Museus do Ceará guardam memória do Estado

Uma terra é formada por pessoas, relacionamentos e costumes. Com o passar dos anos, como estabelecer uma ponte entre povos separados pela distância temporal? Guardando as recordações vivenciadas em outra época, os museus atuam resgatando aquilo que precisa ser contado

Uma terra é formada por pessoas, relacionamentos e costumes. Com o passar dos anos, como estabelecer uma ponte entre povos separados pela distância temporal? Guardando as recordações vivenciadas em outra época, os museus atuam resgatando aquilo que precisa ser contado.

Em meio aos costumes regionais, o Ceará salva as lembranças em seis museus estaduais. Museu Sacro São José de Ribamar, o único em Aquiraz, Museu do Ceará, Museu da Imagem e do Som do Ceará, Museu de Arte Contemporânea, Memorial da Cultura Cearense e Sobrado Dr José Lourenço, todos em Fortaleza, são os acervos cearenses abertos ao público.

O professor universitário de História e Ciências Políticas, Francisco Moreira, considera que os museus tem um papel fundamental na inserção social dos habitantes locais. “Faz com que as pessoas entendam a história local e, a partir daí, se reconheçam como atores sociais”, diz. Na prática, isso significa que as pessoas compreendem que também podem construir a história, a partir de ações pessoais.

Além disso, os museus atraem o mercado do turismo. “Ele guarda a memoria de um povo, guarda aspectos importantes das fundações, da cultura. Também existem museus específicos, com peças representativas sobre um período, refletindo e determinado aspectos culturais, construindo uma identidade”, explica.

O professor Moreira ainda afirma que a relação escola e museus deveria sempre acontecer. “Você leva o jovem ao museu e ajuda na questão da história, pois ele começa a entender, vai ter uma noção melhor, vai assimilar melhor. Dessa forma, ele gera uma visão mais adequada dos fatos históricos”, diz.

Museu Sacro São José de Ribamar

Museu Sacro São José de Ribamar. Foto: Divulgação

Inaugurado em 1967, o Museu Sacro São José de Ribamar (MSSJR) foi o primeiro museu sacro instalado no território cearense, no prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia, edificação erguida entre fins do século XVIII. O local, que agora é patrimônio histórico tombado, passou a abrigar um conjunto de objetos religiosos de vários municípios e paróquias cearenses.

Ao todo são 1400 peças, entre santos, anjos, objetos das procissões religiosas, parâmetros litúrgicos, missais etc. muitas de notório valor artístico e cultural, que nos remetem ao barroco colonial cearense. A última reforma aconteceu entre os anos de 2009 e 2010.

Museu do Ceará

Museu do Ceará. Foto: Divulgação

Considerado como a primeira instituição museológica oficial do estado, o Museu Histórico do Ceará foi criado em 1932, mas aberto oficialmente ao público em janeiro de 1933.

O Museu do Ceará possui um acervo com cerca de sete mil peças, resultado de compras e doações de particulares e instituições públicas. Entre moedas e medalhas, há quadros, móveis, peças arqueológicas, artefatos indígenas, bandeiras e armas. Há também peças de “arte popular” e uma coleção de cordéis publicados entre 1940 e 2000 (950 exemplares).

Alguns objetos se referem aos chamados “fatos históricos”, como a escravidão, o movimento abolicionista e movimentos literários, como a famosa “Padaria Espiritual”, que entrou para a História da Literatura Brasileira com especial destaque.

Museu da Imagem e do Som do Ceará

Museu da Imagem e do Som do Ceará. Foto: Divulgação

Inaugurado em 1980, o Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE) é responsável, desde sua fundação, pela preservação, difusão e pesquisa da memória audiovisual do estado. A última reforma aconteceu em no dia 7 de agosto de 1996.

O acervo do MIS-CE é estimado em 150 mil peças: entre discos de música brasileira e internacional (de 78, 45 e 33 e ½ rotações), CD’s, fitas de áudio, de rolo, cassete e micro-cassete, um acervo de imagem (fotografias cópia papel e digital) com imagens de Fortaleza Antiga, de outros municípios cearenses, de personalidades, festas e folguedos populares, artistas populares (cordelistas, artesãos, escultores, etc) cromos e negativos, filmes de diretores cearenses e registros de danças e festas da cultura popular tradicional (em diversos formatos como vídeos betacam, betamax,VHS e super VHS, DVD, H-8, películas de 16mm e 35mm, etc.), depoimentos de personalidades da história do Ceará, cordéis, partituras e muitos outros objetos que contam a história registrados em suportes audiovisuais.

Além do acervo disponibilizado ao usuário, o MIS possui biblioteca especializada (em fase de reorganização), sala de projeção multimídia e espaços expositivos.

Dragão do Mar

Centro Cultural Dragão do Mar. Foto: Jangadeiro Online

O Centro Dragão do Mar possui dois museus: Museu de Arte Contemporânea do Dragão do Mar (MAC) e Memorial da Cultura Cearense (MCC).

O MAC conta com mais de mil obras no acervo. As peças são de autoria de artistas plásticos brasileiros e estrangeiros. Também estão sob a guarda do MAC peças da Pinacoteca do Estado e do acervo do pintor Antônio Bandeira.

No MCC, há exposições de longa e duração e temporárias. Atualmente, as de longa duração são: Vaqueiros, que percorre o universo do vaqueiro a partir da ocupação do território cearense pela pecuária até a atualidade. Utiliza cenografia, imagens e objetos ligados ao cotidiano do vaqueiro; e Brinquedo – A Arte do Movimento, com brinquedos que pertenciam a Coleção Macao Goes.

Sobrado Dr. José Lourenço

Sobrado Dr José Lourenço. Foto: Divulgação

Construído na segunda metade do século XIX, o Sobrado Dr José Lourenço foi moradia, consultório médico, oficina de marcenaria, repartição pública, bordel e, atualmente, é patrimônio tombado do Ceará. Foi restaurado em 2006 pelo Governo do Estado, com patrocínio da Oi, através da Lei Rouanet, e parceria da Oi Futuro. Dessa forma, foi inaugurado, em 31 de julho de 2007, um local com nova destinação: ser um espaço de convivência das artes visuais do Ceará.

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