraram ainda que o crescimento substancial da taxa de homicídios em muitos estados do Brasil e, em particular, do Nordeste, não ocorreu, mas que os índices oficiais foram conduzidos pela diminuição da subnotificação que se deu com o aprimoramento na qualidade do SIM.

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Em 15 anos, 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados no Ceará

Pesquisador do instituto Daniel Cerqueira analisou os dados de mortes por causas indeterminadas do Datasus

Por Tribuna do Ceará em Ceará

5 de agosto de 2013 às 14:38

Há 6 anos

Por Roberta Tavares e Felipe Lima

Com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, estimou-se o número de homicídios ocultos (HOs) em cada estado do Brasil, considerando os óbitos que foram erroneamente classificados como “causa indeterminada”. O balanço dos dados foi divulgado nesta segunda-feira (5) no estudo chamado Mapa dos homicídios ocultos do Brasil.

O levantamento aponta que somente no Ceará, mais de 2,6 mil homicídios deixaram de ser contabilizados em 15 anos, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De 1996 a 2010, 2.643 homicídios não entraram nas estatísticas de mortes violentas do Ceará. Em 2010, o número de mortes ocultas chegou a 302.

A descoberta foi feita pelo diretor da Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia (Diest) do Ipea, pesquisador do instituto Daniel Cerqueira, que analisou os dados de mortes por causas indeterminadas do Datasus, Banco de dados do Sistema Único de Saúde, criado pelo Ministério da Saúde.

Mortes indeterminadas

Os estados com menor prevalência de mortes indeterminadas desde 2000 foram: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná, Santa Catarina, e Tocantins. Os estados com prevalência intermediária foram: Ceará, Mato Grosso; Rio Grande do Sul; Rondônia; e Sergipe.

Enquanto em Sergipe houve diminuição paulatina nas taxas de mortes indeterminadas, por todo o período, no Ceará e em Mato Grosso houve aumento, ainda que não monotônico. Os maiores índices de mortes indeterminadas foram verificados em sete estados: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo.

Sobre o levantamento

Foram analisadas as características socioeconômicas e situacionais associadas a cada uma das quase 1,9 milhão de mortes violentas, ocorridas no país entre 1996 e 2010. Os resultados deste estudo indicaram que o número de homicídios no país seria 18,3% superior ao dos registros oficiais, o que representa cerca de 8.600 homicídios não reconhecidos, a cada ano.

Com isso, as estimativas indicaram que o Brasil ultrapassou a marca anual de 60 mil óbitos por agressões. Os cálculos mostraram ainda que o crescimento substancial da taxa de homicídios em muitos estados do Brasil e, em particular, do Nordeste, não ocorreu, mas que os índices oficiais foram conduzidos pela diminuição da subnotificação que se deu com o aprimoramento na qualidade do SIM.