Meses da pós-estação chuvosa de 2017 têm quase 200% a mais de chuva que em 2016

BOM, MAS NÃO TANTO

Meses da pós-estação chuvosa de 2017 têm quase 200% a mais de chuva que em 2016

A variação representou um crescimento de 193% de 2016 para 2017. Porém, é só 3,7% maior do que a média histórica

Por Tribuna do Ceará em Ceará

8 de agosto de 2017 às 11:50

Há 4 meses
chuva-fortaleza

Quantidade de chuva aumento de 2016 pra 2017 no período pós quadra chuvosa (FOTO: Arquivo Tribuna do Ceará)

A pós-estação chuvosa no Ceará em 2017 registrou um desvio positivo de 3,7%, considerado em torno da média histórica. O volume observado durante os meses de junho e julho foi de 54,8 milímetros, enquanto a normal climatológica é de 52,9mm.

O volume registrado nos dois meses é maior do que o mesmo período de 2016, quando a média foi de 18,7mm. A variação representa um crescimento de 193%, no comparativo entre os dois anos.

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a explicação para o volume de precipitações registrado na pós-estação deste ano foi o impacto de sistemas chamados de Ondas de Leste, que ocorrem a partir de distúrbios na área de atuação dos ventos alísios próximos à Linha do Equador. Eles favorecem a formação de nuvens de chuva, sobretudo nos estados do RN, PB e PE, chegando ao Ceará quando ocorrem em forte intensidade. Esses sistemas são característicos dessa época do ano.

“Esse período, neste ano, foi melhor do que o ano passado, mas um pouco inferior a 2015. Na realidade, a pós-estação é muito variável, ano a ano, e não representa, em geral, um volume médio de chuva, no Estado, de grande importância. Em 2013, no segundo ano do período seco de cinco anos consecutivos, o bimestre junho a julho apresentou o maior desvio (+70,8%) dos últimos 6 anos. Nessa ocasião, choveu, em média, 90,3mm, o que correspondeu, praticamente, à média climatológica do mês de maio (90,6 mm). Portanto, apenas nesse caso, o volume de chuva foi mais expressivo”, explica o meteorologista Raul Fritz.

Apesar das chuvas de pós-estação, a situação hídrica no Estado praticamente não sofreu modificações. É que houve má distribuição espacial. Na prática, reservatórios importantes como Castanhão, Banabuiú e Orós não receberam aporte considerável.

No início de junho, os 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apresentavam volume total de 2,35 bilhões m³, o que representa 12,6%. Já no fim de julho, o acumulado representava 12,1%.

Macrorregiões

Dentre as macrorregiões que registraram maiores volumes de chuva na pós-estação, estão Maciço de Baturité e o Litoral de Fortaleza, cujas médias ficaram em 147,7mm e 120mm, respectivamente. A área com maior desvio positivo em relação à normal climatológica foi o Cariri. Lá, a média histórica é de 30,4 mm, enquanto o observado foi 57,6 milímetros.

“As macrorregiões do Maciço de Baturité, do Litoral de Fortaleza e Jaguaribana apresentaram as maiores médias do período porque elas tendem, em geral, a ser mais beneficiadas por precipitações, na pós-estação, a partir de influências de sistemas meteorológicos que atuam no leste do Nordeste. Daqui em diante, acontecem algumas chuvas eventuais, raramente intensas, principalmente ao longo da região litorânea. As precipitações passam a se tornar mais significativas somente no final do ano, principalmente no mês de dezembro, na macrorregião do Cariri”, conclui Fritz.

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Meses da pós-estação chuvosa de 2017 têm quase 200% a mais de chuva que em 2016

A variação representou um crescimento de 193% de 2016 para 2017. Porém, é só 3,7% maior do que a média histórica

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8 de agosto de 2017 às 11:50

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Quantidade de chuva aumento de 2016 pra 2017 no período pós quadra chuvosa (FOTO: Arquivo Tribuna do Ceará)

A pós-estação chuvosa no Ceará em 2017 registrou um desvio positivo de 3,7%, considerado em torno da média histórica. O volume observado durante os meses de junho e julho foi de 54,8 milímetros, enquanto a normal climatológica é de 52,9mm.

O volume registrado nos dois meses é maior do que o mesmo período de 2016, quando a média foi de 18,7mm. A variação representa um crescimento de 193%, no comparativo entre os dois anos.

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), a explicação para o volume de precipitações registrado na pós-estação deste ano foi o impacto de sistemas chamados de Ondas de Leste, que ocorrem a partir de distúrbios na área de atuação dos ventos alísios próximos à Linha do Equador. Eles favorecem a formação de nuvens de chuva, sobretudo nos estados do RN, PB e PE, chegando ao Ceará quando ocorrem em forte intensidade. Esses sistemas são característicos dessa época do ano.

“Esse período, neste ano, foi melhor do que o ano passado, mas um pouco inferior a 2015. Na realidade, a pós-estação é muito variável, ano a ano, e não representa, em geral, um volume médio de chuva, no Estado, de grande importância. Em 2013, no segundo ano do período seco de cinco anos consecutivos, o bimestre junho a julho apresentou o maior desvio (+70,8%) dos últimos 6 anos. Nessa ocasião, choveu, em média, 90,3mm, o que correspondeu, praticamente, à média climatológica do mês de maio (90,6 mm). Portanto, apenas nesse caso, o volume de chuva foi mais expressivo”, explica o meteorologista Raul Fritz.

Apesar das chuvas de pós-estação, a situação hídrica no Estado praticamente não sofreu modificações. É que houve má distribuição espacial. Na prática, reservatórios importantes como Castanhão, Banabuiú e Orós não receberam aporte considerável.

No início de junho, os 153 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apresentavam volume total de 2,35 bilhões m³, o que representa 12,6%. Já no fim de julho, o acumulado representava 12,1%.

Macrorregiões

Dentre as macrorregiões que registraram maiores volumes de chuva na pós-estação, estão Maciço de Baturité e o Litoral de Fortaleza, cujas médias ficaram em 147,7mm e 120mm, respectivamente. A área com maior desvio positivo em relação à normal climatológica foi o Cariri. Lá, a média histórica é de 30,4 mm, enquanto o observado foi 57,6 milímetros.

“As macrorregiões do Maciço de Baturité, do Litoral de Fortaleza e Jaguaribana apresentaram as maiores médias do período porque elas tendem, em geral, a ser mais beneficiadas por precipitações, na pós-estação, a partir de influências de sistemas meteorológicos que atuam no leste do Nordeste. Daqui em diante, acontecem algumas chuvas eventuais, raramente intensas, principalmente ao longo da região litorânea. As precipitações passam a se tornar mais significativas somente no final do ano, principalmente no mês de dezembro, na macrorregião do Cariri”, conclui Fritz.